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	<title>Movimento de Mercado &#8211; Bastidores do Poder</title>
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	<description>Negócios, Notícias, Análises e Grandes Histórias</description>
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	<title>Movimento de Mercado &#8211; Bastidores do Poder</title>
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		<title>A Engenharia Imobiliária da Ração</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Mar 2026 12:58:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento de Mercado]]></category>
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					<description><![CDATA[Fusão entre Petz e Cobasi cria colosso de R$ 7 bilhões que reposiciona o poder no setor e pressiona gigantes globais da ração. No final de 2025, uma operação redesenhou o mercado pet brasileiro. Com a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a compra da Cobasi pela Petz criou a maior rede de [&#8230;]]]></description>
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<p id="block-8eb0e58b-d47c-4296-b62c-808fd4a78ffa"><em><em>Fusão entre Petz e Cobasi cria colosso de R$ 7 bilhões que reposiciona o poder no setor e pressiona gigantes globais da ração</em>.</em></p>



<p></p>



<p>No final de 2025, uma operação redesenhou o mercado pet brasileiro. Com a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), <strong>a compra da Cobasi pela Petz criou a maior rede de varejo pet do país</strong>.</p>



<p>Com a chamada “humanização” dos pets, esse mercado tem ganhado cada vez mais destaque no país. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), <strong>o Brasil conta com entre 150 e 160 milhões de animais de estimação</strong>, se posicionando como <strong>um dos três maiores mercados pet</strong> do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e China. Somente em 2024, <strong>o setor movimentou cerca de R$ 75 bilhões</strong></p>



<p>Agora a Petz e Cobasi formam um colosso de quase 500 lojas em 20 estados brasileiros, tendo <strong>receita bruta superior a R$ 7 bilhões</strong> e algo entre 420 mil e 470 mil metros quadrados de área comercial pelo país.&nbsp;</p>



<p>A fusão cria <strong>o maior operador de metros quadrados do varejo pet brasileiro</strong> e reposiciona o setor em torno da lógica de controle de espaço físico para comandar a cadeia de vendas em varejo.&nbsp;</p>



<p>Com o grupo Petz Cobasi, o mercado pet ganha um colosso capaz de pressionar a indústria da ração, o principal motor econômico do seu setor, transforma-se em algo mais próximo do que sempre foi: <strong>Uma operação imobiliária disfarçada de clínica veterinária</strong>.</p>



<p></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A disputa pelo metro quadrado</strong></h2>



<p>Embora a Cobasi não divulgue sua metragem total, ela foi pioneira no conceito de megaloja pet no país, trazendo empreendimentos de 800 m² à 1300 m² em algumas unidades. Já a Petz informa cerca de 221 mil m² de área de vendas. Combinado às estimativas, o grupo fundido conta com algo entre 420 mil e 470 mil m², comparável à um shopping center de grande porte.</p>



<p>Esse grande portfólio é recente. Cerca de 40% das lojas da Petz foram abertas a partir de 2021 e ainda estão em fase de maturação, operando com receita abaixo do potencial e margens reduzidas.</p>



<p>A operação da empresa é quase integralmente baseada em contratos de locação, de 5 a 10 anos, com reajustes inflacionários, e em shoppings funciona em estruturas híbridas que combinam aluguel mínimo e percentual sobre vendas. Esse modelo estabelece um metro quadrado como ativo flexível.</p>



<p>&nbsp;Manter essa operação funcionando gera uma conta significativa. Apenas com a Petz, a estimativa é que o custo total de ocupação pode chegar a algo entre R$ 400 milhões por ano, o equivalente a cerca de 10% a 12% da receita da empresa.</p>



<p>E é nesse contexto que a fusão entre Petz de Cobasi muda tudo.</p>



<p>Um estudo do JP Morgan mostrou que 22% das lojas Petz ficavam a menos de um quilômetro de uma loja da Cobasi, com cerca de 60% estando a menos de 3 quilômetros. Um fechamento de lojas em áreas de maior sobreposição pode resultar em market share mais saudável para as lojas remanescentes.</p>



<p>Com o fim da competição direta por localização, o grupo elimina esse “leilão de dois” que inflaciona os aluguéis em regiões premium. Isso abre espaço para a renegociação de contratos, fechamentos de unidades sobrepostas e a migração para formatos (e regiões) mais eficientes.</p>



<p>Uma estratégia para explorar essa sinergia é reduzir suas megastores (de até 1.500 m²) para focar em lojas de 450 até 700m², o que reduz custos de ocupação, equipe e demais despesas fixas. Mesmo assim, em seus canais institucionais, o grupo Petz Cobasi continua buscando por pontos entre 500 e 1.200 m² para locação.</p>



<p>Hoje, cerca de 95% das vendas digitais são feitas a partir das lojas físicas. Com isso, mais do que cortar custos, a análise estratégica dessa fusão pode transformar cada loja em um hub logístico para potencializar o e-commerce.</p>



<p>Na prática, apenas de somar quase 500 lojas, o grupo já controla uma área expressiva de fluxo do varejo. Parando de competir entre si, elas passam a agir como um grupo que reconfigura o mercado imobiliário, o que pode dificultar a entrada de novos concorrentes nessas regiões premium.</p>



<p>Para além disso, o grupo Petz Cobasi passa a comandar o maior canal físico de venda do setor, <strong>sendo capaz de definir preço, exposição e relevância de marcas</strong>, impactando diretamente o <strong>controle sobre a distribuição do varejo</strong>. E isso coloca <strong>fim a uma guerra silenciosa</strong> que o mercado enfrentava.</p>



<p></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A conta chega à indústria</strong></h2>



<p>Esse controle físico que a Petz Cobasi exerce cria um efeito de “ampulheta” no setor: de uma lado, milhares de consumidores de um lado, do outro, dezenas de fornecedores. Isso forma um gargalo concentrado no varejo.</p>



<p>Das 35 empresas consultadas pelo CADE, <strong>31 confirmaram preocupação</strong> com o poder de barganha da entidade combinada. Petz e Cobasi já recebem condições diferenciadas dos fornecedores, o que inclui descontos, bonificações, prazos de pagamento estendidos e campanhas promocionais exclusivas.</p>



<p>Nos últimos anos, impulsionada pelo avanço do e-commerce e pela competição entre redes físicas, a disputa pelo menor preço ficou acirrada. Nesse cenário, <strong>a ração virou uma commodity promocional</strong>, pressionando margens e drenando o caixa do varejo.</p>



<p>A junção da Cobasi com a Petz interrompe esse ciclo, mudando toda a lógica do setor, reduzindo a necessidade dos descontos agressivos. E essa pressão passa a ser direcionada para outro lugar.</p>



<p>No mercado das rações premium e super-premium, o percentual que passa pela Petz Cobasi é maior que os 10% do canal geral, com esses produtos se concentrando no varejo especializado.</p>



<p>Nesse ramo, dois nomes despontam como gigantes com dependência deste canal pet especializado para a distribuição de ração. <strong>Mars Incorporated</strong>, responsável por grandes marcas tradicionais, como <em>Pedigree</em> e&nbsp; <em>Whiskas</em>, que recentemente investiu US$ 90 milhões em uma nova fábrica de wet food; e a <strong>Nestlé</strong>, que em 2025 investiu mais de R$ 2,5 bilhões na <em>Purina</em>, alavancando a produção de rações para as marcas <em>Pro Plan, Dog Chow e Friskies</em>.</p>



<p>Ainda é preciso levar em consideração a criação de marcas próprias que acentuam essa disputa. Produtos de marca própria podem ser até <strong>30% mais baratos</strong> que marcas líderes e entregam <strong>5-10 pontos percentuais a mais de margem bruta. </strong>E a penetração de private label na Petz evoluiu de 3% no 2T22 para <strong>12,5% no 2T25</strong>, com a marca própria já sendo o <strong>segundo maior &#8220;fornecedor interno&#8221;</strong> da rede.</p>



<p>A Petz lançou sua própria marca de ração seca, a Selections. Com a Cobasi contribuindo com cerca de 20 marcas proprietárias, essa pressão no mercado tradicional só deve aumentar.</p>



<p>Assim, <strong>o novo grupo Petz Cobasi passa a ter mais poder de negociação</strong> com essas empresas. Agora, o grupo ganha <strong>escala suficiente para exigir melhores condições comerciais, descontos e verbas de exposição</strong>.</p>



<p>Na prática, com o fim da utilização da ração como commodity promocional para concorrência direta, <strong>o poder de barganha muda de lado</strong>. Seguindo a estratégia que redes de Supermecado bem utilizado há décadas, a Petz-Cobasi mostra que <strong>quem controla o ponto de venda controla toda a cadeia de vendas</strong>.</p>



<p></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Concorrência territorial</strong></h2>



<p>Para aprovar a fusão entre Petz e Cobasi, o Cade exigiu a venda de <strong>26 lojas da Petz no estado de São Paulo</strong>, o <strong>equivalente a aproximadamente R$ 230 milhões em receita,&nbsp; cerca de 3,3% do faturamento anual da empresa</strong>.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>O argumento é reduzir a concentração em mercados onde a sobreposição das duas redes seria maior. Com isso, o mercado poderia permanecer competitivo, favorecendo os consumidores. Nem todo mundo concorda com essa ideia.</p>



<p>A <strong>Petlove</strong>, empresa que oferta serviços semelhantes ao Grupo Petz Cobasi, argumenta que o desinvestimento em menos de 30 lojas é insuficiente para balancear o ramo pet. Especialmente quando consideramos que fusão coloca o grupo como algo <strong>até 30 vezes maior que o terceiro colocado do setor.</strong></p>



<p>O próprio Cade utilizou isócronas para mapear a sobreposição competitiva, identificando que, sem intervenção, a fusão poderia elevar preços em até 15% em mercados locais concentrados.</p>



<p>Curiosamente, como apontou o presidente do Cade, <strong>Gustavo Augusto Freitas de Lima</strong>, foi o interesse da própria Petlove em adquirir essas unidades ajudou a viabilizar a aprovação. <strong>“Se vai dar certo ou não, é o que vamos medir e monitorar”, </strong>afirmou à <em>Forbes</em>.</p>



<p>A aprovação da fusão, definindo o desinvestimento em 26 lojas, mostra que, na visão do Conselho, o ativo mais valioso não é a marca, mas sim o ponto comercial. Mais do que apenas uma expansão em metros quadrados, essas lojas representam o controle territorial de pontos estratégicos com um fluxo de clientes já estabelecido.</p>



<p></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O novo centro do poder</strong></h2>



<p>&nbsp;A fusão entre Petz e Cobasi não cria um império imobiliário tradicional, afinal não há terrenos, prédios ou ativos a serem monetizados.&nbsp; O que ela cria é o controle de quase meio milhão de metros quadrados alugados em pontos estratégicos.</p>



<p>Sem um capital imobilizado, o grupo pode expandir, fechar ou reposicionar suas lojas com muita rapidez, o que permite reestruturar sua presença territorial conforme novas estratégias forem surgindo, se adequando de acordo com sua demanda.</p>



<p>Assim, o grupo Petz Cobasi solidifica o seu controle no mercado pet, um setor bilionário em constante expansão, sustentado pela necessidade de consumo recorrente. Resultando em uma capacidade real de influenciar os preços e margens de lucro ao pressionar a indústria pet.</p>



<p>No fim, a lógica permanece a mesma que rege o varejo há décadas: quem controla o canal controla o mercado.</p>
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		<title>Votorantim e o fim da era do alumínio </title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Feb 2026 14:00:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Aquisições]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento de Mercado]]></category>
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					<description><![CDATA[Em um movimento que encerra um ciclo de 85 anos na indústria brasileira, a Votorantim selou a venda do controle da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) para um consórcio formado pela estatal chinesa Chinalco e pela mineradora Rio Tinto. O cheque de R$ 4,7 bilhões marca a saída definitiva da família Ermírio de Moraes de [&#8230;]]]></description>
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<p></p>



<p>Em um movimento que encerra um ciclo de 85 anos na indústria brasileira, a <strong>Votorantim</strong> selou a venda do controle da <strong>Companhia Brasileira de Alumínio (CBA)</strong> para um consórcio formado pela estatal chinesa <strong>Chinalco</strong> e pela mineradora <strong>Rio Tinto</strong>. O cheque de <strong>R$ 4,7 bilhões</strong> marca a saída definitiva da família Ermírio de Moraes de um setor que ajudou a construir.</p>



<p>Se aprovada pelos reguladores, a transação não apenas injeta liquidez no caixa da holding, mas confirma uma mudança tectônica na estratégia do grupo: sair do risco volátil das commodities para a segurança dos contratos regulados de energia e infraestrutura.</p>



<p>O acordo avalia a CBA (Enterprise Value) em <strong>R$ 10,7 bilhões</strong>. O preço de <strong>R$ 10,50 por ação</strong> representa um prêmio de <strong>74%</strong> sobre a média das cotações nos últimos 90 dias.</p>



<p>Mas por que a Votorantim desistiu do alumínio? O que a China ganha com isso? E como a <strong>Auren Energia</strong> se tornou a nova protagonista do conglomerado?</p>



<p></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O Fim da Volatilidade: Por que vender a CBA?</strong></h3>



<p>Para entender a venda da &#8220;joia da coroa&#8221; fundada em 1941, é preciso olhar para o balanço, há anos, o grupo vem executando um movimento disciplinado de rotação de portfólio: sair de teses cíclicas, onde o preço é ditado por bolsas em Londres ou Chicago, e migrar para teses de infraestrutura e <em>utilities</em>, onde o retorno é regulado e protegido da inflação.</p>



<p>A comparação dos números revela o racional inequívoco da holding. Em 2024, a CBA, sujeita às intempéries do preço do alumínio e aos custos de insumos, faturou cerca de <strong>R$ 8,1 bilhões</strong>. No mesmo período, a <strong>Auren Energia</strong> — a plataforma de renováveis do grupo — já apresentava uma receita líquida pro forma de <strong>R$ 11,2 bilhões</strong>.</p>



<p>A hierarquia interna do grupo mudou silenciosamente. A energia, que nasceu como um departamento de suporte para garantir que as fábricas de cimento e alumínio não parassem, tornou-se o protagonista. Hoje, na holding Votorantim S.A., o negócio de energia já é uma das maiores linhas de receita, superando a própria CBA e posicionando-se atrás da Votorantim Cimentos (R$ 26,6 bilhões) e disputando espaço com a CCR (R$ 14,5 bilhões) e a divisão de mineração. Mais do que volume, a energia entrega qualidade de resultado: o setor já responde por mais de 20% do EBITDA total do conglomerado, com margens que a indústria de transformação raramente consegue entregar.</p>



<p>Com a incorporação da AES, a Auren passou a operar uma matriz diversificada e robusta: <strong>54% hídrica, 36% eólica e 10% solar</strong>. Além da geração, a empresa tornou-se líder absoluta em comercialização, negociando 6,2 GW médios em 2024. O EBITDA ajustado consolidado de <strong>R$ 3,3 bilhões</strong> da Auren confirma a tese: é muito mais seguro vender elétrons com contratos de longo prazo do que vender lingotes de alumínio no mercado spot.</p>



<p>Além da Auren, o grupo criou veículos como a <strong>Floen</strong>, para investir em hidrogênio verde e armazenamento, e a <strong>Reservas Votorantim</strong>, para monetizar créditos de carbono. A mensagem para o mercado é clara: a indústria do século XX financia a infraestrutura do século XXI.</p>



<p>A decisão de venda também foi acelerada por um &#8220;bode na sala&#8221;: o <strong>Projeto Rondon</strong>.&nbsp;</p>



<p>Para garantir sua sobrevivência a longo prazo, a CBA precisava tirar do papel uma nova mina de bauxita no Pará. O custo estimado era de <strong>US$ 2,5 bilhões (R$ 15 bilhões)</strong>. A Votorantim se recusou a assinar esse cheque. Ao vender o controle, o grupo transfere esse risco de execução para quem tem bolsos infinitos e necessidade estratégica.</p>



<p>Localizado no Pará, esse projeto de exploração de bauxita era vital para garantir a longevidade operacional da CBA, prometendo adicionar 4,5 milhões de toneladas de produção por ano e substituir minas que entrariam em exaustão. O problema era a etiqueta de preço. Colocar Rondon de pé exigiria um investimento monumental estimado em <strong>US$ 2,5 bilhões (quase R$ 15 bilhões)</strong>.</p>



<p>A Votorantim fez as contas e recusou-se a assinar esse cheque. Investir R$ 15 bilhões em um projeto de mineração greenfield, com todos os riscos de licenciamento e execução, para vender uma commodity cujo preço ela não controla, contradizia frontalmente a nova filosofia de alocação de capital do grupo.&nbsp;</p>



<p>A contratação do banco Moelis em agosto passado para buscar um parceiro foi o &#8220;sinal de fumaça&#8221;: ou alguém entrava com o dinheiro, ou a CBA encolheria. A solução foi vender a operação inteira para quem tem bolsos infinitos e imperativos estratégicos que vão além do retorno financeiro imediato.</p>



<p></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O Interesse Chinês: Soberania, não Lucro</strong></h3>



<p>Se para a Votorantim o negócio foi uma saída financeira inteligente, para a <strong>Chinalco</strong> (controladora da Chalco) foi uma manobra de soberania nacional. A China produz 60% do alumínio mundial, mas vive um pesadelo logístico: sua dependência extrema de bauxita importada, concentrada perigosamente na Guiné e na Austrália.</p>



<p>Em um cenário de fragmentação global, depender da Austrália (aliada militar do Ocidente) ou da instabilidade política africana é um risco inaceitável para Pequim. Ao adquirir a CBA, a China coloca as mãos em minas operacionais que produzem 2 milhões de toneladas de bauxita por ano e, crucialmente, destrava o Projeto Rondon. A localização estratégica de Rondon, a apenas 130 km da Estrada de Ferro Carajás, permite escoar essa matéria-prima diretamente para os portos e alimentar as fundições chinesas.</p>



<p>Para a <strong>Rio Tinto</strong>, que entra como sócia minoritária com 33% da Joint Venture, a jogada é de posicionamento no &#8220;alumínio verde&#8221;. A CBA possui um diferencial raro: sua produção é alimentada por energia renovável de 21 hidrelétricas próprias. Em um futuro onde o carbono será taxado nas fronteiras, ter alumínio produzido com base hídrica vale ouro.</p>



<p></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O que acontece agora?</strong></h3>



<p>O mercado financeiro, sempre atento aos movimentos dos &#8220;tubarões&#8221;, já havia precificado a saída. Embora o prêmio oficial tenha sido de apenas 1,5% sobre o fechamento da véspera, as ações da CBA dispararam 47% em janeiro e dobraram nos últimos 12 meses. O prêmio real pago pelos chineses, sobre a média dos últimos 90 dias, foi de <strong>74%</strong>.</p>



<p>A transação avaliou a empresa inteira (Enterprise Value) em <strong>R$ 10,7 bilhões</strong>, um múltiplo de aproximadamente 6 vezes o EBITDA projetado para 2026. Para a Votorantim, foi a saída perfeita: vendeu no topo, monetizou a especulação e transferiu o risco de execução do Projeto Rondon.</p>



<p>O negócio dispara o <em>tag along</em> para os acionistas minoritários. A joint venture sino-australiana será obrigada a realizar uma <strong>Oferta Pública de Aquisição (OPA)</strong> pelas ações restantes da CBA na B3, pelo mesmo preço de <strong>R$ 10,50</strong>.</p>



<p>A expectativa do mercado é que a CBA feche seu capital em breve. Para a Votorantim, que encerra o dia com <strong>R$ 13,6 bilhões</strong> em caixa e grau de investimento reafirmado, a mensagem é clara: a tradição industrial do século XX agora financia a infraestrutura verde do século XXI.</p>
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		<title>A Coroação do Cobre</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jan 2026 09:37:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Fusões]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento de Mercado]]></category>
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					<description><![CDATA[Por Bastidores do Poder No universo rarefeito das megafusões globais, há sinais que antecedem o terremoto. Quando Simon Robey, o lendário dealmaker britânico famoso por orquestrar as maiores e sensíveis transações na City londrina, entra na sala de guerra, não costuma ser para “conversas preliminares” no sentido inocente da expressão. O mercado sabe do que [&#8230;]]]></description>
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<p></p>



<p>Por Bastidores do Poder</p>



<p>No universo rarefeito das megafusões globais, há sinais que antecedem o terremoto. Quando <strong>Simon Robey</strong>, o lendário dealmaker britânico famoso por orquestrar as maiores e sensíveis transações na City londrina, entra na sala de guerra, não costuma ser para “conversas preliminares” no sentido inocente da expressão. O mercado sabe do que se trata e lê como um recado de que alguém decidiu testar o limite.</p>



<p>É nesse clima que voltaram a circular, no começo de 2026, conversas que mais parecem um teste de nervos. A <strong>contratação de Robey pela Rio Tinto</strong>, ao lado de um exército de banqueiros de investimento do <strong>JPMorgan, Evercore, Macquarie e UBS</strong>, sinaliza que a mineradora anglo-australiana decidiu ir para o &#8220;tudo ou nada&#8221; em sua ambição de reescrever a hierarquia global das commodities. O alvo é a <strong>Glencore</strong>, a gigante suíça que combina mineração industrial com a maior mesa de <em>trading</em> de matérias-primas do planeta e que também confirmou a existência dessas conversas.</p>



<p>Pelo rito britânico, há agora um prazo para transformar rumor em proposta ou encerrar o assunto. É a chamada regra do <strong>“put up or shut up”</strong>, que empurra a história para uma data-limite.</p>



<p>Se confirmado até o dia 5 de fevereiro de 2026, que é o prazo fatal imposto pela regulamentação de fusões do Reino Unido para uma oferta vinculante, o negócio criará uma entidade colossal com valor empresarial superior a <strong>US$ 260 bilhões </strong>e capacidade de mudar o centro de gravidade do setor. Para colocar em perspectiva, estamos falando de uma empresa que nasceria maior que a BHP (até então a líder inconteste) e com um valor de mercado quatro vezes superior ao da brasileira Vale.</p>



<p>No entanto, reduzir essa operação a uma disputa de tamanho seria tanto um erro primário quanto um tipo de simplificação que costuma envelhecer mal. O que está em jogo nos escritórios de Londres e Genebra é o controle da única commodity que o mundo não consegue produzir na velocidade que consome:<strong> o cobre.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A tese do “novo ouro”</strong></h2>



<p>A palavra “cobre” voltou a ser dita com uma seriedade quase ansiosa e o racional por trás desse casamento, que já havia sido ensaiado sem sucesso em 2024, amadureceu por uma confluência de pânico e oportunidade. A demanda que vinha de carros elétricos, redes e infraestrutura já era grande. Só que a onda mais recente tem um cheiro diferente: a Inteligência Artificial.</p>



<p>Os <em>Data Centers</em> que processam os modelos de IA demandam uma infraestrutura elétrica colossal, o que significa <strong>mais transmissão, mais cabos, mais transformadores, mais metal</strong>. Dentro desse contexto, o cobre é o sistema nervoso dessa rede. Para se ter uma ideia, um relatório recente da S&amp;P Global descreve o tamanho do gargalo com números que doem. A projeção é de um déficit acumulado que pode chegar à casa de <strong>10 milhões de toneladas até 2040</strong>, um buraco grande demais para ser tapado apenas com expansão incremental.</p>



<p>A Rio Tinto e a Glencore sabem que construir novas minas do zero (<em>greenfield</em>) tornou-se uma via-crúcis regulatória e geológica que pode levar 15 anos. A solução, portanto, é o crescimento inorgânico, efetuando a compra de quem já tem o metal no chão.</p>



<p>Nesse quesito, a união é perfeita. A <strong>Glencore </strong>é uma potência no cobre, com operações maduras na América do Sul e África. A <strong>Rio Tinto</strong>, embora forte, precisa desesperadamente aumentar sua exposição ao metal para diluir sua dependência do minério de ferro. Juntas, elas controlariam cerca de 7% da produção mundial de cobre, alcançando <strong>1,65 milhão de toneladas anuais</strong> e encostando na BHP. Para efeito de comparação, a nova empresa produziria quase cinco vezes o volume de cobre da Vale.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Por que essa combinação muda o jogo</strong></h2>



<p>A lógica de juntar Rio Tinto e Glencore é uma fotografia clássica de complementaridade com riscos de DNA. Além de ser uma potência no cobre, A Glencore é diferente do padrão “mineradora pura” que o mercado costuma precificar com mais conforto, já que ela não só extrai, como negocia. A mesa de trading, com seu <strong>apetite por volatilidade</strong>, é uma máquina de caixa e também um tipo de cultura empresarial que nem sempre conversa bem com a liturgia industrial das gigantes anglo-australianas.</p>



<p>Do ponto de vista do metal, porém, o encaixe é bastante sedutor. A Glencore reportou <strong>951,6 mil toneladas de cobre em 2024</strong>. A Rio Tinto vem ampliando sua exposição e tem o cobre como peça-chave para reduzir a dependência do minério de ferro. Em estimativas usadas pelo mercado, a companhia produziu algo na casa de <strong>700 mil toneladas em 2024</strong>.</p>



<p>Juntas, elas ficariam perto desse número mágico de <strong>1,65 milhão de toneladas por ano</strong>, em ordem de grandeza que começa a mexer com a régua de qualquer concorrente,&nbsp; inclusive porque a produção global de cobre é grande, mas não é infinita, e não cresce como software cresce.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O “super time” e o recado das entrelinhas</strong></h2>



<p>A sofisticação da operação é visível na lista de convidados para a mesa de negociação e ajuda a explicar por que o setor levou o rumor a sério. E a Rio Tinto não economizou ao montar sua defesa e ataque. Reportagens recentes citaram a presença de bancos de primeira linha orbitando o dossiê. Além da boutique Robey Warshaw (agora sob o guarda-chuva da Evercore), a presença do UBS e do Macquarie indica uma preocupação em blindar a operação tanto na Europa quanto na Austrália.</p>



<p>Do outro lado, o <strong>Citigroup</strong>, historicamente o banqueiro de confiança da Glencore, movimenta-se nos bastidores para garantir seu lugar no sindicato que estruturará a transação. O nível de atividade é tamanho que as mesas de <em>research</em> desses bancos suspenderam a cobertura das ações das duas mineradoras, um protocolo padrão que confirma a iminência de um anúncio. Enquanto isso, gigantes como <strong>Goldman Sachs e Morgan Stanley</strong> disputam as sobras de um bolo de taxas de consultoria que pode chegar à casa das centenas de milhões de dólares.</p>



<p>No entanto, tudo isso não prova que a transação vai acontecer, mas evidencia que a complexidade do acordo reside na <strong>natureza híbrida da Glencore</strong>. Diferente de suas pares, a suíça não apenas extrai, ela negocia. Sua divisão de <em>marketing</em> e <em>trading</em> é uma máquina de gerar caixa que prospera na volatilidade.&nbsp;</p>



<p>Para a Rio Tinto, tradicionalmente uma operadora industrial conservadora, absorver uma mesa de trading agressiva e lidar com o passivo reputacional histórico da Glencore (que enfrentou investigações de corrupção no passado) é o preço a pagar pelo acesso imediato às minas de metais básicos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O pesadelo estratégico da Vale</strong></h2>



<p>Se Londres ferve discutindo casamento, o clima na sede da Vale, no Rio de Janeiro, é de alerta máximo e leitura de mapa. A <strong>queda de mais de 1% nas ações da mineradora brasileira</strong> logo após o vazamento das conversas não foi um movimento especulativo, mas o reconhecimento de um novo risco existencial.</p>



<p>A companhia brasileira, por mais que continue gigantesca, sabe como essas histórias costumam terminar: com um novo padrão de comparação, uma nova distribuição de poder e, principalmente, uma nova disputa por capital global.</p>



<p>Sob a gestão do CEO Gustavo Pimenta, a Vale tem buscado recuperar sua credibilidade operacional, focando em eficiência, segurança e na extração de valor de seus ativos existentes (&#8220;casa arrumada&#8221;). A estratégia, embora prudente, pode se tornar insuficiente diante de um concorrente com a musculatura da nova Rio Tinto-Glencore, afinal de contas, há um efeito matemático inevitável quando dois competidores se juntam e você fica do lado de fora.</p>



<p>O impacto para a Vale se dá em três frentes críticas. Primeiro, <strong>no cerco do minério de ferro.</strong> A Rio Tinto já é a principal rival da Vale nesse mercado. Com a fusão, a nova companhia ganharia um balanço fortificado para acelerar o desenvolvimento de <strong>Simandou</strong>, na Guiné. Esse megaprojeto de minério de ferro de alta qualidade é a maior ameaça à hegemonia da Vale em Carajás. Uma Rio Tinto capitalizada e diversificada pode se dar ao luxo de ser mais agressiva em preços para ganhar <em>market share</em> com o minério africano.</p>



<p>Segundo, <strong>a irrelevância no cobre.</strong> A Vale tenta se posicionar como um player relevante na transição energética, separando sua unidade de metais básicos. Em 2024, por exemplo, ela reportou <strong>348,2 mil toneladas de cobre, e embora seja um número relevante, </strong>a fusão cria um abismo. A nova gigante terá uma escala em cobre e níquel <strong>quase cinco vezes</strong> esse volume anual e que a Vale, organicamente, levaria décadas para atingir. Isso coloca a brasileira em desvantagem na atração de capital global focado em ESG e eletrificação, que tenderá a fluir para o player mais líquido e diversificado.</p>



<p>Terceiro, <strong>América do Sul como tabuleiro</strong>. A fusão redesenha o mapa de poder do continente com a Glencore já possuindo ativos massivos no Chile (Collahuasi), Peru (Antapaccay) e Argentina (El Pachón) e a Rio Tinto avançando no lítio argentino. A combinação cria uma hegemonia regional com poder de barganha logística e política superior ao da Vale em países vizinhos, pressionando custos e acesso a novas oportunidades no continente.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que está em jogo de verdade e a nova ordem global</strong></h2>



<p>A ironia é que, numa era em que todo mundo fala de “intangíveis”, essa história é o retorno do <strong>mundo físico ao centro da mesa</strong>. Não há inteligência artificial sem eletricidade, não há eletricidade sem rede e não há rede sem metal.</p>



<p>A movimentação da Rio Tinto não é um fato isolado, mas a confirmação de que o ciclo de &#8220;megafusões&#8221; voltou com força total. O recente sucesso da fusão entre a Anglo American e a Teck Resources (formando a Anglo Teck) mostrou que o mercado está receptivo à consolidação. A BHP, que falhou em comprar a Anglo American anteriormente, agora se vê pressionada a reagir para não perder a liderança.</p>



<p>Para o investidor e para o observador de mercado, a mensagem fica clara de que a era das mineradoras focadas em dividendos fáceis e recompra de ações está dando lugar a uma era de impérios. A escassez de recursos críticos transformou a mineração em um jogo de soma zero, onde a <strong>forma exclusiva de crescer rápido é engolir o vizinho</strong>.</p>



<p>Se o acordo for selado em fevereiro, a Vale, que assiste a tudo, acordará em 2026 diante de um espelho um tanto quanto distorcido: ela continuará sendo uma gigante, mas viverá em um mundo governado por um titã.&nbsp;</p>



<p>A pressão para que a brasileira abandone sua postura conservadora e busque também movimentos de M&amp;A (fusões e aquisições) se tornará ensurdecedora. Afinal, no novo superciclo das commodities, tamanho não é apenas documento, mas a única garantia de sobrevivência.</p>



<p></p>
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		<title>Palmeiras Projeta Faturamento Recorde de R$ 1,7 Bilhão em 2025, Mesmo Sem Títulos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Jan 2026 19:52:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento de Mercado]]></category>
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					<description><![CDATA[O Palmeiras encerrou a temporada de 2025 com um saldo paradoxal: resultados esportivos abaixo do esperado, mas um desempenho financeiro histórico. O clube projeta um faturamento recorde de R$ 1,7 bilhão, superando em muito a previsão inicial de pouco mais de R$ 1 bilhão e o recorde anterior de R$ 1,4 bilhão, registrado em 2024. [&#8230;]]]></description>
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<p>O Palmeiras encerrou a temporada de 2025 com um saldo paradoxal: resultados esportivos abaixo do esperado, mas um desempenho financeiro histórico. O clube projeta um faturamento recorde de R$ 1,7 bilhão, superando em muito a previsão inicial de pouco mais de R$ 1 bilhão e o recorde anterior de R$ 1,4 bilhão, registrado em 2024.</p>



<p><strong>Vendas de Atletas e Premiações Impulsionam Receita</strong></p>



<p>A principal fonte desse faturamento recorde foi a venda de jogadores. Negociações envolvendo atletas como Estêvão, Vitor Reis e Richard Ríos renderam aos cofres alviverdes quase R$ 600 milhões até outubro de 2025, superando a meta anual de R$ 300 milhões com transferências.</p>



<p>Além das vendas, as premiações também contribuíram significativamente para o resultado financeiro. Apesar dos vice-campeonatos no Paulistão, Brasileirão e Libertadores, o Palmeiras arrecadou valores importantes com suas campanhas nessas competições e com a participação no Mundial de Clubes da Fifa, onde chegou às quartas de final.</p>



<p><strong>Investimento Pesado em Contratações</strong></p>



<p>Buscando rejuvenescer o elenco e manter a competitividade, o Palmeiras investiu pesado em contratações em 2025. Cerca de R$ 700 milhões foram destinados à chegada de 12 novos jogadores, incluindo:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Vitor Roque:</strong> Atacante contratado como a transferência mais cara da história do clube.</li>



<li><strong>Carlos Miguel:</strong> Goleiro que assumiu a titularidade em momentos decisivos.</li>



<li><strong>Andreas Pereira:</strong> Meio-campista que era um desejo antigo da diretoria.</li>
</ul>



<p>Outros reforços, como Paulinho e Lucas Evangelista, enfrentaram problemas com lesões e tiveram pouca sequência na equipe.</p>



<p><strong>Novos Patrocínios e Projeções para 2026</strong></p>



<p>O ano de 2025 também marcou o fim da parceria de uma década com as empresas da presidente Leila Pereira como patrocinador máster. O Palmeiras fechou novos acordos, incluindo um contrato com a Cimed avaliado em R$ 57 milhões, com potencial de crescimento através da venda de produtos licenciados.</p>



<p>Para 2026, a previsão de arrecadação do Palmeiras é de R$ 1,2 bilhão. A venda de jogadores continuará sendo a principal fonte de receita, com projeção de R$ 400 milhões. O clube também busca aumentar a arrecadação com patrocínios, negociando os espaços vagos no uniforme por valores entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões.</p>



<p><strong>Temporada Sem Títulos Gera Frustração</strong></p>



<p>Apesar do sucesso financeiro, a temporada de 2025 foi marcada pela frustração da torcida alviverde com a falta de títulos. O Palmeiras foi vice-campeão paulista para o Corinthians, perdeu o título brasileiro para o Flamengo após liderar a competição e foi derrotado pelo mesmo rival na final da Libertadores.</p>



<p>O técnico Abel Ferreira, que priorizou a Libertadores na reta final da temporada, reconheceu que o Campeonato Brasileiro estava &#8220;entregue&#8221; antes mesmo do término da competição. A derrota na final continental para o Flamengo, sem nenhuma finalização certa ao gol, selou um ano sem conquistas expressivas para o clube.</p>
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		<title>O xeque-mate de US$ 23 bilhões que pode encalhar no Canal do Panamá</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Jan 2026 13:10:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Bastidores]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento de Mercado]]></category>
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					<description><![CDATA[Por Bastidores do Poder No tabuleiro do comércio global, quem controla o navio dita o ritmo, mas quem controla o porto dita as regras. Gianluigi Aponte, o patriarca bilionário e fundador da Mediterranean Shipping Company (MSC), entendeu essa máxima cedo e com uma frieza rara num setor acostumado a confundir escala com invulnerabilidade.&#160; Depois de [&#8230;]]]></description>
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<p><br>Por Bastidores do Poder</p>



<p>No tabuleiro do comércio global, quem controla o navio dita o ritmo, mas quem controla o porto dita as regras. <strong>Gianluigi Aponte</strong>, o patriarca bilionário e fundador da <strong>Mediterranean Shipping Company (MSC),</strong> entendeu essa máxima cedo e com uma frieza rara num setor acostumado a confundir escala com invulnerabilidade.&nbsp;</p>



<p>Depois de superar a dinamarquesa Maersk em 2022 e colocar a MSC no topo do transporte marítimo de contêineres, a família Aponte decidiu que o mar ficou pequeno e passou a olhar para a fronteira menos glamourosa e mais decisiva da infraestrutura em terra.</p>



<p>No entanto, o que deveria ser a “jogada do século” virou um teste de nervos. Em março de 2025, a CK Hutchison anunciou negociações para vender ativos portuários fora da China e de Hong Kong a um consórcio com participação de <strong>Terminal Investment Limited (TiL)</strong> — braço de terminais ligado à MSC — e da <strong>BlackRock</strong> (com a GIP, sua plataforma de infraestrutura). O pacote envolve <strong>43 ativos portuários/terminais em 23 países</strong> (com centenas de berços) e foi divulgado com <strong>enterprise value de cerca de US$ 22,8 bilhões</strong>.</p>



<p>Meses depois, porém, o cheque bilionário continua “em cima da mesa” e a transferência de chaves não aconteceu. A transação passou a ser tratada como algo maior do que uma compra e venda. Representa agora um ponto sensível na disputa por influência sobre gargalos físicos do comércio mundial. E o epicentro simbólico dessa queda de braço tem nome, mapa e duas margens bem claras: <strong>o Canal do Panamá</strong>.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O “cavalo de Troia” no Panamá</strong></h3>



<p>A grande ambição da MSC esbarra na geografia política. O pacote de ativos da Hutchison inclui a <strong>Panama Ports Company</strong>, operadora dos terminais de <strong>Balboa</strong> (lado do Pacífico) e <strong>Cristóbal</strong> (lado do Atlântico), posicionados como sentinelas nas duas “bocas” do Canal. É o tipo de ativo que, em tempos de normalidade, se discute em planilhas, mas em tempos de rivalidade estratégica, se discute em gabinetes.</p>



<p>Para os Estados Unidos, existe uma leitura direta de reduzir o risco de que ativos associados a um conglomerado Hong Kong (Hutchison) sejam percebidos como extensão da influência chinesa em um corredor tão crítico. Passar esses ativos para mãos ocidentais (MSC/Suíça e BlackRock/EUA) virou uma prioridade de segurança nacional. A operação (ou pré-acordo, por assim dizer), chegou a ser celebrada publicamente pelo presidente Donald Trump como um movimento favorável aos interesses dos EUA na região.</p>



<p>Só que Pequim não ficou parada e muito menos aceitou a derrota. Na prática, o caminho mais eficaz para congelar um negócio desse tamanho não é exatamente um discurso, mas sim um carimbo. O governo chinês, ciente de que a venda significaria perder um posto avançado crucial nas Américas, travou o negócio usando sua arma favorita: a regulação antitruste.&nbsp;</p>



<p>Ele criou um tipo de trava que nenhuma companhia global consegue simplesmente ignorar, sobretudo num setor em que a China é fábrica, exportadora e origem de boa parte da carga que enche navios. Essa &#8220;pílula de veneno&#8221; significa que para aprovar a venda global, a estatal chinesa <strong>COSCO</strong> deve entrar no consórcio comprador.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O impasse que ninguém admite em voz alta</strong></h3>



<p>O nó que impede a conclusão do negócio é simples de explicar e difícil de resolver. <strong>Se a MSC aceita a COSCO, </strong>a transação perde o apoio político dos EUA (via BlackRock), pois o objetivo era justamente tirar a China do Panamá. Washington jamais aceitaria trocar uma empresa de Hong Kong por uma estatal de Pequim na entrada do Canal. E <strong>se a MSC recusa a COSCO,</strong> a China veta a aquisição globalmente, impedindo a MSC de assumir não só os portos do Panamá, mas também os ativos na Europa e Ásia que fazem parte do pacote.</p>



<p>Ou seja, se moldar para ficar “aceitável” aos olhos de Pequim significa correr o risco de perder apetite político do lado americano. Endurecer e tentar “passar por cima”, significa correr o risco de ser travado onde dói, na regulação e na viabilidade operacional.</p>



<p>O resultado é um impasse paralisante e o pior tipo de limbo para um megadeal. Aquela situação em que ninguém declara que morreu, mas todos passam a negociar como se a versão original já não bastasse. E, nesse meio tempo, o relógio também pressiona. A própria CK Hutchison já teve de lidar com a percepção de que o processo se alonga e pode exigir reconfiguração, o que muda preço, poder e, principalmente, a história que cada lado conta para o seu público. Advogados em Genebra, Washington e Pequim agora tentam desenhar uma estrutura societária que agrade a gregos e troianos, em uma tarefa que, no clima atual de Guerra Fria 2.0, parece impossível.</p>



<p><br><strong>O medo do “monopólio total”</strong></p>



<p>Enquanto a geopolítica trava o acordo no hemisfério ocidental, na Europa o problema é econômico. Reguladores da União Europeia olharam para o mapa da MSC e viram um risco sistêmico.</p>



<p>A família Aponte já controla a maior frota de contêineres do mundo. Se a compra da Hutchison for aprovada, a MSC passará a controlar também os portões de entrada de Roterdã, Felixstowe (Reino Unido) e Barcelona.</p>



<p>A concorrência — leia-se Maersk, CMA CGM e Hapag-Lloyd — está em pânico. Ampliar essa influência sobre terminais em grandes gateways europeus significaria deixar o mercado temeroso de um tipo de verticalização que muda o equilíbrio competitivo. O operador que tem navio e tem porto pode, em tese, <strong>priorizar a própria operação</strong> em janelas de atracação, capacidade e preço, mesmo que isso aconteça nas margens e não na manchete. Pensando em logística, a margem vira vantagem cumulativa.</p>



<p>Um sinal de que esse tipo de preocupação já está no radar regulatório veio em dezembro de 2025, quando a <strong>Comissão Europeia abriu investigação aprofundada</strong> sobre a aquisição de controle conjunto de <strong>TERCAT (terminal BEST, no Porto de Barcelona)</strong> por TiL (ligada à MSC) e Hutchison, justamente por receios de redução de concorrência e potencial favorecimento. Não é a mesma coisa que “aprovar ou vetar” todo o pacote global, mas é o tipo de precedente que ajuda a entender como Bruxelas olha para a combinação “MSC + terminais”.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O dilema de Aponte</strong></h3>



<p>Para Gianluigi Aponte, acostumado a comandar o seu império com o tempo e a agilidade de uma empresa familiar privada, a lentidão do processo frustrante e soa quase como uma ofensa cultural. A MSC tem dinheiro, tem apetite e tem estratégia. A CK Hutchison tem ativos e, ao menos no ponto de partida, teve disposição para vender. O que a família Aponte descobriu (do modo mais caro possível) é que, na escala em que opera hoje, não existe mais “negócio puramente comercial”.</p>



<p>Porto não é só infraestrutura, mas também é influência, soberania, gargalo, alavanca…bandeira. Enquanto EUA e China não decidirem quem pode fincar a sua no Canal do Panamá, acomodando essa disputa simbólica e prática (e enquanto reguladores em mercados-chave não se derem por satisfeitos), o sonho da MSC de se tornar a dona dos portos do mundo permanecerá atracado, à espera de uma maré política que ainda não subiu.&nbsp;</p>



<p>E nessa história toda, o grande acordo que transformaria a empresa e coroaria o império Aponte pode, ironicamente, ser o mesmo que expõe os limites do seu poder, deixando a companhia exatamente como um navio sem janela de atracação.</p>
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		<title>A Segunda Vida da Casas Bahia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Dec 2025 12:34:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Aquisições]]></category>
		<category><![CDATA[Crise]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento de Mercado]]></category>
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					<description><![CDATA[O Grupo Casas Bahia (BHIA3) se tornou o símbolo máximo da crise do varejo tradicional brasileiro. Por meses, a empresa sangrou em praça pública, vendo seu valor de mercado se desfazer enquanto lutava para sobreviver ao que parecia uma tempestade perfeita: concorrência digital feroz e, sobretudo, uma Selic elevada, que estrangulou o coração do seu [&#8230;]]]></description>
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<p>O <strong>Grupo Casas Bahia (BHIA3)</strong> se tornou o símbolo máximo da crise do varejo tradicional brasileiro. Por meses, a empresa sangrou em praça pública, vendo seu valor de mercado se desfazer enquanto lutava para sobreviver ao que parecia uma tempestade perfeita: concorrência digital feroz e, sobretudo, uma <strong>Selic elevada</strong>, que estrangulou o coração do seu modelo, o crediário.</p>



<p>Depois de registrar um prejuízo gigantesco de <strong>R$ 2,62 bilhões em 2023</strong>, a varejista seguiu queimando caixa em <strong>2025</strong>, com perdas de <strong>R$ 408 milhões</strong> no primeiro trimestre e <strong>R$ 555 milhões</strong> no segundo. O modelo que construiu o império da <strong>família Klein</strong> havia quebrado. A alta dos juros fez a despesa financeira líquida explodir para <strong>R$ 1,1 bilhão</strong> em um único trimestre (<strong>2T25</strong>), inviabilizando qualquer recuperação operacional.</p>



<p>Em <strong>abril de 2024</strong>, a empresa tentou um último suspiro, com uma <strong>Recuperação Extrajudicial (RE)</strong> para renegociar <strong>R$ 4,1 bilhões</strong> em dívidas, principalmente com <strong>Bradesco</strong> e <strong>Banco do Brasil</strong>. O acordo deu fôlego ao empurrar <strong>R$ 4,3 bilhões</strong> em pagamentos para depois de <strong>2027</strong>, mas não resolveu o problema estrutural: a dívida seguia lá e a operação continuava inviável.</p>



<p>O verdadeiro “endgame” veio em <strong>agosto de 2025</strong> e não foi liderado pela família fundadora, mas por uma execução fria de mercado. O credor, cansado de esperar, decidiu virar dono.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A engenharia da tomada de controle</strong></h2>



<p>Em <strong>7 de agosto de 2025</strong>, um fato relevante sacudiu o mercado, embora já fosse esperado nos bastidores. A <strong>Mapa Capital</strong>, via subsidiária <strong>Domus VII Participações S.A.</strong>, anunciou a conversão de cerca de <strong>R$ 1,4 bilhão</strong> em debêntures da 10ª emissão de ações ordinárias.</p>



<p>O efeito foi imediato. Com uma única canetada, a Domus VII/Mapa Capital assumiu o controle da Casas Bahia, passando a deter <strong>85,5%</strong> do capital social. O <strong>Conselho de Administração</strong> homologou um aumento de capital de <strong>R$ 1,648 bilhão</strong> e os acionistas que apostavam na virada, incluindo a <strong>família Klein</strong>, foram massivamente diluídos.</p>



<p>Para a companhia, a manobra foi a única salvação real. Eliminou <strong>R$ 1,4 bilhão</strong> do passivo e gerou economia imediata de, no mínimo, <strong>R$ 230 milhões por ano</strong> em juros.</p>



<p>Para a Mapa, foi a execução perfeita da tese de investir em empresas altamente alavancadas, tomar o controle e liderar a reestruturação visando ganho de valor no longo prazo. O credor não queria mais juros, queria a empresa.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O novo dono e a limpeza da governança</strong></h2>



<p>Com <strong>85,5%</strong> das ações em mãos, a Mapa Capital não perdeu tempo. A primeira medida de qualquer novo controlador é sempre a mesma: tomar o poder de fato, limpando a governança antiga e instalando seus próprios nomes.</p>



<p>Imediatamente, a gestora convocou uma <strong>Assembleia Geral Extraordinária (AGE)</strong>. A pauta era redesenhar o board. A proposta elevava o <strong>Conselho de Administração</strong> de <strong>cinco para sete membros</strong>, com três cadeiras destinadas a indicados da nova controladora.</p>



<p>A velha guarda do varejo, que comandou a derrocada, estava de saída. Começava a era do varejo administrado pelo financista, não mais pelo varejista.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A tese do turnaround</strong></h2>



<p>A pergunta que movimentou a <strong>Faria Lima</strong> foi simples: por que a Mapa Capital quis assumir <strong>85,5%</strong> de uma empresa que havia reportado <strong>R$ 555 milhões</strong> de prejuízo em um único trimestre? A resposta está na diferença entre o resultado <strong>operacional</strong> e o <strong>financeiro</strong>.</p>



<p>A Casas Bahia era operacionalmente viável, mas financeiramente quebrada. Enquanto os juros, despesa financeira líquida de <strong>R$ 1,1 bilhão</strong>, destruíam o lucro líquido, o “chão de loja” mostrava sinais de recuperação. Os números divulgados em <strong>maio de 2025</strong>, referentes ao <strong>1T25</strong>, reforçaram isso: o <strong>EBITDA ajustado</strong> avançou <strong>47,3%</strong> ano contra ano, totalizando <strong>R$ 570 milhões</strong>; a <strong>margem EBITDA ajustada</strong> subiu <strong>2,1 p.p.</strong>, para <strong>8,2%</strong> e a a <strong>margem bruta</strong> avançou <strong>0,2 p.p.</strong></p>



<p>A equipe liderada por <strong>Renato Franklin</strong> fazia o turnaround operacional, com fechamento de lojas deficitárias, melhora de precificação, corte de custos e ganho de rentabilidade. A virada acontecia na operação, mas morria na linha financeira.</p>



<p>A Mapa não comprou uma empresa quebrada, comprou uma operação em recuperação soterrada por um balanço destruído e destravou esse potencial ao converter dívida em equity.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A segunda vida</strong></h2>



<p>A “segunda vida” da Casas Bahia será bem diferente da primeira. O movimento da Mapa Capital é de longo prazo e a diluição dos acionistas antigos foi o preço pela sobrevivência.</p>



<p>O ícone do crediário brasileiro, símbolo do carnê da <strong>classe C</strong>, não pertence mais à família fundadora nem a investidores de varejo. Agora é um <em>distressed asset</em> clássico da <strong>Faria Lima</strong>, controlado por um fundo especializado em reestruturações profundas.</p>



<p>A nova gestão assume o board com um mandato de disciplina operacional, CAPEX contido e uso rigoroso do caixa para liquidar o restante da dívida. A aposta é que, com o balanço finalmente equacionado, a melhora do <strong>EBITDA</strong>, que já ocorria, se converta, enfim, em lucro.</p>
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		<title>O Monstro de R$ 160 bilhões</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Nov 2025 02:03:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Fusões]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento de Mercado]]></category>
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					<description><![CDATA[No universo global da proteína, nasceu um titã. Em agosto de 2025, foi formalizada a fusão entre a Marfrig Global Foods e a BRF S.A., dando origem à MBRF, um movimento visto por analistas como o único antídoto real para a supremacia da JBS. Mesmo unidas, Marfrig e BRF somam uma receita anual consolidada de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[




<p>No universo global da proteína, nasceu um titã. Em <strong>agosto de 2025</strong>, foi formalizada a fusão entre a <strong>Marfrig Global Foods</strong> e a <strong>BRF S.A.</strong>, dando origem à <strong>MBRF</strong>, um movimento visto por analistas como o único antídoto real para a supremacia da <strong>JBS</strong>.</p>



<p>Mesmo unidas, Marfrig e BRF somam uma receita anual consolidada de <strong>R$ 152 bilhões</strong>, segundo anúncio oficial. Um número que parece gigantesco, mas representa apenas cerca de <strong>40%</strong> do faturamento da <strong>JBS</strong>, o verdadeiro Golias do setor.</p>



<p>A estratégia da fusão era juntar a força da <strong>Marfrig</strong> nas carnes bovinas e a operação americana, via <strong>National Beef</strong>, com o portfólio de marcas da <strong>BRF</strong> (<strong>Sadia</strong>, <strong>Perdigão</strong> e <strong>Qualy)</strong>. O resultado é uma empresa presente em <strong>117 países</strong>, com <strong>38%</strong> da receita prevista para vir de produtos processados, mas o começo foi turbulento. Logo no primeiro balanço como <strong>MBRF</strong>, veio o baque.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Lucro despenca e dívida sobe</strong></h2>



<p>Apesar da escala, a MBRF registrou, no <strong>3º trimestre de 2025</strong>, um lucro líquido de apenas <strong>R$ 94 milhões</strong>, queda de <strong>62%</strong> em relação ao mesmo período de <strong>2024</strong>.</p>



<p>O <strong>EBITDA ajustado</strong> recuou <strong>8,6%</strong>, indo para <strong>R$ 3,5 bilhões</strong>, com margem ajustada caindo de <strong>10%</strong> para <strong>8,4%</strong>. Já o volume de vendas na América do Norte e na América do Sul avançou <strong>3,7%</strong> em toneladas.</p>



<p>No âmbito financeiro, a pressão está aumentando. A alavancagem <strong>dívida líquida/EBITDA ajustado</strong> atingiu <strong>3,09 vezes</strong>, segundo a própria empresa. Esse endividamento crescente exige que a nova companhia demonstre rapidamente que as sinergias da fusão vão compensar esse custo elevado de capital.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A novela da CVM e a saída da Previ</strong></h2>



<p>A concretização da fusão foi uma batalha. Meses antes da aprovação, a <strong>Marfrig</strong> elevou sua participação na <strong>BRF</strong> para quase <strong>60%</strong>, gerando desconfiança entre minoritários. Houve até pedidos de intervenção da Comissão de Valores Mobiliários (<strong>CVM)</strong> por supostas irregularidades na relação de troca de ações.</p>



<p>Outro capítulo importante foi a saída da <strong>Previ</strong>, fundo de pensão do <strong>Banco do Brasil</strong>. Ao vender a participação, a Previ se retirou da MBRF, marcando o fim de uma era no capital da BRF.</p>



<p>Do outro lado, desponta a <strong>SALIC</strong> (<strong>Saudi Agricultural and Livestock Investment Company</strong>), fundo saudita que negocia com a MBRF um possível <strong>IPO da BRF Arabia</strong> a partir de <strong>2027</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O veredito do mercado</strong></h2>



<p><strong>Gilberto Tomazoni</strong>, CEO da <strong>JBS</strong>, reagiu com frieza ao novo rival. A <strong>MBRF</strong> pode ser um monstro em tamanho, mas ainda precisa provar que a magnitude se traduzirá em rentabilidade.</p>



<p>A fusão era um movimento de longo prazo, apostando em sinergias e otimização operacional. O primeiro balanço, no entanto, ligou o alerta de que será preciso agilidade, disciplina de capital e execução firme.</p>



<p></p>
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		<title>O Podcast Sertanejo de 1 Bilhão de Reais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Nov 2025 17:50:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento de Mercado]]></category>
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					<description><![CDATA[O que está por trás do acordo entre Warner Music Group, Sua Música e o império digital de André Piunti. Na indústria da música brasileira, os grandes cheques quase sempre passaram por gravadoras, rádios e escritórios de shows. Desta vez, o dinheiro seguiu outro caminho: um podcast. Nas últimas semanas, Warner Music Group e a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[




<p><em>O que está por trás do acordo entre Warner Music Group, Sua Música e o império digital de André Piunti</em>.</p>



<p>Na indústria da música brasileira, os grandes cheques quase sempre passaram por gravadoras, rádios e escritórios de shows. Desta vez, o dinheiro seguiu outro caminho: um podcast.</p>



<p>Nas últimas semanas, Warner Music Group e a plataforma Sua Música anunciaram uma parceria com a Piunti Records, empresa de André Piunti e Lessauro Soldera, em um acordo que, somando fundo de catálogo, produção de conteúdo e distribuição, é apresentado no mercado como um pacote de até <strong>R$ 1 bilhão</strong> em potencial de negócios no sertanejo ao longo dos próximos anos.</p>



<p>O número é redondo demais para não chamar atenção, mas a peça central da tese é menos óbvia: um podcast de nicho, criado em uma garagem durante a pandemia, virou o centro de gravidade de uma operação que pretende tratar o sertanejo como ativo financeiro — com dados, narrativa e escala.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Do blog à holding sertaneja</strong></h2>



<p>Piunti circula no meio sertanejo há 18 anos. Em 2007, quando o gênero ainda disputava espaço na internet e o “universitário” engatinhava, ele criou um blog especializado. O trabalho era essencialmente jornalístico, registrar histórias, mapear bastidores, entrevistar artistas e empresários que não tinham espaço na imprensa generalista.</p>



<p>A virada veio em 2021, em plena pandemia, Piunti migrou o centro do projeto para o YouTube, no formato de podcast. Conversas longas, pouco engessadas, com veteranos e novatos — de Chitãozinho &amp; Xororó, Zezé Di Camargo, Bruno &amp; Marrone, Milionário, Sérgio Reis, Daniel e Amado Batista a Gusttavo Lima, Fernando &amp; Sorocaba e nomes de bastidor como Wander Oliveira, Marcos Mioto e Filipe Risse.</p>



<p>Em quatro anos, o programa saiu da categoria “conteúdo de nicho” e virou um arquivo vivo do sertanejo. As entrevistas funcionam como memória do gênero, mas também como base de dados: quem engaja, quanto tempo o público permanece, quais temas explodem em cortes, quais histórias têm apetite para virar documentário, série ou show temático.</p>



<p>É sobre esse arquivo — e sobre a capacidade de organizar e monetizar esse universo — que se apoia a Piunti Records, hoje o veículo formal da parceria com a Warner e a Sua Música.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O desenho do acordo</strong></h2>



<p>O comunicado oficial fala em “parceria estratégica”. Em linguagem de negócios, o arranjo combina três camadas: catálogo, conteúdo e distribuição.</p>



<p>De um lado, está a criação de um fundo dedicado à compra de catálogos e participações em direitos musicais. Em um mercado dominado pelo streaming, catálogo virou infraestrutra: quem acumula o repertório certo, por tempo suficiente, garante um fluxo recorrente de royalties.</p>



<p>A segunda perna é um hub de conteúdo original. A partir do ecossistema construído por Piunti, a parceria pretende produzir sessions, documentários, séries, projetos especiais com marcas, produtos ao vivo e releituras de repertório. Uma entrevista de duas horas deixa de ser apenas um vídeo e passa a ser ponto de partida para formatos derivados, com outra capacidade de captura de valor.</p>



<p>Por fim, a distribuição: a ADA, braço de distribuição independente da Warner, passa a operar acoplada à base da Sua Música, uma das maiores plataformas de artistas populares fora do eixo Rio–São Paulo. O funil desenhado é claro — descobrir artistas na base da plataforma, dar narrativa e visibilidade via conteúdo e, quando fizer sentido, escalar essas carreiras dentro da estrutura da major.</p>



<p>Na prática, um podcast se transforma em radar de talentos, laboratório de formatos e cabeceira de um pipeline de catálogo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A lógica da Warner</strong></h2>



<p>Do lado da Warner, a tese é pragmática. O sertanejo é um dos principais motores de receita da música brasileira, com alta previsibilidade de consumo e calendário robusto de shows, festivais e ativações comerciais.</p>



<p>A presidente da Warner Music Brasil, Leila Oliveira, enquadrou publicamente a parceria como uma forma de ampliar a presença da companhia em segmentos com alto potencial de crescimento e relevância cultural, integrando repertório, dados e conteúdo numa mesma engrenagem.</p>



<p>Na prática, a gravadora compra três coisas que seriam lentas — ou caras — de montar sozinha: profundidade orgânica na cena sertaneja, acesso sistemático à base da Sua Música e um guarda-chuva narrativo capaz de organizar tudo isso em projetos de médio e longo prazo.</p>



<p>O número de R$ 1 bilhão não é um cheque sobre a mesa, mas a ordem de grandeza do que esse ecossistema pode gerar ao longo de anos, somando aquisição de catálogo, royalties de streaming, produções audiovisuais e negócios com marcas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A peça Sua Música</strong></h2>



<p>Se a Warner aporta capital global e maquinário de catálogo, a Sua Música traz a capilaridade que as majors nunca conseguiram reproduzir: a porta de entrada da música popular no Norte, Nordeste e interior do país.</p>



<p>A plataforma se consolidou como vitrine de forró, piseiro, vaquejada e sertanejo de raiz. Muitos artistas que hoje estão nas grandes gravadoras começaram subindo álbuns ali, antes de entrar no radar de rádios e TVs.</p>



<p>Dentro da parceria, a Sua Música funciona como camada de tecnologia e de prospecção. A base de dados da plataforma — consumo por região, crescimento de artistas, comportamento de faixas — alimenta tanto a estratégia de catálogo quanto as decisões de conteúdo e distribuição. É dessa “linha de base” que saem os próximos nomes a serem narrados por Piunti e possivelmente empacotados pela Warner.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Sertanejo na planilha</strong></h2>



<p>O movimento só existe porque o sertanejo já se comporta, do ponto de vista econômico, como ativo financeiro.</p>



<p>O gênero domina listas de streaming, sustenta um circuito intenso de eventos presenciais e concentra uma parte relevante do orçamento de patrocínio em entretenimento. Um catálogo maduro gera receita por décadas — e pode ser recortado, regravado, reempacotado em novos formatos.</p>



<p>É a mesma lógica que levou fundos internacionais a comprar catálogos de rock e pop no mercado americano e europeu. A diferença aqui é que, além das músicas, Piunti e seus sócios controlam a narrativa: quem conta a história, qual recorte vira “versão oficial” e em qual plataforma essa memória é construída.</p>



<p>O podcast deixa de ser produto e passa a ser infraestrutura editorial.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A virada para Piunti</strong></h2>



<p>Para André Piunti, o acordo é uma troca de papel. Ele deixa de operar apenas como jornalista e apresentador para se tornar sócio de uma plataforma pensada para gerir o sertanejo como classe de ativo: conteúdo, catálogo, artistas, marcas e público dentro de uma mesma tese.</p>



<p>Desde o anúncio, Piunti tem repetido a mesma ideia em entrevistas: o sertanejo vive o momento mais forte da sua história em termos de público e faturamento, mas ainda há um excesso de boas ideias, artistas e acervos engavetados por falta de capital, coordenação e visão de longo prazo.</p>



<p>O objetivo da nova estrutura é justamente atacar esse gargalo: financiar documentários, encontros entre gerações, séries e releituras de repertório, ao mesmo tempo em que cria uma porta organizada para artistas que hoje vivem apenas de circuito regional e plataformas de nicho.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O teste de 1 bilhão</strong></h2>



<p>O rótulo de “podcast sertanejo de R$ 1 bilhão” tem seu componente de marketing, mas não é gratuito. Ele sintetiza uma mudança de etapa: em 2025, um projeto que nasceu em blog e cresceu numa garagem virou peça central de uma estratégia global de música, dados e propriedade intelectual.</p>



<p>Para a Warner, é uma forma relativamente barata de comprar profundidade em um gênero que paga as contas.</p>



<p>Para a Sua Música, é a oportunidade de converter capilaridade em participação societária.</p>



<p>Para Piunti, é a chance de transformar 18 anos de cobertura do sertanejo em uma holding com ambição de plataforma.</p>



<p>O mercado agora volta à métrica que realmente importa: fluxo de caixa. A tese só se confirma se o podcast que virou ativo estratégico conseguir entregar, em royalties, views e contratos, aquilo que a manchete já antecipa — um negócio que, em valor presente ou ao longo de uma década, faça jus ao carimbo de 1 bilhão de reais.</p>



<p></p>
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		<title>O Xadrez da Vibra Energia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Nov 2025 10:12:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Disputas Corporativas]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento de Mercado]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Disputa por ativos bilionários, fragilidades financeiras da Cosan, aporte recente do BTG e apetite da Vibra movimentam o maior distribuidor de combustíveis do Brasil.</em><br></p>



<p>O <strong>mercado brasileiro de combustíveis</strong>, historicamente concentrado e sujeito à influência direta da <strong>Petrobras</strong>, entra em mais uma rodada de disputas discretas entre gigantes. No centro está a <strong>Vibra Energia</strong>, maior distribuidora do país, que nasceu como <strong>BR Distribuidora</strong> e era controlada pela estatal até <strong>2019</strong>. Transformada em empresa privada de capital aberto, a Vibra responde por <strong>milhares de postos</strong> espalhados pelo país e busca diversificar as receitas em segmentos como energia renovável, lubrificantes e soluções para o mercado B2B.</p>



<p>Do outro lado do tabuleiro está a <strong>Cosan</strong>, um conglomerado multifacetado com operações que vão de <strong>açúcar e etanol</strong> à logística ferroviária, passando pelo gás natural, lubrificantes e distribuição de combustíveis por meio da <strong>Raízen</strong>, um empreendimento em conjunto com a <strong>Shell</strong>. A Cosan administra ainda a <strong>Moove</strong>, companhia que detém a licença da marca <strong>Mobil</strong> no Brasil e que se tornou um <strong>ativo estratégico</strong> com projeção internacional.</p>



<p>A essa disputa somou-se um terceiro peão, o <strong>BTG Pactual</strong>. O banco de investimentos comandado por <strong>André Esteves</strong> demonstrou interesse em ganhar espaço dentro da Cosan e, em meio aos rumores que agitaram o mercado, finalmente conseguiu após liderar <strong>investimento de R$ 10 bilhões</strong> na empresa e <strong>entrar no controle</strong>. Antes mesmo da efetivação, no dia 20 de setembro.</p>



<p>Quem ganha e quem perde nesse jogo? A possível venda da Moove, o avanço da Vibra sobre novos mercados, o aporte do BTG na Cosan e a sombra do retorno da Petrobras ao varejo de combustíveis formam um xadrez complexo, no qual cada peça é movida com cautela e estratégia.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Moove no centro da disputa</strong></h2>



<p>Braço de lubrificantes da <strong>Cosan</strong>, a <strong>Moove</strong> controla a marca <strong>Mobil</strong> no Brasil e vem expandindo a atuação em mercados internacionais. Trata-se de um <strong>ativo valioso</strong>, com margens relevantes e forte presença no segmento <strong>B2B</strong>.</p>



<p>Em meados de <strong>2025</strong>, a <strong>Vibra Energia</strong> iniciou conversas para adquirir a totalidade da empresa. O fundo <strong>CVC</strong>, dono de cerca de <strong>30%</strong> da Moove, teria interesse em vender a participação, abrindo espaço para a sondagem. Ainda assim, tanto a Vibra, quanto a Cosan, divulgaram comunicados oficiais afirmando que não há acordo firmado ou compromisso.</p>



<p>Para analistas de mercado, o eventual negócio traria riscos e oportunidades. A Moove já foi avaliada em múltiplos de <strong>seis a sete vezes o seu Ebitda</strong>, patamar próximo ao que a Cosan buscava em <strong>2024</strong> com a tentativa de se tornar uma empresa de capital aberto e vender ações na bolsa de valores. Se a <strong>Vibra concretizar a aquisição</strong>, ampliaria a verticalização e se tornaria menos dependente da distribuição de combustíveis, mas também aumentaria a alavancagem em um momento de margens pressionadas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>BTG e Cosan: dos rumores à efetivação</strong></h2>



<p>As especulações sobre a entrada do <strong>BTG</strong> no capital da <strong>Cosan</strong> ganharam força após reportagens apontarem que <strong>André Esteves</strong> poderia se tornar co-controlador do grupo. A versão oficial, até então, desmentia essa possibilidade. Tanto a Cosan, quanto o BTG, afirmaram à <strong>Comissão de Valores Mobiliários (CVM)</strong> no início de <strong>setembro</strong> que <strong>não havia negociação</strong> em curso.</p>



<p>A Cosan é <strong>dona de ativos estratégicos</strong> e, ao mesmo tempo, sinalizou recentemente a intenção de <strong>rever o portfólio</strong> como parte de uma estratégia de desalavancagem. Em tese, uma associação com um sócio financeiro robusto como o BTG poderia acelerar esse processo. Qualquer mudança no controle, no entanto, geraria custos de governança e poderia alterar o equilíbrio de forças dentro do conglomerado.</p>



<p>O <strong>silêncio estratégico</strong>, aliado aos comunicados formais para desmentirem quaisquer movimentos, reforçava a impressão de que este era um jogo com várias etapas, com sondagens de bastidores, cálculos de <strong>valuation</strong> e testes de resistência no mercado antes de qualquer avanço.</p>



<p>O jogo ganhou um novo capítulo no dia 20 de setembro. O <strong>BTG liderou um aporte de R$ 10 bilhões</strong> para reestruturar a dívida da <strong>Cosan</strong>. A recente operação coloca o banco BTG como acionista majoritário, mas não no controle.</p>



<p>O aumento de capital serve como reorganização de caixa e como reposicionamento político no tabuleiro de <strong>Rubens Ometto</strong>, o empresário que construiu um império do açúcar, do etanol e dos dutos pela Cosan. Tão logo saiu o anúncio, a empresa apressou-se em dizer que o aporte não vai irrigar a <strong>Raízen</strong>, sua joint venture com a <strong>Shell</strong>. A capitalização da distribuidora de combustíveis ainda depende de negociações separadas com os ingleses. A injeção bilionária, portanto, mira a própria holding, cujo endividamento crescente vinha incomodando acionistas e credores.</p>



<p>Esse movimento coloca lado a lado três atores. De um lado, a <strong>Aguassanta</strong>, o family office de Ometto. Do outro, o <strong>BTG Pactual</strong>, que entra com <strong>R$ 4,5 bilhões</strong>, com boa parte vinda da própria partnership que controla a instituição. E, por fim, a <strong>Perfin</strong>, gestora de <strong>Ralph Rosenberg</strong>, dona de <strong>R$ 13,7 bilhões</strong> sob administração, que aporta <strong>R$ 2 bilhões</strong>. A Aguassanta completa o pacote com <strong>R$ 750 milhões</strong>.</p>



<p>O acordo é amarrado por um contrato de acionistas com prazo de <strong>20 anos</strong>. Há cláusulas de <strong>lockup, </strong>que é um período de carência contratual durante o qual acionistas são proibidos de vender as suas ações de uma empresa, de quatro anos para evitar fugas precoces. Na nova organização, Aguassanta, BTG e Perfin passam a deter <strong>55% da Cosan</strong>. O restante, <strong>45%</strong>, segue no free float, disponível para negociação pública no mercado.</p>



<p>Apesar dos novos números,<strong> Ometto mantém 50,01%</strong> e garante o controle da empresa. Tal controle se dilui, mas a chave do cofre ainda tem dono. De toda forma, os novos sócios reforçam estruturas para atravessar a temporada de endividamento pesado sem perder o trono.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Vibra para além das fronteiras</strong></h2>



<p>A <strong>Vibra</strong> continua crescendo em áreas tradicionais enquanto avalia novos movimentos. Dados da <strong>Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)</strong> mostram que a empresa ampliou a participação em diesel e etanol, mesmo em um cenário de margens apertadas.</p>



<p>Além da possível aquisição da <strong>Moove</strong>, a Vibra fez uma <strong>jogada relevante</strong> ao comprar <strong>50% da Comerc Energia</strong> por cerca de <strong>R$ 3,7 bilhões</strong>, assumindo praticamente todo o controle com direito a voto. Com isso, reforçou a estratégia de diversificação para além dos postos de combustível, mirando o mercado livre de energia e clientes corporativos.</p>



<p>A <strong>Petrobras</strong>, no entanto, estuda <strong>retomar a presença direta no varejo de combustíveis</strong>, movimento que poderia mudar a dinâmica da concorrência. Apenas os rumores sobre esse retorno já provocaram queda nas ações da <strong>Vibra</strong> em <strong>julho</strong>, evidenciando a sensibilidade do setor a decisões da estatal.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quem ganha, quem perde</strong></h2>



<p>Se a <strong>Vibra</strong> conseguir adquirir a <strong>Moove</strong>, ganhará diversificação e poderá ter margens mais robustas, mas corre o risco de aumentar a dívida em um momento delicado. Já a <strong>Cosan</strong>, ao manter a Moove, preserva um ativo estratégico com relevância internacional. Se optar por vendê-la, reforçaria o caixa e reduziria a alavancagem, mas perderia contribuições.</p>



<p>Para o <strong>BTG</strong>, a entrada na <strong>Cosan</strong> significa ganhar exposição a um segmento estratégico da economia, com possibilidade de cooperações financeiras e reestruturações. Por outro lado, pode trazer riscos regulatórios e políticos, além de uma maior exposição a um mercado volátil.</p>



<p>Para o setor, movimentos de concentração podem elevar barreiras de entrada e reduzir a competição em nichos específicos. Ao mesmo tempo, a incerteza quanto ao papel da <strong>Petrobras</strong> e as discussões sobre <strong>tributação, biocombustíveis e transição energética,</strong> colocam ainda mais variáveis nesse tabuleiro.</p>



<p>Assim, o “<strong>xadrez da Vibra</strong>” vai além de uma disputa corporativa. Trata-se de uma <strong>reconfiguração silenciosa</strong> no setor de energia brasileiro, em que cada movimento é feito com cautela. <strong>Moove, Cosan, BTG e Vibra</strong> se movem sob o olhar atento do mercado, dos reguladores e da própria <strong>Petrobras</strong>.</p>
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		<title>A Máquina de Dados do Itaú</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Oct 2025 13:22:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Companhias em Alta]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento de Mercado]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[Quando o Itaú Unibanco divulgou os resultados relativos a 2024, o mercado concentrou-se em números expressivos: o resultado recorrente gerencial de R$ 41,4 bilhões e uma carteira de crédito que atingiu R$ 1,4 trilhão. Números estes que ajudam a explicar por que o maior banco privado do país continua a expandir o crédito sem que [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[




<p>Quando o <strong>Itaú Unibanco</strong> divulgou os resultados relativos a <strong>2024</strong>, o mercado concentrou-se em números expressivos: o resultado recorrente gerencial de <strong>R$ 41,4 bilhões</strong> e uma carteira de crédito que atingiu <strong>R$ 1,4 trilhão</strong>. Números estes que ajudam a explicar por que o maior banco privado do país continua a expandir o crédito sem que a inadimplência tome proporções alarmantes.</p>



<p>No entanto, o que permitiu ao banco construir uma vantagem sustentável no segmento de <strong>micro, pequenas e médias empresas (PME)</strong>? A resposta exige recuar até <strong>fevereiro de 2012</strong>, quando o <strong>Itaú</strong> realizou uma operação que, à época, parecia voltada à proteção de mercado, mas que na verdade antecipava uma mudança estrutural na forma de fazer crédito.</p>



<p>Naquele ano, em meio à chamada <strong>“guerra das maquininhas”</strong>, o banco anunciou uma <strong>Oferta Pública de Aquisição (OPA)</strong> para fechar o capital da <strong>Redecard</strong> (hoje <strong>Rede</strong>) por até <strong>R$ 11,8 bilhões</strong>. A justificativa pública, nas palavras do então <strong>CEO Roberto Setubal</strong>, era ganhar “agilidade” e “competitividade” para enfrentar a concorrente <strong>Cielo</strong>. O mercado leu isso como proteção de duopólio, porém o banco olhava para outro horizonte.</p>



<p>Na vez de pagar por hardware ou apenas por serviços de adquirência, o banco adquiriu um ativo raramente listado nos balanços. Escolheram por um sistema de sinais operando em milhões de pontos de venda, um fluxo contínuo de dados que capturava o comportamento do consumidor em tempo real e permitia ao banco enxergar o desempenho dos clientes lojistas antes de muitos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Comprando o “pulso” do varejo</strong></h2>



<p>Em <strong>2012</strong>, a adquirente ainda detinha uma escala impressionante, ao processar <strong>centenas de bilhões de reais por ano</strong>, em mais de <strong>um milhão de estabelecimentos</strong>, operando como um verdadeiro sensor do varejo. O banco percebeu que o valor transcendia a mera taxa de serviço, conhecida como <strong>MDR (Merchant Discount Rate, em inglês)</strong>. O que importava mesmo era a informação contida em cada transação.<br></p>



<p>Ao internalizar <strong>100%</strong> da empresa, o banco assegurou para si aquele “pulso” do varejo, não apenas para saber se vendia, mas <strong>quando</strong>, <strong>como</strong>, <strong>com que frequência</strong>, <strong>com que padrão de estorno</strong>, <strong>a que velocidade</strong> as vendas se convertiam em caixa. Esse tipo de visibilidade permitiu ao banco conhecer melhor os clientes <strong>PJ</strong>, indo além do balanço e analisando o que realmente acontecia no varejo.</p>



<p>Enquanto os concorrentes se baseavam em relatórios contábeis defasados ou declarações de faturamento muitas vezes impressas, o banco podia assistir ao faturamento do lojista em tempo quase real. Essa diferença, por si só, já configurava uma vantagem competitiva relevante e, mais que isso, preparava o terreno para a próxima etapa, que era transformar esse fluxo em crédito.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A alquimia de dados em crédito</strong></h2>



<p>A verdadeira virada se concretizou quando o banco conectou essa rede de dados à máquina de crédito, criando uma sinergia que mudou o jogo. Primeiro veio o <strong>monitoramento em tempo real</strong>, com o banco sabendo que a <strong>“Padaria do Zé”</strong> (cliente <strong>PME</strong>) faturava <strong>R$ 7.000 por dia</strong>, por exemplo, via a adquirente na última semana e analisava se esse padrão se repetia ou variava.&nbsp;</p>



<p>Depois, a modelagem de risco foi calibrada com esses dados. O algoritmo que o banco construiu passou a definir um <strong>score de risco</strong> baseado não apenas em declarações de faturamento ou garantias tradicionais, mas em <strong>probabilidades matemáticas</strong> derivadas de comportamento real e histórico de vendas. Essa abordagem permitiu reduzir o risco, porque o banco passou a “ver” o negócio com mais clareza.</p>



<p>Por fim, em vez de esperar que o cliente pedisse crédito, o banco oferecia <strong>antecipação de recebíveis</strong> ou <strong>aumento de limite</strong> com base no fluxo de vendas que ele mesmo monitorava. Com isso, o que antes era um produto de crédito de alto risco, como emprestar para pequenas empresas, transformou-se em uma operação paralela própria: o próprio fluxo da maquininha. Em outras palavras, o banco deixou de reagir ao pedido de crédito e passou a originar crédito com base em dados que ninguém mais tinha.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Alarme do CADE</strong></h2>



<p>Quando uma instituição combina <strong>banco com adquirente mais dados em tempo real e o crédito originado com base nesses sinais</strong>, o resultado desperta atenção regulatória, e foi exatamente isso que ocorreu. O <strong>Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE)</strong> entrou no caso do <strong>Itaú-Rede</strong> ao investigar suspeitas de práticas que poderiam travar a concorrência, como oferecer melhores taxas de <strong>antecipação de recebíveis</strong> ou condições mais vantajosas de <strong>maquininha</strong> apenas para lojistas que migrassem a <strong>conta corrente</strong> para o banco.</p>



<p>O órgão elaborou <strong>termos de compromisso de cessação</strong>, acompanhou condutas e impôs medidas para prevenir práticas anticompetitivas. O fato de haver investigação e intervenção é, por si só, uma validação de que a estratégia tinha força real e não era apenas mais um movimento tático entre bancos e adquirentes. A potência da integração era tamanha que o regulador teve de agir.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O banco que virou fintech ao avesso</strong></h2>



<p>Hoje, mais de <strong>10 anos</strong> após a <strong>OPA</strong>, o cenário da adquirência mudou. Novos players, como <strong>StoneCo</strong>, <strong>PagSeguro Digital S.A.</strong> e outras <strong>fintechs emergentes</strong>, disputam agressivamente o <strong>market share</strong> no setor de <strong>pagamentos</strong>, oferecendo maquininhas, <strong>contas digitais</strong> e <strong>crédito atrelado à plataforma</strong>. Neste sentido, se o objetivo da OPA de <strong>R$ 11,8 bilhões</strong> fosse unicamente “ganhar a guerra das maquininhas”, os resultados seriam duvidosos.</p>



<p>Todavia, esse nunca foi o cerne da estratégia. O banco não se contentou em vencer o “duopólio” das maquininhas, ele comprou a adquirente para fortalecer o motor principal, que é o <strong>crédito para empresas</strong>, transformando-se, em certa medida, em uma <strong>fintech ao avesso</strong>: era banco, comprou adquirente, extraiu dados e turbinou o <strong>core finance</strong>.</p>



<p>Os números de <strong>2024</strong>, com resultado de <strong>R$ 41,4 bilhões</strong> e carteira de crédito de <strong>R$ 1,4 trilhão</strong>, são frutos para além da expansão ou inflação. São reflexo de uma <strong>década de engenharia estratégica</strong>, de dados e de risco. O recurso mais valioso, afinal, não é a maquininha, mas o <strong>dado que ela gera</strong>.</p>
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