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	<title>Tecnologia &#8211; Bastidores do Poder</title>
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	<description>Negócios, Notícias, Análises e Grandes Histórias</description>
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	<title>Tecnologia &#8211; Bastidores do Poder</title>
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		<title>A Guinada de Zuckerberg</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jan 2026 13:26:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Depois de queimar mais de US$ 60 bilhões no metaverso, a Meta mudou de rota, cortou custos e apostou quase tudo na inteligência artificial para recuperar valor de mercado. Em outubro de 2021, o mundo da tecnologia parou para ouvir Mark Zuckerberg. Em uma apresentação com ambição futurista, o fundador do Facebook anunciou que sua [&#8230;]]]></description>
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<p>Depois de queimar mais de US$ 60 bilhões no metaverso, a Meta mudou de rota, cortou custos e apostou quase tudo na inteligência artificial para recuperar valor de mercado.</p>



<p>Em <strong>outubro de 2021</strong>, o mundo da tecnologia parou para ouvir Mark Zuckerberg. Em uma apresentação com ambição futurista, o fundador do Facebook anunciou que sua empresa passaria a se chamar Meta Platforms. A mudança não era mera estética, era uma declaração de guerra. Zuckerberg prometeu que o “metaverso” seria o sucessor da internet móvel, um universo virtual onde um bilhão de pessoas trabalhariam, jogariam e comprariam. Para mostrar convicção, ele abriu os cofres. A divisão encarregada desse futuro, a Reality Labs, receberia um cheque em branco de <strong>US$ 10 bilhões por ano</strong>.</p>



<p>O discurso de Zuckerberg, porém, mudou drasticamente em <strong>2024</strong>. Nos encontros com investidores, a palavra “metaverso” deu lugar a termos como “inteligência artificial”, “eficiência” e “modelos generativos”.</p>



<p>O que ocorreu entre o entusiasmo inicial e o silêncio constrangedor é uma das histórias corporativas mais fascinantes da década recente. A Meta não apenas queimou bilhões em uma aposta que o público e o mercado ignorou, como quase perdeu o bonde da verdadeira revolução tecnológica: a da IA generativa. Essa é a crônica de como a empresa precisou executar um cavalo de pau estratégico para preservar o valor de mercado e garantir o futuro.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O buraco de mais de US$ 60 bilhões</strong></h2>



<p>Para entender a dimensão da aposta, vale olhar os números. A divisão Reality Labs já acumula perdas operacionais de <strong>mais de US$ 60 bilhões</strong> desde que o segmento passou a ser contabilizado, em 2021.</p>



<p>Entre hardware, os óculos Quest, aquisições de estúdios de games e o desenvolvimento da plataforma social Horizon Worlds, os recursos foram despejados sem retorno visível. Resultado: em 2024, a Reality Labs reportou um prejuízo operacional de cerca de <strong>US$ 4,97 bilhões</strong> no quarto trimestre.</p>



<p>O produto não entregou. A Horizon Worlds virou piada, com avatares sem pernas e gráficos que remetiam a games de duas décadas atrás. Documentos vazados indicavam que mal conseguia reter <strong>200 mil usuários mensais</strong>, uma fração quase simbólica para uma empresa acostumada a lidar com bilhões de acessos. Internamente, havia quem quase não o utilizasse.</p>



<p>Enquanto a Meta insistia em vender terrenos virtuais, o mercado real punia a empresa. Em <strong>2022</strong>, as ações derreteram mais de <strong>70%</strong>, apagando centenas de bilhões de dólares em valor de mercado e alarmando investidores como Brad Gerstner, da Altimeter Capital, que chegou a pedir publicamente que Zuckerberg contivesse os gastos desenfreados.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>IA virou prioridade</strong></h2>



<p>A salvação veio da concorrência, de onde ninguém esperava. O lançamento do ChatGPT, da OpenAI, no final de <strong>2022</strong>, chocou o Vale do Silício e deixou claro que o futuro imediato não estava em óculos de realidade virtual, mas em modelos de linguagem capazes de gerar texto, código e imagens.</p>



<p>Zuckerberg, conhecido por sua capacidade de adaptação ou por sua disposição em copiar ideias rivais, reagiu rápido. Em <strong>2023</strong>, declarou o “Ano da Eficiência”: demitiu mais de <strong>20 mil funcionários</strong> e redirecionou recursos massivamente para a IA.</p>



<p>Embora a Meta não tenha abandonado oficialmente o metaverso e Zuckerberg ainda se refira a ele como aposta de longo prazo, o foco foi reorientado. A empresa entrou na corrida da IA com estratégia agressiva: resolveu abrir seu modelo de linguagem LLaMA, liberando-o para pesquisadores e desenvolvedores, em uma tentativa clara de tornar a tecnologia mais acessível e competitiva frente a rivais como Google e OpenAI.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>De óculos VR a data centers e GPUs</strong></h2>



<p>Se antes o dinheiro jorrava para Reality Labs, agora vai para infraestrutura de IA: data centers, GPUs poderosas e sistemas de IA embarcada. A meta deixou de ser a criação de mundos virtuais e passou a ser a integração de assistentes inteligentes em seus produtos já consolidados, como <strong>WhatsApp, Instagram e Facebook</strong>, com o objetivo de aumentar a retenção de usuários e a eficiência dos anúncios, o verdadeiro motor de lucro da empresa.</p>



<p>Atualmente, a Meta vive uma dualidade. O metaverso continua lá, queimando caixa discretamente no fundo, como uma aposta para um futuro incerto. A Meta, como gigante de IA e da publicidade digital, que o mercado precifica hoje. Suas ações bateram recordes históricos, mostrando que Wall Street está pronta para perdoar erros caros desde que o CEO saiba a hora certa de mudar de rota.</p>



<p>A guinada da Meta deixa clara uma lição para o mundo da tecnologia. A visão de longo prazo é importante, mas a capacidade de sobreviver ao presente, adaptando-se às mudanças, é talvez o maior ativo de um gigante.</p>



<p>Zuckerberg pode ter errado o timing do metaverso, mas a agilidade em abraçar a inteligência artificial talvez tenha salvado o império de cair no limbo da obsolescência.</p>
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		<title>O Castelo Global do Mercado Livre</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Nov 2025 12:42:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Bastidores]]></category>
		<category><![CDATA[Finanças]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[O Mercado Livre costuma ser apresentado como a história definitiva de sucesso tech na América Latina: uma empresa avaliada em cerca de US$ 130 bilhões, líder absoluta no comércio eletrônico e nos serviços financeiros digitais do continente. Como toda epopeia latino-americana, no entanto, há um detalhe incômodo que quase sempre fica fora do enquadramento, que [&#8230;]]]></description>
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<p></p>



<p>O <strong>Mercado Livre</strong> costuma ser apresentado como a história definitiva de sucesso tech na América Latina: uma empresa avaliada em cerca de <strong>US$ 130 bilhões</strong>, líder absoluta no comércio eletrônico e nos serviços financeiros digitais do continente. Como toda epopeia latino-americana, no entanto, há um detalhe incômodo que quase sempre fica fora do enquadramento, que é o fato de o gigante ter nascido na <strong>Argentina</strong>, país onde a inflação devora planilhas, governos caem antes do café e o Estado, quando estica a mão, não costuma parar no meio do caminho.</p>



<p>O triunfo do Mercado Livre vai além da inovação ou da eficiência operacional, é fruto de um projeto calculado, quase clínico, de neutralizar riscos. Antes de ser uma empresa, o MELI foi uma arquitetura de sobrevivência, uma equação jurídica, geográfica e societária montada para proteger o negócio de seu próprio país de origem. A tecnologia veio depois da blindagem.</p>



<p>Essa engenharia, concebida por <strong>Marcos Galperin</strong> no fim dos anos <strong>1990</strong>, transformou o Mercado Livre em algo pouco usual no capitalismo latino-americano, sendo uma companhia regional que opera na América Latina, mas não pertence juridicamente à América Latina. O resultado foi um império soberano, com muralhas erguidas muito longe de Buenos Aires e em territórios nos quais a imprevisibilidade latino-americana não chega.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A fundação: o batismo em Delaware</strong></h2>



<p>A decisão mais determinante da história do Mercado Livre não envolveu código, logística ou marketing, foi uma questão cartorial. Em <strong>1999</strong>, <strong>Marcos Galperin</strong> decidiu incorporar a empresa em <strong>Delaware</strong>, o estado americano preferido das empresas globais pela previsibilidade jurídica e pela proteção aos acionistas.</p>



<p>Ao nascer sob a lei americana, o MELI escapou, desde o primeiro minuto, do alcance dos tribunais argentinos. Qualquer disputa societária, ameaça de intervenção estatal ou litígio relevante seria resolvido nos EUA e não em Buenos Aires.</p>



<p>O círculo se fechou em <strong>2007</strong>, quando a empresa abriu capital na <strong>Nasdaq</strong>. As vantagens da incorporação somaram-se às exigências de transparência e governança impostas pela SEC (Securities and Exchange Commission, em inglês), que é a agência federal independente do governo dos EUA responsável por regular os mercados de capitais, protegendo investidores e mantendo mercados justos e eficientes. Ou seja, um segundo anel de proteção.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O quartel-general: o hedge geográfico no Uruguai</strong></h2>



<p>A empresa era americana no papel, mas a operação ainda gravitava em torno de Buenos Aires. Para <strong>Galperin</strong>, esse era um risco tão letal quanto a legislação local. A solução foi deslocar o centro de comando para <strong>Montevidéu</strong>, no <strong>Uruguai</strong>.</p>



<p>O Uruguai oferecia aquilo que a Argentina não conseguia entregar, como estabilidade política, ambiente regulatório previsível e ausência de sobressaltos macroeconômicos. A mudança criou um bunker operacional, com a gestão estratégica ficando no refúgio estável, enquanto a operação continuava espalhada pela região.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O escudo anti-controle: a governança pulverizada</strong></h2>



<p>A estrutura acionária do Mercado Livre seguiu o manual das big techs americanas: <strong>capital totalmente pulverizado na Nasdaq</strong>, sem controlador definido.</p>



<p>Além disso, o estatuto social em Delaware contém cláusulas anti-takeover robustas, como <em>poison pills</em>. Essa combinação torna uma aquisição hostil, seja por um concorrente, seja por um ator estatal, proibitivamente cara e complexa. A gestão, liderada por Galperin, está protegida não por uma maioria de ações, mas pelas leis de governança corporativa dos EUA. Eles criaram um escudo que torna a empresa, na prática, inabalável a ataques de controle.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A diversificação operacional: diluindo o “Risco-Argentina”</strong></h2>



<p>A blindagem jurídica e geográfica seria inútil se 90% da receita ainda dependesse da economia argentina. Por isso, a quarta camada de proteção foi a diversificação operacional agressiva.</p>



<p>Hoje, a Argentina é importante, mas não é vital. O verdadeiro motor do império é o <strong>Brasil</strong>, que em 2024 gerou <strong>US$ 11,4 bilhões</strong> em receita. O <strong>México</strong> já é o segundo maior mercado, com <strong>US$ 4,7 bilhões</strong>. A <strong>Argentina</strong> vem em terceiro, com <strong>US$ 3,8 bilhões</strong>.&nbsp;</p>



<p>Os números mostram que a operação argentina representa uma fatia decrescente do bolo. Se o governo local decidisse expropriar a operação amanhã, seria um golpe financeiro significativo, mas jamais fatal para o império global. O &#8220;Risco-Argentina&#8221; foi diluído a uma linha no balanço.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A blindagem pessoal: a fortaleza do fundador</strong></h2>



<p>A fortuna de <strong>Marcos Galperin</strong>, estimada em cerca de <strong>US$ 10 bilhões</strong>, não está exposta a tempestades argentinas, uruguaias ou de qualquer outro país onde o MELI opere.</p>



<p>Em vez de uma holding controladora europeia, Galperin utiliza <strong>estruturas patrimoniais como trusts e limited partnerships</strong>, frequentemente associadas à <strong>fundação holandesa (Stichting)</strong> para abrigar ações e coordenar sucessão.&nbsp;</p>



<p>Esse é o nível máximo de sofisticação para garantir que a riqueza construída sobreviva não apenas a ele, mas a gerações, independentemente do que aconteça na América Latina.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Um império soberano</strong></h2>



<p>O Mercado Livre vale cerca de <strong>US$ 130 bilhões</strong> não apenas pelo e-commerce veloz ou pela fintech onipresente. O valor nasce da engenharia de blindagem que permitiu à empresa operar em um continente instável sem ser refém dele.</p>



<p>Com <strong>Delaware</strong> como escudo jurídico, a <strong>Nasdaq</strong> como fonte de capital, o <strong>Uruguai</strong> como centro de comando e o <strong>Brasil</strong> como motor de receita, Galperin construiu um castelo global apoiado sobre solo latino-americano, mas sem se submeter às intempéries regionais.</p>
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		<title>A Guerra Secreta dos Traders</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Nov 2025 00:55:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[No pregão da B3, existe um poder oculto, uma força invisível que opera a velocidades que desafiam a compreensão humana. São os algoritmos de High-Frequency Trading (HFT), os &#8220;robôs&#8221; que disparam milhares de ordens de compra e venda em frações de segundo, sempre milissegundos à frente de todos os outros. Enquanto o investidor comum clica [&#8230;]]]></description>
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<p>No pregão da <strong>B3</strong>, existe um poder oculto, uma força invisível que opera a velocidades que desafiam a compreensão humana. São os algoritmos de <strong>High-Frequency Trading (HFT)</strong>, os &#8220;robôs&#8221; que disparam milhares de ordens de compra e venda em frações de segundo, sempre milissegundos à frente de todos os outros.</p>



<p>Enquanto o investidor comum clica no <strong>home broker</strong>, essas máquinas travam uma verdadeira guerra secreta nos servidores da bolsa, em busca de microvantagens de preço que, somadas, rendem fortunas. O fenômeno, que já domina mais de <strong>60%</strong> do volume nas bolsas americanas, avança rapidamente no <strong>Brasil</strong>. Segundo a <strong>B3</strong>, em <strong>abril de 2025</strong>, cerca de <strong>40% dos negócios</strong> no mercado de ações são atribuídos a operações de alta frequência.</p>



<p>Esta é a história dos bastidores dessa guerra. A tecnologia de ponta escondida no coração da <strong>B3</strong>, os gênios da matemática que comandam os robôs e como essa batalha invisível já define o preço das ações que você compra e vende.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><br></strong><strong>Lucrando com a velocidade</strong></h2>



<p></p>



<p>O <strong>High-Frequency Trading</strong> não é sobre prever o futuro, é sobre reagir ao presente mais rápido do que qualquer um. Usando <strong>algoritmos avançados</strong>, <strong>supercomputadores</strong> e conexões de dados de <strong>baixíssima latência</strong>, os <strong>HFTs</strong> executam um volume gigantesco de ordens em <strong>microssegundos</strong> (milionésimos de segundo) ou até <strong>nanosegundos</strong> (bilionésimos).</p>



<p>O objetivo é capturar <strong>microarbitragens</strong>, que são as diferenças mínimas de preço que surgem por instantes. Se uma ação custa <strong>R$ 10</strong> aqui e <strong>R$ 10,01</strong> ali, o robô compra e vende instantaneamente, lucrando <strong>um centavo</strong>. Parece pouco, mas ao repetir a operação <strong>milhões de vezes por dia</strong>, em diversos ativos, o resultado é bilionário. Estima-se que os principais players de <strong>HFT no Brasil</strong> faturem cerca de <strong>R$ 10 bilhões por ano</strong> com essas estratégias.</p>



<p><strong>Dentro do datacenter da B3</strong></p>



<p>Para ganhar essa corrida, não basta ter o melhor software, é preciso estar no lugar certo. As firmas de <strong>HFT</strong> instalam os servidores dentro do <strong>datacenter da B3</strong>, através de serviços de <strong>colocation</strong>. A <strong>proximidade física</strong> reduz a <strong>latência</strong>, que é o tempo de resposta, a níveis mínimos.</p>



<p>“<strong>Quanto vale um microssegundo no mercado?</strong>”, questiona a própria <strong>B3</strong> em seu material institucional. A resposta é: “<strong>pode valer muito dinheiro</strong>”. Reduzir um milionésimo de segundo na execução pode significar capturar um preço melhor ou fechar uma arbitragem antes do concorrente. A <strong>B3</strong>, em parceria com empresas especializadas, oferece <strong>infraestrutura de ponta</strong> para esse ecossistema, incluindo <strong>sincronização de relógios em nível de nanosegundos</strong>.</p>



<p>Para a bolsa, os <strong>HFTs</strong> são bem-vindos, já que aumentam a <strong>liquidez</strong> e estreitam os <strong>spreads</strong>, que é a diferença entre o preço de compra e venda. Contudo, essa velocidade levanta questões. Ordens que aparecem e desaparecem em microssegundos podem criar a ilusão de oferta ou demanda (<strong>spoofing</strong>), uma prática proibida pela <strong>Comissão de Valores Mobiliários (CVM)</strong>.</p>



<p><strong>Os arquitetos dos robôs</strong></p>



<p>Por trás das máquinas, há <strong>mentes brilhantes</strong>. Geralmente <strong>PhDs em física, matemática ou ciência da computação</strong>, eles fundaram gestoras quantitativas, as <strong>&#8220;quants&#8221;</strong>, que operam de forma radicalmente diferente dos fundos tradicionais.</p>



<p>A mais famosa é a <strong>Giant Steps Capital</strong>, a maior gestora <strong>quant</strong> da <strong>América Latina</strong>. Fundada em <strong>2012</strong> por <strong>Rodrigo Terni</strong> e sócios com background em <strong>engenharia</strong> e <strong>mercado financeiro</strong>, a <strong>Giant Steps</strong> aplica <strong>modelos matemáticos complexos</strong> para identificar e explorar padrões de mercado, ganhando vantagem na velocidade de reação. A equipe é repleta de talentos com <strong>medalhas em olimpíadas de matemática</strong>. De acordo com a análise de mercado, a gestora possui mais de <strong>R$ 6 bilhões sob gestão</strong>.</p>



<p>A <strong>Giant Steps</strong> não está sozinha. A <strong>Kadima Asset</strong>, pioneira fundada em <strong>2007</strong> por <strong>Rodrigo Maranhão</strong>, matemático pelo <strong>Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA)</strong>, já ultrapassa <strong>R$ 2,4 bilhões sob gestão</strong>. Novas casas como <strong>Pandhora Investimentos</strong> e <strong>Equus Capital</strong> também entram no jogo, provando que o futuro do trading é <strong>algorítmico</strong>.</p>



<p><strong>O impacto no seu home broker</strong></p>



<p>Essa guerra invisível afeta diretamente o <strong>investidor comum</strong>. Quando você envia uma ordem, é provável que um <strong>HFT</strong> esteja do outro lado, seja executando sua ordem atuando como <strong>market-maker</strong>, seja ajustando o preço um <strong>microssegundo antes</strong> de você.</p>



<p>Hoje, quem define o <strong>preço instantâneo</strong> de uma ação na tela não é mais um humano, mas uma <strong>rede de máquinas</strong>. Por um lado, isso trouxe mais <strong>liquidez</strong> ao mercado. Por outro, pode gerar <strong>volatilidade</strong>, como no <strong>Flash Crash de 2010</strong>, e, potencialmente, <strong>custos ocultos de execução</strong> (<em>latency arbitrage</em>), nos quais o robô captura alguns centavos da sua ordem por ser mais rápido.</p>



<p>Para o <strong>investidor de longo prazo</strong>, esse ruído de milissegundos é irrelevante, mas quem opera no <strong>curto prazo</strong> está competindo contra <strong>supercomputadores instalados dentro da bolsa</strong>.</p>



<p><strong>O jogo invisível que define o preço</strong></p>



<p>A guerra secreta dos <strong>HFTs</strong> deixou de ser um nicho para se tornar o <strong>modus operandi do mercado</strong>. Nos servidores da <strong>B3</strong>, algoritmos travam batalhas de <strong>nanosegundos</strong> que moldam a <strong>liquidez</strong> e os <strong>preços</strong>. Os gênios <strong>“quant”</strong> por trás deles transformaram a <strong>ciência</strong> em uma <strong>máquina de fazer dinheiro</strong>, faturando <strong>bilhões</strong> ao arbitrar o presente.</p>



<p>O <strong>preço das ações</strong> na sua tela é, em grande medida, o resultado desse <strong>jogo invisível</strong>. O <strong>mercado financeiro brasileiro</strong> entrou definitivamente na <strong>era das máquinas</strong>. Mesmo que você não veja, são elas que, <strong>milissegundo a milissegundo</strong>, ditam o ritmo do <strong>pregão</strong>.</p>
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		<title>A Máquina de Dados do Itaú</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Oct 2025 13:22:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Companhias em Alta]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento de Mercado]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Quando o Itaú Unibanco divulgou os resultados relativos a 2024, o mercado concentrou-se em números expressivos: o resultado recorrente gerencial de R$ 41,4 bilhões e uma carteira de crédito que atingiu R$ 1,4 trilhão. Números estes que ajudam a explicar por que o maior banco privado do país continua a expandir o crédito sem que [&#8230;]]]></description>
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<p>Quando o <strong>Itaú Unibanco</strong> divulgou os resultados relativos a <strong>2024</strong>, o mercado concentrou-se em números expressivos: o resultado recorrente gerencial de <strong>R$ 41,4 bilhões</strong> e uma carteira de crédito que atingiu <strong>R$ 1,4 trilhão</strong>. Números estes que ajudam a explicar por que o maior banco privado do país continua a expandir o crédito sem que a inadimplência tome proporções alarmantes.</p>



<p>No entanto, o que permitiu ao banco construir uma vantagem sustentável no segmento de <strong>micro, pequenas e médias empresas (PME)</strong>? A resposta exige recuar até <strong>fevereiro de 2012</strong>, quando o <strong>Itaú</strong> realizou uma operação que, à época, parecia voltada à proteção de mercado, mas que na verdade antecipava uma mudança estrutural na forma de fazer crédito.</p>



<p>Naquele ano, em meio à chamada <strong>“guerra das maquininhas”</strong>, o banco anunciou uma <strong>Oferta Pública de Aquisição (OPA)</strong> para fechar o capital da <strong>Redecard</strong> (hoje <strong>Rede</strong>) por até <strong>R$ 11,8 bilhões</strong>. A justificativa pública, nas palavras do então <strong>CEO Roberto Setubal</strong>, era ganhar “agilidade” e “competitividade” para enfrentar a concorrente <strong>Cielo</strong>. O mercado leu isso como proteção de duopólio, porém o banco olhava para outro horizonte.</p>



<p>Na vez de pagar por hardware ou apenas por serviços de adquirência, o banco adquiriu um ativo raramente listado nos balanços. Escolheram por um sistema de sinais operando em milhões de pontos de venda, um fluxo contínuo de dados que capturava o comportamento do consumidor em tempo real e permitia ao banco enxergar o desempenho dos clientes lojistas antes de muitos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Comprando o “pulso” do varejo</strong></h2>



<p>Em <strong>2012</strong>, a adquirente ainda detinha uma escala impressionante, ao processar <strong>centenas de bilhões de reais por ano</strong>, em mais de <strong>um milhão de estabelecimentos</strong>, operando como um verdadeiro sensor do varejo. O banco percebeu que o valor transcendia a mera taxa de serviço, conhecida como <strong>MDR (Merchant Discount Rate, em inglês)</strong>. O que importava mesmo era a informação contida em cada transação.<br></p>



<p>Ao internalizar <strong>100%</strong> da empresa, o banco assegurou para si aquele “pulso” do varejo, não apenas para saber se vendia, mas <strong>quando</strong>, <strong>como</strong>, <strong>com que frequência</strong>, <strong>com que padrão de estorno</strong>, <strong>a que velocidade</strong> as vendas se convertiam em caixa. Esse tipo de visibilidade permitiu ao banco conhecer melhor os clientes <strong>PJ</strong>, indo além do balanço e analisando o que realmente acontecia no varejo.</p>



<p>Enquanto os concorrentes se baseavam em relatórios contábeis defasados ou declarações de faturamento muitas vezes impressas, o banco podia assistir ao faturamento do lojista em tempo quase real. Essa diferença, por si só, já configurava uma vantagem competitiva relevante e, mais que isso, preparava o terreno para a próxima etapa, que era transformar esse fluxo em crédito.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A alquimia de dados em crédito</strong></h2>



<p>A verdadeira virada se concretizou quando o banco conectou essa rede de dados à máquina de crédito, criando uma sinergia que mudou o jogo. Primeiro veio o <strong>monitoramento em tempo real</strong>, com o banco sabendo que a <strong>“Padaria do Zé”</strong> (cliente <strong>PME</strong>) faturava <strong>R$ 7.000 por dia</strong>, por exemplo, via a adquirente na última semana e analisava se esse padrão se repetia ou variava.&nbsp;</p>



<p>Depois, a modelagem de risco foi calibrada com esses dados. O algoritmo que o banco construiu passou a definir um <strong>score de risco</strong> baseado não apenas em declarações de faturamento ou garantias tradicionais, mas em <strong>probabilidades matemáticas</strong> derivadas de comportamento real e histórico de vendas. Essa abordagem permitiu reduzir o risco, porque o banco passou a “ver” o negócio com mais clareza.</p>



<p>Por fim, em vez de esperar que o cliente pedisse crédito, o banco oferecia <strong>antecipação de recebíveis</strong> ou <strong>aumento de limite</strong> com base no fluxo de vendas que ele mesmo monitorava. Com isso, o que antes era um produto de crédito de alto risco, como emprestar para pequenas empresas, transformou-se em uma operação paralela própria: o próprio fluxo da maquininha. Em outras palavras, o banco deixou de reagir ao pedido de crédito e passou a originar crédito com base em dados que ninguém mais tinha.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Alarme do CADE</strong></h2>



<p>Quando uma instituição combina <strong>banco com adquirente mais dados em tempo real e o crédito originado com base nesses sinais</strong>, o resultado desperta atenção regulatória, e foi exatamente isso que ocorreu. O <strong>Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE)</strong> entrou no caso do <strong>Itaú-Rede</strong> ao investigar suspeitas de práticas que poderiam travar a concorrência, como oferecer melhores taxas de <strong>antecipação de recebíveis</strong> ou condições mais vantajosas de <strong>maquininha</strong> apenas para lojistas que migrassem a <strong>conta corrente</strong> para o banco.</p>



<p>O órgão elaborou <strong>termos de compromisso de cessação</strong>, acompanhou condutas e impôs medidas para prevenir práticas anticompetitivas. O fato de haver investigação e intervenção é, por si só, uma validação de que a estratégia tinha força real e não era apenas mais um movimento tático entre bancos e adquirentes. A potência da integração era tamanha que o regulador teve de agir.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O banco que virou fintech ao avesso</strong></h2>



<p>Hoje, mais de <strong>10 anos</strong> após a <strong>OPA</strong>, o cenário da adquirência mudou. Novos players, como <strong>StoneCo</strong>, <strong>PagSeguro Digital S.A.</strong> e outras <strong>fintechs emergentes</strong>, disputam agressivamente o <strong>market share</strong> no setor de <strong>pagamentos</strong>, oferecendo maquininhas, <strong>contas digitais</strong> e <strong>crédito atrelado à plataforma</strong>. Neste sentido, se o objetivo da OPA de <strong>R$ 11,8 bilhões</strong> fosse unicamente “ganhar a guerra das maquininhas”, os resultados seriam duvidosos.</p>



<p>Todavia, esse nunca foi o cerne da estratégia. O banco não se contentou em vencer o “duopólio” das maquininhas, ele comprou a adquirente para fortalecer o motor principal, que é o <strong>crédito para empresas</strong>, transformando-se, em certa medida, em uma <strong>fintech ao avesso</strong>: era banco, comprou adquirente, extraiu dados e turbinou o <strong>core finance</strong>.</p>



<p>Os números de <strong>2024</strong>, com resultado de <strong>R$ 41,4 bilhões</strong> e carteira de crédito de <strong>R$ 1,4 trilhão</strong>, são frutos para além da expansão ou inflação. São reflexo de uma <strong>década de engenharia estratégica</strong>, de dados e de risco. O recurso mais valioso, afinal, não é a maquininha, mas o <strong>dado que ela gera</strong>.</p>
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		<title>O Brasileiro que Quer Criar a Próxima Big Tech Global</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 May 2025 21:38:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresários]]></category>
		<category><![CDATA[Companhias em Alta]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento de Mercado]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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<p>Quando a <strong>Prosus</strong> anunciou, em <strong>2024</strong>, que <strong>Fabricio</strong> <strong>Bloisi</strong> seria o novo <strong>CEO</strong> <strong>global</strong> da holding, o mercado europeu reagiu com <strong>frieza</strong>, ações chegaram a <strong>recuar 3%</strong> em Amsterdã. Um nome desconhecido fora do Brasil, vindo de uma operação de delivery na América Latina, assumiria uma das <strong>maiores</strong> <strong>investidoras</strong> <strong>em tecnologia do mundo</strong>, mas quem conhece Bloisi há mais tempo sabe que ele <strong>nunca operou com metas modestas.</strong></p>



<p>Aos <strong>21 anos,</strong> fundou a <strong>Movile</strong>, no interior de São Paulo, com a tese de que a <strong>internet</strong> <strong>móvel</strong> mudaria a forma como as pessoas se comunicavam. <strong>Dez anos depois,</strong> investiu no <strong>iFood</strong>, que ainda era uma startup com<strong> 20 funcionários</strong> e transformou a empresa na <strong>maior</strong> <strong>plataforma</strong> <strong>de delivery da América Latina,</strong> com mais de<strong> 110 milhões</strong> de pedidos mensais.</p>



<p>Agora, comanda uma holding avaliada em<strong> €110 bilhões, </strong>dona de participações relevantes em <strong>Tencent</strong>, <strong>OLX</strong>, <strong>Delivery</strong> <strong>Hero</strong>, <strong>Meituan</strong>, <strong>Creditas</strong>, <strong>Sympla</strong>, entre outras. E já deixou claro seu próximo passo: dobrar o valor da Prosus para<strong> US$200 bilhões.</strong></p>



<p><strong>A tese? Parar de investir em minorias e começar a operar como uma big tech.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>De Salvador a Campinas: os primeiros passos</strong></h2>



<p>Nascido em <strong>Salvador</strong> em <strong>1977</strong>, Fabricio se mudou aos 17 anos para cursar <strong>ciência</strong> <strong>da</strong> <strong>computação</strong> na <strong>Unicamp</strong>, em Campinas. Com um perfil <strong>técnico</strong> e foco em <strong>execução</strong>, começou a trabalhar com desenvolvimento de sistemas ainda na graduação. Em 1998, fundou a <strong>Intraweb</strong>, que mais tarde se tornaria a <strong>Movile</strong>, com o objetivo inicial de <strong>prestar</strong> <strong>serviços</strong> <strong>corporativos</strong> e <strong>soluções</strong> <strong>de comunicação.</strong></p>



<p>Na virada dos anos 2000, com a explosão da telefonia no Brasil, Fabricio Bloisi percebeu que o celular, ainda sem internet de verdade, podia ser uma nova plataforma de distribuição em massa.</p>



<p>Com isso, pivotou o modelo da <strong>Movile</strong> para um negócio B2B2C: <strong>vendia conteúdos digitais via SMS e WAP</strong>, como <strong>ringtones</strong>, <strong>jogos</strong> <strong>Java</strong>, <strong>piadas</strong> e <strong>horóscopos</strong>, integrando-se diretamente às operadoras de telefonia. A Movile <strong>cuidava do conteúdo,</strong> da <strong>tecnologia</strong> e da <strong>cobrança</strong>, enquanto <strong>Claro</strong>, <strong>Vivo</strong> e <strong>TIM</strong> <strong>distribuíam</strong> os produtos para suas bases de <strong>milhões de clientes</strong>.</p>



<p>O modelo funcionava com <strong>margens</strong> <strong>altas</strong> e <strong>custo</strong> <strong>de aquisição quase zero: </strong>os produtos da Movile vinham <strong>embutidos</strong> em portais de entretenimento das operadoras, e o pagamento era <strong>descontado</strong> <strong>direto na fatura do celular.</strong></p>



<p>Nos bastidores, a empresa virou <strong>um motor invisível de monetização digital</strong>, abastecendo dezenas de operadoras e criando um <strong>ecossistema</strong> <strong>próprio</strong> <strong>de conteúdo móvel.</strong> Em<strong> menos de cinco anos, </strong>a Movile se tornou <strong>líder</strong> na América Latina nesse segmento.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>A aposta no iFood e o salto para o mobile commerce</strong></h2>



<p>Em 2013, a Movile buscava <strong>novos caminhos de crescimento.</strong> O mercado de conteúdo via SMS começava a<strong> perder fôlego </strong>com a popularização dos smartphones, e Bloisi decidiu <strong>reposicionar</strong> a empresa como um<strong> grupo de tecnologia</strong> com foco em <strong>mobile commerce</strong>.</p>



<p>Foi nesse contexto que <strong>conheceu</strong> os fundadores do <strong>iFood</strong>, então uma startup paulistana com menos de <strong>20</strong> <strong>funcionários</strong> e cerca de <strong>20 mil pedidos por mês.</strong> A Movile decidiu liderar a <strong>primeira</strong> <strong>rodada</strong> institucional da empresa, com um aporte de <strong>R$5,5 milhões.</strong></p>



<p>Mais do que capital, Bloisi trouxe <strong>disciplina</strong> de execução, <strong>tecnologia</strong>, <strong>estrutura</strong> <strong>de gestão</strong> e <strong>ambição</strong>. A partir dali, a Movile se tornou <strong>controladora</strong> da operação, colocando o iFood no centro da sua estratégia.</p>



<p>O crescimento foi <strong>exponencial</strong>. Entre <strong>2013</strong> e <strong>2020</strong>, o iFood multiplicou por<strong> 1.000 </strong>o número de pedidos mensais, comprou concorrentes como <strong>SpoonRocket</strong>, <strong>PedidosJá</strong> e <strong>Domicilios.com</strong>, e se tornou a <strong>maior</strong> <strong>foodtech</strong> da América Latina, com presença em mais de <strong>mil cidades</strong> e liderança absoluta no Brasil.</p>



<p>Em janeiro de <strong>2020</strong>, Fabricio Bloisi assumiu o cargo de<strong> CEO do iFood. </strong>Na época, a empresa registrava mais de <strong>30 milhões de pedidos por mês</strong>, mas ainda <strong>não gerava caixa. </strong>Sob sua gestão, o foco passou a ser <strong>logística, inteligência artificial e novos verticais</strong>, como farmácia, mercado e serviços financeiros para entregadores e restaurantes.</p>



<p>Quando Bloisi deixou a presidência executiva, em 2023, o iFood já operava com mais de <strong>75 milhões de pedidos por mês</strong>, gerava lucro operacional e movimentava uma cadeia de mais de <strong>300 mil restaurantes, 200 mil entregadores e 40 milhões de usuários ativos</strong>.</p>



<p>A foodtech, que começou como uma aposta paralela da Movile, havia se transformado no principal ativo da holding — e num case global de escala e execução no setor de delivery.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Como a Prosus entrou no jogo</strong></h2>



<p>A história da <strong><a href="https://www.instagram.com/p/DAoGlOzu063/?locale=de-DE&amp;img_index=1" data-type="link" data-id="https://www.instagram.com/p/DAoGlOzu063/?locale=de-DE&amp;img_index=1">Prosus</a></strong> com Fabricio Bloisi começou bem antes do anúncio da sua nomeação como CEO global. Em <strong>2008</strong>, a Movile recebeu seu<strong> primeiro cheque institucional da Naspers,</strong> conglomerado sul-africano que, na época, já era um dos <strong>maiores investidores em internet do mundo, </strong>com participações bilionárias na <strong>Tencent</strong> (dona do <strong>WeChat</strong>) e em outras empresas de crescimento acelerado na Ásia e na Europa.</p>



<p>A entrada no Brasil foi <strong>discreta</strong>, mas <strong>cirúrgica</strong>. A Movile entregava <strong>margem</strong>, <strong>execução</strong> e <strong>escala</strong>. Operava num setor <strong>pouco</strong> <strong>glamouroso</strong>, mas com <strong>profundidade</strong> <strong>técnica</strong> e <strong>penetração</strong> <strong>nacional</strong>. Para a Naspers, que buscava negócios de tecnologia com <strong>tração</strong> em mercados emergentes fora do eixo EUA-China, a Movile <strong>encaixava</strong> no modelo.</p>



<p>Nos anos seguintes, a relação se <strong>aprofundou</strong>. A Naspers se tornou <strong>fiadora</strong> do <strong>projeto iFood </strong>e se tornou uma espécie de <strong>sócia</strong> <strong>invisível</strong> na construção do <strong>maior ecossistema de mobile commerce da América Latina.</strong> Foi ela quem bancou o <strong>ciclo agressivo</strong> de investimentos entre <strong>2013 e 2022, </strong>aquisições, expansão de logística própria, algoritmos de roteirização, verticais de farmácia, mercado e fintech. A cada rodada,<strong> o capital vinha da África do Sul</strong> e a operação era <strong>tocada</strong> por Bloisi.</p>



<p>Em <strong>2019</strong>, a Naspers <strong>reorganizou</strong> seu portfólio global de tecnologia sob um novo guarda-chuva: a <strong>Prosus</strong>, holding baseada em Amsterdã, criada para<strong> listar em bolsa </strong>suas participações fora da África do Sul.<strong> </strong>A Movile passou a fazer parte formal da Prosus, ao lado de ativos como <strong>OLX</strong>, <strong>PayU</strong>, <strong>Delivery</strong> <strong>Hero</strong> e <strong>Meituan</strong>.</p>



<p>A partir dali, o fluxo se intensificou e a Prosus passou a <strong>liderar</strong> <strong>diretamente</strong> os aportes no iFood. Foram mais de <strong>US$2 bilhões investidos </strong>entre 2016 e 2022, capital que financiou a expansão e a liderança absoluta no Brasil.</p>



<p>O movimento decisivo veio em agosto de 2022. A Prosus comprou os <strong>33,3% restantes do iFood, </strong>que ainda estavam nas mãos da Just Eat Takeaway, por<strong> €1,8 bilhão.</strong> Com isso, assumiu <strong>100% do capital </strong>e consolidou o controle da operação.</p>



<p>Na prática, o iFood virou o<strong> maior ativo da Prosus na América Latina </strong>e o <strong>terceiro maior investimento individual do grupo,</strong> atrás apenas da Tencent e da Delivery Hero. Fabricio Bloisi, por sua vez, consolidou sua posição como o executivo de maior influência no ecossistema da holding.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>O plano de US$200 bilhões</strong></h2>



<p>Em <strong>2023</strong>, a <strong>sucessão</strong> na Prosus foi tratada com a mesma <strong>frieza</strong> que caracteriza o mercado europeu. <strong>Bob van Dijk, </strong>CEO desde 2014, <strong>deixou o cargo após</strong> anos de críticas à gestão passiva de um portfólio que crescia em valor, mas não em <strong>coerência</strong>. A empresa precisava de uma tese nova — e escolheu um nome fora do script: <strong>Fabricio Bloisi.</strong></p>



<p>A nomeação pegou o mercado de Amsterdã no <strong>contrapé</strong>. Um executivo brasileiro, vindo de uma operação de delivery, assumiria o comando de uma holding avaliada em mais de<strong> €100 bilhões. O </strong>ceticismo inicial derrubou as ações em <strong>3%. </strong>Mas a leitura externa <strong>ignorava</strong> o que, internamente, já era consenso: ninguém dentro do grupo<strong> conhecia tão bem o portfólio</strong> quanto Bloisi. Ninguém tinha entregue tanto resultado em tão pouco tempo.</p>



<p>Desde que assumiu, o novo CEO tenta fazer com a Prosus o que fez com a Movile. <strong>Acabar com estruturas soltas</strong>, <strong>cortar</strong> <strong>gordura</strong> e <strong>transformar</strong> uma <strong>coleção de ativos </strong>em uma operação com <strong>direção</strong>. O discurso de investor relations mudou. O modelo de governança mudou. E, principalmente, a ambição mudou.</p>



<p>Bloisi quer <strong>parar de operar como um fundo</strong> e começar a construir uma <strong>empresa</strong>. As primeiras decisões internas caminham nessa direção. Times que antes operavam <strong>isolados</strong> passaram a <strong>compartilhar</strong> tecnologia, dados e talentos. Startups do portfólio começaram a testar <strong>integrações</strong> em logística, pagamentos e identidade digital. Em vez de<strong> comprar para diversificar</strong>, a Prosus quer <strong>conectar</strong> <strong>para</strong> <strong>escalar</strong>.</p>



<p>O plano foi anunciado com todas as letras: transformar a <strong>holding</strong> em uma <strong>big tech global. </strong>Dobrar seu valor de mercado para <strong>US$200 bilhões</strong> e usar os ativos em <strong>mercados</strong> <strong>emergentes</strong> como base para um novo tipo de conglomerado digital — <strong>descentralizado, mas orquestrado.</strong></p>



<p>O mercado ainda observa com reservas. A transformação que Bloisi propõe exige <strong>reverter</strong> uma cultura de anos, <strong>enfrentar</strong> <strong>conselhos</strong> <strong>conservadores</strong> e <strong>reprecificar</strong> o valor das empresas com base em sinergias que ainda estão no papel. Mas, aos poucos, a narrativa começa a mudar. Os relatórios trimestrais ficaram mais <strong>densos</strong>. O guidance passou a <strong>incluir </strong>métricas operacionais. E o CEO brasileiro, antes visto como <strong>aposta exótica,</strong> virou o principal porta-voz da tese de reestruturação da Prosus.</p>



<p>O reconhecimento mais visível veio esse mês, quando Bloisi foi <strong>homenageado como <em>Person of the Year</em> </strong>pela <strong>Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, </strong>em <strong>Nova</strong> <strong>York</strong>. No palco, diante de banqueiros e investidores, ele não falou sobre legado — falou sobre ambição. Relembrou o<strong> mural de metas do iFood, </strong>onde cada colaborador escrevia um sonho com uma data. E deixou claro qual é o próximo: transformar a Prosus em uma empresa de US$200 bilhões. <strong>Com data marcada.</strong></p>



<p>Ainda é cedo para saber se o plano vai vingar. Mas, ao contrário do que se pensava em Amsterdã, não se trata de uma aposta ousada demais. Para quem conhece a trajetória de Bloisi, seria estranho se fosse outra coisa.</p>
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