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	<title>Internacional &#8211; Bastidores do Poder</title>
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	<description>Negócios, Notícias, Análises e Grandes Histórias</description>
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	<title>Internacional &#8211; Bastidores do Poder</title>
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		<title>A conta chegou para a Heineken</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jan 2026 11:20:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
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					<description><![CDATA[A notícia caiu como uma bomba no mercado cervejeiro global no dia 12 de janeiro de 2026: Dolf van den Brink, o executivo que guiou a Heineken por crises sanitárias, inflação e transformações de mercado, anunciou que deixará o comando da empresa em 31 de maio de 2026, após quase seis anos no cargo. No [&#8230;]]]></description>
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<p></p>



<p>A notícia caiu como uma bomba no mercado cervejeiro global no dia <strong>12 de janeiro de 2026</strong>: <strong>Dolf van den Brink</strong>, o executivo que guiou a Heineken por crises sanitárias, inflação e transformações de mercado, anunciou que deixará o comando da empresa em <strong>31 de maio de 2026</strong>, após quase <strong>seis anos</strong> no cargo.</p>



<p>No comunicado oficial, a Heineken, com sede em <strong>Amsterdã</strong>, emoldurou a mudança como uma decisão pessoal em harmonia com o Conselho de Supervisão, ideal para preparar a próxima fase estratégica: o plano <strong>EverGreen 2030</strong>. Van den Brink, disseram, permanecerá como consultor por <strong>oito meses</strong> após sua saída.</p>



<p>No entanto, a reação imediata dos mercados foi menos diplomática. As ações da Heineken chegaram a cair cerca de <strong>4% na Bolsa de Amsterdã</strong> após a notícia, sinalizando inquietação pelo desempenho recente e dúvidas sobre o futuro próximo.&nbsp;</p>



<p>Por trás das palavras ensaiadas dos comunicados, a saída de van den Brink ocorre em um momento de forte pressão. A empresa enfrenta <strong>queda global na demanda</strong>, consumidores mudando seus hábitos e margens comprimidas por custos altos. No Brasil, seu maior mercado produtor e um dos mais estratégicos do mundo, um desempenho comercial mais fraco e um passivo jurídico significativo na Bahia parecem ter acelerado o desgaste do CEO.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Vendas em queda e ações pressionadas</strong></h2>



<p>Os números mais recentes da Heineken mostram um quadro desafiador. No <strong>terceiro trimestre de 2025</strong>, a companhia reportou <strong>queda orgânica de cerca de 4,3% no volume total de cerveja vendido globalmente</strong>, com retrações acentuadas na Europa e nas Américas.</p>



<p>Embora a receita líquida tenha ficado apenas modestamente abaixo do ano anterior (uma queda orgânica de <strong>0,3%</strong> para cerca de <strong>€7,3 bilhões</strong>), a redução no volume, quase <strong>um em cada 20 barris a menos vendidos em comparação ao mesmo período de 2024</strong>, chamou atenção dos investidores.</p>



<p>A Heineken havia revisado suas projeções de lucro operacional orgânico para o ano fiscal de 2025 para o <strong>limite inferior da faixa guiada (entre 4% e 8%)</strong>, como reflexo de custos crescentes em insumos e volatilidade macroeconômica.</p>



<p>Para muitos acionistas, acostumados a décadas de crescimento robusto e premiados com forte desempenho de ações, essa combinação de volumes em queda e margens comprimidas foi o sinal de alerta definitivo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Volumes em queda e pressão por resultados</strong></h2>



<p>O que parecia um ciclo temporário transformou-se em uma tendência. Ano após ano, mercados maduros, especialmente na <strong>Europa</strong> e em partes das <strong>Américas</strong>, mostraram sinais de exaustão. Mesmo estratégias voltadas à premiunização e digitalização não foram suficientes para sustentar o crescimento de volumes em todos os territórios.</p>



<p>A Heineken tem se reposicionado para reforçar sua presença em mercados emergentes, mas os resultados em grandes economias continuam mistos. Essa desaceleração foi sentida tanto nos resultados quanto na bolsa, com a volatilidade dos papéis refletindo a preocupação dos investidores com o ritmo de recuperação.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>“Fator Brasil 1”: mercado premium estagnado e reação da Ambev</strong></h3>



<p>No <strong>Brasil</strong>, historicamente visto pela Heineken como uma de suas principais alavancas de crescimento, o cenário também tem sido difícil. Dados do terceiro trimestre de 2025 apontam uma <strong>queda significativa nos volumes vendidos no país</strong>, com recuos superiores a dois dígitos, um dado que contrasta com os anos anteriores de forte expansão premium.</p>



<p>Assim como no restante do mundo, os consumidores brasileiros têm priorizado outras categorias de consumo diante da inflação mais alta e da renda real mais pressionada. Nesse contexto, a <strong>Ambev</strong>, concorrente dominante no Brasil, conseguiu ganhar participação no segmento premium, no qual marcas como <strong>Stella Artois</strong> e <strong>Corona</strong> competem diretamente com a Heineken.</p>



<p>Esse revés é particularmente simbólico porque o Brasil tem sido visto como um dos poucos mercados verdadeiramente “em crescimento” dentro da estratégia global da Heineken, reforçando a importância que os investidores atribuem ao desempenho local.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>“Fator Brasil 2”: o imbróglio da água na Bahia</strong></h3>



<p>Além das dificuldades comerciais, a Heineken enfrentou um imbróglio jurídico de grande visibilidade na <strong>Bahia</strong>, envolvendo a <strong>exploração de água mineral que abastece sua fábrica em Alagoinhas</strong>.</p>



<p>O caso remonta à década de <strong>1990</strong>, quando um empresário local registrou direitos de pesquisa sobre uma área de terra onde, anos depois, uma fábrica foi instalada. Um litígio que, após anos de disputa, resultou em decisões judiciais favoráveis ao empresário, incluindo um julgamento definitivo no <strong>Superior Tribunal de Justiça</strong>.&nbsp;</p>



<p>Enquanto a <strong>Agência Nacional de Mineração (ANM)</strong> ainda não cumpriu integralmente a determinação judicial, estimativas de especialistas apontam que um acordo para encerrar a disputa pode chegar à casa de <strong>centenas de milhões de reais</strong>, um passivo que tem incomodado acionistas.&nbsp;</p>



<p>Essa combinação de pressão operacional e litígios onerosos contribuiu para alimentar a percepção de que a gestão global perdeu alguma confiança de rodadas importantes de investidores e membros do conselho.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O futuro incerto</strong></h2>



<p>Com a saída de <strong>van den Brink</strong>, a Heineken entra em um período de transição delicado. O Conselho de Supervisão já anunciou que intensificará a busca por um sucessor capaz de retomar o ritmo de crescimento orgânico em mercados maduros, ampliar a competitividade global e responder à concorrência feroz em segmentos premium, especialmente no Brasil.&nbsp;</p>



<p>O novo líder terá a difícil missão de equilibrar inovação, retorno para acionistas, rentabilidade em mercados tradicionais e adaptação a hábitos de consumo em transformação. Tudo isso enquanto o passivo na Bahia e as incertezas de mercado colocam sombras sobre os caminhos à frente.</p>
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		<title>O xeque-mate de US$ 23 bilhões que pode encalhar no Canal do Panamá</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Jan 2026 13:10:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Bastidores]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento de Mercado]]></category>
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					<description><![CDATA[Por Bastidores do Poder No tabuleiro do comércio global, quem controla o navio dita o ritmo, mas quem controla o porto dita as regras. Gianluigi Aponte, o patriarca bilionário e fundador da Mediterranean Shipping Company (MSC), entendeu essa máxima cedo e com uma frieza rara num setor acostumado a confundir escala com invulnerabilidade.&#160; Depois de [&#8230;]]]></description>
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<p><br>Por Bastidores do Poder</p>



<p>No tabuleiro do comércio global, quem controla o navio dita o ritmo, mas quem controla o porto dita as regras. <strong>Gianluigi Aponte</strong>, o patriarca bilionário e fundador da <strong>Mediterranean Shipping Company (MSC),</strong> entendeu essa máxima cedo e com uma frieza rara num setor acostumado a confundir escala com invulnerabilidade.&nbsp;</p>



<p>Depois de superar a dinamarquesa Maersk em 2022 e colocar a MSC no topo do transporte marítimo de contêineres, a família Aponte decidiu que o mar ficou pequeno e passou a olhar para a fronteira menos glamourosa e mais decisiva da infraestrutura em terra.</p>



<p>No entanto, o que deveria ser a “jogada do século” virou um teste de nervos. Em março de 2025, a CK Hutchison anunciou negociações para vender ativos portuários fora da China e de Hong Kong a um consórcio com participação de <strong>Terminal Investment Limited (TiL)</strong> — braço de terminais ligado à MSC — e da <strong>BlackRock</strong> (com a GIP, sua plataforma de infraestrutura). O pacote envolve <strong>43 ativos portuários/terminais em 23 países</strong> (com centenas de berços) e foi divulgado com <strong>enterprise value de cerca de US$ 22,8 bilhões</strong>.</p>



<p>Meses depois, porém, o cheque bilionário continua “em cima da mesa” e a transferência de chaves não aconteceu. A transação passou a ser tratada como algo maior do que uma compra e venda. Representa agora um ponto sensível na disputa por influência sobre gargalos físicos do comércio mundial. E o epicentro simbólico dessa queda de braço tem nome, mapa e duas margens bem claras: <strong>o Canal do Panamá</strong>.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O “cavalo de Troia” no Panamá</strong></h3>



<p>A grande ambição da MSC esbarra na geografia política. O pacote de ativos da Hutchison inclui a <strong>Panama Ports Company</strong>, operadora dos terminais de <strong>Balboa</strong> (lado do Pacífico) e <strong>Cristóbal</strong> (lado do Atlântico), posicionados como sentinelas nas duas “bocas” do Canal. É o tipo de ativo que, em tempos de normalidade, se discute em planilhas, mas em tempos de rivalidade estratégica, se discute em gabinetes.</p>



<p>Para os Estados Unidos, existe uma leitura direta de reduzir o risco de que ativos associados a um conglomerado Hong Kong (Hutchison) sejam percebidos como extensão da influência chinesa em um corredor tão crítico. Passar esses ativos para mãos ocidentais (MSC/Suíça e BlackRock/EUA) virou uma prioridade de segurança nacional. A operação (ou pré-acordo, por assim dizer), chegou a ser celebrada publicamente pelo presidente Donald Trump como um movimento favorável aos interesses dos EUA na região.</p>



<p>Só que Pequim não ficou parada e muito menos aceitou a derrota. Na prática, o caminho mais eficaz para congelar um negócio desse tamanho não é exatamente um discurso, mas sim um carimbo. O governo chinês, ciente de que a venda significaria perder um posto avançado crucial nas Américas, travou o negócio usando sua arma favorita: a regulação antitruste.&nbsp;</p>



<p>Ele criou um tipo de trava que nenhuma companhia global consegue simplesmente ignorar, sobretudo num setor em que a China é fábrica, exportadora e origem de boa parte da carga que enche navios. Essa &#8220;pílula de veneno&#8221; significa que para aprovar a venda global, a estatal chinesa <strong>COSCO</strong> deve entrar no consórcio comprador.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O impasse que ninguém admite em voz alta</strong></h3>



<p>O nó que impede a conclusão do negócio é simples de explicar e difícil de resolver. <strong>Se a MSC aceita a COSCO, </strong>a transação perde o apoio político dos EUA (via BlackRock), pois o objetivo era justamente tirar a China do Panamá. Washington jamais aceitaria trocar uma empresa de Hong Kong por uma estatal de Pequim na entrada do Canal. E <strong>se a MSC recusa a COSCO,</strong> a China veta a aquisição globalmente, impedindo a MSC de assumir não só os portos do Panamá, mas também os ativos na Europa e Ásia que fazem parte do pacote.</p>



<p>Ou seja, se moldar para ficar “aceitável” aos olhos de Pequim significa correr o risco de perder apetite político do lado americano. Endurecer e tentar “passar por cima”, significa correr o risco de ser travado onde dói, na regulação e na viabilidade operacional.</p>



<p>O resultado é um impasse paralisante e o pior tipo de limbo para um megadeal. Aquela situação em que ninguém declara que morreu, mas todos passam a negociar como se a versão original já não bastasse. E, nesse meio tempo, o relógio também pressiona. A própria CK Hutchison já teve de lidar com a percepção de que o processo se alonga e pode exigir reconfiguração, o que muda preço, poder e, principalmente, a história que cada lado conta para o seu público. Advogados em Genebra, Washington e Pequim agora tentam desenhar uma estrutura societária que agrade a gregos e troianos, em uma tarefa que, no clima atual de Guerra Fria 2.0, parece impossível.</p>



<p><br><strong>O medo do “monopólio total”</strong></p>



<p>Enquanto a geopolítica trava o acordo no hemisfério ocidental, na Europa o problema é econômico. Reguladores da União Europeia olharam para o mapa da MSC e viram um risco sistêmico.</p>



<p>A família Aponte já controla a maior frota de contêineres do mundo. Se a compra da Hutchison for aprovada, a MSC passará a controlar também os portões de entrada de Roterdã, Felixstowe (Reino Unido) e Barcelona.</p>



<p>A concorrência — leia-se Maersk, CMA CGM e Hapag-Lloyd — está em pânico. Ampliar essa influência sobre terminais em grandes gateways europeus significaria deixar o mercado temeroso de um tipo de verticalização que muda o equilíbrio competitivo. O operador que tem navio e tem porto pode, em tese, <strong>priorizar a própria operação</strong> em janelas de atracação, capacidade e preço, mesmo que isso aconteça nas margens e não na manchete. Pensando em logística, a margem vira vantagem cumulativa.</p>



<p>Um sinal de que esse tipo de preocupação já está no radar regulatório veio em dezembro de 2025, quando a <strong>Comissão Europeia abriu investigação aprofundada</strong> sobre a aquisição de controle conjunto de <strong>TERCAT (terminal BEST, no Porto de Barcelona)</strong> por TiL (ligada à MSC) e Hutchison, justamente por receios de redução de concorrência e potencial favorecimento. Não é a mesma coisa que “aprovar ou vetar” todo o pacote global, mas é o tipo de precedente que ajuda a entender como Bruxelas olha para a combinação “MSC + terminais”.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O dilema de Aponte</strong></h3>



<p>Para Gianluigi Aponte, acostumado a comandar o seu império com o tempo e a agilidade de uma empresa familiar privada, a lentidão do processo frustrante e soa quase como uma ofensa cultural. A MSC tem dinheiro, tem apetite e tem estratégia. A CK Hutchison tem ativos e, ao menos no ponto de partida, teve disposição para vender. O que a família Aponte descobriu (do modo mais caro possível) é que, na escala em que opera hoje, não existe mais “negócio puramente comercial”.</p>



<p>Porto não é só infraestrutura, mas também é influência, soberania, gargalo, alavanca…bandeira. Enquanto EUA e China não decidirem quem pode fincar a sua no Canal do Panamá, acomodando essa disputa simbólica e prática (e enquanto reguladores em mercados-chave não se derem por satisfeitos), o sonho da MSC de se tornar a dona dos portos do mundo permanecerá atracado, à espera de uma maré política que ainda não subiu.&nbsp;</p>



<p>E nessa história toda, o grande acordo que transformaria a empresa e coroaria o império Aponte pode, ironicamente, ser o mesmo que expõe os limites do seu poder, deixando a companhia exatamente como um navio sem janela de atracação.</p>
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		<title>A Guerra dos Sofás</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Nov 2025 12:55:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Crise]]></category>
		<category><![CDATA[Falências]]></category>
		<category><![CDATA[Impérios]]></category>
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					<description><![CDATA[A Tok&#38;Stok, marca que moldou o design para a classe média-alta, hoje é palco de uma das brigas mais sujas na bolsa brasileira. Depois da fusão com a Mobly, em 2024, nasceu o Grupo Toky (ticker MBLY3), mas os resultados foram desastrosos, com prejuízo de R$ 169 milhões no ano, segundo relatório da própria empresa. [&#8230;]]]></description>
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<p>A <strong>Tok&amp;Stok</strong>, marca que moldou o design para a classe média-alta, hoje é palco de uma das brigas mais sujas na bolsa brasileira. Depois da fusão com a <strong>Mobly</strong>, em <strong>2024</strong>, nasceu o <strong>Grupo Toky</strong> (ticker MBLY3), mas os resultados foram desastrosos, com prejuízo de <strong>R$ 169 milhões</strong> no ano, segundo relatório da própria empresa.</p>



<p>Enquanto isso, a dívida aumenta. Estimativas citadas no processo falam em níveis próximos a <strong>R$ 700 milhões</strong>. O valor de mercado, por sua vez, despencou para algo entre <strong>R$ 100 milhões</strong> e <strong>R$ 140 milhões</strong>, de acordo com apurações do mercado.</p>



<p>Nesse cenário desolador, os fundadores <strong>Régis</strong> e <strong>Ghislaine Dubrule</strong>, junto a <strong>Paul Jean Marie Dubrule</strong>, viram uma oportunidade de retomar o controle. Em <strong>fevereiro de 2025</strong>, apresentaram uma OPA hostil para adquirir até <strong>100%</strong> das ações ao valor simbólico de <strong>R$ 0,68</strong> por ação, um deságio de <strong>51%</strong> em relação ao preço do dia anterior.</p>



<p>Para viabilizar a oferta, os Dubrule prometeram injetar <strong>R$ 100 milhões</strong> de capital e converter mais <strong>R$ 125 milhões</strong> de créditos que detinham contra a empresa. Mas um dossiê com aproximadamente <strong>41 mil</strong> e-mails, trocados pelos Dubrule, revelou supostos acordos paralelos com os controladores alemães e desencadeou uma guerra aberta.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O império falido e a OPA hostil</strong></h2>



<p>A crise começou quando a <strong>gestora SP</strong>X, que controlava a <strong>Tok&amp;Stok</strong>, vendeu a empresa em <strong>2024</strong> para a Mobly, controlada pelo grupo alemão <strong>Home24/XXXLutz</strong>, criando o Grupo Toky. A fusão deveria criar sinergias, mas a empresa combinada continuou a queimar caixa.</p>



<p>Em fevereiro de <strong>2025</strong>, a família Dubrule, que fundou a Tok&amp;Stok em 1975 e havia perdido o controle para fundos, viu a oportunidade de ouro. Com a empresa valendo uma fração de sua dívida, lançaram uma OPA hostil para comprar <strong>100% das ações</strong>.</p>



<p>O preço ofertado chocou a Faria Lima: <strong>R$ 0,68 por ação</strong>. O valor representava um <strong>desconto de 51%</strong> sobre o preço de tela do dia anterior. Era uma oferta a &#8220;preço de sucata&#8221;, como classificaram os conselheiros, para tomar o controle da empresa no bico do corvo. Os Dubrule prometeram capitalizar a empresa com <strong>R$ 100 milhões </strong>e converter outros <strong>R$ 125 milhões</strong> em créditos que tinham contra a companhia.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O dossiê de 41 mil e-mails</strong></h2>



<p>A administração do Grupo Toky, liderada pelos ex-executivos da Mobly, rejeitou a oferta como “inviável”. Foi então que algo explosivo emergiu. Na unificação dos servidores de e-mail da Mobly e da Tok&amp;Stok, a nova gestão teve acesso a um arquivo com <strong>cerca de 41 mil mensagens</strong> trocadas pelos Dubrule. Segundo relatos, os e-mails revelavam “negociações paralelas” entre os fundadores e os alemães da <strong>Home24</strong>, acionistas do Grupo Toky, com participação de <strong>44,4%</strong>.</p>



<p>A acusação por parte da gestão da Toky foi grave. A tese é de que os Dubrule teriam combinado com a Home24 de que os alemães dariam apoio para a OPA, e, depois, os Dubrule comprariam as ações dos alemães para permitir a saída destes do negócio. Com base nessas mensagens, a administração da Toky levou o caso à <strong>Comissão de Valores Mobiliário (</strong><strong>CVM)</strong>, acusando os fundadores de manipulação de mercado e uso de informação privilegiada.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A defesa: o jogo da “poison pill”</strong></h2>



<p>A OPA proposta pelos Dubrule tinha uma condição: a retirada da cláusula de <em>poison pill</em> do estatuto da companhia. Essa cláusula obriga que qualquer acionista que ultrapasse <strong>20%</strong> do capital lance uma OPA por um preço “justo”, protegendo os minoritários. Os alemães da <strong>Home24</strong>, os principais acionistas, pediram a votação para derrubá-la, o que, para a diretoria da Toky, seria a prova do conluio.</p>



<p>Começou, então, uma disputa feroz por procurações. A administração da Toky mobilizou acionistas minoritários, argumentando que a oferta de <strong>R$ 0,68</strong> era predatória e venceu. Em <strong>30 de abril de 2025</strong>, a assembleia de acionistas rejeitou a proposta de retirada da <em>poison pill</em>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O surrender dos fundadores</strong></h2>



<p>Essa votação foi o xeque-mate. Sem a remoção da <em>poison pill</em>, a OPA simplesmente se tornou inviável. Em <strong>12 de maio de 2025</strong>, a família Dubrule enviou uma carta ao mercado anunciando formalmente a retirada da oferta.</p>



<p>Na carta, os Dubrule culparam as “medidas temerárias adotadas pelos administradores” da Toky, mas, para o mercado, era uma <strong>rendição</strong>. O que começou como uma ofensiva para retomar o controle virou um recuo forçado.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O legado da guerra dos sofás</strong></h2>



<p>A <strong>“guerra dos sofás”</strong> terminou com a Tok&amp;Stok no chão, não apenas como imagem, mas como caso prático de governança corporativa falha. A empresa, que já foi um símbolo de design aspiracional, agora é estudada como exemplo de <strong>destruição de valor</strong>, com dívida muito maior que seu valor de mercado, fundadores e controladores em batalha judicial e um caixa drenado por litígios.</p>



<p>No mundo dos negócios, nem mesmo os fundadores têm imunidade. Neste caso, os Dubrule descobriram que revisitar o passado pode custar muito mais do que ganhar o presente.</p>
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		<title>A Frota Fantasma</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Oct 2025 12:58:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
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					<description><![CDATA[Sob o radar das sanções, uma armada de petroleiros velhos e sem seguro, operada por Rússia, Irã e Venezuela, cresceu até compor cerca de 20% da capacidade global de transporte de petróleo. Longe dos portos regulados de Roterdã ou Houston, uma vasta armada de petroleiros envelhecidos opera nas sombras do direito internacional. É a &#8220;frota [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="is-style-justificado"><em>Sob o radar das sanções, uma armada de petroleiros velhos e sem seguro, operada por </em><strong><em>Rússia</em></strong><em>, </em><strong><em>Irã</em></strong><em> e </em><strong><em>Venezuela</em></strong><em>, cresceu até compor cerca de 20% da capacidade global de transporte de petróleo</em>.</p>



<p class="is-style-justificado">Longe dos portos regulados de <strong>Roterdã</strong> ou <strong>Houston</strong>, uma vasta armada de petroleiros envelhecidos opera nas sombras do direito internacional. É a &#8220;frota fantasma&#8221;, um mercado paralelo que, impulsionado pelas sanções contra <strong>Rússia</strong>, <strong>Irã</strong> e <strong>Venezuela</strong>, expandiu-se de modo acelerado. Números recentes estimam o tamanho em algo entre <strong>1.100 e 1.600 embarcações</strong>, o equivalente a cerca de <strong>um quinto (20%)</strong> da capacidade global de transporte de petróleo, dependendo do método de contagem.</p>



<p class="is-style-justificado">Esta sofisticada arquitetura logística movimenta <strong>dezenas de bilhões de dólares</strong> e se tornou ferramenta geopolítica crucial, garantindo que o petróleo sancionado continue a fluir e estabilize os preços no curto prazo, mas financiando regimes isolados e multiplicando riscos ambientais. O <strong>Brasil</strong>, longe de ser mero espectador neste caso, tornou-se destino preferencial de parte desse fluxo.</p>



<p class="is-style-justificado">O fenômeno já alterou rotas comerciais, derrubou previsões de sanções e confundiu autoridades marítimas. O que antes parecia uma rede marginal, atualmente movimenta quase o mesmo volume de petróleo que países inteiros da <strong>OPEP</strong>, desafiando instituições financeiras, seguradoras e tratados ambientais. No mapa global da energia, a frota fantasma tornou-se uma espécie de zona cinzenta permanente, uma economia flutuante, sem bandeira e sem rosto, que cresce na mesma medida em que o controle internacional se desfaz.</p>



<p class="is-style-justificado">O mesmo petróleo que mantém em funcionamento as fábricas da <strong>Ásia</strong> e o agronegócio do <strong>Brasil</strong> também sustenta regimes sancionados e enfraquece o alcance diplomático do <strong>Ocidente</strong>. Cada barril que cruza o Atlântico sem registro é um lembrete de que o mundo, mesmo cercado de dados e satélites, ainda depende de sombras para manter as luzes acesas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Anatomia da armada clandestina</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">Antes da invasão da Ucrânia, havia &#8220;algumas centenas&#8221; de navios. Em meados de <strong>2023 a 2025,</strong> a contagem saltou. Estudos e firmas de inteligência marítima apontam para um total, que varia conforme a metodologia, com faixas entre <strong>980</strong> e <strong>1.600</strong> embarcações. Outros conjuntos de dados destacam que apenas a porção russa passou de menos de <strong>100</strong> embarcações no início de 2022 para várias centenas nos anos seguintes.</p>



<p class="is-style-justificado">A frota opera fora do sistema regulado. Navios com décadas na quilha, manutenção precária e estruturas de propriedade opaca são registrados em jurisdições de baixa vigilância. Para burlar o rastreio, seja se falsificando sinais do AIS (desligamento ou spoofing), seja recorrendo a transferências navio-a-navio (STS) em alto-mar, tática frequentemente observada no Sudeste Asiático e no Caribe, a origem da carga fica deliberadamente borrada. Muitas dessas embarcações navegam com seguro inferior ao padrão ocidental, configurando um <strong>&#8220;perigo navegando&#8221;</strong> e um risco ambiental iminente.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os donos do jogo e seus beneficiários</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">A frota serve principalmente <strong>Rússia</strong>, <strong>Irã</strong> e <strong>Venezuela</strong>, e encontra dois grandes mercados: <strong>China</strong> e <strong>Índia</strong>. Dados de comércio e análises do setor mostram que a Rússia manteve volumes de exportação muito próximos aos níveis pré-sanções. Em termos agregados, as exportações russas têm ficado na faixa de <strong>4 a 6 milhões de barris por dia</strong> em diferentes meses de <strong>2024 a 2025</strong>, dependendo das métricas e do período considerado. O Irã segue exportando volumes significativos, sustentado pela própria capacidade marítima e por clientes na Ásia.</p>



<p class="is-style-justificado">Do lado da demanda, <strong>a Ásia absorveu muito do que a Europa e o Ocidente deixaram de comprar</strong>. Em <strong>2024</strong>, dados oficiais e de inteligência comercial indicam que a <strong>China</strong> importou cerca de <strong>109 milhões de toneladas</strong> de petróleo russo, enquanto a <strong>Índia</strong> importou algo em torno de <strong>88 milhões de toneladas</strong> no mesmo ano, volumes recorde que explicam por que o desconto russo segue encontrando comprador.</p>



<p class="is-style-justificado">Estima-se que redes e intermediários ligados ao comércio clandestino tenham movimentado somas bilionárias. Relatórios setoriais apontam casos isolados (empresas/players) que movimentaram dezenas de milhões de barris e centenas de milhões de dólares em janelas curtas. Avaliações abrangentes colocam o valor econômico agregado desta infraestrutura em <strong>dezenas de bilhões de dólares</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O efeito colateral brasileiro</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">O <strong>Brasil</strong> não aderiu às sanções ocidentais e viu o parque de importadores aproveitar preços competitivos. Investigações jornalísticas e dados oficiais mostram que, entre <strong>2022</strong> e <strong>2024</strong>, as compras brasileiras de diesel russo (refino/semimanufaturados) cresceram de cifras muito modestas para valores na casa dos <strong>bilhões de dólares</strong>. De cerca de <strong>US$ 95 a 100 milhões</strong> em <strong>2022</strong> para <strong>US$ 4,5 bilhões</strong> em <strong>2023</strong> e cerca de <strong>US$ 5,4 bilhões</strong> em <strong>2024</strong>, segundo levantamentos econômicos e reportagens. Isso colocou a Rússia como fornecedora dominante de diesel do país em 2024.</p>



<p class="is-style-justificado">Reportagens de investigação indicam também presença física da frota nos portos brasileiros. Tais investigações documentaram pelo menos <strong>36</strong> navios associados ao chamado &#8220;shadow/ghost fleet&#8221; atracando em portos brasileiros entre <strong>fevereiro de 2022</strong> e meados de <strong>2025</strong>. Esse contato direto transforma uma questão de petróleo em um problema geopolítico, no qual as empresas brasileiras e o agronegócio ganham combustível mais barato, mas ficam expostos a riscos de sanções secundárias em caso de escalada de medidas contra a rede clandestina.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Um novo (des)equilíbrio global</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">A ascensão da frota fantasma redesenhou o mercado de energia. No curto prazo, atuou como válvula de escape que conteve choques de oferta e, no longo prazo, corrói a capacidade ocidental de isolamento econômico e sustenta regimes que buscam fontes alternativas de receita. A &#8220;frota fantasma&#8221; vai além de um agregado de navios velhos, é a espinha dorsal de uma ordem energética paralela, na qual o mundo se divide entre mercados regulados e um circuito opaco que abastece sobretudo a Ásia e, cada vez mais, provoca efeitos na América do Sul.</p>
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		<title>“De volta para o Passado”: A ascensão e queda da gigante IBM que revolucionou a computação.</title>
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		<pubDate>Thu, 08 May 2025 22:55:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
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					<description><![CDATA[A IBM não foi a primeira empresa a construir computadores. Essa distinção pertence à UNIVAC, uma subsidiária da Sperry-Rand, que lançou os primeiros computadores comercialmente bem-sucedidos no início dos anos 1950. Naquela época, a IBM já possuía o maior departamento de pesquisa e desenvolvimento da indústria de máquinas de negócios e rapidamente alcançou a concorrência, [&#8230;]]]></description>
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<p>A IBM não foi a primeira empresa a construir computadores. Essa distinção pertence à UNIVAC, uma subsidiária da Sperry-Rand, que lançou os primeiros computadores comercialmente bem-sucedidos no início dos anos 1950. Naquela época, a IBM já possuía o maior departamento de pesquisa e desenvolvimento da indústria de máquinas de negócios e rapidamente alcançou a concorrência, introduzindo computadores de custo competitivo poucos anos após a UNIVAC. No final da década de 1950, a IBM já dominava o mercado de computadores.</p>



<p>Além disso, a empresa contava com uma força de vendas extremamente superior, utilizando uma tática chamada de <strong>“paper machines”</strong> (o equivalente ao <strong>“vaporware” </strong>dos dias atuais). Sempre que um concorrente lançava um produto de sucesso em um segmento que a IBM ainda não havia penetrado, a empresa anunciava um produto concorrente e começava a aceitar pedidos muito antes de sua disponibilidade real.</p>



<p>É difícil exagerar o quão poderosa a IBM era nas décadas de 1950 e 1960. Qualquer concorrente temia que, se seu produto tivesse sucesso por tempo suficiente, era apenas uma questão de tempo até que um exército de representantes de vendas da IBM, com seus uniformes impecáveis de camisas brancas engomadas, gravatas vermelhas e ternos azuis, entrasse em ação. A IBM oferecia uma opção mais cara, mas também mais segura. A famosa frase <strong>“Ninguém é demitido por comprar IBM” refletia esse sentimento.</strong></p>



<p>Até mesmo os concorrentes reconheciam a excelência da IBM em vendas. Um executivo da UNIVAC certa vez reclamou: “Não adianta construir uma ratoeira melhor se o outro cara tem cinco vezes mais vendedores.”</p>



<p>O lançamento do IBM 360, em 1964, foi o projeto de desenvolvimento mais ambicioso da empresa até então, custando, segundo algumas estimativas, o dobro do Projeto Manhattan. A linha 360 consistia em uma série de máquinas com código compatível, permitindo que os clientes fizessem upgrades sem a necessidade de reescrever seus softwares. Além de ser um avanço tecnológico, o 360 representou uma mudança organizacional significativa, proporcionando uma hierarquia clara de produtos e aumentando o poder de precificação da IBM. Esse lançamento marcou o auge da influência da empresa e sua capacidade de moldar mercados, embora o ápice financeiro ainda estivesse por vir.</p>



<p>No livro “Capitalismo, Socialismo e Democracia”, de 1942, Joseph Schumpeter descreveu a dinâmica de uma economia de mercado como um processo de “destruição criativa”. Segundo ele, a inovação — “os novos bens de consumo, os novos métodos de produção ou transporte, os novos mercados, as novas formas de organização industrial que a empresa capitalista cria” — impulsiona esse processo. A economia de mercado permite que a população em países desenvolvidos desfrute de um padrão de vida que até os reis de antigamente mal poderiam imaginar.</p>



<p>À medida que a economia de mercado evolui, inevitavelmente surgem inúmeras mudanças na oferta e na demanda, resultando tanto em lucros quanto em perdas. A destruição criativa ocorre quando inovações, como novas tecnologias ou modelos de negócios, tornam obsoletas as estruturas de capital de indústrias estabelecidas que não conseguem mais atender às demandas do consumidor. Esse processo pode ocorrer rapidamente, como aconteceu com a indústria de discos de vinil após a chegada da música digital.</p>



<p>A IBM foi a empresa mais lucrativa dos Estados Unidos em 1985, representando 6,4% do índice S&amp;P 500. No entanto, em 1992, a empresa registrou o que, na época, foi o maior prejuízo anual de uma corporação americana. O declínio prolongado da IBM não foi resultado de uma única decisão errada, mas de uma abordagem excessivamente centrada em vendas, baseada em um ritmo mais lento de mudanças do que o que se estabeleceu na década de 1980. O crescimento acelerado dos computadores de baixo custo reduziu a relevância da vantagem competitiva da IBM em contratos de longo prazo e larga escala.</p>



<p>À medida que os computadores de baixo custo se tornaram cada vez mais poderosos, o software passou a se proliferar. A IBM enfrentou dificuldades crescentes para operar em uma indústria que já não dominava como antes. A empresa experimentou um longo período de crescimento ininterrupto, e sua capacidade de continuar crescendo enquanto se reinventava era impressionante. As IBMs de hoje podem incluir empresas como Facebook e Apple — cada uma dominando seu respectivo setor de maneira semelhante ao que a IBM fez no passado. A mudança é inevitável, e todas essas empresas podem, em algum momento, sucumbir às forças do mercado.</p>



<p>Atualmente, um pequeno grupo de ações domina o mercado a tal ponto que o Goldman Sachs criou o acrônimo FAAMG para identificar esse seleto grupo de empresas: Facebook (Meta), Amazon, Apple, Microsoft e Google (Alphabet). Essas cinco companhias representam 22,5% da capitalização de mercado do índice S&amp;P 500, uma métrica calculada ao multiplicar o total de ações em circulação pelo último preço negociado. A sexta maior empresa do índice S&amp;P 500 é a fabricante de veículos elétricos Tesla, com um peso de 1,50% e um valor de mercado de quase US$900 bilhões.</p>



<p>O valor de mercado da Tesla é quase metade o valor total do setor de energia dentro do S&amp;P 500 (US$1,8 trilhões), apesar da receita do setor de energia no último ano atingir US$1,2 trilhões — uma cifra que eclipsa os US$97 bilhões de receita da Tesla. De fato, o valor de mercado combinado das vinte e três ações do setor de energia no S&amp;P 500 equivale apenas a 0,67x o aumento de valor de mercado da Apple desde a mínima em março de 2020. Muitos investidores subestimam a impressionante capacidade intelectual das empresas do setor de energia. O exército de cientistas e engenheiros da Schlumberger e da Exxon Mobil é tão talentoso quanto seus pares na Apple, Facebook e Amazon. Vale ressaltar que o setor de tecnologia não existiria sem o setor de energia.</p>



<p>As ações da FAAMG, incluindo a Tesla, representam empresas extraordinárias. No entanto, em algum momento, a narrativa de investimento de Wall Street desconectou o preço do valor real.</p>



<p>Durante recessões econômicas, o processo de destruição criativa elimina os excessos acumulados no sistema financeiro. Na recuperação subsequente, a liderança de mercado surge de setores e indústrias diferentes dos que predominaram na expansão anterior. As empresas que atualmente são as queridinhas do mercado incorporam valuations que pressupõem uma liquidez elevada e inflação baixa de forma sustentada. Se acreditarmos que o ciclo econômico continua vigente, um excesso de liquidez pode gerar inflação. Um nível inflacionário elevado exige a remoção desse excesso de liquidez, o que, por sua vez, pode desencadear uma desaceleração econômica.</p>



<p>Após vinte e cinco anos de inflação em declínio, combinada com um custo de capital reduzido, as empresas de tecnologia conquistaram uma dominância absoluta nos mercados de ações globais. No entanto, uma mudança estrutural no cenário inflacionário pode enfraquecer os fortes ventos favoráveis que impulsionaram o setor de tecnologia por tanto tempo.</p>



<p>Uma das ilusões perpetuadas em toda bolha especulativa é a crença de que o preço de um ativo equivale à riqueza, e que preços mais altos significam automaticamente maior riqueza. No entanto, o valor real de qualquer ativo reside nos fluxos de caixa futuros que ele promete gerar ao longo do tempo. A verdadeira riqueza do investidor está nesses fluxos de caixa, e não no preço do ativo. O preço de mercado de um ativo só é realizado quando ele é vendido para outro comprador. No fim das contas, alguém sempre será o detentor final de um ativo até que ele seja retirado do mercado, e seu valor depende exclusivamente dos fluxos de caixa que entregará no futuro.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="763" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-3-1024x763.png" alt="" class="wp-image-1266" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-3-1024x763.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-3-300x224.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-3-768x572.png 768w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-3-1536x1145.png 1536w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-3.png 1586w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Fonte: IBM.</em></figcaption></figure>



<p>É nesse ponto que a verdadeira riqueza se encontra, e não no preço do ativo. Até que um ativo seja retirado do mercado, cada transação representa apenas uma transferência de riqueza entre compradores e vendedores. O que os investidores frequentemente percebem como riqueza nada mais é do que o preço atual de sua futura riqueza.</p>



<p>Exceto para os investidores individuais que vendem durante os valuations extremos periodicamente oferecidos por mercados exuberantes, os preços das ações são apenas números piscando na tela do computador. Para investidores de longo prazo, a riqueza está — e sempre estará — nos fluxos de caixa de um ativo.</p>



<p>De acordo com o economista John Hussman, ao dividir a capitalização de mercado pelo valor agregado da produção que gera os fluxos de caixa, temos uma visão perspicaz dos retornos futuros de investimentos de longo prazo. Hussman há muito tempo argumenta que as métricas de valuation baseadas nessas comparações são as que melhor se correlacionam com os retornos reais subsequentes do mercado. Atualmente, esse quadro nunca foi tão extremo. O gráfico de Hussman, por exemplo, mostra a soma da capitalização de mercado das empresas não financeiras dos EUA com suas dívidas, dividida pelo valor bruto adicionado (essencialmente, suas receitas).</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="394" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-4-1024x394.png" alt="" class="wp-image-1267" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-4-1024x394.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-4-300x116.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-4-768x296.png 768w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-4.png 1480w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Fonte: Curadoria pessoal.</em></figcaption></figure>



<p>Para quem é investidor — e não especulador — a pergunta essencial a ser feita sempre é: “Quanto estou pagando pelo fluxo de caixa que espero receber?” Se um ativo não é nada mais do que uma reivindicação sobre um fluxo de caixa de longo prazo, então, quanto maior o preço pago hoje por esses fluxos, menor será o retorno esperado no longo prazo.</p>



<p>Não faz muito tempo, os investidores operavam em um mercado sem internet, sem smartphones, sem algoritmos processando “Big Data” e sem conferências trimestrais de resultados. Hoje, a informação instantânea e constante inunda os participantes do mercado. Pode-se argumentar que esse fenômeno explica, em parte, por que as ações desafiam a matemática básica e são negociadas com prêmios de valuation extraordinários em relação a ciclos de mercado anteriores. Mais informação pode tornar os investidores excessivamente confiantes, mas não necessariamente resulta em melhores decisões. Pelo contrário, um excesso de informações pode inflar artificialmente a confiança, levando os investidores a assumirem maiores riscos sem qualquer insight adicional para prever eventos futuros.</p>



<p>Em 1973, o psicólogo Paul Slovic realizou um experimento com um grupo de apostadores profissionais de corridas de cavalos — pessoas que ganhavam a vida apostando. Os participantes receberam diferentes quantidades de informações para embasar suas apostas, e os pesquisadores monitoraram tanto a precisão quanto a confiança de cada um conforme mais dados eram disponibilizados.</p>



<p>Vale destacar que os participantes eram profissionais, não meros apostadores casuais. O estudo seguiu uma sequência específica. Inicialmente, os apostadores tiveram que prever os resultados de uma série de corridas sem nenhuma informação sobre os participantes. Em seguida, receberam cinco dados solicitados, depois dez, vinte e, por fim, quarenta informações para a última rodada de apostas.</p>



<p>Os pesquisadores analisaram dois aspectos: (1) a precisão das previsões e (2) o nível de confiança em cada corrida. Os resultados mostraram que uma pequena quantidade de informações aumentou a precisão das previsões em cerca de 70%, porém, qualquer dado adicional acima de cinco itens serviu apenas para elevar a confiança. A precisão estabilizou em 17%, enquanto a confiança saltou para 34% quando quarenta informações foram disponibilizadas. Com maior confiança, os apostadores aumentaram suas apostas sem um ganho correspondente em precisão, o que, no fim, resultou em um desempenho geral pior.</p>



<p>A lição aqui é que, além de uma pequena quantidade de informações úteis, informações adicionais apenas alimentam vieses já existentes. Informações contrárias são ignoradas ou frequentemente descartadas, enquanto informações adicionais reforçam uma visão equivocada.</p>



<p>Essa prática é conhecida como viés de confirmação. À medida que mais fatos se tornam disponíveis, as pessoas incorporam apenas aqueles que sustentam sua opinião, ignorando os que apoiam uma visão contrária. Da mesma forma, acreditam que entendem o mundo, mas até mesmo os investidores mais experientes ocasionalmente afirmam que certas tendências não fazem sentido. “Não faz sentido que as taxas de juros estejam tão baixas” ou “não faz sentido que as ações continuem subindo.” Os investidores podem não compreender a tendência atual porque enxergam razões legítimas para que ela devesse seguir na direção oposta, mas, ainda assim, ela continua no rumo atual. Eles acreditam que a tendência não faz sentido. A realidade, porém, é que é preciso investir nos mercados como eles são, e não como se gostaria que fossem. Acreditar no contrário é ignorar a realidade.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="661" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-5-1024x661.png" alt="" class="wp-image-1268" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-5-1024x661.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-5-300x194.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-5-768x496.png 768w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-5-1536x992.png 1536w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-5.png 1834w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Fonte: Curadoria pessoal.</em></figcaption></figure>
</div>


<p>O investidor em valor de hoje olha ao redor do mundo e acha difícil acreditar que, desde janeiro de 2020 (logo antes da crise do mercado causada pela Covid), o mercado de ações, medido pelo índice Wilshire 5000, tenha aumentado de valor em uma quantia equivalente ao valor total do mercado no auge da bolha das empresas de tecnologia em 2000 (aproximadamente US$ 14,5 trilhões). Muitos fatos apoiam as preocupações em relação às avaliações de mercado, mas a tendência atual continua impulsionando os preços das ações para cima. Surge a dúvida sobre o que poderia precipitar uma queda do mercado — talvez nada além de um movimento para realização de lucros já fosse suficiente. É importante destacar que não há limites para os extremos de mercado que não possam se tornar ainda mais extremos.</p>



<p>O ponto central é que existem certos aspectos relacionados à valuation, à psicologia dos investidores e ao comportamento dos preços que emergem quando o medo de ficar de fora atinge níveis extremos e a especulação se concentra em um pequeno conjunto de ações.</p>



<p>Investir estritamente “pelo método de valuation”, como Benjamin Graham chamava, pode ser eficaz no longo prazo, mas pode ser doloroso em períodos mais curtos. Do ponto de vista das valorizações recordes, o ambiente atual apresenta uma oportunidade para um investidor realizar uma “transferência de riqueza” de outros investidores… vendendo. Logicamente, sempre haverá alguém detendo todas as ações em circulação — é impossível que todos saiam do mercado simultaneamente.</p>



<p>A capitalização de mercado nada mais é do que o preço pelo qual o comprador e o vendedor mais recentes negociaram uma única ação, multiplicado pelo número total de ações em circulação de uma empresa. Atualmente, a capitalização de mercado das ações nos EUA está em US$49,9 trilhões (abril de 2025), próximo de duas vezes o nível do PIB americano de US$29 trilhões. No pico da bolha de tecnologia de 2000, a capitalização de mercado dos EUA atingiu um recorde de 1,9 vezes o PIB — um número modesto em retrospectiva.</p>



<p>Embora a capitalização de mercado em relação ao desempenho econômico seja uma métrica de valuation amplamente utilizada, é essencial lembrar que valor de mercado não é sinônimo de riqueza. O valor de mercado nada mais é do que o preço da última negociação multiplicado pelo número total de ações em circulação de uma empresa. Se alguém compra uma única ação da Apple por um valor $0,05 superior ao preço da transação anterior, $820 milhões em capitalização de mercado surgem do “éter digital”. Da mesma forma, se uma ação da Apple for negociada por $0,10 a menos, $1,6 bilhão desaparece instantaneamente.</p>



<p>No fim das contas, a verdadeira riqueza inerente a um ativo ou a um mercado de ativos está no fluxo futuro de caixa gerado para o acionista ao longo do tempo. As oscilações de preço não alteram esses fluxos de caixa subjacentes — apenas criam oportunidades para a transferência de capital entre investidores.</p>



<p>Como valuations elevados favorecem os vendedores, a venda de ações por insiders corporativos pode ser um indicador relevante. Recentemente, a Bloomberg informou que “Mark Zuckerberg vendeu ações da Meta Platforms Inc. quase todos os dias úteis deste ano. Os fundadores do Google começaram a se desfazer de suas ações em maio, o mesmo período em que dois dos três cofundadores da Airbnb Inc. iniciaram a diversificação de suas participações. Essas transações fazem parte de uma onda de vendas realizadas pelos americanos mais ricos.”</p>



<p>Além disso, Elon Musk vendeu cerca 10% de sua participação na Tesla nos últimos meses, e Jeff Bezos liquidou um volume recorde de ações da Amazon. Como vendedores, os insiders dessas empresas dominantes estão aproveitando os valuations elevados para transferir riqueza dos compradores de hoje para si mesmos.</p>



<p>Uma bolha no mercado de ações não aumenta o nível de riqueza, assim como um colapso de mercado não reduz a riqueza coletiva dos detentores de ativos. Apenas o valor de mercado muda. Por isso, não é necessário prever para onde os preços irão, mas sim focar nos fluxos de caixa futuros e no valuation apropriado a ser aplicado a esses fluxos. Consequentemente, a principal preocupação do investidor deve ser garantir que a alocação de investimentos esteja alinhada com seu horizonte de investimento e sua tolerância ao risco.</p>



<p>Para aqueles que escolhem investir fortemente em fundos indexados atualmente, é crucial compreender que nunca antes se pagou um preço tão alto pelos fluxos de caixa futuros atrelados ao índice.</p>



<p>A edição de 1940 de <em>Security Analysis</em>, de Benjamin Graham, continua relevante para o investidor em valor de hoje. A busca por ativos negociados a preços descontados em relação ao valor intrínseco estimado tem sido difícil e muitas vezes frustrante na última década. Há 85 anos, os mercados já exageravam tanto a alta quanto a baixa dos preços — narrativas e manias eram tão comuns naquela época quanto são atualmente.</p>



<p>De maneira semelhante, os participantes do mercado falam mais sobre a abordagem de investimento em valor do que realmente a praticam. “As parcialidades do mercado tendem a confundir o ponto de vista conservador,” escreveram Graham e seu coautor, David Dodd.</p>



<p>A aversão ao risco está no cerne da abordagem de investimento baseada na filosofia de valor. Graham e sua geração compreenderam esse conceito de forma instintiva, tendo vivenciado a Primeira Guerra Mundial, seguida pela pandemia da gripe espanhola e, posteriormente, pela depressão de 1920-21. Embora os investidores tenham prosperado nos anos 1920, sobreviver aos mercados da década de 1930 foi uma questão de sorte.</p>



<p>A Alemanha invadiu a Polônia em 1939, e a Segunda Guerra Mundial já estava em curso quando Graham e Dodd publicaram a segunda edição de <em>Security Analysis</em>. De alguma forma, Graham encontrou forças para escrever a primeira edição da obra enquanto suas próprias finanças desmoronavam — entre 1929 e 1932, o valor de sua parceria de investimentos caiu 70%. Sua resiliência foi admirável.</p>



<p>Graham sempre enxergou o mundo como ele realmente era, e não como gostaria que fosse. “A ideia de que a atratividade de uma ação ordinária é totalmente independente de seu preço parece incrivelmente absurda”, escreveu ele. Avaliar a atratividade de um ativo sem considerar seu preço desafia o princípio atemporal de que o valor recebido depende do preço pago. Esse conceito continua tão relevante hoje quanto era em 1929.</p>



<p>Atualmente, muitos participantes do mercado mais uma vez esqueceram que o valuation é o mecanismo definitivo dos retornos de mercado. Graham observou que esse tipo de comportamento levou a múltiplos preço/lucro acima de cinquenta em 1929. Hoje, a Bloomberg contabiliza mais de 100 empresas americanas (mercado total) com múltiplos preço/vendas superiores a cinquenta. O que não mudou desde então é o ciclo implacável de inovação tecnológica e organizacional, e a destruição criativa que caracteriza cada ciclo de negócios.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Graham apontou o paradoxo dos ciclos de mercado:</strong></h2>



<p>“Exatamente no momento em que a crescente instabilidade das empresas tornava a compra de ações muito mais arriscada do que antes, o evangelho das ações como investimentos seguros e satisfatórios foi pregado e avidamente aceito pelo público americano.”</p>



<p>A visão desfavorável em relação ao investimento em valor hoje se deve à narrativa predominante. Após mais de uma década de liquidez sem precedentes e capital praticamente sem custo, o crescimento e a tecnologia dominam o mercado de ações. Essa foi a realidade dos últimos anos, e os investidores em valor que ignoraram esse contexto pagaram o preço. Mas, como escreveu Seth Klarman, discípulo de Graham:</p>



<p>“Seguir uma abordagem de valor significa se distanciar da multidão, desafiar a sabedoria convencional e ir contra as tendências predominantes de investimento.”</p>



<p>Aqueles que pagam prêmios elevados em busca de qualidade e segurança acabam por não obter nenhuma delas. Em vez disso, expõem suas economias a riscos significativos. Nunca se sabe quais eventos revelarão que os vencedores de hoje estão precificados para a perfeição — assim como poucos conseguiram prever o auge da IBM em 1985.</p>



<p><strong>Até a próxima.</strong></p>



<p></p>
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		<title>A Nova Passada da 3G</title>
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		<pubDate>Tue, 06 May 2025 21:50:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Aquisições]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento de Mercado]]></category>
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					<description><![CDATA[Por que a 3G decidiu enfrentar Nike e Adidas no setor mais competitivo do consumo global? NOVA YORK &#8211; A 3G Capital voltou a puxar o talão de cheques depois de três anos sem um M&#38;A. Ontem, o fundo fechou acordo para comprar 100 % da americana Skechers por US$ 9,4 bilhões . A operação marca o retorno do [&#8230;]]]></description>
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<p><em>Por que a 3G decidiu enfrentar Nike e Adidas no setor mais competitivo do consumo global</em>?</p>



<p><strong>NOVA YORK &#8211; </strong>A <strong>3G Capital</strong> voltou a puxar o talão de cheques depois de três anos sem um M&amp;A. Ontem, o fundo fechou acordo para comprar 100 % da americana <strong>Skechers</strong> por <strong>US$ 9,4 bilhões</strong> . A operação marca o <strong>retorno</strong> do trio a um velho instinto:<strong> comprar marcas com base fiel, redes globais</strong> e <strong>margem para crescer com eficiência</strong>, especialmente quando o mercado subestima o ativo. </p>



<p>A Skechers é a<strong> terceira maior </strong>empresa de calçados esportivos do planeta, com <strong>100 milhões de </strong>pares vendidos por ano, só está atrás de Nike e Adidas. A transação, aprovada por unanimidade pelo conselho da companhia, inclui uma oferta de <strong>US$63 por ação</strong> — um <strong>prêmio de 30%</strong> sobre o valor de tela — ou uma <strong>alternativa</strong> <strong>mista</strong> de <strong>US$57</strong> mais uma <strong>participação na nova empresa fechada</strong> que será criada para controlar o grupo.</p>



<p>O movimento <strong>causou alvoroço</strong> em Wall Street. As ações da americana dispararam mais de <strong>20% </strong>logo após o anúncio, refletindo tanto a <strong>surpresa</strong> do mercado quanto a <strong>expectativa</strong> de que os brasileiros aplicarão o mesmo <strong>playbook</strong> que consagrou o trio em outras operações: <strong>cortar custos,</strong> <strong>turbinar</strong> <strong>margem</strong>, <strong>acelerar distribuição global</strong> e, eventualmente, <strong>abrir capital com um valuation mais gordo.</strong></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdQFxYr9ieXv_2s-N7reUCGHNg-DE-_M5QCPOT_AD5qzPKovw/viewform"><img loading="lazy" decoding="async" width="608" height="972" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-39.png" alt="" class="wp-image-1147" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-39.png 608w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-39-188x300.png 188w" sizes="(max-width: 608px) 100vw, 608px" /></a></figure>
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<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>O Jogo Começa com Roger Federer</strong></h2>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="835" height="503" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image.png" alt="" class="wp-image-1246" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image.png 835w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-300x181.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-768x463.png 768w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-240x145.png 240w" sizes="(max-width: 835px) 100vw, 835px" /></figure>



<p>A entrada da 3G no setor de calçados começou antes, de forma mais discreta, <strong>longe de Wall Street. </strong>Em 2018, <strong>Marc Lemann,</strong> filho de Jorge Paulo, morava na Suíça quando um dos fundadores da <strong>On Running </strong>colocou<strong> sua fatia à venda.</strong> A marca ainda era <strong>pequena</strong>, mas chamava atenção pelo <strong>design</strong>, <strong>tecnologia</strong> e potencial de crescimento fora do <strong>eixo Nike-Adidas.</strong></p>



<p>Marc trouxe o negócio para a <strong>Point Break,</strong> o veículo de investimentos da família, o anúncio foi feito sob um <strong>valuation modesto,</strong> estimado em algumas <strong>dezenas de milhões de dólares</strong>. Pouco depois, apresentou <strong>Roger</strong> <strong>Federer</strong> aos fundadores. O suíço virou <strong>sócio</strong>, <strong>embaixador</strong> e ajudou a desenhar uma linha própria, a<strong> Roger Pro.</strong> A On ganhou <strong>escala</strong> e <strong>prestígio</strong> e em 2021, <strong>abriu capital </strong>na Bolsa de Nova York avaliada em mais de<strong> US$ 9 bilhões.</strong></p>



<p>Hoje, os principais acionistas incluem <strong>Carlos Alberto Sicupira,</strong> com<strong> 6,9%</strong>, e<strong> Marc Lemann,</strong> com<strong> 6,2%. </strong>Juntos, os dois controlam uma fatia de quase <strong>US$2 bilhões,</strong> e têm <strong>assento</strong> <strong>no conselho </strong>da empresa — representados por <strong>Alex Perez,</strong> sócio de longa data do grupo.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Skechers: Uma Porta para o Mass Market</strong></h2>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="570" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-1-1024x570.png" alt="" class="wp-image-1248" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-1-1024x570.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-1-300x167.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-1-768x427.png 768w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-1.png 1236w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>Se a On representa tecnologia, design e um<strong> público de alta renda,</strong> a Skechers é a <strong>antítese</strong> complementar: vende mais de<strong> 100 milhões</strong> de pares por ano, com foco em <strong>preço</strong> <strong>acessível</strong>, grande escala e <strong>forte presença no varejo físico </strong>dos Estados Unidos.</p>



<p>Fundada em <strong>1992</strong> por <strong>Robert</strong> <strong>Greenberg</strong>, a Skechers construiu seu negócio na base do volume. Patrocinou atletas, investiu pesado em marketing de TV e <strong>soube ocupar o espaço </strong>entre a Nike e os genéricos. Com presença global e <strong>fábricas</strong> na <strong>China</strong> e no <strong>Vietnã</strong>, virou a terceira maior fabricante de calçados do mundo, com receita de <strong>US$8 bilhões</strong> em 2024 e margem bruta de <strong>49%.</strong></p>



<p>O principal trunfo: uma rede de distribuição consolidada, com mais de<strong> 5.300 lojas</strong> e <strong>penetração</strong> <strong>massiva</strong> nos EUA. Mas o que parece vantagem virou vulnerabilidade. A <strong>dependência da Ásia</strong> e a <strong>guerra tarifária</strong> com a China impuseram desafios à <strong>margem</strong>, à <strong>previsibilidade</strong> de custos e à <strong>confiança</strong> dos investidores.</p>



<p>O próprio CEO da empresa, <strong>Michael</strong> <strong>Greenberg</strong>, filho do fundador, retirou o guidance de lucros em abril de 2025, citando<strong> “ameaças existenciais”</strong> provocadas pelas tarifas americanas. Internamente, a Skechers já havia alertado que o <strong>custo dos produtos poderia dobrar, </strong>colocando pressão no ticket médio. Foi nesse contexto que a 3G viu oportunidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>O Valor Está no Timing</strong></h2>



<p>A compra da Skechers ocorre no exato momento em que o mercado <strong>penalizava</strong> a empresa por <strong>motivos</strong> <strong>externos</strong>, e não por <strong>deterioração</strong> <strong>operacional</strong>. Mesmo com os desafios, a companhia havia registrado vendas recordes no primeiro trimestre de 2025, <strong>superando Nike e Adidas </strong>em volume em alguns mercados. O valuation, porém, havia caído para pouco mais de <strong>US$ 7 bilhões,</strong> patamar considerado <strong>“barato”</strong> para uma marca com mais de<strong> US$ 600 milhões </strong>de lucro líquido anual.</p>



<p>Ao privatizar a companhia, a 3G<strong> elimina a pressão trimestral</strong> de resultados, <strong>ganha liberdade</strong> para reestruturar a operação e pode usar sua <strong>expertise em arbitragem de eficiência</strong> para destravar valor. Internamente, o fundo projeta cortar entre <strong>10% e 15% </strong>dos custos operacionais nos primeiros dois anos, com foco em logística, gestão de estoques e renegociação de contratos.</p>



<p>O upside está claro: se a margem EBITDA da Skechers, hoje em torno de <strong>12%, </strong>subir para o patamar de <strong>17% </strong>— como em outras investidas da 3G — a geração de caixa anual pode ultrapassar <strong>US$1,2 bilhão, </strong>abrindo caminho para um re-IPO em 2028, possivelmente com valuation entre <strong>US$ 15 e US$ 18 bilhões</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Riscos e Incertezas</strong></h2>



<p>Apesar do entusiasmo do mercado, a operação carrega riscos. O maior deles é geopolítico: cerca de 60% dos produtos da Skechers são fabricados na Ásia, principalmente China e Vietnã. Qualquer agravamento nas tensões entre EUA e China pode impactar diretamente os custos, logística e margens da companhia.</p>



<p>Além disso, o modelo tradicional da Skechers — calcado em lojas físicas e volume de pares — vai na contramão das tendências de consumo digital. A empresa investe pouco em canais diretos e depende de grandes varejistas, o que limita o controle de pricing e fidelização de clientes. Corrigir isso exigirá investimento, tecnologia e uma guinada cultural — tarefa que a 3G nem sempre enfrentou bem em empresas que exigiam inovação constante.</p>



<p>Por fim, há o desafio da sucessão. Robert Greenberg e seu filho Michael continuarão na gestão no curto prazo, mas a 3G tende a trazer executivos próprios nos próximos trimestres. A integração cultural entre uma empresa familiar americana e um fundo de controle brasileiro não será trivial.</p>
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		<title>John Malone: O &#8220;Cable Cowboy&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Apr 2025 21:18:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresários]]></category>
		<category><![CDATA[Impérios]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
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<p>Em um mundo onde magnatas frequentemente buscam os holofotes,&nbsp;<strong>John Malone</strong>&nbsp;permaneceu notavelmente discreto enquanto construía um império que moldou a forma como consumimos mídia e informação hoje. Conhecido como o&nbsp;<strong>“Cable Cowboy”</strong>, Malone transformou uma pequena e endividada operadora de TV a cabo na&nbsp;<strong>maior potência de telecomunicações dos Estados Unidos</strong>, e depois, expandiu sua império para além das fronteiras americanas.</p>



<p>Aos&nbsp;<strong>29 anos</strong>, ele assumiu&nbsp;<strong>Tele-Communications Inc. (TCI)</strong>&nbsp;com uma dívida de&nbsp;<strong>US$132 milhões</strong>&nbsp;contra uma receita anual de apenas&nbsp;<strong>US$ 12 milhões</strong>&nbsp;e conseguiu reverter a situação da empresa, o número de assinantes de saltou&nbsp;<strong>400 mil para 15 milhões</strong>, revolucionando a indústria de TV a cabo.</p>



<p>Sua abordagem agressiva não parou por aí. Malone também protagonizou rivalidades icônicas com outros gigantes da mídia com&nbsp;<strong>Ted Turner</strong>, fundador da CNN que o apelidou de&nbsp;<strong>“Darth Vader”</strong>&nbsp;por sua tática implacável e&nbsp;<strong>Rupert Murdoch</strong>, da News Corporation.</p>



<p>À frente da&nbsp;<strong>Liberty Media</strong>, Malone expandiu seu império e é dono de diversas empresas como&nbsp;<strong>QVC</strong>,&nbsp;<strong>SiriusXM Radio</strong>&nbsp;e a&nbsp;<strong>Fórmula 1</strong>. Surpreendentemente, ele também é o&nbsp;<strong>maior proprietário individual de terras nos Estados Unidos</strong>, com mais de&nbsp;<strong>2,2 milhões de acres</strong>. Seu patrimônio líquido, estimado em&nbsp;<strong>US$9 bilhões</strong>, reflete apenas parte de sua influência e legado.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Início</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe6d8f2d2-9cb0-4a07-a5b6-93ed268ea2c1_700x525.jpeg" alt=""/></figure>
</div>


<p>Nascido em&nbsp;<strong>7 de março de 1941</strong>, em Milford, Connecticut, John Carl Malone cresceu em um ambiente modesto. Filho de um engenheiro, desde cedo mostrou gostou por matemática e ciências. Após o ensino médio, ele ingressou na&nbsp;<strong>Universidade Yale</strong>, onde se formou em&nbsp;<strong>Economia e Engenharia Elétrica</strong>&nbsp;em 1963. No ano seguinte, concluiu o&nbsp;<strong>Mestrado em Engenharia Industrial</strong>&nbsp;pela&nbsp;<strong>Universidade Johns Hopkins</strong>&nbsp;e, em 1967, finalizou seu&nbsp;<strong>Ph.D. em Pesquisa Operacional</strong>.</p>



<p>A carreira profissional de Malone começou na&nbsp;<strong>Bell Labs</strong>, uma das instituições de pesquisa mais renomadas dos Estados Unidos. Lá, ele aprofundou seus conhecimentos em sistemas de telecomunicações e tecnologia. Em 1967, mudou-se para a&nbsp;<strong>McKinsey &amp; Company</strong>, onde atuou como consultor, ganhando experiência em estratégia empresarial e operações.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Transformação da TCI em um Império do Cabo</strong></h2>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2811ca2c-2655-46c4-9d4e-d6bf04536c6d_1440x960.webp" alt=""/></figure>



<p>Em 1970, aos&nbsp;<strong>29 anos</strong>, John Malone enfrentou um dos maiores desafios de sua carreira. Foi convidado por&nbsp;<strong>Bob Magness</strong>, fundador da&nbsp;<strong>Tele-Communications Inc. (TCI)</strong>, para assumir o cargo de&nbsp;<strong>presidente executivo.</strong>&nbsp;Na época, a TCI era uma&nbsp;<strong>pequena</strong>&nbsp;operadora de TV a cabo sediada em Denver, Colorado, e encontrava-se em sérias&nbsp;<strong>dificuldades</strong>&nbsp;financeiras.&nbsp;A empresa tinha uma dívida de&nbsp;<strong>US$132 milhões</strong>, sua receita anual girava em torno dos&nbsp;<strong>US$12 milhões</strong>. A relação entre dívida e receita era alarmante, e a TCI estava à&nbsp;<strong>beira da falência.</strong></p>



<p>Para atrair Malone, foi proposto um pacote de remuneração que incluía um salário modesto de&nbsp;<strong>US$50 mil anuais,</strong>&nbsp;mas com um incentivo significativo:&nbsp;<strong>uma participação acionária de 2,5% na empresa</strong>. Além disso, Malone receberia um bônus de desempenho que aumentaria sua participação conforme a empresa atingisse metas específicas.</p>



<p>Malone enxergou na TCI uma oportunidade única. Apesar dos desafios, ele acreditava no potencial de crescimento do setor de TV a cabo, especialmente em áreas rurais pouco atendidas pelas grandes emissoras.</p>



<p>Ao assumir, Malone sabia que a reestruturação da dívida era crucial. Ele renegociou os termos com os credores, conseguindo reduzir as taxas de juros e alongar o prazo de pagamento de uma dívida que então ultrapassava US$132 milhões, uma quantia assustadora para uma empresa com uma receita anual de apenas US$12 milhões. Essa relação&nbsp;<strong>dívida/receita,</strong>&nbsp;superior a&nbsp;<strong>10:1,</strong>&nbsp;ameaçava levar a TCI à falência, e cada ajuste foi vital para a sobrevivência.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>O Bom Uso da Dívida</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2b33006a-b095-4a04-8e30-d3a6d158965b_1000x674.jpeg" alt=""/><figcaption class="wp-element-caption">John Malone a esquerda e Stewart Blair a direita em 1985</figcaption></figure>
</div>


<p>No entanto, em vez de se afastar de novos financiamentos, Malone enxergou uma vantagem no uso da dívida para crescimento. Ele acreditava que a alavancagem financeira, se bem administrada, poderia ser um motor de expansão. Malone adotou uma filosofia agressiva de aquisições, utilizando&nbsp;<strong>dívida de alto rendimento</strong>&nbsp;(conhecida como&nbsp;<em>junk bonds</em>) para financiar a compra de pequenas operadoras de cabo em todo o país.</p>



<p>Essa estratégia permitiu que a TCI crescesse rapidamente, aumentando sua base de assinantes e receitas. Ao longo das décadas de 1970 e 1980, a TCI adquiriu centenas de pequenas operadoras de TV a cabo. Essa expansão agressiva consolidou a empresa como a maior operadora de cabo dos Estados Unidos. Em 1973, a TCI já havia aumentado sua base para&nbsp;<strong>mais de 100.000 assinantes</strong>. Em 1981, esse número saltou para&nbsp;<strong>2 milhões</strong>, e em 1995, a empresa atingiu&nbsp;<strong>mais de 15 milhões de assinantes&nbsp;</strong>e uma receita que saltou para&nbsp;<strong>impressionantes US$7,5 bilhões.</strong></p>



<p>Malone não apenas focou na quantidade, mas também na qualidade dos serviços oferecidos. Ele investiu na modernização da infraestrutura, introduzindo tecnologias que permitiam maior capacidade de canais e melhor qualidade de transmissão. A TCI foi pioneira na oferta de canais por assinatura e serviços pay-per-view, diversificando suas fontes de receita.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft is-resized"><img decoding="async" src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fbd67f006-46ed-4bed-971f-594fe3e7f199_333x499.png" alt="" style="width:211px;height:auto"/></figure>
</div>


<p>O sucesso fenomenal de Malone na expansão da TCI e sua influência crescente na indústria renderam-lhe o apelido de&nbsp;<strong>“Cable Cowboy”</strong>. Suas ideias transformaram não só a TCI, mas sim toda a indústria de TV a cabo nos Estados Unidos. Ele defendia a ideia de que a convergência entre telecomunicações, mídia e tecnologia era inevitável, e posicionou a TCI para ser uma líder nessa transição.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A “Guerra das Operadoras de Cabo” com Ted Turner</strong></h2>



<p>Outro capítulo interessante da vida de Malone foi sua rivalidade com Ted Turner, fundador da Turner Broadcasting System (TBS), nos anos 80. Ted Turner, um empreendedor carismático, havia fundado a TBS e lançado a&nbsp;<strong>CNN</strong>, a primeira rede de notícias 24 horas do mundo. No entanto, essa ambiciosa expansão deixou sua empresa com dívidas, e ele precisava de apoio financeiro para evitar a falência.</p>



<p>Turner buscava investidores, mas relutava em ceder o controle de sua empresa. John Malone enxergou uma oportunidade estratégica. Em 1985, a TCI comprou&nbsp;<strong>26% da Turner Broadcasting</strong>, por&nbsp;<strong>US$117 bilhões,</strong>&nbsp;isso forneceu o capital necessário para estabilizar as finanças da empresa. Em troca, Malone garantiu influência sobre as operações e acesso ao valioso conteúdo da TBS.</p>



<p>A relação entre Malone e Turner era complexa. Ted Turner via em Malone um rival formidável e referia-se a ele como&nbsp;<strong>“Darth Vader”</strong>, uma alusão ao vilão da franquia Star Wars, simbolizando a abordagem implacável e estratégica de Malone nos negócios. Apesar das tensões, a parceria entre os dois foi crucial para o sucesso de ambos.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffc97d4ec-46b2-4330-8cf3-4040988ce21b_3254x2396.jpeg" alt=""/><figcaption class="wp-element-caption">Ted Turner</figcaption></figure>
</div>


<p>Com o apoio financeiro da TCI, a Turner Broadcasting conseguiu evitar a falência e continuar sua expansão. A injeção de capital permitiu que a CNN ampliasse sua cobertura e se tornasse a líder em notícias 24 horas. A parceria também beneficiou a TCI, que passou a oferecer conteúdo exclusivo aos seus assinantes.</p>



<p>Malone reconhecia o valor do conteúdo na indústria de telecomunicações. Ao assegurar acesso aos canais da TBS, ele agregava valor aos serviços da TCI e diferenciava-se da concorrência.</p>



<p>Em 1996, Ted Turner decidiu vender a Turner Broadcasting para a&nbsp;<strong>Time Warner</strong>&nbsp;em uma transação avaliada em&nbsp;<strong>US$7,5 bilhões</strong>, a TCI com quase um terço das ações recebeu&nbsp;<strong>US$1,95 bilhão</strong>&nbsp;na transação. O que reforçou a reputação de Malone como um estrategista habilidoso.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>A Venda para a AT&amp;T</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe0104d8f-5265-428e-9af8-678a6a7d3520_612x406.jpeg" alt=""/><figcaption class="wp-element-caption">Malone e Michael Armstrong</figcaption></figure>
</div>


<p>Ao final da década de 1990, a TCI enfrentava novos desafios. O mercado de telecomunicações passava por rápidas transformações e Malone, sempre atento às tendências do mercado, começou a considerar estratégias para garantir a continuidade do sucesso da TCI.</p>



<p>Em 1999, após quase três décadas liderando a TCI, Malone negociou a venda da empresa para a&nbsp;<strong>AT&amp;T</strong>&nbsp;por cerca de&nbsp;<strong>US$ 48 bilhões</strong>. O acordo foi uma das maiores transações do setor de telecomunicações na época. Malone tornou-se um dos principais acionistas individuais da AT&amp;T e membro do conselho, recebendo US$1,5 bilhão em ações da AT&amp;T.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Liberty Media</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6bb2a376-f2ca-49a2-85ca-ef4e446256ec_600x600.png" alt="FWONA Preço da Ação e Gráfico — NASDAQ:FWONA — TradingView" title="FWONA Preço da Ação e Gráfico — NASDAQ:FWONA — TradingView"/></figure>
</div>


<p>Após a venda da TCI, Malone focou suas atenções na&nbsp;<strong>Liberty Media</strong>, uma empresa que ele havia fundado em 1991 e inicialmente fazia parte da TCI, atuando como um braço de investimentos para conteúdos de mídia e telecomunicações. Quando a TCI foi vendida, a Liberty Media foi separada como uma entidade independente, e Malone assumiu o controle total da empresa.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>QVC</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F872cb42b-c635-49d4-8dc4-9dc7425fdcfc_1280x720.jpeg" alt=""/></figure>
</div>


<p>Uma das primeiras aquisições significativas da Liberty Media foi a participação na&nbsp;<strong>QVC</strong>, uma das maiores redes de televendas do mundo. Em 1995, a Liberty Media adquiriu uma participação de&nbsp;<strong>22%</strong>&nbsp;na QVC, por&nbsp;<strong>US$1 bilhão.</strong>&nbsp;A QVC estava revolucionando o comércio varejista ao combinar televisão e vendas, permitindo que os consumidores comprassem produtos diretamente de suas casas (algo semelhante ao que o canal&nbsp;<strong>Shoptime</strong>&nbsp;fez no Brasil). Malone viu nessa empresa uma oportunidade de capitalizar a convergência entre mídia e comércio eletrônico.</p>



<p>Em 2003, a Liberty Media aumentou sua participação e comprou&nbsp;<strong>100% do controle da empresa</strong>. A transação foi avaliada em cerca de&nbsp;<strong>US$7,9 bilhões</strong>, nesse anos o faturamento da empresa foi de US$5,7 bilhões e ela alcançou um lucro operacional de US$1 bilhão.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Liberty Media Global</strong></h2>



<p>Para além dos Estados Unidos, Malone começou a expandir a Liberty para o mercado internacional através da Liberty Global, uma nova empresa que focava na expansão das operações de cabo e internet em países europeus. Em 2005, a Liberty Global comprou a UPC, uma operadora de TV a cabo que atuava em diversos países da Europa, marcando a entrada da empresa no mercado europeu.</p>



<p>Em 2010, a Liberty Global adquiriu a Unitymedia, uma das maiores operadoras de cabo da Alemanha, e, em 2013, comprou a Virgin Media por US$24 bilhões, tornando-se a maior operadora de cabo da Europa, com 22 milhões de clientes.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>SiriusXM Radio</strong></h2>



<p>Em&nbsp;<strong>2009</strong>, a Liberty Media investiu&nbsp;<strong>US$530 milhões,</strong>&nbsp;na&nbsp;<strong>SiriusXM Radio</strong>, a maior provedora de rádio via satélite dos EUA, em troca&nbsp;<strong>40% das ações e três assentos no conselho de administração.</strong>&nbsp;Na época, a SiriusXM enfrentava dificuldades financeiras significativas, com uma dívida pesada e a ameaça de falência.</p>



<p>Malone viu&nbsp;<strong>valor na base de assinantes</strong>&nbsp;da SiriusXM e no potencial de crescimento do&nbsp;<strong>rádio via satélite.</strong>&nbsp;Com sua experiência, ajudou a&nbsp;<strong>reestruturar</strong>&nbsp;a empresa, reduzir custos e expandir o conteúdo oferecido, incluindo&nbsp;<strong>contratos</strong>&nbsp;<strong>exclusivos</strong>&nbsp;com personalidades como&nbsp;<strong>Howard Stern.</strong></p>



<p>Em&nbsp;<strong>2013</strong>, a Liberty Media&nbsp;<strong>aumentou</strong>&nbsp;sua participação para&nbsp;<strong>51%</strong>, assumindo o&nbsp;<strong>controle</strong>&nbsp;da SiriusXM. Sob a liderança de Malone, a empresa continuou a crescer, alcançando mais de&nbsp;<strong>34 milhões de assinantes,</strong>&nbsp;uma receita de&nbsp;<strong>US$9 bilhões</strong>&nbsp;e um lucro de&nbsp;<strong>US$1,2 bilhão</strong>&nbsp;em&nbsp;<strong>2023</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Fórmula 1</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fdc86ab06-2249-4e86-a8e2-adef4e09ae83_1920x1080.jpeg" alt=""/></figure>
</div>


<p>A aquisição da&nbsp;<strong>Formula 1</strong>&nbsp;foi um dos movimentos mais ousados e marcantes do portfólio de investimentos da empresa. Em&nbsp;<strong>2016</strong>, a Liberty comprou a Formula 1 por&nbsp;<strong>US$4,4 bilhões</strong>, com um pagamento de US$1,1 bilhão e o restante coberto por assunção de dívida.</p>



<p>Antes da compra pela Liberty, a Formula 1 era comandada por&nbsp;<strong>Bernie Ecclestone</strong>, um empresário britânico que havia moldado o esporte como um negócio fechado e centralizado. A gestão de Ecclestone era vista como tradicional e centrada em contratos de TV, com pouco investimento nas plataformas digitais e em formas de engajamento direto com o público.</p>



<p>Assim que assumiu o controle, a Liberty Media adotou uma abordagem inovadora para expandir o alcance da Formula 1. Entre as primeiras mudanças, foram realizados investimentos pesados em&nbsp;<strong>plataformas digitais</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>redes sociais</strong>, reconhecendo o potencial do esporte para atrair fãs mais jovens que preferiam consumir conteúdo online. A criação do serviço de streaming&nbsp;<strong>F1 TV</strong>&nbsp;permitiu que fãs de diferentes partes do mundo pudessem assistir às corridas e acessar conteúdo exclusivo.</p>



<p>Um dos movimentos mais inovadores da Liberty foi a produção da série&nbsp;<strong>“Formula 1: Drive to Survive”</strong>, lançada na&nbsp;<strong>Netflix</strong>&nbsp;em 2019. A série foi uma parceria entre a Formula 1 e a Netflix e tornou-se um sucesso global, dando aos espectadores um olhar nos bastidores das equipes, dos pilotos e das tensões do campeonato. Ela atraiu uma nova base de fãs ao capturar as emoções, rivalidades e dramas que acontecem fora das pistas. O sucesso de “Drive to Survive” foi um divisor de águas, ajudando a Formula 1 a conquistar um público significativamente mais jovem e expandindo o interesse pelo esporte nos EUA, onde historicamente o automobilismo não era tão popular quanto na Europa.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Novos Mercados e Provas Icônicas</strong></h2>



<p>A Formula 1 também focou na&nbsp;<strong>expansão para novos mercados</strong>. Corridas em locais icônicos como&nbsp;<strong>Miami</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>Las Vegas</strong>&nbsp;foram anunciadas, atraindo público e patrocinadores interessados em eventos de alta visibilidade. A corrida em Las Vegas, em particular, foi um marco — não apenas por seu cenário glamouroso na Strip, mas também pelo potencial de consolidar o esporte nos EUA.</p>



<p>Para atrair patrocinadores e garantir a estabilidade financeira, a Liberty também trabalhou em acordos comerciais com empresas globais, explorando ao máximo o apelo da marca da Formula 1. Empresas como&nbsp;<strong>Rolex</strong>,&nbsp;<strong>Heineken</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>Pirelli</strong>&nbsp;aumentaram sua presença e investimentos no esporte, refletindo a visão de Malone de transformar a Formula 1 em uma plataforma global de marketing para marcas premium.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Resultados Financeiros e Impacto Global</strong></h3>



<p>Desde a aquisição, os números da Formula 1 refletiram o sucesso das estratégias implementadas pela Liberty Media. Em&nbsp;<strong>2023</strong>, a receita da Formula 1 ultrapassou&nbsp;<strong>US$3,2 bilhões</strong>, versus&nbsp;<strong>US$1,8 bilhão de 2016</strong>, o lucro operacional também aumentou no mesmo período, foi de&nbsp;<strong>US$17 milhões</strong>&nbsp;para&nbsp;<strong>US$392 milhões.</strong></p>



<p>A combinação de uma presença digital forte, novas corridas em mercados estratégicos e uma narrativa envolvente, com foco nos bastidores, transformou a Formula 1 em uma das propriedades esportivas mais valiosas do mundo.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Malone x Murdoch</strong></h2>



<p>A relação entre John Malone e Rupert Murdoch, fundador da Fox News Corporation, é um capítulo fascinante na história das telecomunicações e mídia. Ambos são gigantes do setor, com personalidades fortes e estratégias agressivas de expansão. Sua interação ao longo das décadas foi marcada por momentos que se alternavam entre colaboração e rivalidade intensa.</p>



<p>No final dos anos 1990 e início dos anos 2000, Malone e Murdoch começaram a interagir mais de perto devido aos interesses compartilhados na indústria de televisão por satélite e a cabo. A News Corporation de Murdoch possuía uma vasta gama de ativos de mídia, incluindo jornais, estúdios de cinema e canais de televisão, enquanto Malone, através da Liberty Media, buscava aumentar sua presença global.</p>



<p>Em 2001, John Malone começou a acumular ações da News Corporation, adquirindo uma participação significativa. Em 2004, a Liberty Media possuía cerca de 9% das ações totais e aproximadamente 18% das ações com direito a voto da News Corp, tornando-se o segundo maior acionista individual, atrás apenas de Rupert Murdoch.</p>



<h3 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Tensão Crescente e Disputa pelo Controle</strong></h3>



<p>A crescente participação de Malone na News Corp preocupou Murdoch, que temia uma possível tomada de controle ou influência excessiva de Malone sobre a empresa que ele havia fundado. Murdoch valorizava o controle familiar da News Corp e via a presença de Malone como uma ameaça potencial a essa dinâmica.</p>



<p>Em 2005, as tensões aumentaram quando surgiram rumores de que Malone poderia aumentar ainda mais sua participação ou buscar influência direta no conselho de administração. Murdoch considerou várias estratégias para reduzir a participação de Malone ou diluir seu poder de voto, incluindo a emissão de novas ações.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Acordo Estratégico e Troca de Ativos</strong></h3>



<p>Após negociações complexas, em dezembro de 2006, Murdoch e Malone chegaram a um acordo. A Liberty Media concordou em trocar sua participação na News Corp por ativos que incluíam:</p>



<p>• Uma participação de 38,5% na&nbsp;<strong>DirecTV Group</strong>, a maior operadora de televisão por satélite dos Estados Unidos.</p>



<p>• As ações remanescentes em três canais regionais de esportes.</p>



<p>• US$ 550 milhões em dinheiro.</p>



<p>Essa troca permitiu que Murdoch recuperasse o controle total das ações com direito a voto da News Corp, enquanto Malone adquiriu ativos estratégicos que complementavam seu portfólio na Liberty Media.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Fortuna Pessoal</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F83f1dcf9-9be2-4ca8-a604-1dc4d21d9360_2000x1498.jpeg" alt=""/></figure>
</div>


<p>De acordo com a revista Forbes, em 2023, John Malone possui um patrimônio líquido estimado em&nbsp;<strong>US$ 9 bilhões</strong>, o que o coloca entre as pessoas mais ricas dos Estados Unidos.</p>



<p>•&nbsp;<strong>Liberty Media Corporation</strong>: Em 2022, a Liberty Media reportou receitas consolidadas de aproximadamente&nbsp;<strong>US$ 9,5 bilhões</strong>, com a SiriusXM sendo a principal contribuinte.</p>



<p>•&nbsp;<strong>Liberty Global</strong>: A Liberty Global, focada em operações de telecomunicações na Europa, teve receitas de cerca de&nbsp;<strong>US$ 11,5 bilhões</strong>&nbsp;em 2022. A empresa continua a investir em infraestrutura de rede e serviços convergentes, atendendo milhões de clientes em diversos países europeus</p>
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		<item>
		<title>O Novo Peso-Pesado da Indústria Farmacêutica: Por que a Novo Nordisk vai investir R$6,4 bilhões no Brasil?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Apr 2025 21:43:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento de Mercado]]></category>
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					<description><![CDATA[SÃO PAULO — Em meio à explosão global da demanda por medicamentos contra obesidade e diabetes, a dinamarquesa Novo Nordisk acaba de anunciar um dos maiores aportes privados do setor farmacêutico no Brasil: R$6,4 bilhões para ampliar sua fábrica em Montes Claros, no norte de Minas Gerais. A nova planta terá 74 mil metros quadrados [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>SÃO PAULO —</strong> Em meio à explosão global da demanda por medicamentos contra obesidade e diabetes, a dinamarquesa <strong>Novo Nordisk</strong> acaba de anunciar um dos maiores aportes privados do setor farmacêutico no Brasil: <strong>R$6,4 bilhões</strong> para ampliar sua fábrica em <strong>Montes Claros</strong>, no norte de Minas Gerais.</p>



<p>A nova planta terá <strong>74 mil metros quadrados</strong> e será dedicada à produção de medicamentos injetáveis, como os famosos <strong>semaglutídeos</strong>, princípio ativo do Ozempic e Wegovy — produtos que transformaram o balanço da empresa e disputam espaço nas prateleiras do mundo inteiro.</p>



<p>A expectativa é que as operações comecem em <strong>2028</strong>, mas o movimento já marca uma virada estratégica para o Brasil no mapa da farmacêutica: além de ampliar a capacidade produtiva local, o país será alçado à condição de <strong>hub de exportação global</strong>, abastecendo mais de <strong>70 países</strong> a partir do solo mineiro.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Por que o Brasil?</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="888" height="479" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-16.png" alt="" class="wp-image-1048" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-16.png 888w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-16-300x162.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-16-768x414.png 768w" sizes="(max-width: 888px) 100vw, 888px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fábrica da Novo Nordisk em Montes Claros, MG.</figcaption></figure>
</div>


<p>O Brasil já é hoje <strong>o quinto maior mercado da Novo Nordisk no mundo</strong>, atrás apenas dos Estados Unidos, China, Japão e Alemanha. E o que antes era uma base comercial e regulatória, agora ganha um novo papel: <strong>centro de manufatura e logística global</strong>.</p>



<p>A escolha por Montes Claros não é por acaso. A empresa opera no município há mais de 15 anos, e ali já possui infraestrutura, mão de obra treinada e relacionamento consolidado com autoridades locais e ambientais — um trunfo em um setor onde o licenciamento pode atrasar projetos por anos.</p>



<p>Além disso, o governo federal e o estado de Minas Gerais devem apoiar o projeto com <strong>incentivos fiscais e benefícios logísticos</strong>, dentro de programas voltados à reindustrialização e fortalecimento da cadeia farmacêutica.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>O peso do investimento</strong></h2>



<p>O valor de R$6,4 bilhões representa não apenas<strong> o maior investimento privado da Novo Nordisk no Brasil, </strong>mas também um dos maiores aportes já feitos por uma farmacêutica no país — e o maior da história do setor em Minas Gerais.</p>



<p>A maior parte dos recursos será destinada à construção de<strong> novas linhas de produção asséptica,</strong> um <strong>laboratório de controle de qualidade</strong> e um <strong>armazém automatizado. </strong>A meta é <strong>triplicar</strong> a capacidade da fábrica de Montes Claros para medicamentos <strong>injetáveis</strong>, com foco em <strong>canetas</strong> prontas para uso com <strong>semaglutídeo</strong> — princípio ativo de produtos como <strong>Ozempic</strong> e <strong>Wegovy</strong>.</p>



<p>Hoje,<strong> a unidade já responde por cerca de 12% do consumo global de insulina da Novo Nordisk, </strong>além de produzir insumos e dispositivos para análogos de GLP-1. Com a expansão, o Brasil deixará de ser apenas um centro de produção de insumos e passará a fabricar em larga escala os medicamentos acabados, prontos para exportação.</p>



<p>A fábrica também reforçará o compromisso <strong>ESG</strong> da companhia. Será construída com padrões de baixo impacto ambiental, uso exclusivo de energia renovável e metas de<strong> zero emissão líquida. </strong>O projeto deve gerar milhares de empregos diretos e indiretos, com forte demanda por engenheiros, operadores de equipamentos estéreis e profissionais qualificados da área farmacêutica.</p>



<p><strong>A ampliação muda o papel do Brasil dentro da estrutura global da Novo Nordisk — de um elo auxiliar da cadeia de insulina para um polo</strong> importante no fornecimento de medicamentos de ponta para mais de <strong>70 países.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>A corrida global contra a obesidade</strong></h2>



<p>O investimento da Novo Nordisk no Brasil precisa ser lido dentro de um contexto mais amplo: a corrida por capacidade de produção de <strong>medicamentos contra obesidade e diabetes</strong>.</p>



<p>Em 2023, a empresa superou brevemente a LVMH como a companhia mais valiosa da Europa, impulsionada pelo sucesso de Ozempic e Wegovy. Juntos, os dois remédios responderam por <strong>mais de US$12 bilhões</strong> em receita no último ano — e a demanda continua crescendo acima da capacidade instalada.</p>



<p>Analistas do setor estimam que o mercado global de antidiabéticos e antiobesidade pode <strong>triplicar até 2030</strong>, alcançando a marca de <strong>US$100 bilhões</strong>. E empresas como a Eli Lilly e a própria Novo Nordisk estão em uma corrida por fábricas, insumos e canais logísticos.</p>



<p>Neste cenário, ter o Brasil como base de produção e exportação torna-se <strong>vantagem competitiva</strong> — tanto em termos de custo como de agilidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>A nova geopolítica da produção de remédios</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-17-1024x683.png" alt="" class="wp-image-1049" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-17-1024x683.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-17-300x200.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-17-768x512.png 768w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-17-1536x1024.png 1536w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-17.png 1600w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Caneta Ozempic</figcaption></figure>
</div>


<p>O movimento da Novo Nordisk também revela um novo padrão da indústria: <strong>a descentralização da produção farmacêutica</strong>. A pandemia expôs os riscos da concentração industrial na Ásia e, desde então, multinacionais passaram a buscar alternativas logísticas mais próximas dos seus mercados finais.</p>



<p>Nesse contexto, o Brasil ressurge como um destino competitivo. Além do tamanho do mercado interno, o país oferece acordos de comércio com dezenas de países e posição privilegiada para exportações às Américas e Europa.</p>



<p>A aposta da Novo Nordisk é ambiciosa — mas tem lógica econômica e geopolítica. E coloca o Brasil, mais uma vez, no centro do tabuleiro da indústria global.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Blockbusters e Bilhões: Como Spielberg Redefiniu os Negócios de Hollywood</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Apr 2025 21:56:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresários]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
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					<description><![CDATA[Quando pensamos em&#160;Hollywood, é fácil lembrar das grandes estrelas, dos filmes emocionantes e das histórias que nos transportam para mundos diferentes. Mas por trás das câmeras, existe uma&#160;máquina&#160;empresarial&#160;complexa que&#160;move&#160;a indústria cinematográfica. Poucos&#160;compreenderam&#160;e&#160;influenciaram&#160;esse lado dos&#160;negócios&#160;como&#160;Steven&#160;Spielberg, um nome que se&#160;confunde&#160;com a própria história do cinema. Spielberg&#160;não&#160;apenas&#160;revolucionou a maneira como os filmes são feitos, mas também como são&#160;vendidos,&#160;distribuídos&#160;e&#160;monetizados. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-left">Quando pensamos em&nbsp;<strong>Hollywood</strong>, é fácil lembrar das grandes estrelas, dos filmes emocionantes e das histórias que nos transportam para mundos diferentes. Mas por trás das câmeras, existe uma&nbsp;<strong>máquina</strong>&nbsp;<strong>empresarial</strong>&nbsp;complexa que&nbsp;<strong>move</strong>&nbsp;a indústria cinematográfica. </p>



<p class="has-text-align-left">Poucos&nbsp;<strong>compreenderam</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>influenciaram</strong>&nbsp;esse lado dos&nbsp;<strong>negócios</strong>&nbsp;como&nbsp;<strong>Steven</strong>&nbsp;<strong>Spielberg</strong>, um nome que se&nbsp;<strong>confunde</strong>&nbsp;com a própria história do cinema.</p>



<p>Spielberg&nbsp;<strong>não</strong>&nbsp;<strong>apenas</strong>&nbsp;revolucionou a maneira como os filmes são feitos, mas também como são&nbsp;<strong>vendidos</strong>,&nbsp;<strong>distribuídos</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>monetizados</strong>. Sua genialidade vai&nbsp;<strong>além</strong>&nbsp;da&nbsp;<strong>direção</strong>, abrange um&nbsp;<strong>entendimento</strong>&nbsp;<strong>profundo</strong>&nbsp;do mercado cinematográfico e uma habilidade singular de converter filmes em&nbsp;<strong>fenômenos</strong>&nbsp;culturais e comerciais. Com uma&nbsp;<strong>fortuna</strong>&nbsp;pessoal estimada em cerca de&nbsp;<strong>US$4,8 bilhões</strong>, ele emocionou milhões de espectadores ao redor do mundo e moldou a própria estrutura de negócios de Hollywood.</p>



<p>Nascido em 18 de dezembro de&nbsp;<strong>1946</strong>, em Cincinnati, Ohio, Spielberg demonstrou desde cedo uma&nbsp;<strong>paixão</strong>&nbsp;intensa por filmes. Com uma câmera&nbsp;<strong>Super 8</strong>&nbsp;na mão, começou a produzir&nbsp;<strong>curtas-metragens</strong>&nbsp;ainda criança, encantando-se com o poder das imagens em movimento. Aos&nbsp;<strong>13 anos,</strong>&nbsp;ganhou um&nbsp;<strong>prêmio</strong>&nbsp;por um&nbsp;<strong>curta</strong>&nbsp;de guerra de&nbsp;<strong>40 minutos</strong>&nbsp;chamado&nbsp;<strong>“Escape to Nowhere”</strong>. Aos&nbsp;<strong>21 anos,</strong>&nbsp;dirigiu seu primeiro episódio de televisão para a série&nbsp;<strong>“Night Gallery”</strong>, impressionando executivos com sua maturidade artística e visão inovadora.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>O Surgimento do Blockbuster Moderno</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://substackcdn.com/image/fetch/f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5b0df13f-e5db-468b-8939-8581869c9eee_1289x800.jpeg" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><img decoding="async" src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5b0df13f-e5db-468b-8939-8581869c9eee_1289x800.jpeg" alt=""/></a></figure>
</div>


<p><strong>“Tubarão” (</strong><em><strong>Jaws</strong></em><strong>),</strong>&nbsp;lançado em 20 de junho de&nbsp;<strong>1975</strong>, não foi apenas um sucesso de bilheteria, foi o&nbsp;<strong>ponto</strong>&nbsp;<strong>de virada</strong>&nbsp;que criou o conceito&nbsp;<strong>moderno</strong>&nbsp;de&nbsp;<strong>blockbuster</strong>. Com um orçamento inicial de&nbsp;<strong>US$3,5 milhões</strong>&nbsp;que estourou para&nbsp;<strong>US$9 milhões</strong>&nbsp;devido a&nbsp;<strong>problemas</strong>&nbsp;técnicos e atrasos, o filme enfrentou desafios que teriam&nbsp;<strong>afundado</strong>&nbsp;produções menos resilientes. O&nbsp;<strong>tubarão</strong>&nbsp;<strong>mecânico</strong>, apelidado de “Bruce”,&nbsp;<strong>raramente</strong>&nbsp;funcionava. Spielberg, transformando limões em limonada, decidiu que a criatura seria&nbsp;<strong>mais</strong>&nbsp;<strong>aterrorizante</strong>&nbsp;se&nbsp;<strong>raramente</strong>&nbsp;<strong>vista</strong>, criando&nbsp;<strong>suspense</strong>&nbsp;através de&nbsp;<strong>sugestões</strong>&nbsp;e da trilha sonora icônica de&nbsp;<strong>John</strong>&nbsp;<strong>Williams</strong>.</p>



<p>A estratégia&nbsp;<strong>funcionou</strong>, “Tubarão”&nbsp;<strong>arrecadou</strong>&nbsp;mais de&nbsp;<strong>US$470 milhões</strong>&nbsp;mundialmente, tornando-se o filme de&nbsp;<strong>maior bilheteria até então.</strong>&nbsp;Mas o verdadeiro&nbsp;<strong>golpe</strong>&nbsp;<strong>de</strong>&nbsp;<strong>mestre</strong>&nbsp;de Spielberg foi sua abordagem inovadora de&nbsp;<strong>marketing</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>distribuição</strong>. Em vez do tradicional&nbsp;<strong>lançamento</strong>&nbsp;<strong>gradual</strong>, ele&nbsp;<strong>convenceu</strong>&nbsp;a&nbsp;<strong>Universal</strong>&nbsp;<strong>Pictures</strong>&nbsp;a lançar o filme&nbsp;<strong>simultaneamente</strong>&nbsp;em mais de&nbsp;<strong>450 cinemas</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>investir</strong>&nbsp;pesado em&nbsp;<strong>publicidade</strong>&nbsp;<strong>televisiva</strong>&nbsp;nacional, algo&nbsp;<strong>inédito</strong>&nbsp;na época. Essa manobra criou um evento cultural que capturou a imaginação do público.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>A Arte de Transformar Filmes em Marcas</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://substackcdn.com/image/fetch/f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F63f21524-bd78-4315-9da8-2270d4a754be_1080x720.avif" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><img decoding="async" src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F63f21524-bd78-4315-9da8-2270d4a754be_1080x720.avif" alt=""/></a></figure>
</div>


<p>Spielberg não era apenas um contador de histórias; ele era um estrategista que via o potencial de seus filmes além das telas. Com&nbsp;<strong>“E.T. &#8211; O Extraterrestre”</strong>&nbsp;<strong>(1982),</strong>&nbsp;ele&nbsp;<strong>elevou</strong>&nbsp;o conceito de&nbsp;<strong>merchandising</strong>&nbsp;a um&nbsp;<strong>novo</strong>&nbsp;<strong>patamar</strong>, com uma parceria com a&nbsp;<strong>Reese’s Pieces</strong>. Após a&nbsp;<strong>Mars</strong>&nbsp;<strong>recusar</strong>&nbsp;a oferta para usar os&nbsp;<strong>M&amp;M’s</strong>&nbsp;no filme, a&nbsp;<strong>Hershey’s</strong>&nbsp;aceitou&nbsp;<strong>promover</strong>&nbsp;seus confeitos. O&nbsp;<strong>resultado?</strong>&nbsp;As vendas dos doces&nbsp;<strong>dispararam</strong>&nbsp;<strong>65%</strong>&nbsp;após o lançamento. “E.T.”&nbsp;<strong>arrecadou</strong>&nbsp;aproximadamente&nbsp;<strong>US$792 milhõe</strong>s globalmente, com um&nbsp;<strong>orçamento</strong>&nbsp;de&nbsp;<strong>US$10,5 milhões,</strong>&nbsp;mas as receitas não pararam por aí.&nbsp;<strong>Produtos</strong>&nbsp;<strong>licenciados</strong>, de brinquedos a roupas, geraram mais de&nbsp;<strong>US$1 bilhão,</strong>&nbsp;transformando o personagem em um&nbsp;<strong>fenômeno</strong>&nbsp;<strong>global</strong>.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://substackcdn.com/image/fetch/f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1efeebe7-b7a6-4564-9165-3dbfeef88e96_736x328.jpeg" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><img decoding="async" src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1efeebe7-b7a6-4564-9165-3dbfeef88e96_736x328.jpeg" alt="E.T. Reese's pieces" title="E.T. Reese's pieces"/></a></figure>
</div>


<p>Essa estratégia de&nbsp;<strong>monetização</strong>&nbsp;<strong>multifacetada</strong>&nbsp;tornou-se um&nbsp;<strong>modelo</strong>&nbsp;para a indústria. Spielberg compreendeu que&nbsp;<strong>filmes</strong>&nbsp;<strong>podiam</strong>&nbsp;ser&nbsp;<strong>a âncora de um ecossistema comercial</strong>, onde cada elemento reforçava o outro. O público não consumia apenas o filme; eles&nbsp;<strong>vivenciavam</strong>&nbsp;a marca em diferentes aspectos de suas vidas.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Indiana Jones e o Templo dos Negócios</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://substackcdn.com/image/fetch/f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F46f09ad6-bd88-4d7e-95e9-b347e8532e01_1200x788.jpeg" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><img decoding="async" src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F46f09ad6-bd88-4d7e-95e9-b347e8532e01_1200x788.jpeg" alt=""/></a><figcaption class="wp-element-caption">Steven Spielberg, George Lucas e Harrison Ford durante as gravações de &#8220;Indiana Jones e a Última Cruzada&#8221; (1989).</figcaption></figure>
</div>


<p>A colaboração com&nbsp;<strong>George</strong>&nbsp;<strong>Lucas</strong>&nbsp;na criação de&nbsp;<strong>Indiana</strong>&nbsp;<strong>Jones</strong>&nbsp;foi&nbsp;<strong>outro</strong>&nbsp;<strong>marco</strong>&nbsp;na&nbsp;<strong>carreira</strong>&nbsp;de Spielberg.&nbsp;<strong>“Os Caçadores da Arca Perdida” (1981)</strong>&nbsp;apresentou um herói&nbsp;<strong>carismático</strong>&nbsp;que rapidamente&nbsp;<strong>conquistou</strong>&nbsp;o público. Com uma mistura perfeita de ação, aventura e humor, o filme arrecadou&nbsp;<strong>US$389 milhões</strong>&nbsp;mundialmente. Mas Spielberg não parou por aí. Ele transformou Indiana Jones em uma&nbsp;<strong>franquia</strong>&nbsp;<strong>lucrativa</strong>, explorando&nbsp;<strong>sequências</strong>, séries de TV, jogos de videogame e até atrações em&nbsp;<strong>parques temáticos.</strong></p>



<p>A franquia Indiana Jones acumulou mais de&nbsp;<strong>US$2 bilhões em bilheteria global.</strong>&nbsp;O personagem tornou-se uma marca reconhecida&nbsp;<strong>internacionalmente</strong>, e os produtos licenciados geraram receitas substanciais. Spielberg percebeu que o&nbsp;<strong>verdadeiro</strong>&nbsp;<strong>valor</strong>&nbsp;<strong>não estava apenas no filme,</strong>&nbsp;mas na&nbsp;<strong>criação de um universo que poderia ser explorado comercialmente</strong>&nbsp;de várias formas.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Jurassic Park: Dinossauros e Dividendos</strong></h2>



<p>Em&nbsp;<strong>1993</strong>, Spielberg lançou&nbsp;<strong>“Jurassic Park”</strong>, um filme que não apenas&nbsp;<strong>revolucionou</strong>&nbsp;os&nbsp;<strong>efeitos</strong>&nbsp;<strong>especiais</strong>, mas também&nbsp;<strong>redefiniu</strong>&nbsp;o potencial de ganhos de uma franquia cinematográfica. Com um orçamento de&nbsp;<strong>US$63 milhões</strong>, o filme arrecadou impressionantes&nbsp;<strong>US$1,03 bilhão</strong>&nbsp;globalmente. A história de um parque temático com dinossauros clonados&nbsp;<strong>capturou</strong>&nbsp;a imaginação do mundo inteiro.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://substackcdn.com/image/fetch/f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F71a07e1b-2a20-4a4c-a315-02683a8e1fe5_1200x1035.png" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><img decoding="async" src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F71a07e1b-2a20-4a4c-a315-02683a8e1fe5_1200x1035.png" alt=""/></a></figure>
</div>


<p>A campanha de marketing foi&nbsp;<strong>massiva e inovadora.</strong>&nbsp;Antes do lançamento, Spielberg e a Universal criaram um&nbsp;<strong>mistério</strong>&nbsp;em torno do filme, usando trailers que&nbsp;<strong>mostravam</strong>&nbsp;<strong>pouco</strong>, mas&nbsp;<strong>intrigavam</strong>&nbsp;muito. Eles também estabeleceram&nbsp;<strong>parcerias</strong>&nbsp;com grandes marcas, como&nbsp;<strong>McDonald’s</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>Kenner</strong>, para lançar linhas de&nbsp;<strong>brinquedos</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>promoções</strong>. Os produtos licenciados de “Jurassic Park” geraram&nbsp;<strong>centenas</strong>&nbsp;<strong>de milhões de dólares adicionais.</strong></p>



<p>Mas talvez o aspecto mais&nbsp;<strong>notável</strong>&nbsp;tenha sido a criação de um&nbsp;<strong>parque</strong>&nbsp;<strong>temático</strong>&nbsp;<strong>real</strong>. A Universal Studios inaugurou a&nbsp;<strong>atração</strong>&nbsp;<strong>“Jurassic Park: The Ride”</strong>&nbsp;em seus parques, oferecendo aos fãs uma&nbsp;<strong>experiência</strong>&nbsp;<strong>imersiva</strong>&nbsp;que estendeu o envolvimento com a franquia além das salas de cinema. Spielberg mostrou que os filmes podiam ser a&nbsp;<strong>ponta</strong>&nbsp;<strong>do</strong>&nbsp;<strong>iceberg</strong>&nbsp;em termos de oportunidades de&nbsp;<strong>negócios</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>DreamWorks: O Estúdio dos Sonhos (e Lucros)</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://substackcdn.com/image/fetch/f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F34aabf2a-3054-45ae-8ff6-a8ea7e948bce_352x240.jpeg" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><img decoding="async" src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F34aabf2a-3054-45ae-8ff6-a8ea7e948bce_352x240.jpeg" alt=""/></a></figure>
</div>


<p>Em&nbsp;<strong>1994</strong>, Spielberg deu um passo&nbsp;<strong>audacioso</strong>&nbsp;ao&nbsp;<strong>cofundar</strong>&nbsp;a&nbsp;<strong>DreamWorks SKG</strong>&nbsp;com&nbsp;<strong>Jeffrey</strong>&nbsp;<strong>Katzenberg</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>David</strong>&nbsp;<strong>Geffen</strong>. O objetivo era criar um&nbsp;<strong>estúdio</strong>&nbsp;que desse mais&nbsp;<strong>liberdade</strong>&nbsp;<strong>criativa</strong>&nbsp;aos artistas, mas que também fosse uma&nbsp;<strong>potência</strong>&nbsp;<strong>comercial</strong>. A DreamWorks rapidamente se estabeleceu no cenário de Hollywood, produzindo sucessos como&nbsp;<strong>“O Resgate do Soldado Ryan”</strong>&nbsp;(1998), que arrecadou&nbsp;<strong>US$482 milhões</strong>&nbsp;e ganhou&nbsp;<strong>cinco</strong>&nbsp;<strong>Oscars</strong>.</p>



<p>A entrada no mercado de animação foi outro movimento estratégico.&nbsp;<strong>“Shrek” (2001)</strong>&nbsp;não só foi um sucesso&nbsp;<strong>crítico</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>comercial</strong>, arrecadando&nbsp;<strong>US$484 milhões,</strong>&nbsp;mas também&nbsp;<strong>desafiou</strong>&nbsp;<strong>o domínio da</strong>&nbsp;<strong>Disney</strong>&nbsp;no gênero. A franquia “Shrek” expandiu-se para sequências, especiais de TV e uma vasta gama de produtos licenciados, que ao todo já arrecadaram&nbsp;<strong>US$3,5 bilhões.</strong>&nbsp;Em 2016, a Comcast comprou a DreamWorks Animation por&nbsp;<strong>US$3,8 bilhões</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Negócios Além das Telas</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><a href="https://substackcdn.com/image/fetch/f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F34c33c90-d37d-40ec-a93d-88332182b215_1600x1070.png" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><img decoding="async" src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F34c33c90-d37d-40ec-a93d-88332182b215_1600x1070.png" alt="Steven Spielberg e seu sucesso comercial - Curiosidades da Sétima Arte" title="Steven Spielberg e seu sucesso comercial - Curiosidades da Sétima Arte"/></a></figure>
</div>


<p>Spielberg sempre foi&nbsp;<strong>sagaz</strong>&nbsp;em suas&nbsp;<strong>negociações</strong>. Em vez de aceitar&nbsp;<strong>altos</strong>&nbsp;<strong>salários</strong>&nbsp;iniciais, ele frequentemente&nbsp;<strong>optava</strong>&nbsp;por&nbsp;<strong>acordos</strong>&nbsp;que lhe garantiam uma&nbsp;<strong>porcentagem dos lucros brutos dos filmes.</strong>&nbsp;Essa estratégia, embora&nbsp;<strong>arriscada</strong>, resultou em&nbsp;<strong>ganhos</strong>&nbsp;<strong>extraordinários</strong>. Por exemplo, com&nbsp;<strong>“Jurassic Park”,</strong>&nbsp;estima-se que ele tenha recebido cerca de&nbsp;<strong>US$250 milhões</strong>, graças à participação nos lucros.</p>



<p>Além disso, Spielberg investiu em&nbsp;<strong>tecnologia</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>inovação</strong>. Ele foi um dos primeiros a adotar e promover&nbsp;<strong>novas tecnologias</strong>&nbsp;de&nbsp;<strong>som</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>imagem</strong>, como o&nbsp;<strong>Dolby</strong>&nbsp;<strong>Digital</strong>&nbsp;e o&nbsp;<strong>DTS</strong>, melhoradno a&nbsp;<strong>experiência</strong>&nbsp;audiovisual dos espectadores. Sua&nbsp;<strong>insistência</strong>&nbsp;em efeitos especiais de&nbsp;<strong>alta</strong>&nbsp;<strong>qualidade</strong>&nbsp;elevou os padrões da indústria, impulsionando empresas como a&nbsp;<strong>Industrial</strong>&nbsp;<strong>Light</strong>&nbsp;<strong>&amp; Magic.</strong></p>



<p>Com o advento da internet e das&nbsp;<strong>plataformas</strong>&nbsp;<strong>de</strong>&nbsp;<strong>streaming</strong>, Spielberg mostrou-se novamente&nbsp;<strong>à frente de seu tempo.</strong>&nbsp;Embora&nbsp;<strong>inicialmente</strong>&nbsp;<strong>cético</strong>&nbsp;em relação ao streaming, preocupado com a experiência cinematográfica tradicional, ele reconheceu as&nbsp;<strong>oportunidades</strong>&nbsp;que as novas mídias ofereciam. Em&nbsp;<strong>2019</strong>, sua produtora&nbsp;<strong>Amblin</strong>&nbsp;<strong>Partners</strong>&nbsp;fechou um&nbsp;<strong>acordo</strong>&nbsp;com a&nbsp;<strong>Netflix</strong>&nbsp;para produzir&nbsp;<strong>filmes</strong>&nbsp;<strong>exclusivos</strong>&nbsp;para a plataforma. Essa parceria sinalizou uma mudança significativa na indústria e mostrou a capacidade de Spielberg de adaptar-se às tendências emergentes.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>A Fórmula Spielberg</strong></h2>



<p>O sucesso de Spielberg não é fruto de acaso. Ele desenvolveu uma fórmula que equilibra arte e negócios de maneira única:</p>



<p>1.&nbsp;<strong>Histórias Universais</strong>: Seus filmes abordam temas que ressoam globalmente, ampliando o mercado potencial.</p>



<p>2.&nbsp;<strong>Inovação Tecnológica</strong>: Investimento constante em novas tecnologias para melhorar a experiência do espectador.</p>



<p>3.&nbsp;<strong>Estratégias de Marketing Criativas</strong>: Campanhas que criam antecipação e envolvimento emocional.</p>



<p>4.&nbsp;<strong>Expansão de Marcas</strong>: Transformar filmes em franquias e marcas que geram múltiplas fontes de receita.</p>



<p>5.&nbsp;<strong>Negociações Inteligentes</strong>: Acordos que garantem participação nos lucros e controle criativo.</p>



<p>Hoje, Steven Spielberg é mais do que um diretor aclamado; ele é uma potência empresarial com uma fortuna pessoal estimada em US$4,8 bilhões. Sua influência se estende por diversas áreas da indústria do entretenimento, desde a produção cinematográfica até parques temáticos e tecnologia.</p>



<p>Spielberg redefiniu o modelo de negócios de Hollywood, mostrando que filmes podem ser o núcleo de um vasto império comercial. Sua abordagem integrada, que combina narrativa envolvente, estratégias de marketing inteligentes e diversificação de receitas, tornou-se um padrão na indústria.</p>



<p>A influência de Steven Spielberg continuará a moldar Hollywood nas próximas décadas. Sua capacidade de antecipar tendências e adaptar-se a mudanças no mercado serve como modelo para cineastas e empresários. Em um cenário onde a competição é acirrada e as tecnologias evoluem rapidamente, a visão de Spielberg sobre a integração de arte e negócio permanece relevante e inspiradora.</p>
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		<title>Granja Faria Compra a Americana Hillandale por US$1,1 bilhão e Dobra sua Produção Global</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Mar 2025 05:07:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Aquisições]]></category>
		<category><![CDATA[Companhias em Alta]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento de Mercado]]></category>
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					<description><![CDATA[Em menos de dois meses, o mercado global de ovos viveu dois dos maiores movimentos de consolidação de sua história. Em fevereiro, a JBS anunciou a compra de 50% da Mantiqueira Alimentos, maior produtora de ovos do Brasil, por R$950 milhões. Agora, foi a vez da Granja Faria se movimentar, o grupo brasileiro comandado por [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em menos de dois meses, o mercado global de <strong>ovos</strong> viveu dois dos maiores movimentos de consolidação de sua história. Em fevereiro, a <a href="https://bastidoresdopoder.com/jbs-compra-de-50-da-mantiqueira-alimentos/"><strong>JBS</strong> anunciou a compra de<strong> 50% da Mantiqueira Alimentos, </strong>maior produtora de ovos do Brasil, por <strong>R$950 milhões.</strong></a> Agora, foi a vez da Granja Faria se movimentar, o grupo brasileiro comandado por <strong>Ricardo Faria</strong>, atravessa fronteiras com sua holding, a <strong>Global Eggs </strong>e acaba de comprar a gigante americana <strong>Hillandale Farms</strong>, por <strong>US$1,1 bilhão</strong>. A transação <strong>dobra</strong> <strong>o tamanho da companhia</strong> e marca a entrada do “Rei do Ovo” em um dos <strong>maiores</strong> mercados consumidores do mundo.</p>



<p>O negócio, que foi revelado por Faria ao <strong><em>Financial Times</em></strong><strong>, </strong>marca um novo capítulo na expansão internacional do empresário brasileiro que começou com uma lavanderia industrial e hoje controla <strong>10% do mercado nacional de ovos</strong>, com uma produção anual de <strong>5 bilhões de unidades</strong>.</p>



<p>A operação foi conduzida pela Global Eggs — <strong>braço internacional da Granja Faria </strong>— e contará com um investimento do <strong>BTG Pactual</strong>, que aportará <strong>US$300 milhões</strong> em troca de uma participação de <strong>11%</strong> na holding global.</p>



<p>O acordo foi fechado com a família <strong>Bethel</strong>, fundadora da Hillandale, mas <strong>ainda</strong> <strong>depende de aprovação regulatória. </strong>O movimento ocorre em um momento de alta na demanda por ovos e de pressão sobre a oferta nos Estados Unidos, causada principalmente por surtos recorrentes de <strong>gripe aviária</strong>, que forçaram o abate de milhões de aves.&nbsp;</p>



<p>A Hillandale, com sede na Pensilvânia, é uma das maiores produtoras de ovos dos EUA e será a peça-chave para acelerar a expansão da Global Eggs nos <strong>mercados</strong> <strong>desenvolvidos</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Ricardo Faria</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="634" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/03/image-33.png" alt="" class="wp-image-938" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/03/image-33.png 950w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/03/image-33-300x200.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/03/image-33-768x513.png 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" /></figure>
</div>


<p>A história de Ricardo Faria começou longe do agronegócio. Em 1997, fundou a <strong>Lavebras</strong>, uma pequena confecção de uniformes industriais. Dois anos depois, criou um modelo inovador ao oferecer aluguel e lavagem de uniformes para frigoríficos. A solução trouxe <strong>receita recorrente</strong>, fidelizou clientes e multiplicou suas <strong>margens de lucro em dez vezes</strong>.</p>



<p>O negócio prosperou e em 2013, Edson Bueno, fundador da Amil, comprou 30% da Lavebras por cerca de R$120 milhões. Com esse capital, Faria acelerou, fez <strong>30 aquisições em 36 meses</strong>, elevou o faturamento para <strong>R$500 milhões</strong> e vendeu a empresa em 2017 ao grupo francês <strong>Elis</strong>, por <strong>R$1,3 bilhão</strong>.</p>



<p>Enquanto ainda tocava a Lavebras, Faria fundou, em <strong>2006,</strong> a<strong> Granja Faria,</strong> focada na produção de <strong>ovos férteis.</strong> A expansão veio rápido, em 2008 fechou um contrato com a <strong>BRF</strong> para fornecimento de ovos a grandes frigoríficos e, em 2012, firmou uma parceria para frango de corte com a <strong>Tyson</strong>, que mais tarde foi adquirida pelo grupo<strong> JBS.</strong></p>



<p>Após a venda da <strong>Lavebras</strong> e <strong>capitalizado</strong>, Ricardo voltou 100% da sua atenção para o mercado de ovos. Entre <strong>2019 e 2024</strong>, o grupo realizou <strong>15 aquisições</strong>, incluindo nomes como a <strong>Lana Alimentos</strong>, a <strong>Katayama Alimentos,</strong> líder de mercado no estado de São Paulo​, a <strong>BL Ovos, </strong>então <strong>quinta</strong> maior produtora de ovos comerciais do Brasil, com um plantel de <strong>3 milhões de galinhas</strong> e produção de <strong>2 milhões de ovos por dia​</strong>, e a <strong>Vitagema</strong>. O investimento total somou mais de <strong>R$1,5 bilhão</strong>. Em paralelo, diversificou o portfólio com a marca <strong>Ares do Campo</strong>, focada em ovos caipiras e premium — uma resposta ao consumidor de maior renda e à demanda por bem-estar animal.&nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="661" height="715" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/03/image-34.png" alt="" class="wp-image-939" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/03/image-34.png 661w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/03/image-34-277x300.png 277w" sizes="(max-width: 661px) 100vw, 661px" /></figure>
</div>


<p>Em novembro de 2024, por meio da holding Global Eggs, a empresa deu<strong> seu primeiro passo internacional</strong> ao comprar o<strong> Grupo Hevo,</strong> um dos maiores produtores de ovos da <strong>Espanha</strong>, por <strong>€120 milhões.</strong></p>



<p>A estrutura cresceu e hoje conta com <strong>25 unidades produtivas no Brasil</strong>, exportações para <strong>17 países</strong>, uma produção diária de <strong>16 milhões de ovos</strong> e cerca de <strong>10% do mercado nacional</strong>, sendo a segunda maior do Brasil, atrás apenas da Mantiqueira. A receita anual atingiu <strong>R$1,8 bilhão</strong>, com <strong>lucro de R$200 milhões</strong> em 2023 e exportações de <strong>R$132 milhões</strong> no mesmo ano.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Uma holding verticalizada e integrada</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="984" height="557" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/03/image-35.png" alt="" class="wp-image-940" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/03/image-35.png 984w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/03/image-35-300x170.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/03/image-35-768x435.png 768w" sizes="(max-width: 984px) 100vw, 984px" /></figure>
</div>


<p>Um dos diferenciais do império construído por Faria é o grau de verticalização. A Granja Faria atua em toda a cadeia: do<strong> ovo</strong> à <strong>ração</strong>, passando por <strong>logística</strong> <strong>própria</strong>, <strong>controle</strong> <strong>sanitário</strong>, <strong>genética</strong> e <strong>sustentabilidade</strong>.</p>



<p>Em 2021, o empresário comprou a <strong>Insolo</strong>, por <strong>R$1,8 bilhão</strong>. Com <strong>180 mil hectares plantados</strong> e faturamento de <strong>R$1 bilhão,</strong> a empresa é a quinta maior produtora de grãos do Brasil, cultivando <strong>soja</strong>, <strong>milho</strong> e <strong>sorgo</strong>. A ideia da aquisição era <strong>garantir o fornecimento</strong> <strong>de insumos</strong> e reduzir a exposição a <strong>choques</strong> e <strong>variações</strong> <strong>de preços</strong>. Cerca de<strong> 70% dos custos na avicultura vem da ração, </strong>então ter produção própria equilibra custos do ponto de vista do acionista.​</p>



<p>Ricardo também fundou a <strong>Fertifar</strong>, que transforma o esterco das galinhas em <strong>100 mil toneladas anuais de adubo orgânico</strong>, utilizado nas próprias lavouras da Insolo. Ou seja, <strong>os grãos cultivados pela Insolo alimentam as galinhas; as galinhas produzem ovos e esterco; e o esterco volta como fertilizante para as lavouras. </strong>Com esses investimentos, o grupo se tornou bastante autossuficiente em insumos críticos.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Por que a Hillandale importa?</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/03/image-36.png" alt="" class="wp-image-941" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/03/image-36.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/03/image-36-300x200.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/03/image-36-768x512.png 768w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
</div>


<p>Fundada em <strong>1958</strong>, a Hillandale Farms é a <strong>quarta maior produtora de ovos dos Estados Unidos</strong>, conta com cerca de <strong>18,8 milhões de galinhas</strong> poedeiras e uma <strong>presença</strong> <strong>relevante</strong> no varejo e atacado, em redes de supermercados e no fornecimento institucional. Sua incorporação <strong>dobra a escala da Global Eggs</strong> e, mais importante, abre acesso direto ao mercado americano de ovos <strong>in natura</strong>, um segmento historicamente fechado para produtos estrangeiros.</p>



<p>Até janeiro de 2025, a entrada de <strong>ovos</strong> <strong>brasileiros</strong> nos EUA era <strong>restrita</strong> a usos <strong>industriais</strong> e à <strong>produção de ração,</strong> devido a exigências sanitárias rigorosas. O consumo direto seguia, na prática, <strong>inacessível</strong> a exportadores estrangeiros. A Hillandale contorna essa barreira com sua <strong>estrutura regulatória já estabelecida, </strong>rede de distribuição consolidada e marcas <strong>conhecidas</strong> do público americano.</p>



<p>A compra ocorre em um momento de <strong>vulnerabilidade</strong> da indústria local. Surtos recorrentes de <strong>gripe</strong> <strong>aviária</strong> comprometeram a oferta nos últimos meses, <strong>elevaram</strong> <strong>os preços </strong>e criaram um <strong>vácuo</strong> no abastecimento de grandes redes. Embora as exportações brasileiras tenham <strong>crescido</strong> <strong>93%</strong> em fevereiro, segundo dados da ABPA, a maior parte desse volume<strong> ainda não chega às prateleiras.</strong></p>



<p>A Granja Faria entra por <strong>dentro</strong> do sistema, com produção local, escala e acesso direto ao consumidor. Em um setor cada vez mais pressionado por exigências de <strong>rastreabilidade</strong>,<strong> bem-estar animal</strong> e <strong>estabilidade</strong> <strong>no fornecimento,</strong> a operação da Hillandale oferece boa base para criar presença em um dos mercados mais estratégicos do mundo.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>A lógica da por trás da internacionalização</strong></h2>



<p>Em entrevista ao <strong>Financial</strong> <strong>Times</strong>, Ricardo Faria resumiu a lógica do negócio:<strong> “Os americanos adoram ovos. É um mercado com alto consumo. E os ovos deixaram de ser um alimento de baixa renda para se tornarem um símbolo de saúde.”</strong></p>



<p>O empresário tem razão, estudos de mercado mostram que o<strong> consumo per capita </strong>de ovos nos EUA ultrapassou <strong>280 unidades por ano</strong> — número alto mesmo para padrões globais, no Brasil esse número é de <strong>260 unidades.</strong> A busca por dietas com <strong>mais proteína </strong>e menos carboidrato, aliada à queda no consumo de carne vermelha, impulsionou a demanda e tornou o ovo um protagonista nas dietas.</p>



<p>Nesse contexto, a estratégia de Ricardo Faria é usar a <strong>força</strong> <strong>produtiva</strong> construída no <strong>Brasil</strong> e na <strong>Europa</strong> para criar uma<strong> rede de abastecimento integrada, </strong>com presença local nos <strong>maiores</strong> <strong>mercados</strong>, <strong>marcas</strong> <strong>fortes</strong>, <strong>acesso direto ao varejo</strong> e controle de custo em<strong> escala global.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O próximo passo: Wall Street</strong></h2>



<p>A estrutura da Global Eggs — com sede no <strong>exterior</strong> e <strong>governança internacionalizada </strong>— também sinaliza a ambição de um <strong>IPO</strong> em <strong>Nova York</strong>, que deve ocorrer nos <strong>próximos</strong> <strong>anos</strong>, segundo o próprio Faria. A entrada do BTG como sócio minoritário<strong> reforça esse plano</strong>, trazendo uma <strong>âncora</strong> <strong>financeira</strong> e <strong>institucional</strong> importante para os mercados globais.</p>



<p>O setor ainda é altamente <strong>pulverizado</strong>, com milhares de pequenos produtores em cada país. A visão de Faria é replicar, com ovos, o que a <strong>JBS</strong> fez com a carne, <strong>consolidar, padronizar, escalar</strong> e <strong>liderar</strong>. O investimento do <strong>BTG Pactual</strong>, com 11% da nova holding, reforça essa ambição. E indica que o mercado já <strong>começou a precificar </strong>a internacionalização como realidade — não como promessa.</p>



<p>Segundo estimativas recentes, o conglomerado de empresas controlado por Faria já ultrapassa os <strong>R$17 bilhões em valor</strong>.</p>
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