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	<title>História &#8211; Bastidores do Poder</title>
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	<description>Negócios, Notícias, Análises e Grandes Histórias</description>
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	<title>História &#8211; Bastidores do Poder</title>
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		<title>Como Roberto Marinho quase perdeu a Globo</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Nov 2025 12:06:28 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[Antes de se tornar a força onipresente que moldaria a cultura e a política brasileira por meio século, a Rede Globo viveu um episódio de extrema fragilidade. Um “se” histórico que quase abortou o império antes do nascimento. Nos primeiros anos da década de 1960, enquanto o país experimentava o otimismo desenvolvimentista de Juscelino e [&#8230;]]]></description>
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<p>Antes de se tornar a força onipresente que moldaria a cultura e a política brasileira por meio século, a Rede Globo viveu um episódio de extrema fragilidade. Um “se” histórico que quase abortou o império antes do nascimento. Nos primeiros anos da década de 1960, enquanto o país experimentava o otimismo desenvolvimentista de Juscelino e o caos institucional que o sucedeu, Roberto Marinho, então dono do <em>Jornal O Globo</em>, sonhava em transformar uma concessão de TV ainda incipiente no coração de um império de comunicação.</p>



<p>O problema era o mesmo que assolava boa parte das ambições brasileiras da época, <strong>faltava dinheiro e know-how</strong>. O Canal 4 do Rio de Janeiro, embrião da futura Rede Globo, precisava de equipamentos, estúdios, técnicos e de uma estrutura de produção que o país simplesmente não tinha. A televisão nacional ainda engatinhava e os custos para alcançar o padrão americano eram impeditivos. Foi nesse cenário que o empresário enxergou na associação com um gigante estrangeiro a tábua de salvação e, sem saber, assinou o que a história lembraria como o <strong>pecado original</strong> da emissora.</p>



<p>A parceira escolhida foi o grupo <strong>Time-Life</strong>, conglomerado que controlava as revistas <em>Time</em> e <em>Life</em> e expandia o império para o audiovisual. O acordo selado em <strong>1962</strong> prometia mais do que os cerca de <strong>US$ 6 milhões</strong>, uma fortuna para o período, mas também a importação do modelo de gestão e das técnicas de produção americanas. No papel, parecia a solução perfeita. Na prática, seria o início de uma das maiores crises políticas da história da televisão brasileira.</p>



<p>Quando os primeiros dólares atravessaram o Atlântico, vieram juntos os primeiros fantasmas. O Brasil tinha leis claras: a <strong>Constituição de 1946</strong>, no Artigo 160, proibia a participação estrangeira em empresas de radiodifusão e jornalismo. O <strong>Código Brasileiro de Telecomunicações (1962)</strong> reforçava o veto. A Globo havia encontrado o capital que faltava, mas à custa de violar o texto constitucional.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>O sonho e a realidade do capital</strong></h2>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="615" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/11/image-4-1024x615.png" alt="" class="wp-image-2063" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/11/image-4-1024x615.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/11/image-4-300x180.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/11/image-4-768x461.png 768w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/11/image-4-240x145.png 240w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/11/image-4.png 1086w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>O acordo firmado em <strong>1962</strong> previa <strong>financiamento e assistência técnica da Time-Life</strong>. Inicialmente, os americanos tinham direito a <strong>30% dos lucros</strong>, com relatos de ampliação para <strong>45% em 1965</strong>. Além do dinheiro, a parceria trouxe quadros experientes, como <strong>Joseph Wallach</strong>, e práticas administrativas importadas que, segundo a literatura, influenciaram a gestão e até a programação da jovem emissora. Oficialmente, o contrato era apenas de assistência técnica e financeira, uma versão sustentada até hoje pela Globo. Para os críticos, tratava-se de <strong>uma sociedade disfarçada</strong>, com ingerência indevida de estrangeiros sobre uma concessão pública.</p>



<p>A engenharia jurídica para manter o acordo de pé era digna de um truque de ilusionismo corporativo. O dinheiro entrava como financiamento, mas as cláusulas davam à Time-Life poder de veto e influência operacional. Era o suficiente para que os adversários vissem ali uma violação aberta à soberania nacional e um prato cheio para a disputa política que fervia entre civis e militares nos bastidores de Brasília.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A CPI e o risco de implosão</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="618" height="612" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/11/image-3.png" alt="" class="wp-image-2062" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/11/image-3.png 618w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/11/image-3-300x297.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/11/image-3-150x150.png 150w" sizes="(max-width: 618px) 100vw, 618px" /></figure>
</div>


<p>Em <strong>1966</strong>, sob pressão crescente de concorrentes e de setores nacionalistas, foi instaurada a <strong>Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Globo</strong>. A ofensiva foi impulsionada por <strong>Carlos Lacerda</strong>, então governador da Guanabara e velho desafeto dos Marinho, e politicamente articulada pela <strong>Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (A</strong><strong>BERT)</strong>, presidida por <strong>João Calmon</strong>, na Câmara dos Deputados. O objetivo era apurar se a TV Globo estava sob controle de capital estrangeiro e, em caso afirmativo, aplicar a punição prevista em lei, que acarretaria no rompimento da concessão.</p>



<p>Os meses seguintes foram um teste de sobrevivência. Deputados convocaram executivos, examinaram contratos e ouviram testemunhos. O relatório final, assinado pelo deputado <strong>Djalma Marinho</strong>, foi taxativo ao reconhecer que o acordo <strong>feria a Constituição de 1946</strong> e recomendava ao Executivo <strong>aplicar as sanções legais</strong>, com o <strong>rompimento do vínculo com a Time-Life</strong>. O império que ainda mal se erguera parecia prestes a ruir.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A salvação pela política</strong></h2>



<p>O destino da Globo, no entanto, não seria decidido no plenário, mas sim nos corredores do poder. Em <strong>março de 1967</strong>, o governo de marechal <strong>Castello Branco</strong> concluiu oficialmente que as acusações eram <strong>“infundadas”</strong> e <strong>arquivou o caso</strong>. A decisão soou como um perdão velado. Para o regime militar, recém-instalado e em busca de meios eficientes de comunicação com a população, era estratégico preservar uma emissora em ascensão, moderna e tecnicamente superior às concorrentes.</p>



<p>Dois anos depois, em <strong>1969</strong>, a <strong>Time-Life deixou o negócio</strong> e <strong>Roberto Marinho comprou novamente a participação americana com financiamento do Banco do Estado da Guanabara</strong>. A crise estava contida e o episódio se converteu em uma lição. No Brasil, um império de mídia se constrói com audiência e faturamento, mas ainda mais com a habilidade de <strong>navegar a favor do vento político</strong>.<br></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="538" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/11/image-7-1024x538.png" alt="" class="wp-image-2066" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/11/image-7-1024x538.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/11/image-7-300x158.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/11/image-7-768x403.png 768w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/11/image-7.png 1078w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A herança do pecado</strong></h2>



<p>O caso Globo e Time-Life encerrou-se nos papéis, mas nunca de fato desapareceu da biografia da emissora. O episódio ensinou a Roberto Marinho que, no Brasil, <strong>a legalidade é apenas uma das dimensões do poder</strong> e, talvez, não a mais determinante.&nbsp;</p>



<p>A Globo sobreviveu porque compreendeu o jogo. Para existir, era preciso estar dentro do sistema e não contra ele. A lição foi assimilada com precisão cirúrgica. Daquele momento em diante, a emissora passou a cultivar uma relação com o Estado que oscilava entre o pragmatismo e o vínculo. O “<strong>pecado original</strong>” foi o batismo de uma lógica de sobrevivência que atravessaria governos, crises e redemocratizações.</p>



<p>Com o tempo, o escândalo virou rodapé de livro didático e a Globo, purificada pela própria história que ajudou a narrar, transformou-se em <strong>voz dominante da nação</strong>. Sua influência política e cultural cresceu a ponto de se confundir com o próprio país que a quase devorou no berço.&nbsp;</p>



<p>O acordo com a Time-Life foi enterrado, mas o DNA permaneceu, com a crença de que nenhuma lei é intransponível quando se tem poder de audiência e de que, no Brasil, o perdão oficial costuma ser apenas uma questão de timing.</p>
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		<title>A Frota Fantasma</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Oct 2025 12:58:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
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					<description><![CDATA[Sob o radar das sanções, uma armada de petroleiros velhos e sem seguro, operada por Rússia, Irã e Venezuela, cresceu até compor cerca de 20% da capacidade global de transporte de petróleo. Longe dos portos regulados de Roterdã ou Houston, uma vasta armada de petroleiros envelhecidos opera nas sombras do direito internacional. É a &#8220;frota [&#8230;]]]></description>
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<p class="is-style-justificado"><em>Sob o radar das sanções, uma armada de petroleiros velhos e sem seguro, operada por </em><strong><em>Rússia</em></strong><em>, </em><strong><em>Irã</em></strong><em> e </em><strong><em>Venezuela</em></strong><em>, cresceu até compor cerca de 20% da capacidade global de transporte de petróleo</em>.</p>



<p class="is-style-justificado">Longe dos portos regulados de <strong>Roterdã</strong> ou <strong>Houston</strong>, uma vasta armada de petroleiros envelhecidos opera nas sombras do direito internacional. É a &#8220;frota fantasma&#8221;, um mercado paralelo que, impulsionado pelas sanções contra <strong>Rússia</strong>, <strong>Irã</strong> e <strong>Venezuela</strong>, expandiu-se de modo acelerado. Números recentes estimam o tamanho em algo entre <strong>1.100 e 1.600 embarcações</strong>, o equivalente a cerca de <strong>um quinto (20%)</strong> da capacidade global de transporte de petróleo, dependendo do método de contagem.</p>



<p class="is-style-justificado">Esta sofisticada arquitetura logística movimenta <strong>dezenas de bilhões de dólares</strong> e se tornou ferramenta geopolítica crucial, garantindo que o petróleo sancionado continue a fluir e estabilize os preços no curto prazo, mas financiando regimes isolados e multiplicando riscos ambientais. O <strong>Brasil</strong>, longe de ser mero espectador neste caso, tornou-se destino preferencial de parte desse fluxo.</p>



<p class="is-style-justificado">O fenômeno já alterou rotas comerciais, derrubou previsões de sanções e confundiu autoridades marítimas. O que antes parecia uma rede marginal, atualmente movimenta quase o mesmo volume de petróleo que países inteiros da <strong>OPEP</strong>, desafiando instituições financeiras, seguradoras e tratados ambientais. No mapa global da energia, a frota fantasma tornou-se uma espécie de zona cinzenta permanente, uma economia flutuante, sem bandeira e sem rosto, que cresce na mesma medida em que o controle internacional se desfaz.</p>



<p class="is-style-justificado">O mesmo petróleo que mantém em funcionamento as fábricas da <strong>Ásia</strong> e o agronegócio do <strong>Brasil</strong> também sustenta regimes sancionados e enfraquece o alcance diplomático do <strong>Ocidente</strong>. Cada barril que cruza o Atlântico sem registro é um lembrete de que o mundo, mesmo cercado de dados e satélites, ainda depende de sombras para manter as luzes acesas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Anatomia da armada clandestina</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">Antes da invasão da Ucrânia, havia &#8220;algumas centenas&#8221; de navios. Em meados de <strong>2023 a 2025,</strong> a contagem saltou. Estudos e firmas de inteligência marítima apontam para um total, que varia conforme a metodologia, com faixas entre <strong>980</strong> e <strong>1.600</strong> embarcações. Outros conjuntos de dados destacam que apenas a porção russa passou de menos de <strong>100</strong> embarcações no início de 2022 para várias centenas nos anos seguintes.</p>



<p class="is-style-justificado">A frota opera fora do sistema regulado. Navios com décadas na quilha, manutenção precária e estruturas de propriedade opaca são registrados em jurisdições de baixa vigilância. Para burlar o rastreio, seja se falsificando sinais do AIS (desligamento ou spoofing), seja recorrendo a transferências navio-a-navio (STS) em alto-mar, tática frequentemente observada no Sudeste Asiático e no Caribe, a origem da carga fica deliberadamente borrada. Muitas dessas embarcações navegam com seguro inferior ao padrão ocidental, configurando um <strong>&#8220;perigo navegando&#8221;</strong> e um risco ambiental iminente.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os donos do jogo e seus beneficiários</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">A frota serve principalmente <strong>Rússia</strong>, <strong>Irã</strong> e <strong>Venezuela</strong>, e encontra dois grandes mercados: <strong>China</strong> e <strong>Índia</strong>. Dados de comércio e análises do setor mostram que a Rússia manteve volumes de exportação muito próximos aos níveis pré-sanções. Em termos agregados, as exportações russas têm ficado na faixa de <strong>4 a 6 milhões de barris por dia</strong> em diferentes meses de <strong>2024 a 2025</strong>, dependendo das métricas e do período considerado. O Irã segue exportando volumes significativos, sustentado pela própria capacidade marítima e por clientes na Ásia.</p>



<p class="is-style-justificado">Do lado da demanda, <strong>a Ásia absorveu muito do que a Europa e o Ocidente deixaram de comprar</strong>. Em <strong>2024</strong>, dados oficiais e de inteligência comercial indicam que a <strong>China</strong> importou cerca de <strong>109 milhões de toneladas</strong> de petróleo russo, enquanto a <strong>Índia</strong> importou algo em torno de <strong>88 milhões de toneladas</strong> no mesmo ano, volumes recorde que explicam por que o desconto russo segue encontrando comprador.</p>



<p class="is-style-justificado">Estima-se que redes e intermediários ligados ao comércio clandestino tenham movimentado somas bilionárias. Relatórios setoriais apontam casos isolados (empresas/players) que movimentaram dezenas de milhões de barris e centenas de milhões de dólares em janelas curtas. Avaliações abrangentes colocam o valor econômico agregado desta infraestrutura em <strong>dezenas de bilhões de dólares</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O efeito colateral brasileiro</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">O <strong>Brasil</strong> não aderiu às sanções ocidentais e viu o parque de importadores aproveitar preços competitivos. Investigações jornalísticas e dados oficiais mostram que, entre <strong>2022</strong> e <strong>2024</strong>, as compras brasileiras de diesel russo (refino/semimanufaturados) cresceram de cifras muito modestas para valores na casa dos <strong>bilhões de dólares</strong>. De cerca de <strong>US$ 95 a 100 milhões</strong> em <strong>2022</strong> para <strong>US$ 4,5 bilhões</strong> em <strong>2023</strong> e cerca de <strong>US$ 5,4 bilhões</strong> em <strong>2024</strong>, segundo levantamentos econômicos e reportagens. Isso colocou a Rússia como fornecedora dominante de diesel do país em 2024.</p>



<p class="is-style-justificado">Reportagens de investigação indicam também presença física da frota nos portos brasileiros. Tais investigações documentaram pelo menos <strong>36</strong> navios associados ao chamado &#8220;shadow/ghost fleet&#8221; atracando em portos brasileiros entre <strong>fevereiro de 2022</strong> e meados de <strong>2025</strong>. Esse contato direto transforma uma questão de petróleo em um problema geopolítico, no qual as empresas brasileiras e o agronegócio ganham combustível mais barato, mas ficam expostos a riscos de sanções secundárias em caso de escalada de medidas contra a rede clandestina.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Um novo (des)equilíbrio global</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">A ascensão da frota fantasma redesenhou o mercado de energia. No curto prazo, atuou como válvula de escape que conteve choques de oferta e, no longo prazo, corrói a capacidade ocidental de isolamento econômico e sustenta regimes que buscam fontes alternativas de receita. A &#8220;frota fantasma&#8221; vai além de um agregado de navios velhos, é a espinha dorsal de uma ordem energética paralela, na qual o mundo se divide entre mercados regulados e um circuito opaco que abastece sobretudo a Ásia e, cada vez mais, provoca efeitos na América do Sul.</p>
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		<title>O clã Hering</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Oct 2025 03:51:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Impérios]]></category>
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					<description><![CDATA[A saga da família de imigrantes alemães que transformou dois peixinhos em um ícone nacional, a inevitável passagem de bastão para um conglomerado da Faria Lima e a batalha para manter uma marca de 145 anos relevante na era do ultra fast-fashion. No imaginário coletivo do país, poucas marcas alcançaram o status de substantivo. “Comprar [&#8230;]]]></description>
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<p class="is-style-justificado"><em>A saga da família de imigrantes alemães que transformou dois peixinhos em um ícone nacional, a inevitável passagem de bastão para um conglomerado da Faria Lima e a batalha para manter uma marca de 145 anos relevante na era do ultra fast-fashion.</em></p>



<p class="is-style-justificado">No imaginário coletivo do país, poucas marcas alcançaram o status de substantivo. “Comprar uma <strong>Hering</strong>” é quase uma categoria do português brasileiro, um verbo que mistura <strong>memória, conforto e brasilidade</strong>. Por trás do símbolo dos <strong>dois peixinhos entrelaçados</strong> está a história de um clã que, por <strong>141 anos</strong>, comandou um dos maiores impérios têxteis da <strong>América Latina</strong> a partir de <strong>Blumenau, Santa Catarina</strong>.</p>



<p class="is-style-justificado">Fundada em <strong>1880</strong> pelos irmãos <strong>Bruno e Hermann Hering</strong>, a modesta tecelagem de <strong>imigrantes alemães</strong> atravessou impérios, crises e modas passageiras. No início dos anos 2000, atingiu o auge com <strong>800 lojas</strong> e presença em todos os estados brasileiros. Em <strong>2010</strong>, registrava <strong>lucro líquido de R$ 255 milhões</strong> e <strong>margem EBITDA superior a 20%</strong>, um feito raro no varejo nacional.</p>



<p class="is-style-justificado">No entanto, ao mesmo tempo que consolidou o mito, tratou de torná-lo retrógrado. O avanço do <strong>fast-fashion global</strong> e a mudança no comportamento de consumo colocaram a empresa em rota de colisão com o próprio passado.</p>



<p class="is-style-justificado">No melhor momento pré-venda, por volta de <strong>2014</strong>, a <strong>Hering</strong> já havia alcançado <strong>faturamento de cerca de R$ 2 bilhões</strong> e mantido uma <strong>margem líquida de quase 29%</strong>, enquanto em <strong>2017</strong> registrava <strong>lucro líquido de R$ 263,8 milhões</strong>.</p>



<p class="is-style-justificado">O ponto de inflexão veio em <strong>2021</strong>, quando o controle foi vendido ao <strong>Grupo Soma</strong> por <strong>R$ 5,1 bilhões</strong>, em uma das maiores operações do varejo brasileiro. Atualmente, sob o guarda-chuva da <strong>holding Azzas 2154</strong>, resultado da fusão entre <strong>Soma</strong> e <strong>Arezzo&amp;Co</strong>, a <strong>Hering</strong> tenta se reinventar entre <strong>megalojas, collabs e slogans reformulados</strong>, enquanto os herdeiros observam, discretos, o destino daquilo que um dia foi sinônimo de <strong>“o básico do Brasil”</strong>.</p>



<p class="is-style-justificado">Em números atuais, a empresa centenária ostenta <strong>mais de 740 lojas</strong> pelo Brasil, divididas entre <strong>71 lojas próprias</strong> e <strong>671 franquias</strong>, com <strong>receita bruta anual de R$ 2,44 bilhões em 2023</strong> e margens de lucro que voltaram a se fortalecer. As <strong>megalojas</strong> puxam o portfólio, com a meta de chegar a <strong>110 unidades até 2026</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A gênese de um ícone nacional</strong><br></h2>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-10-1024x576.png" alt="" class="wp-image-1753" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-10-1024x576.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-10-300x169.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-10-768x432.png 768w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-10.png 1280w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="is-style-justificado">A história dos <strong>Hering</strong> é também a história da <strong>industrialização brasileira</strong>, no padrão mais original, no qual o <strong>empreendedorismo dos imigrantes</strong> ergueu fábricas às margens de rios e, junto delas, cidades inteiras.</p>



<p class="is-style-justificado">Em <strong>1880</strong>, quando os irmãos <strong>Bruno e Hermann</strong> instalaram uma pequena tecelagem em <strong>Blumenau-SC</strong>, o país sequer tinha indústria de vestuário. A aposta era simples e poderosa, produzindo <strong>roupas duráveis, de qualidade e acessíveis</strong>. A <strong>camiseta básica Hering</strong> viraria um totem nacional, uma peça democrática que atravessou classes e gerações.</p>



<p class="is-style-justificado">Os <strong>Hering</strong> foram também <strong>engenheiros sociais</strong> de uma comunidade. Fundaram <strong>hospitais, empresas de energia e telefonia</strong> e chegaram a ocupar a Prefeitura de <strong>Blumenau</strong>. A fábrica era o coração da cidade e o destino da família e da comunidade eram, literalmente, tecidos na mesma trama.</p>



<p class="is-style-justificado">Por <strong>cinco gerações</strong>, o comando da <strong>Cia. Hering</strong> passou de pai para filho, consolidando uma <strong>cultura conservadora e avessa a riscos</strong>. Um <strong>capitalismo doméstico</strong>, prudente e de longo prazo, como aquele que aposta mais em <strong>fiar algodão</strong> do que em reinventar o mercado.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A Faria Lima bate à porta</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">O século XXI trouxe novos tecidos e novas velocidades. A <strong>Hering</strong>, acostumada a ditar o próprio tempo, viu o relógio do varejo acelerar. Com a chegada da <strong>Zara, </strong>da<strong> Renner, </strong>da<strong> C&amp;A</strong> e, mais recentemente, das plataformas digitais como <strong>Shein</strong> e <strong>Shopee</strong>, o jogo mudou. O “básico” correu o risco de se tornar “datado”.</p>



<p class="is-style-justificado">Em <strong>2007</strong>, o <strong>re-IPO</strong> marcou o início da profissionalização. <strong>Fundos de investimento</strong> passaram a integrar o capital e o <strong>controle familiar</strong> começou a se diluir. A lógica da <strong>rentabilidade trimestral</strong>, vinda da <strong>Faria Lima</strong>, passou a disputar espaço com a <strong>visão centenária dos Hering</strong>, nem sempre de forma pacífica.</p>



<p class="is-style-justificado">Em <strong>2021</strong>, após recusar uma proposta de fusão da <strong>Arezzo&amp;Co</strong>, avaliada em <strong>R$ 3,2 bilhões</strong>, a <strong>Hering</strong> foi surpreendida pela ofensiva do <strong>Grupo Soma</strong>, que ofereceu <strong>R$ 5,1 bilhões</strong>. O pagamento foi estruturado de forma híbrida: <strong>R$ 9,63 em dinheiro por ação</strong> e <strong>1,625 em ação do Grupo Soma para cada ação da Hering</strong>. Em poucos dias, o negócio foi fechado.</p>



<p class="is-style-justificado">A transação encerrou <strong>141 anos de controle familiar</strong> e marcou o ingresso dos <strong>Hering</strong> no <strong>capitalismo corporativo moderno</strong>, não mais como industriais, mas como <strong>acionistas minoritários de um conglomerado de moda</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A reinvenção sob novo comando</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="620" height="430" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-11.png" alt="" class="wp-image-1754" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-11.png 620w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-11-300x208.png 300w" sizes="(max-width: 620px) 100vw, 620px" /></figure>
</div>


<p class="is-style-justificado">A incorporação pelo <strong>Grupo Soma</strong> e, depois, pela <strong>Azzas 2154</strong>, inaugurou um novo ciclo. A missão era <strong>rejuvenescer um ícone sem apagar a alma</strong>. A estratégia começou pelo <strong>varejo físico</strong>, criando <strong>megalojas</strong> com <strong>400 m²</strong>, portfólio completo e <strong>experiência de compra sensorial</strong>. Em <strong>2023</strong>, já eram <strong>33 unidades</strong>, com meta de chegar a <strong>mais de 100 até 2026</strong>, transformando as lojas em <strong>destinos de moda</strong>, além de apenas pontos de venda.</p>



<p class="is-style-justificado">No marketing, a marca buscou reconectar-se às <strong>novas gerações</strong>. Patrocinou festivais como o <strong>Turá, em São Paulo</strong>, e firmou parcerias com influenciadores, como <strong>Malu Borges</strong>, na tentativa de dar ao “básico” um <strong>caimento pop</strong>. O engajamento digital subiu <strong>90%</strong>, segundo o grupo.</p>



<p class="is-style-justificado">Nos bastidores, a <strong>Hering</strong> implantou um <strong>modelo de abastecimento just-in-time</strong>, reduzindo estoques e melhorando margens. Em <strong>2023</strong>, a <strong>receita bruta foi de R$ 2,44 bilhões</strong>, com <strong>margem bruta de 43,5%</strong>, dois pontos percentuais acima do ano anterior.</p>



<p class="is-style-justificado">O <strong>lucro líquido consolidado</strong>, que havia despencado para <strong>R$ 27 milhões em 2020</strong>, ano da pandemia, superou os <strong>R$ 200 milhões em 2023</strong>, impulsionado pela retomada do consumo e pela integração operacional ao <strong>Grupo Soma</strong>.</p>



<p class="is-style-justificado">Com mais de <strong>740 lojas</strong>, sendo <strong>71 próprias</strong> e <strong>671 franquias</strong>, a <strong>Hering</strong> segue como o braço mais lucrativo do conglomerado. Encerrou o ano de 2024 com 52 megastores e planos de abrir mais 28 unidades até o fim de 2025. A ideia é acelerar o crescimento para 110 unidades até o ano que vem.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O legado e o futuro da família</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">Para o clã <strong>Hering</strong>, a venda foi ao mesmo tempo o <strong>fim e o recomeço</strong>. A operação bilionária consolidou a <strong>fortuna familiar</strong>, agora gerida, ao que tudo indica, por meio de um <strong>family office discreto</strong>.</p>



<p class="is-style-justificado">O último herdeiro no comando, <strong>Thiago Hering</strong>, permaneceu como <strong>CEO até 1º de outubro de 2025</strong>, quando anunciou a saída. Pela primeira vez em <strong>145 anos</strong>, nenhum <strong>Hering</strong> ocupava a cadeira de comando.</p>



<p class="is-style-justificado">Se o nome da família saiu da fachada da empresa, continua inscrito nas ruas e instituições de <strong>Blumenau</strong>. A <strong>Fundação Hermann Hering</strong>, criada em <strong>1935</strong>, segue ativa, promovendo <strong>projetos sociais e culturais ligados à moda</strong> e preservando a história da companhia no <strong>Museu Hering</strong>, totalmente modernizado com <strong>tecnologia e experiências imersivas</strong>.</p>



<p class="is-style-justificado">Em tempos de marcas efêmeras e consumo instantâneo, a fundação é o elo entre o <strong>passado industrial</strong> e o <strong>presente digital</strong>, um lembrete de que a <strong>Hering</strong> foi uma <strong>história de família</strong> antes de ser “case de negócio”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Um novo capítulo para os dois peixinhos</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">A trajetória da <strong>Hering</strong> espelha a própria metamorfose do <strong>capitalismo brasileiro</strong>, indo da <strong>manufatura artesanal</strong> à era dos <strong>conglomerados listados em bolsa</strong>, da <strong>tecelagem</strong> à <strong>cultura de marca</strong>.</p>



<p class="is-style-justificado">A transição para o grupo de moda <strong>carioca</strong> trouxe <strong>novo fôlego criativo</strong>, <strong>reposicionamento de produto</strong>, <strong>expansão de parcerias</strong> e campanhas voltadas à <strong>nostalgia de um “básico brasileiro”</strong>. Ainda assim, a <strong>Hering</strong> enfrenta o desafio de se equilibrar entre <strong>tradição e modernidade</strong>, símbolo e negócio.</p>



<p class="is-style-justificado">No fim, a história da <strong>Hering</strong> é a de uma marca que trocou o comando, mas não a alma. O <strong>algodão</strong> que saiu das tecelagens de <strong>Blumenau, em 1880</strong>, continua tecendo a <strong>identidade de gerações</strong>. Mais de <strong>140 anos depois</strong>, o <strong>fio permanece esticado</strong>, menos pela força da família e mais pela persistência de uma <strong>marca que aprendeu a se refazer sem se desfazer</strong>.</p>



<p class="is-style-justificado">De longe, os <strong>Hering</strong> observam a criatura que criaram, torcendo para que os <strong>dois peixinhos continuem a nadar</strong>, mesmo em <strong>mares cada vez mais turbulentos</strong>.</p>
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		<title>As Cinzas de um Bilionário</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Oct 2025 12:30:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresários]]></category>
		<category><![CDATA[Falências]]></category>
		<category><![CDATA[Fraudes]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[Em 2012, no auge de seu poder, Eike Batista era o sétimo homem mais rico do mundo, um titã de US$ 30 bilhões. Seu Grupo EBX, um conglomerado de petróleo, mineração, energia e logística, encarnava o sonho de um Brasil prestes a se tornar potência global. Um ano depois, o castelo ruiu e protagonizou a [&#8230;]]]></description>
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<p>Em <strong>2012</strong>, no auge de seu poder, <strong>Eike Batista</strong> era o <strong>sétimo homem mais rico do mundo</strong>, um titã de <strong>US$ 30 bilhões</strong>. Seu <strong>Grupo EBX</strong>, um conglomerado de petróleo, mineração, energia e logística, encarnava o sonho de um Brasil prestes a se tornar potência global. Um ano depois, o castelo ruiu e protagonizou a mais espetacular implosão corporativa da história nacional.&nbsp;</p>



<p>Enquanto a imagem pública de Eike se desfazia em dívidas e processos, a verdadeira história apenas começava. A pergunta que ecoava pela <strong>Faria Lima</strong> não era mais sobre o homem, mas sobre o espólio: <strong>para onde foram os portos, as minas e os campos de petróleo do império?</strong></p>



<p>Três anos após o colapso, o <strong>império EBX</strong> já havia sido inteiramente desmontado. A derrocada de Eike deflagrou uma liquidação “na bacia das almas”, atraindo um novo tipo de poder com <strong>fundos soberanos árabes</strong>, <strong>gestoras de private equity americanas</strong>, <strong>traders suíças</strong> e <strong>investidores brasileiros</strong>.&nbsp;</p>



<p>Por volta de <strong>2016</strong>, Eike Batista assistiu à própria <strong>fortuna encolher para algumas centenas de milhões</strong>, foi preso em <strong>2017</strong> e viu o império X virar matéria-prima para novos impérios, erguidos sobre planilhas. As ruínas de <strong>Eike</strong> foram recicladas por um capital paciente, que viu riqueza onde o antigo dono viu ruína. O ouro, afinal, estava nas cinzas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>OGX: O estopim da crise e a fênix petrolífera de Tanure</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="900" height="600" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-3.png" alt="" class="wp-image-1719" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-3.png 900w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-3-300x200.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-3-768x512.png 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></figure>
</div>


<p><strong><br></strong>A <strong>OGX</strong> foi a joia da coroa e, paradoxalmente, o peso que a afundou. Criada para ser a <strong>Petrobras privada</strong>, terminou como símbolo da ilusão. As reservas se mostraram inviáveis, e a empresa, que um dia valera <strong>dezenas de bilhões de reais</strong>, protagonizou o <strong>maior pedido de recuperação judicial da América Latina</strong>, em <strong>2013</strong>.</p>



<p>Enquanto o mercado via destroços, <strong>Nelson Tanure</strong>, veterano em empresas em apuros, viu oportunidade. Durante a recuperação, a OGX virou <strong>OGPar</strong>, depois <strong>Dommo Energia</strong>. Tanure foi comprando, somando e assumindo o leme.</p>



<p>O golpe de mestre veio via <strong>PetroRio (PRIO)</strong>. Em <strong>2020</strong>, a empresa arrematou o <strong>campo de Tubarão Martelo</strong> por <strong>US$ 140 milhões</strong> e, dois anos depois, incorporou de vez a Dommo. Os custos caíram, a produção subiu e o que era naufrágio se tornou a virada.</p>



<p>Atualmente, a <strong>PRIO</strong> é a <strong>maior petroleira independente do país</strong>, com <strong>70 mil barris/dia</strong> e <strong>R$ 14 bilhões</strong> em faturamento em 2024. O ativo que simbolizou o fracasso de Eike sustenta agora a fortuna de outro bilionário.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>LLX: O porto dos sonhos e a “Compra da Louisiana” da EIG</strong></h3>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="917" height="512" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-4.png" alt="" class="wp-image-1720" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-4.png 917w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-4-300x168.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-4-768x429.png 768w" sizes="(max-width: 917px) 100vw, 917px" /></figure>
</div>


<p>Se a OGX foi o estopim, o <strong>Porto do Açu</strong>, da <strong>LLX</strong>, foi o delírio. Um megacomplexo em <strong>São João da Barra (RJ)</strong>, desenhado para ser o hub logístico do império. Com a implosão, virou o prêmio mais cobiçado.</p>



<p>O fundo americano <strong>EIG Global Energy Partners</strong> se moveu com precisão cirúrgica. Em <strong>outubro de 2013</strong>, pagou <strong>R$ 1,8 bilhão (US$ 520 milhões)</strong> pelo controle. O negócio foi tão vantajoso que os próprios executivos compararam à <strong>“Compra da Louisiana”</strong>, o golpe de sorte histórico dos EUA sobre a França.</p>



<p>A EIG reescreveu o conceito, com o porto deixando de ser cativo do império e passando a ser <strong>multiusuário</strong>. Rebatizado como <strong>Prumo Logística</strong>, o complexo com <strong>90 km²</strong>, maior que <strong>Manhattan</strong>, atraiu <strong>Anglo American</strong>, <strong>BG Group</strong> e uma fila de gigantes.</p>



<p>Atualmente, <strong>30% das exportações de petróleo do Brasil</strong> passam pelo Açu. O “elefante branco” virou <strong>hub de classe mundial</strong>, com uma valorização de outro planeta.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>MMX: O porto que virou ouro para a Mubadala</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="624" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-5-1024x624.png" alt="" class="wp-image-1721" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-5-1024x624.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-5-300x183.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-5-768x468.png 768w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-5-240x145.png 240w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-5.png 1074w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
</div>


<p>A <strong>MMX</strong>, mineradora de Eike, tinha duas pernas: minas em Minas e o <strong>Porto Sudeste</strong>, em Itaguaí (RJ). Com a queda, cada uma seguiu um destino. As minas, em limbo. O porto, a redenção.</p>



<p>O <strong>Mubadala</strong>, fundo soberano de <strong>Abu Dhabi</strong>, e a <strong>Trafigura</strong>, gigante suíça, assumiram o controle em <strong>2013</strong>. Investiram pesado e inauguraram o terminal em <strong>2015</strong>. A capacidade atual é de <strong>50 milhões de toneladas por ano</strong>.&nbsp;</p>



<p>O porto que serviria à MMX passou a servir o mercado e a render muito mais. Para a <strong>Mubadala</strong>, o negócio foi engenharia pura, ao converter <strong>dívida podre</strong> em <strong>ativo sólido</strong>. Um porto nascido da dívida virou uma máquina de caixa.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>MPX: a energia que trocou o “X” pela governança</strong></h3>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="960" height="640" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-6.png" alt="" class="wp-image-1722" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-6.png 960w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-6-300x200.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-6-768x512.png 768w" sizes="(max-width: 960px) 100vw, 960px" /></figure>
</div>


<p>A <strong>MPX</strong>, braço de energia, foi uma das primeiras a sentir o terremoto. Em <strong>2013</strong>, Eike cedeu o controle à alemã <strong>E.ON</strong>. Mesmo assim, a empresa, já rebatizada de <strong>Eneva</strong>, passou por recuperação em <strong>2014</strong>. Foi nesse ponto que <strong>André Esteves (BTG Pactual)</strong> e a <strong>família Moreira Salles (Cambuhy)</strong> entraram em cena.</p>



<p>Com nova governança e injeção de capital, a Eneva mudou de pele. Passou a integrar <strong>produção de gás natural</strong> e <strong>geração elétrica</strong>, em uma lógica industrial que o império X nunca dominou.</p>



<p>Saiu da recuperação, cortou dívida de <strong>4,5x para 2,4x EBITDA</strong> e, em <strong>2023</strong>, já faturava <strong>R$ 10 bilhões</strong>. A antiga MPX, que carregava o “X” de promessa, virou sinônimo de eficiência e capital disciplinado.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong><br>OSX: O estaleiro que virou pó</strong></h3>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="566" height="376" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-7.png" alt="" class="wp-image-1723" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-7.png 566w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-7-300x199.png 300w" sizes="(max-width: 566px) 100vw, 566px" /></figure>
</div>


<p>Nem tudo o que Eike tocou virou ouro para os sucessores. A <strong>OSX</strong>, criada para fabricar plataformas para a OGX, virou ruína. O estaleiro no <strong>Porto do Açu</strong> parou em 2013 e nunca mais voltou a funcionar. O que sobrou foi uma <strong>cidade fantasma industrial</strong>, um cemitério de estruturas metálicas.</p>



<p>A OSX arrastou-se por uma década em tribunais, acumulando <strong>R$ 500 milhões em dívidas</strong>. Nenhum investidor ousou ressuscitá-la. O estaleiro virou metáfora do sonho que afunda devagar.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>CCX e AUX: carvão, ouro e os despojos menores</strong></h2>



<p>O império de Eike era vasto e disperso. A <strong>CCX</strong>, por exemplo, era dona de minas de carvão na Colômbia e foi vendida ao <strong>Yildirim Group</strong>, da Turquia, por <strong>US$ 125 milhões</strong>. Um desconto de <strong>72%</strong>.</p>



<p>A <strong>AUX</strong>, com minas de ouro também colombianas, foi para a <strong>Mubadala</strong>, depois associada à <strong>Aris Mining</strong>. Valor estimado em <strong>US$ 2,7 bilhões</strong>. Até o <strong>Burger King Brasil</strong> e o <strong>Hotel Glória</strong> foram parar na prateleira dos árabes, em troca de dívidas perdoadas.</p>
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		<title>Hollywood brasileira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Sep 2025 12:08:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Impérios]]></category>
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					<description><![CDATA[Quando a TV Globo entrou no ar em 1965, ninguém acreditava que a emissora, que mal chegava à quinta posição no ranking de audiência, se tornaria a maior rede do país e uma das maiores do mundo. Naquele 26 de abril, a TV fundada por Roberto Marinho inaugurou a programação com jornalismo, variedades e uma [&#8230;]]]></description>
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<p>Quando a <strong>TV Globo entrou no ar em 1965</strong>, ninguém acreditava que a emissora, que mal chegava à quinta posição no ranking de audiência, se tornaria a maior rede do país e uma das maiores do mundo. Naquele <strong>26 de abril</strong>, a TV fundada por <strong>Roberto Marinho</strong> inaugurou a programação com jornalismo, variedades e uma primeira <strong>telenovela</strong>, chamada Ilusões Perdidas. Apesar da baixa audiência, marcou a sua entrada em um gênero que, com o tempo, definiria a própria identidade e viraria um <strong>case tipo exportação</strong>.</p>



<p>Com uma <strong>grade de programação estável</strong>, a<strong> aposta na dramaturgia</strong> e a <strong>disciplina de gestão</strong>, exemplificada nos memorandos de <strong>José Bonifácio de Oliveira</strong>, o Boni, moldaram o “padrão Globo de qualidade”. Da parte técnica ao conteúdo, a emissora criou um estilo próprio e influente que se confunde com a própria <strong>história da TV no Brasil</strong>.</p>



<p>Com <strong>60 anos</strong> de existência, a Globo é guardiã da memória televisiva brasileira, mas também protagonista de um futuro incerto. Nenhuma outra emissora construiu um acervo tão vasto, exportou tantos sucessos ou criou uma indústria tão sólida. Por outro lado, a era na qual as novelas paravam o país parece ter ficado no passado. A <strong>Globo tenta se reinventar</strong>, equilibrando tradição e inovação, sem perder a fita que a consagrou como a <strong>Hollywood brasileira</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Da insistência à “Fábrica de Sonhos”</strong></h2>



<p>Insistindo na <strong>dramaturgia</strong>, a Globo <strong>emplacou sucessos</strong> poucos anos depois da entrada no ar, virou especialista e trilhou um caminho invejável. A virada veio em <strong>1969</strong>, com a novela<strong> Véu de Noiva</strong>, seguida por <strong>Irmãos Coragem</strong>, em <strong>1970</strong>. Pela primeira vez, uma novela ultrapassou até a audiência de uma final de Copa do Mundo. Dois anos depois, <strong>Selva de Pedra</strong> atingiu a inédita marca de <strong>100% de audiência</strong> no Rio de Janeiro.</p>



<p>Na <strong>década de 1970</strong>, o hábito de “ligar na Globo” ganhou forma com a chamada <strong>grade horizontal</strong>, com novelas consecutivas às <strong>18h, 19h e 21h</strong>, intercaladas com telejornais. A ideia era <strong>manter o espectador preso</strong> do começo ao fim da noite. Ao mesmo tempo, a emissora atraía roteiristas, atores e diretores vindos do teatro e do cinema, formando o “star system”, e integrava música às novelas por meio da gravadora Som Livre. Um roteiro de sucesso <strong>à moda hollywoodiana</strong>.</p>



<p>Clássicos como <strong>Gabriela, Roque Santeiro e Vale Tudo</strong> também surgiram neste período, no qual as novelas iam além de meros programas de entretenimento. Elas viravam assuntos em casa, na rua e também eram um r<strong>eflexo da sociedade brasileira</strong>.</p>



<p>Nos <strong>anos 1990</strong>, a Globo se consolidou ainda mais ao inaugurar o <strong>Projac</strong>, rebatizado em <strong>2016 </strong>como <strong>Estúdios Globo</strong>. O complexo, erguido em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, ocupa uma área total de <strong>1,73 milhão de metros quadrados</strong> e reúne estúdios, cidades cenográficas, fábricas de figurinos e cenários. É a <strong>maior estrutura de produção televisiva da América Latina</strong> e, à época, a <strong>maior do mundo</strong>.</p>



<p>Com <strong>ambição artística</strong>, se produzia em escala industrial no Projac, transformando a Globo na principal exportadora de novelas. Em <strong>2004</strong>, o <strong>Guinness World Records</strong> reconheceu oficialmente a Globo como a <strong>maior produtora de telenovelas do mundo</strong>, com mais de<strong> 300 títulos</strong> acumulados desde a fundação até então.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Novela tipo exportação</strong></h2>



<p>Símbolo de um país, a dramaturgia global já consolidada no cenário nacional atravessou fronteiras. A novela <strong>Escrava Isaura</strong>, de <strong>1976</strong>, por exemplo, foi exibida em <strong>mais de 100 países</strong>. O <strong>Clone (2001) e Caminho das Índias (2009)</strong> também chegaram a <strong>centenas de territórios</strong>. O auge mesmo veio em<strong> 2012</strong>, quando <strong>Avenida Brasil</strong>, dos icônicos personagens Tufão e Carminha, alcançou <strong>148 países</strong>, o equivalente a <strong>76% das nações</strong> reconhecidas pela Organização das Nações Unidades (ONU). Foi a <strong>novela brasileira mais vendida no exterior</strong>, superando clássicos como <strong>Vale Tudo</strong>, de <strong>1988</strong>.&nbsp;</p>



<p>Ao abordar novas temáticas na virada do século, com assuntos contemporâneos e que geram debate, a <strong>Globo desbravou novos caminhos</strong>. O <strong>Clone</strong>, por exemplo, discutiu a clonagem e a dependência química, enquanto <strong>Mulheres Apaixonadas</strong>, de <strong>2003</strong>, expôs a violência doméstica. Já <strong>Avenida Brasil</strong> deu protagonismo às classes populares e transformou <strong>Carminha em vilã universal</strong>.</p>



<p>O <strong>ranking</strong> da exportação confirma todo esse apelo pelos produtos globais. A novela <strong>Totalmente Demais, de 2015</strong>, chegou a <strong>135 países</strong>, seguida por <strong>A Vida da Gente, de 2012</strong>, com <strong>132 naçõe</strong>s. <strong>Caminho das Índias, com 117, e O Clone, com 107</strong>, também estão na <strong>lista das mais vendidas para fora do Brasil</strong>.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>O desafio da concorrência</strong></h2>



<p>Durante décadas, a <strong>Globo reinou</strong> com poucas ameaças. A extinta TV Manchete e o SBT tiveram alguns êxitos pontuais, mas nada que ameaçasse a hegemonia. A <strong>primeira concorrência</strong> consistente só apareceu em <strong>2015</strong>, quando a <strong>Record investiu em novelas bíblicas</strong>, apoiada no crescimento do público evangélico. Mesmo assim, a Globo manteve a tradicional liderança com a regularidade de quem produz <strong>novelas das 18h, das 19h e das 21h</strong> como em linha de montagem.</p>



<p>O maior desafio atual, porém, não vem da TV aberta, mas da fragmentação da audiência. Entre <strong>2023 e 2024</strong>, a Globo viu <strong>cair em 22% a audiência</strong> do horário nobre. <strong>Mais de 80%</strong> dos jovens que antes assistiam às novelas migraram para o streaming.&nbsp;</p>



<p>Há também a <strong>concorrência com outras telas e formatos</strong>. As plataformas digitais oferecem tramas mais curtas, linguagem acelerada e flexibilidade de horário. O exemplo mais citado é o da novela brasileira <strong>Beleza Fatal</strong>, produzida pela <strong>Max</strong>, que encontrou sucesso internacional em <strong>mais de 15 países</strong>. Nesse contexto, a Globo tenta se reposicionar e, desde <strong>2015</strong>, <strong>aposta no Globoplay</strong>, reunindo novelas antigas, capítulos antecipados e produções originais em uma única plataforma.</p>



<p>Na TV aberta, a emissora buscou <strong>recuperar o público com remakes</strong>, que é a refilmagem ou recriação de uma obra já existente. A novela <strong>Pantanal, de 2022</strong>, repetiu o feito da primeira versão e foi <strong>bem-sucedida</strong>. No entanto, a versão de <strong>Vale Tudo, de 2025</strong>, não repetiu o feito apesar do apelo nostálgico de “quem matou Odete Roitman?”.</p>



<p>Diante do fracasso de certas fórmulas e da urgência em dialogar com a Geração Z, a nova aposta da emissora é a &#8220;novela vertical&#8221;. Este formato, pensado exclusivamente para o consumo em dispositivos móveis, como celulares e tablets, subverte a lógica tradicional da televisão. Com capítulos curtíssimos, que variam de um a cinco minutos, e uma narrativa filmada na vertical, a estratégia é capturar a atenção do público jovem onde ele está: nas redes sociais e plataformas de vídeo como o TikTok e o Reels do Instagram.</p>



<p>Para materializar essa inovação, a Globo já desenvolve um projeto piloto estrelando a atriz e influenciadora Jade Picon no papel de uma vilã. A escalação é para criar uma ponte com o público que migrou para o ambiente digital. A proposta é oferecer uma dramaturgia com ritmo acelerado e ganchos rápidos, adaptada ao consumo imediato e ao compartilhamento online, buscando renovar o formato da telenovela para uma nova era e reconquistar a audiência perdida para outras telas.</p>
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		<title>A Queda do Concreto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Sep 2025 11:34:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Fraudes]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado Imobiliário]]></category>
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					<description><![CDATA[Três engenheiros mineiros entenderam que o futuro cabia em um trator no fim da década de 1940. Os irmãos Gabriel e Roberto Andrade e o amigo Flávio Gutierrez fundaram uma construtora que começou pequena em Belo Horizonte, mas ambiciosa. Canalizar uma rua da cidade parecia um projeto modesto para a primeira obra, o suficiente, no [&#8230;]]]></description>
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<p>Três engenheiros mineiros entenderam que o futuro cabia em um <strong>trator</strong> no fim da década de <strong>1940</strong>. Os irmãos <strong>Gabriel e Roberto Andrade</strong> e o amigo <strong>Flávio Gutierrez</strong> fundaram uma construtora que começou pequena em <strong>Belo Horizonte</strong>, mas ambiciosa. Canalizar uma rua da cidade parecia um projeto modesto para a primeira obra, o suficiente, no entanto, para colocar o nome da empresa em circulação e dar início a uma história na infraestrutura brasileira décadas depois.</p>



<p>A ascensão coincidiu com o Brasil de <strong>Juscelino Kubitschek</strong> e o lema <strong>“cinquenta anos em cinco”</strong>. A <strong>Andrade Gutierrez</strong> aproveitou o boom de rodovias e obras grandiosas, construindo as estradas <strong>São Paulo-Curitiba</strong>, a <strong>Rio-Bahia</strong> e a <strong>Castelo Branco</strong>. Depois, vieram o <strong>metrô de São Paulo</strong>, a hidrelétrica de <strong>Itaipu</strong>, a internacionalização em solo africano e a eleição de <strong>“Empresa do Ano” pela revista Exame</strong>. O nome, que nasceu em uma garagem, agora aparecia em <strong>aeroportos internacionais</strong>, no <strong>metrô de Lisboa</strong> e, nos anos <strong>2010</strong>, nas obras da <strong>Copa do Mundo</strong> e das <strong>Olimpíadas</strong>, ambas no Brasil.</p>



<p>A construtora que erguia estádios e usinas, porém, passaria a ser lembrada por outro tipo de palco, mais precisamente nos tribunais da <strong>Lava Jato</strong>. A operação, que durou de <strong>2014 a 2021</strong>, revelou esquemas de <strong>cartel, propina e corrupção</strong> em contratos com a <strong>Petrobras</strong> e em grandes obras de infraestrutura. Executivos foram presos, o presidente da empresa foi condenado e a companhia assinou <strong>acordos de leniência</strong> que a obrigaram a devolver <strong>bilhões de reais</strong> ao Estado. Por alguns anos, a máquina de erguer pontes e hidrelétricas virou sinônimo de escândalo.</p>



<p><strong>Dez anos depois</strong> da operação, o que resta de um gigante quando o chão some sob os pés? No caso da <strong>Andrade Gutierrez</strong>, restou o nome, uma reputação ainda em jogo e uma estratégia de sobrevivência que mistura cortes, desinvestimentos e a promessa de voltar a crescer.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>O império das obras</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="620" height="430" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-9.png" alt="" class="wp-image-1679" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-9.png 620w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-9-300x208.png 300w" sizes="(max-width: 620px) 100vw, 620px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Obras de construção da usina nuclear de Angra 3</em></figcaption></figure>
</div>


<p>A trajetória da <strong>Andrade Gutierrez</strong> resume um Brasil em concreto armado. Da canalização de ruas em <strong>Belo Horizonte</strong> às rodovias que cortam o território nacional, passando pela grandiosidade de <strong>Itaipu</strong> e pela internacionalização no <strong>Congo</strong>, a empresa tem a engenharia pesada como marca registrada.</p>



<p>Ao longo de <strong>sete décadas</strong>, acumulou um portfólio impressionante dentro e fora do Brasil, como a <strong>reurbanização do Vale do Anhangabaú</strong>, <strong>aeroportos em Confins, Quito e Nassau</strong>, o <strong>metrô de Lisboa</strong>, a hidrelétrica de <strong>Belo Monte</strong>, além de uma lista de estádios que incluía o <strong>Maracanã</strong> e a <strong>Arena da Amazônia</strong>. Em cada década, a <strong>Andrade Gutierrez</strong> pareceu cravar a marca em pelo menos uma obra de grande porte no país.</p>



<p>Apesar de ser uma construtora de rodovias, a diversificação ocorreu naturalmente, tornando-se <strong>holding</strong> com braços em energia, saneamento e telecomunicações. Entrou em setores estratégicos, assumiu riscos em concessões e também disputou espaço com gigantes internacionais. No fim dos anos <strong>2000</strong>, a companhia era um conglomerado capaz de influenciar políticas públicas e até sustentar campanhas eleitorais.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Lava Jato: a implosão</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="512" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-11.png" alt="" class="wp-image-1681" style="width:768px;height:auto" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-11.png 768w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-11-300x200.png 300w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption class="wp-element-caption">Reforma do Beira Rio, em Porto Alegre, obra conduzida pela Andrade Gutierrez</figcaption></figure>
</div>


<p>O ciclo de expansão terminou em <strong>2014</strong>, quando a <strong>Lava Jato</strong> revelou o que todos suspeitavam, mas ninguém queria dizer em voz alta: a engenharia brasileira era uma engenharia da propina. A <strong>Andrade Gutierrez</strong> foi acusada de fraudar licitações, participar de cartéis e repassar recursos a políticos.</p>



<p>As delações citaram contratos com a <strong>Petrobras</strong>, repasses por meio de empresas de fachada e irregularidades em obras icônicas, como a <strong>Arena da Amazônia</strong>. O então presidente <strong>Otávio Marques de Azevedo</strong> e outros executivos foram presos. O nome, que antes ilustrava anúncios de inauguração, virou manchete policial.</p>



<p>Em <strong>2016</strong>, a empresa firmou <strong>acordo de leniência</strong> com o <strong>Ministério Público</strong>, comprometendo-se a devolver <strong>R$ 1 bilhão</strong>. Em <strong>2018</strong>, assinou outro com a <strong>Advocacia-Geral da União (AGU)</strong> e a <strong>Controladoria-Geral da União (CGU)</strong>, no valor de <strong>R$ 1,49 bilhão</strong>. O <strong>Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)</strong> também entrou em cena investigando os cartéis. A cada documento assinado, a <strong>Andrade Gutierrez</strong> ganhava tempo para respirar.</p>



<p>A sobrevivência exigiu medidas drásticas, como a <strong>venda de ativos estratégicos</strong>, redução de <strong>30% do quadro de funcionários</strong> e saída da disputa de grandes obras públicas que a haviam consagrado anteriormente. Diferentemente da <strong>Odebrecht</strong>, que tentou se reinventar pós-<strong>Lava Jato</strong> com novo nome, a <strong>Andrade Gutierrez</strong> optou por manter o mesmo.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>A reconstrução</strong></h2>



<p>Entre <strong>2016 e 2020</strong>, o objetivo era apenas seguir viva. O portfólio encolheu, os canteiros de obra se tornaram mais raros e a construtora teve de aprender a viver com a desconfiança do mercado. A cada licitação e negociação pesava o estigma e a lembrança dos escândalos.</p>



<p>Neste período, a <strong>Andrade Gutierrez</strong> vendeu participações na <strong>CCR</strong>, na <strong>Cemig</strong>, na <strong>Light</strong>, na <strong>Oi</strong> e na <strong>Santo Antônio Energia</strong>. Dessa forma, arrecadou <strong>bilhões</strong> para reduzir dívidas e cumprir os acordos de leniência. Era um castigo, através de cortes e desinvestimentos, de um gigante acostumado a erguer concreto que se viu obrigado a desmontar-se para não desmoronar de vez.</p>



<p>Mesmo uma década depois da <strong>Lava Jato</strong>, a <strong>Andrade Gutierrez</strong> segue como uma das maiores empreiteiras do país, atrás apenas da <strong>Odebrecht</strong>. O faturamento de <strong>2023</strong>, por exemplo, chegou a <strong>R$ 3,3 bilhões</strong>, com uma carteira de contratos privados de <strong>R$ 10 bilhões</strong>. A companhia se reinventou como maior construtora de <strong>parques solares</strong> do Brasil e assumiu obras como as <strong>termelétricas do Porto do Açu</strong>, no <strong>Rio de Janeiro</strong>, considerado o maior complexo de usinas a gás natural da <strong>América Latina</strong>, com investimento de <strong>R$ 10 bilhões</strong> até <strong>2025</strong>.</p>



<p>Atualmente, a AG é responsável pela construção de aproximadamente<strong> 6.000 MW </strong>de energia das mais variadas fontes, entre<strong> 2.400 MW </strong>de energia solar, <strong>423MW</strong> de energia eólica, e <strong>3.100 MW</strong> de usinas termelétricas (as duas maiores da América Latina). Nos últimos três anos, a empresa entregou mais de <strong>2,2 mil km </strong>de linhas de transmissão e seis grandes subestações de energia.</p>



<p>Em <strong>2024</strong>, a empreiteira bateu recorde de volume contratado, alcançando <strong>R$ 19 bilhões</strong>, quase o dobro do ano anterior. A diferença é que, agora, a carteira é formada basicamente por <strong>clientes privados</strong>. O futuro parece estar atrelado a concessões, embora a empresa ainda não tenha ativos concretos sob análise.</p>



<p>O fato é que o cenário dos <strong>investimentos privados em infraestrutura</strong> na última década no Brasil somaram <strong>R$ 197 bilhões em 2024</strong>, uma alta de <strong>35%</strong>, favorecendo a estratégia atual da <strong>Andrade Gutierrez</strong>. Além disso, desde <strong>julho de 2024</strong>, a empresa está <strong>reabilitada para prestar serviços para a Petrobras</strong>. Mesmo assim, a companhia que antes ditava o ritmo das grandes obras estatais, agora espera na fila como mais uma concorrente.</p>
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		<title>O Manual de Gestão da WEG</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Sep 2025 03:55:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Bastidores]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Impérios]]></category>
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					<description><![CDATA[No norte de Santa Catarina, a vida gira em torno de fábricas, igrejas luteranas e ruas de paralelepípedo que ainda guardam o sotaque alemão dos imigrantes. É ali, na cidade de Jaraguá do Sul, que nasceu uma das maiores histórias de sucesso industrial do Brasil, contada sem o barulho de jingles publicitários ou frases de [&#8230;]]]></description>
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<p>No <strong>norte de Santa Catarina,</strong> a vida gira em torno de fábricas, igrejas luteranas e ruas de paralelepípedo que ainda guardam o sotaque alemão dos imigrantes. É ali, na cidade de <strong>Jaraguá do Sul</strong>, que nasceu uma das maiores histórias de sucesso industrial do Brasil, contada sem o barulho de jingles publicitários ou frases de efeito de executivos de terno. Enquanto o país se preocupava em discutir <strong>juros altos</strong> e crises políticas em <strong>Brasília</strong>, uma empresa de <strong>motores elétricos, transformadores e tintas</strong> foi se tornando uma das mais valiosas da <strong>Bolsa de Valores</strong>.</p>



<p>Fundada em <strong>1961</strong> pelos amigos <strong>Werner Ricardo Voigt, Eggon João da Silva </strong>e<strong> Geraldo Werninghaus</strong>, a <strong>WEG</strong> carrega, além das letras iniciais de cada um, a marca de sua origem familiar. O trio acreditava que a indústria podia se desenvolver no Brasil com a mesma disciplina encontrada na <strong>Alemanha</strong> e no <strong>Japão,</strong> e apostou em motores elétricos em um país onde a substituição de tecnologias que dependem de combustíveis fósseis por outras que usam eletricidade ainda era promessa. Com o tempo, a modesta oficina se tornou um conglomerado global que fabrica desde tintas industriais até turbinas gigantes para geração de energia.</p>



<p>Em <strong>2025</strong>, a companhia atingiu um <strong>valor de mercado que ultrapassou os R$ 200 bilhões</strong>, deixando para trás gigantes tradicionais como a <strong>Vale</strong>. Ficou atrás apenas da <strong>Petrobras</strong> e do <strong>Itaú</strong> na <strong>B3</strong>, uma façanha para quem produz bens difíceis de explicar em uma mesa de bar. Os acionistas da <strong>WEG</strong> não se preocupam com “a próxima moda da Bolsa” e, talvez, o segredo do negócio seja pensar sempre em <strong>décadas</strong>, nunca em <strong>trimestres</strong>.</p>



<p>O manual da empresa é simples e, ao mesmo tempo, sofisticado. Produzir internamente quase tudo, investir pesado em pesquisa e desenvolvimento, valorizar os funcionários como sócios do resultado e manter o rumo mesmo quando os investidores pressionam por caminhos mais curtos. No lugar de narrativas heróicas, a <strong>WEG</strong> preferiu a discrição de quem trabalha do detalhe do <strong>fio de cobre</strong> ao <strong>verniz</strong> que recobre cada motor.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Uma cultura de donos</strong></h2>



<p>O manual da <strong>WEG</strong> não entra em gráficos de analistas ou relatórios trimestrais. Ele se manifesta na combinação de <strong>disciplina industrial</strong>, <strong>cultura comunitária</strong> e <strong>ambição global</strong>. É uma empresa que se sustenta sem o uso do marketing a qualquer custo, porque seus motores já rodam fábricas no mundo inteiro, muitas vezes sem que o usuário final saiba que há um <strong>DNA catarinense</strong> ali dentro.</p>



<p>Um traço que diferencia a empresa é a política de <strong>participação nos lucros</strong>. Desde os <strong>anos 1990</strong>, os funcionários recebem parte dos resultados, prática que reforça o senso de pertencimento. Em Jaraguá, ser funcionário da <strong>WEG</strong> é sinônimo de <strong>estabilidade</strong> e <strong>prestígio</strong>, e os dividendos extras, no fim do ano, ajudam a consolidar esse vínculo.</p>



<p>Essa cultura de <strong>longo prazo</strong> reflete a mentalidade das <strong>famílias fundadoras</strong>, que nunca se deixaram seduzir por ganhos rápidos. Ao contrário de muitas companhias que anunciam planos grandiosos e logo os abandonam, a <strong>WEG</strong> mantém consistência, reinvestindo, expandindo, integrando, testando, corrigindo. O mercado reclama quando a margem aperta, mas por lá ninguém parece se abalar.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Verticalização virou lema</strong></h2>



<p>Controlar diversas fases da cadeia produtiva, desde a obtenção da matéria-prima até a venda do produto final, é outro lema da <strong>WEG</strong>. Se em outras empresas terceirizar é sinônimo de eficiência, a de Jaraguá do Sul optou pela <strong>verticalização</strong>. Quanto mais etapas dentro de casa, melhor: o <strong>fio de cobre</strong> que atravessa os motores, a <strong>tinta</strong> que reveste os equipamentos e o <strong>verniz</strong> que protege as bobinas, por exemplo. Tudo isso é produzido pela própria companhia.</p>



<p>Em <strong>agosto de 2025</strong>, a <strong>WEG</strong> anunciou <strong>R$ 160 milhões</strong> em investimentos para ampliar a unidade de <strong>Linhares, no Espírito Santo</strong>, onde passará a fabricar internamente fios elétricos para motores, com operação prevista para <strong>2027</strong>. Em paralelo, a companhia também comunicou, um ano antes, um plano de <strong>R$ 670 milhões</strong> ao longo de <strong>cinco anos</strong> destinado à <strong>verticalização</strong> e expansão das fábricas no <strong>Brasil</strong> e no <strong>México</strong>, incluindo unidades em <strong>Itajaí</strong> e <strong>Guaramirim</strong>, em <strong>Santa Catarina</strong>. A estratégia reduz riscos da <strong>cadeia de suprimentos</strong>, evita impactos do <strong>câmbio</strong> e assegura um padrão de <strong>qualidade</strong> uniforme, condição importante para competir em mercados exigentes da <strong>Europa, da Ásia e da América do Norte</strong>.</p>



<p>Neste ano, porém, analistas notaram sinais de <strong>desaceleração</strong> no <strong>crescimento orgânico</strong> e <strong>margens</strong> ligeiramente abaixo do esperado. A pressão dos investidores aumentou a ponto de questionar até onde o modelo pode escalar. O risco do excesso de <strong>verticalização</strong> é transformar a <strong>agilidade</strong> em <strong>rigidez</strong> e a <strong>eficiência</strong> em <strong>custo fixo</strong>.</p>



<p>Ainda assim, a <strong>WEG</strong> parece estar alheia a isso. Enquanto empresas industriais em países emergentes sucumbem a <strong>crises cambiais</strong>, <strong>dívidas em dólar</strong> ou <strong>gestão temerária</strong>, os catarinenses seguem discretos e resilientes, decidindo enfrentar tais momentos com previsibilidade e reinvestindo quando todos hesitam.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Do motor ao amanhã</strong></h2>



<p>A cada ano, <strong>bilhões de reais</strong> são reinvestidos em <strong>pesquisa, desenvolvimento</strong> e <strong>modernização</strong> das plantas industriais. Parte considerável da <strong>receita</strong> é destinada a criar soluções de <strong>automação, geração renovável e mobilidade elétrica</strong>. Sem depender exclusivamente do <strong>mercado interno</strong>, a <strong>WEG</strong> transformou a <strong>inovação</strong> em passaporte, com <strong>mais da metade das receitas</strong> vindo de fora do <strong>Brasil</strong>.</p>



<p>Além de geográfica, essa diversificação também é <strong>tecnológica</strong>. Se o mundo caminha para a <strong>eletrificação</strong>, a <strong>WEG</strong> quer estar na ponta, oferecendo desde equipamentos para <strong>energia solar</strong> até soluções para indústrias que buscam reduzir o <strong>consumo de energia</strong>. Muitas dessas linhas de negócio demoram <strong>anos</strong> para se pagar, mas a companhia aposta na <strong>paciência</strong> e colhe frutos.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Império dos números</strong></h2>



<p>Os relatórios financeiros recentes mostram uma história de consistência. Em <strong>2024</strong>, mais de seis décadas depois da fundação, a <strong>WEG</strong> alcançou uma <strong>receita líquida</strong> próxima de <strong>R$ 38 bilhões</strong> e um <strong>lucro superior a R$ 6 bilhões</strong>. No mesmo período, apesar das <strong>oscilações cambiais</strong> e dos <strong>custos</strong> mais altos, a companhia ampliou as <strong>vendas</strong> e consolidou as <strong>margens</strong> de causar inveja a qualquer multinacional de bens industriais.</p>



<p>Em <strong>2025</strong>, o <strong>valor de mercado</strong> disparou e a empresa chegou a ser a <strong>terceira mais valiosa da B3</strong>. Os números por si só explicam parte do sucesso, mas o que diferencia a <strong>WEG</strong> é o modo de operar, sem alarde e constante.</p>



<p>A lição é que existe <strong>planejamento de décadas</strong>, <strong>investimento contínuo</strong>, <strong>controle da cadeia produtiva</strong> e uma <strong>cultura que valoriza o coletivo</strong>. Em um país no qual a memória industrial é repleta de fracassos e tentativas frustradas, a <strong>WEG</strong> se tornou um <strong>gigante global</strong> construído a partir de uma <strong>cidade do interior</strong> e sustentado por uma <strong>dinastia discreta</strong> que prefere resultados a holofotes.</p>
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		<title>A Maior Loteria Ilegal do Mundo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Sep 2025 03:40:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[Diferentes opções de apostas, 25 animais que correspondem a quatro números cada e um prêmio que varia conforme a chance de acerto. Esse é o Jogo do Bicho, um modelo de jogo bem estruturado que ganhou o Brasil pela expectativa do retorno rápido com baixo investimento e se tornou a maior loteria ilegal do mundo. [&#8230;]]]></description>
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<p>Diferentes opções de apostas, <strong>25 animais</strong> que correspondem a <strong>quatro números cada</strong> e um prêmio que varia conforme a chance de acerto. Esse é o <strong>Jogo do Bicho</strong>, um modelo de jogo bem estruturado que <strong>ganhou o Brasil</strong> pela expectativa do retorno rápido com baixo investimento e se tornou a <strong>maior loteria ilegal do mundo</strong>.</p>



<p>O Jogo do Bicho faz parte da cultura brasileira e movimenta bilhões, apesar de ser classificado como ilegal por meio da <strong>Lei de Contravenções Penais, de 1941</strong>. Em <strong>2024</strong>, o jogo chegou a <strong>R$ 12 bilhões arrecadados</strong> em <strong>mais de 350 mil pontos de venda</strong> espalhados pelo Brasil, de acordo com estimativas do Instituto Brasileiro Jogo Legal (IJL). Para se ter uma ideia da dimensão, a <strong>Caixa Econômica Federal</strong>, por exemplo, tem <strong>12.600 casas lotéricas</strong>, aproximadamente.</p>



<p>Ainda que fora da lei, o contraventor Jogo do Bicho r<strong>apidamente caiu no gosto popular</strong> e se consolidou na confiança e no <strong>modelo capitalista do negócio</strong>. Bem estruturado, o jogo se articulou com setores importantes da sociedade, trouxe para perto quem poderia ser contrário e ajudou bicheiros a formarem <strong>verdadeiras fortunas</strong>. Afinal, o risco de uma pena, que é pequena, compensa todo o lucro.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Do zoológico à cidade</strong></h2>



<p>Dono de um zoológico em <strong>Vila Isabel</strong>, na zona norte do <strong>Rio de Janeiro</strong>, o <strong>barão João Batista Drummond</strong> teve uma brilhante ideia para atrair mais visitantes em <strong>1892</strong>. O lugar exibia animais exóticos e oferecia vistas privilegiadas da Cidade Maravilhosa, mas o público ainda era pequeno. A solução encontrada por ele foi criar uma <strong>rifa ilustrada com os animais</strong>.</p>



<p>Pela manhã, Drummond escolhia <strong>um animal entre 25 possíveis</strong> e guardava a imagem em uma caixa, enquanto os frequentadores compravam bilhetes estampados com cada uma dessas mesmas figuras. No fim do dia, quem tivesse o animal sorteado recebia um prêmio equivalente a <strong>vinte vezes o valor da entrada</strong>, mais do que muitos cariocas ganhavam em um mês naquela época.</p>



<p>A novidade se espalhou rapidamente pelas ruas do Rio e ganhou o nome de “Jogo do Bicho”. Antes restritos ao zoológico, os <strong>bilhetes passaram a circular em armazéns e botequins</strong>. Alguns pontos da <strong>virada do século</strong> também ajudaram neste processo de popularização do jogo, como o crescimento da população urbana, trabalhadores excluídos do mercado formal, dinheiro novo vindo da abolição e da industrialização e uma justiça incapaz de conter a prática. Para muitos, o <strong>mercado ilegal era a única fonte de rend</strong>a.</p>



<p>O Jogo do Bicho segue até hoje como apenas <strong>contravenção</strong>, com uma punição leve de <strong>quatro meses a um ano de prisão</strong>. Pena baixa demais para causar medo nos banqueiros frente aos lucros que sempre compensam o risco.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Negócio da sorte</strong></h2>



<p>O modelo do Jogo do Bicho foi criado para dar lucro, nos <strong>moldes de uma empresa capitalista</strong>, com hierarquia de “patrão, gerente e funcionário”, divisão de funções bem definidas e até sistema de incentivos.</p>



<p>Hierarquicamente, são <strong>três níveis</strong>. Na base, os <strong>anotadores ou bicheiros de rua</strong>, que registram as apostas em bloquinhos carimbados. Acima deles estão os <strong>gerentes</strong>, responsáveis por controlar os anotadores de uma região e organizar o repasse do dinheiro. No topo estão os <strong>banqueiros</strong>, também chamados de bicheiros, a elite financeira que concentra o lucro e dita as regras do negócio como verdadeiros donos. Apesar das denominações diferentes, <strong>os três são comumente referidos como bicheiros</strong>.</p>



<p>Os bicheiros do topo são aqueles que <strong>garantem o pagamento dos prêmios</strong> e <strong>distribuem parte dos lucros</strong> para manter os vendedores motivados, algo parecido com bônus ou participação nos resultados de uma empresa comum.&nbsp;</p>



<p>Como em qualquer empresa, o <strong>risco da quebra da banca</strong> também faz parte do negócio, mas o Jogo do Bicho tem um<strong> sistema precavido</strong> nos moldes parecidos aos de instituições financeiras. Para garantir o pagamento de altos prêmios, surgiu a “descarga”, um tipo de seguro no qual os bicheiros menores repassam parte das apostas para um bicheiro maior, que assume o risco das grandes quantias. É exatamente o que bancos e seguradoras fazem com operações de hedge, contratos de risco e seguros, dividindo perdas para garantir estabilidade.</p>



<p>Com o tempo, esse mercado paralelo<strong> ganhou relações políticas</strong>. Na <strong>ditadura </strong>e, depois, no <strong>período democrático</strong>, os bicheiros passaram a <strong>financiar campanhas de forma ilegal</strong> e a oferecer acesso a comunidades pobres em <strong>troca de proteção</strong>. Assim como grandes empresas buscam apoio institucional, o Jogo do Bicho fez <strong>alianças com autoridades</strong> para se manter ativo até hoje.&nbsp;</p>



<p>Exímios negociantes e pensadores estratégicos, os <strong>bicheiros</strong>, mesmo à margem da lei, acumularam patrimônio, formaram fortuna e <strong>se tornaram influentes</strong> em diversos setores da sociedade.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Reputação em jogo</strong></h2>



<p>Os bicheiros tiveram que <strong>contornar uma questão</strong> assim que o jogo começou a se popularizar. Como gerar confiança e <strong>mostrar lisura no processo</strong> em um jogo de azar que, se der errado, o apostador não pode <strong>nem chamar a polícia</strong>?&nbsp;</p>



<p>Para conquistar a confiança dos jogadores, os bicheiros começaram a <strong>colar os resultados dos sorteios em postes</strong> da cidade, à vista de todos. Mais tarde, adotaram <strong>os números da Loteria Federal</strong> como chancela de “transparência” para uma prática que, na lei, continuava sendo contravenção.</p>



<p>O <strong>pagamento em dia</strong> reforçava a <strong>credibilidade</strong>, o mesmo vale para a <strong>fórmula fixa de multiplicador na aposta</strong>. O apostador sabe de fato, desde o início, quanto pode ganhar, algo difícil em mercados ilegais ou até mesmo legais.</p>



<p>A construção dessa reputação foi além, ao usar o dinheiro do bicho para <strong>financiar atividades culturais</strong>, principalmente as <strong>escolas de samba</strong>. Em <strong>1985</strong>, foram justamente os bicheiros que fizeram parte da <strong>criação da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro</strong>, a Liesa, responsável por profissionalizar e dar autonomia às escolas.&nbsp;</p>



<p>Ao entrarem no <strong>carnaval,</strong> os donos do jogo <strong>ganharam popularidade e status</strong>. Assim, validaram a presença nas comunidades e, de quebra, encontraram um método eficiente de lavar dinheiro.&nbsp;</p>



<p>O jogo também <strong>movimenta a economia local</strong>, gerando empregos para essas comunidades inteiras e impulsionando o turismo carioca, transformando a <strong>Cidade Maravilhosa </strong>em um símbolo nacional.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Legalizar para quê?</strong></h2>



<p>O Jogo do Bicho, as loterias e as bets compartilham o mesmo rótulo. Considerados <strong>jogos de azar</strong>, dependem da sorte e, apesar dos prêmios altos, são uma fonte de renda extra arriscada.</p>



<p>Em <strong>2022</strong>, o Congresso começou a discutir o <strong>Projeto de Lei nº 2.234/202</strong>2, que pretende regulamentar o jogo do bicho, bingos, cassinos, caça-níqueis e apostas on-line. A proposta prevê concessões, fiscalização, cobrança de impostos e medidas de mitigação social. Uma votação estava marcada para<strong> julho de 202</strong>5 no Senado, mas foi adiada sem nova data.</p>



<p>O texto do projeto, que está disponível no site do Senado, cita a <strong>criação da Taxa de Fiscalização de Jogos e Apostas (Tafija)</strong>, que custaria <strong>R$ 20 mil </strong>a cada três meses para operadoras do bicho, e a Cide-Jogos, contribuição de até <strong>17%</strong> sobre a receita bruta, a diferença entre o valor das apostas e prêmios pagos. O apostador também entraria na mira de outro leão, já que os ganhos acima de <strong>R$ 10 mil</strong> teria <strong>20% de Imposto de Renda</strong> descontados.</p>



<p>Em tese, o modelo formaliza um <strong>mercado paralelo</strong>, gera arrecadação e empregos, e enfraquece o crime. Estimativas miram para investimentos na casa dos <strong>R$ 100 bilhões</strong>, a criação de cerca de <strong>1,5 milhão de empregos</strong> e <strong>arrecadação potencial de R$ 22 bilhões/ano.</strong> Na prática, estudos apontam efeitos colaterais, como vício em jogo, endividamento e famílias em situações financeiras complicadas, com prejuízos que podem superar a renda.</p>
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		<title>Família Lorentzen x Votorantim: a batalha pelo controle da Aracruz Celulose</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Sep 2025 03:30:46 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Impérios]]></category>
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					<description><![CDATA[Na virada dos anos 2000, a Aracruz Celulose era o orgulho da indústria brasileira em expansão. Instalado no Espírito Santo, o grupo havia se tornado sinônimo da celulose de fibra curta, obtida a partir do eucalipto, abastecendo gráficas, editoras e fabricantes de papel em diversos continentes. Era também um raro exemplo de poder equilibrado. A [&#8230;]]]></description>
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<p>Na virada dos <strong>anos 2000</strong>, a <strong>Aracruz Celulose</strong> era o orgulho da indústria brasileira em expansão. Instalado no <strong>Espírito Santo</strong>, o grupo havia se tornado sinônimo da <strong>celulose de fibra curta</strong>, obtida a partir do eucalipto, abastecendo gráficas, editoras e fabricantes de papel em diversos continentes. Era também um raro exemplo de poder equilibrado. A família norueguesa <strong>Lorentzen</strong>, o <strong>Grupo Safra</strong>, por meio da <strong>Arainvest</strong>, e a <strong>Votorantim Celulose e Papel (VCP)</strong>, pertencente ao conglomerado da família <strong>Ermírio de Moraes</strong>, formava o trio que dividia o controle quase que em partes iguais.</p>



<p>Embora aparentemente estável, esse modelo de controle compartilhado carregava tensões em potencial. De um lado, os <strong>Lorentzen</strong>, com ligação histórica ao setor de papel e celulose, viam a <strong>Aracruz</strong> como parte de um legado. Do outro, a <strong>Votorantim</strong>, gigante diversificada que enxergava na celulose uma plataforma de expansão global. O <strong>Grupo Safra</strong>, por sua vez, atuava mais como investidor financeiro, mantendo certa distância da gestão cotidiana. Durante alguns anos, o formato funcionou, até que, em <strong>2008</strong>, o cenário econômico internacional fez desmoronar tal estabilidade.</p>



<p>A <strong>crise financeira global</strong> estourou e arrastou junto a <strong>Aracruz</strong>. A companhia havia se exposto a derivativos cambiais que, em tese, deveriam protegê-la da oscilação do dólar. O efeito catastrófico resultou em mais de <strong>US$ 2,1 bilhões</strong> em perdas, fazendo a empresa, até então sólida, entrar em colapso financeiro. Foi nesse momento de fragilidade que a <strong>Votorantim</strong> enxergou a brecha ideal para transformar um terço do poder em controle absoluto, em uma jogada que mudaria o setor de celulose no Brasil.</p>



<p>A operação, conduzida em meio a reuniões tensas, cláusulas contratuais e renúncias de conselheiros, ganhou contornos de uma batalha empresarial. Os <strong>Lorentzen</strong> saíram de cena após décadas de influência, o <strong>Grupo Safra</strong> recolheu os dividendos e a <strong>Votorantim</strong> saiu como vencedora. O desfecho foi a criação da <strong>Fibria</strong>, em <strong>2009</strong>, que depois seria incorporada pela <strong>Suzano</strong> em <strong>2019</strong>, dando origem à maior produtora de celulose do planeta. O que começou como um equilíbrio de forças terminou como um império, construído em meio à crise.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>A jogada de mestre da Votorantim</strong></h2>



<p>A <strong>crise financeira de 2008</strong> atingiu as empresas brasileiras de maneiras diferentes, com um impacto devastador para a<strong> Aracruz</strong>. A companhia havia firmado contratos de derivativos cambiais como proteção contra a volatilidade do dólar. Com a disparada inesperada da moeda americana, porém, esses instrumentos se transformaram em armadilhas financeiras. O prejuízo final superou <strong>US$ 2,1 bilhões</strong>, um golpe difícil de absorver até para uma empresa acostumada a transitar em mercados globais.</p>



<p>A gravidade da situação expôs vulnerabilidades até então inesperadas. Endividada, pressionada por credores e com a imagem arranhada no mercado, a <strong>Aracruz</strong> viu sua posição de barganha enfraquecer. Foi nesse vácuo de poder que a <strong>Votorantim</strong> encontrou a chance perfeita de transformar a participação relevante em controle total. Enquanto os <strong>Lorentzen</strong> se dividiam entre resistir ou vender e o <strong>Grupo Safra</strong> observava, a <strong>VCP</strong> articulava nos bastidores uma ofensiva calculada.</p>



<p>O primeiro passo foi dado em <strong>janeiro de 2009</strong>, com um movimento perfeito no tabuleiro. A <strong>VCP</strong> anunciou a compra da fatia de <strong>28,03%</strong> pertencente ao bloco <strong>Lorentzen</strong> por <strong>R$ 2,71 bilhões</strong>. O pagamento seria feito em parcelas ao longo de dois anos, em parte com financiamento do <strong>BNDES</strong>, por meio da <strong>BNDESPar</strong>. Ao vender a participação, os <strong>Lorentzen</strong> sinalizavam mais do que a saída financeira, indicavam também o fim da influência histórica sobre a companhia.</p>



<p>O movimento tinha ainda uma segunda parte. Os contratos societários da <strong>Aracruz</strong> previam cláusulas de <strong>tag-along</strong>, que é um direito que protege acionistas minoritários em caso de venda do controle da empresa, e <strong>venda conjunta</strong>, caso um acionista vendesse sua fatia, os demais teriam direito de aderir ao mesmo preço e condições. O <strong>Grupo Safra</strong> exerceu esse direito e também se retirou do bloco de controle. Em poucas semanas, a <strong>Votorantim</strong>, que antes era apenas uma das três forças, passava a concentrar quase <strong>84%</strong> das ações ordinárias.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Retirada dos antigos senhores da floresta</strong></h2>



<p>A <strong>mudança de control</strong>e também se traduziu em gestos simbólicos. Conselheiros ligados à família <strong>Lorentzen</strong>, como <strong>Haakon Lorentzen</strong> e <strong>Eliezer Batista</strong>, <strong>renunciaram aos cargos</strong> logo após o anúncio da venda. Era o adeus definitivo de um grupo que havia ajudado a construir a empresa desde os <strong>anos 1970</strong>, transformando plantações de eucalipto no <strong>Espírito Santo</strong> em um império exportador.</p>



<p>O grupo foi pioneiro ao apostar na <strong>celulose de fibra curta</strong>, mais adequada à produção de papéis para imprimir e escrever, e tinha papel decisivo na internacionalização da <strong>Aracruz</strong>. Diante do colapso financeiro de <strong>2008</strong>, no entanto, a <strong>família optou pela retirada</strong>, vendendo o que restava de capital simbólico em troca de liquidez.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Ação sob suspeita</strong></h2>



<p>A velocidade da transação e o momento em que ela ocorreu chamou a atenção dos órgãos reguladores. A <strong>Comissão de Valores Mobiliários (CVM)</strong> abriu o <strong>Processo Administrativo Sancionador nº 25/2010</strong> para investigar suspeitas de uso de informação privilegiada e possíveis falhas na divulgação das negociações. O intuito era saber se alguns acionistas teriam obtido vantagem em meio ao turbilhão da crise, antecipando movimentos do mercado.</p>



<p>As investigações se arrastaram por anos, mas não impediram a consolidação do negócio. Para a <strong>Votorantim</strong>, a polêmica era o preço a pagar pelo controle de um ativo estratégico, enquanto, para os críticos, ficava a sensação de que a vulnerabilidade de uma empresa nacional fora explorada com ajuda indireta do Estado, via <strong>BNDES</strong>. Mais uma vez, a linha entre estratégia empresarial e oportunismo foi colocada em debate.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>O nascimento da Fibria</strong></h2>



<p>No dia <strong>1º de setembro de 2009</strong>, a fusão entre a <strong>Aracruz</strong> e a <strong>VCP</strong> foi concluída, dando origem à <strong>Fibria</strong>, resultado da incorporação da primeira pela segunda. A nova marca simbolizava mais do que um novo arranjo societário, era a criação da <strong>maior produtora mundial de celulose de eucalipto em fibra curta</strong>. A capacidade produtiva superava <strong>6 milhões de toneladas anuais</strong>, consolidando o Brasil como líder global nesse mercado.</p>



<p>O quadro acionário da <strong>Fibria</strong> refletia a engenharia do processo. A <strong>Votorantim Industrial</strong> ficou com <strong>20%</strong>, o <strong>BNDESPar</strong> com cerca de <strong>30,9%</strong>, enquanto minoritários, incluindo ex-acionistas e investidores de mercado, eram donos do restante. Para a <strong>Votorantim</strong>, foi a coroação de uma estratégia de décadas ao transformar uma participação minoritária em domínio absoluto e, com isso, criar uma plataforma de crescimento internacional.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Do domínio à integração na Suzano</strong></h2>



<p>Uma década depois, em <strong>2019</strong>, ocorreu outra ação importante. A <strong>Fibria</strong> foi incorporada pela <strong>Suzano Papel e Celulose</strong>, em um movimento que consolidou a criação da <strong>maior empresa global do setor</strong>. Com operações espalhadas por quatro continentes e mais de <strong>10 milhões de toneladas anuais</strong> de capacidade, a <strong>Suzano-Fibria</strong> passou a ocupar um espaço inédito para uma companhia brasileira.</p>



<p>Esse desfecho marcou também o fim da trajetória independente da <strong>Aracruz</strong>. O nome que simbolizou a ousadia nos <strong>anos 1970 e 80</strong> desapareceu, abafado por um processo de concentração inevitável em um mercado cada vez mais competitivo. Mesmo tendo conquistado o controle, a <strong>Votorantim</strong> acabou vendendo a participação alguns anos depois, diante da consolidação promovida pela <strong>Suzano</strong>.</p>



<p>A <strong>“guerra pela floresta”</strong> foi, em última instância, uma batalha por influência e sobrevivência. Os <strong>Lorentzen</strong> saíram de cena, o <strong>Grupo Safra</strong> recolheu os dividendos e a <strong>Votorantim</strong> conquistou, por um tempo, a posição de maior produtora do mundo. O troféu de campeão, no entanto, ficou com a <strong>Suzano</strong>, que, uma década depois, integrou tudo em um império ainda maior.</p>



<p>No balanço do <strong>primeiro semestre de 2025</strong>, a <strong>Suzano</strong> registrou o <strong>maior faturamento líquido de sua história</strong> para o período. A companhia alcançou <strong>R$ 11,6 bilhões</strong> em vendas, um avanço de <strong>22%</strong> sobre o resultado obtido no <strong>primeiro trimestre de 2024</strong>. O recorde anterior havia sido estabelecido em <strong>2023</strong>, quando a receita líquida chegou a <strong>R$ 11,3 bilhões</strong>.</p>
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		<title>O Brasil Pós-Odebrecht</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Sep 2025 04:29:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Bastidores]]></category>
		<category><![CDATA[Fraudes]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[Construção civil em forte ritmo de alta, obras com cifras bilionárias em execução, grandes projetos voltados para a Copa do Mundo e a Olimpíada e muitas ofertas de trabalho para engenheiros. Esse era o cenário pré-Operação Lava Jato no Brasil. Iniciada em 2014, a operação contou com diversas fases até 2021 e revelou esquemas de [&#8230;]]]></description>
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<p>Construção civil em forte ritmo de alta, obras com cifras bilionárias em execução, grandes projetos voltados para a<strong> Copa do Mundo </strong>e a <strong>Olimpíada</strong> e muitas ofertas de trabalho para engenheiros. Esse era o cenário <strong>pré-Operação Lava Jato no Brasil.</strong></p>



<p>Iniciada em <strong>2014</strong>, a operação contou com diversas fases até <strong>2021</strong> e revelou esquemas de corrupção nas<strong> maiores empreiteiras </strong>do país, desencadeando uma crise no setor de construção civil. Muitas empresas <strong>venderam</strong> <strong>ativos</strong> e outras até pediram <strong>recuperação</strong> <strong>judicial</strong> para se manterem de pé ou, simplesmente, se <strong>reerguerem</strong>.&nbsp;</p>



<p>Enquanto grandes construtoras, como <strong>Odebrecht</strong>, <strong>Andrade</strong> <strong>Gutierrez</strong> e <strong>Camargo</strong> <strong>Corrêa</strong>, que lideravam projetos, licitações e leilões de infraestrutura, usinas, rodovias, terminais e estádios, caíam diante dos escândalos, <strong>outras cresceram em meio à poeira,</strong> ganhando disputas antes dominadas pelo trio.</p>



<p>O fato é que a Lava Jato alterou de maneira significativa o mercado da construção civil no Brasil. <strong>Concessões </strong>e<strong> parcerias público-privadas, </strong>agora, ditam o <strong>novo</strong> <strong>ritmo</strong> do mercado de infraestrutura no país.</p>



<p>Empresas de <strong>médio</strong> e <strong>pequeno</strong> <strong>porte</strong>, por exemplo, precisaram se adaptar para competirem de frente com as <strong>estrangeiras</strong>, que ganham cada vez mais espaço. Dez anos depois da Lava Jato, apenas<strong> seis das 20 maiores empreiteiras brasileiras continuam nesse mesmo ranking,</strong> o que demonstra o impacto da Lava Jato no setor.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>As gigantes em crise</strong></h2>



<p>Era quase impossível imaginar uma licitação sem que uma das três gigantes estivesse, pelo menos, no páreo. Geralmente, estavam entre as vencedoras das grandes obras no Brasil e até mesmo fora. Essa tríade, no entanto, implodiu e levou os principais nomes da construção final à uma verdadeira crise.</p>



<h3 class="wp-block-heading has-text-align-left">Odebrecht</h3>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="613" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-3-1024x613.png" alt="" class="wp-image-1584" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-3-1024x613.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-3-300x179.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-3-768x459.png 768w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-3-240x145.png 240w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-3.png 1170w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
</div>


<p>Fundada em 1944, a <strong>Construtora</strong> <strong>Norberto</strong> <strong>Odebrecht</strong> (CNO), conhecida apenas como Odebrecht por muito tempo, foi o <strong>principal</strong> <strong>alvo</strong> da operação Lava Jato em 2014, com a investigação do pagamento de propina em contratos de obras e serviços para a Petrobras.&nbsp;</p>



<p>A construtora, que chegou a ser uma das<a href="https://bastidoresdopoder.com/como-a-odebrecht-criou-a-maior-maquina-de-corrupcao-do-brasil/" data-type="post" data-id="473"> <strong>maiores empreiteiras de obras públicas e privadas da América Latina,</strong> </a>entrou com pedido de <strong>recuperação</strong> <strong>judicial</strong> após dívidas de mais de <strong>R$ 90 bilhões. </strong>Mudou de nome, passou a se chamar <strong>OEC</strong> e sobreviveu principalmente pela <strong>Braskem</strong>, uma petroquímica da holding <strong>Novonor</strong>, que também controla a construtora.</p>



<h3 class="wp-block-heading has-text-align-left">Andrade Gutierrez</h3>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="565" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-5-1024x565.png" alt="" class="wp-image-1586" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-5-1024x565.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-5-300x166.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-5-768x424.png 768w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-5-1536x848.png 1536w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-5.png 1660w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>A Andrade Gutierrez foi outra empresa que sofreu <strong>forte</strong> <strong>encolhimento</strong> e precisou vender ativos e cortar custos, como a redução de<strong> 30% do quadro de funcionários </strong>à época, para se manter. Tão logo perdeu espaço em grandes obras, perdeu também o porte de antes dos anos 2000.&nbsp;</p>



<p>Diferentemente da Odebrecht, a Andrade Gutierrez, fundada em <strong>1948</strong>, manteve o mesmo nome, mas ainda <strong>tenta</strong> <strong>recuperar</strong> a imagem após escândalos e desvio de dinheiro público escancarados pela Lava Jato.&nbsp;</p>



<h3 class="wp-block-heading has-text-align-left">Camargo Corrêa</h3>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-6.png" alt="" class="wp-image-1587" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-6.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-6-300x200.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-6-768x512.png 768w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>A Camargo Corrêa também saiu do foco ao reduzir a atuação em obras e ao vender alguns dos principais ativos, como o controle da <strong>Alpargatas</strong> para a <strong>J&amp;F,</strong> em 2015, por <strong>R$2,7 bilhões.</strong> Ainda vendeu uma fatia de<strong> 23%</strong> do bloco de controle da <strong>CPFL</strong> <strong>Energia</strong>, avaliado em <strong>R$ 5,85 bilhões</strong>.</p>



<p>Investigada na Lava Jato com acusações de corrupção e pagamento de propina em contratos com a Petrobras, a Camargo Corrêa mudou de nome em 2018 e passou a se chamar <strong>Mover</strong>, para mudar a imagem e se distanciar dos efeitos negativos da Operação.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Os novos vencedores</strong></h2>



<p>Com os grandes fora da corrida, sobrou espaço para novos postulantes ao lugar mais alto do pódio. Empresas <strong>regionais</strong>, de médio porte e <strong>menos expostas a escândalos </strong>diversificaram o portfólio, ampliaram a participação em contatos menores e ganharam mercado da infraestrutura no Brasil. As <strong>empresas estrangeiras</strong> também passaram a participar de forma mais ativa das licitações e obras públicas no país.</p>



<p>A Construtora <strong>Barbosa Mello,</strong> de Minas Gerais, foi uma dessas empresas, ampliando a presença em obras de saneamento, energia e concessões estaduais. Desde 2013, configura como destaque entre as <strong>Melhores e Maiores Empresas do Brasil </strong>da Revista Exame, sendo a <strong>primeira</strong> <strong>colocada</strong> no ranking em produtividade no setor da Indústria e Construção Civil.</p>



<p>Com vários prêmios e reconhecimentos pela inovação, uma solução de engenharia apresentada pela empresa como case revoluciona a execução de obras em áreas críticas, com tecnologias para aumentar a eficiência e eliminar os riscos.</p>



<p>A <strong>Aterpa</strong>, também de Minas Gerais, cresceu em concessões e projetos de infraestrutura urbana e construção pesada, principalmente em <strong>Minas</strong> e no<strong> Centro-Oeste </strong>pós-Lava Jato e, mais recentemente, na região Norte. Em fevereiro de 2025, o Grupo Aterpa venceu o leilão da <strong>Rota Agro Norte,</strong> na BR-364/RO, uma rodovia federal concedida à gestão privada com trecho de <strong>686,7 km</strong> e que compreende mais de 10 municípios em Rondônia, incluindo a capital Porto Velho.</p>



<p>Com visão sustentável, a Aterpa, que faz parte do Grupo Aterpa, utiliza equipamentos 100% elétricos, por exemplo.</p>



<p>As empresas <strong>Acciona</strong> e <strong>Sacyr</strong>, da <strong>Espanha</strong>, além de outras estrangeiras, aproveitaram o espaço deixado pelas gigantes brasileiras em obras públicas, principalmente nas obras de metrô e saneamento. Ao passo que empresas de fora começaram a ganhar espaço, as empresas nacionais foram forçadas a se adaptarem à nova realidade do mercado.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Concessões e PPPs como salvação</strong></h2>



<p>A Lava Jato provocou uma mudança na forma como projetos de infraestrutura são estruturados e contratados no Brasil desde então. Os modelos de concessões e<strong> Parcerias Público-Privadas (PPPs) </strong>foram <strong>propulsores</strong> para novas obras no país, com a perda da capacidade de investimento do setor público.</p>



<p>Nas concessões comuns, <strong>o investimento é privado e a empresa responsável pela obra obtém retorno exclusivamente através de tarifas pagas pelos usuários.</strong> Esse modelo de concessão diminui as possibilidades de imoralidades entre o poder público e o setor privado.</p>



<p>As <strong>PPPs</strong>, por outro lado, contam com <strong>recursos</strong> <strong>públicos</strong> no pagamento de parte do serviço. Isso torna viável projetos nos quais as tarifas pagas pelos dos usuários não custeiam tudo.&nbsp;</p>



<p>Projetos de rodovias, saneamento, metrôs e energia passaram a ser os grandes contratos, abrindo espaço para grupos que<strong> sabiam estruturar e operar concessões. </strong>Assim, grupos estrangeiros, como <strong>Acciona</strong>, <strong>Ferrovial</strong> e <strong>China</strong> <strong>Communications</strong>, passaram a disputar espaço com os brasileiros.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>O novo mapa da infraestrutura</strong></h2>



<p>O protagonismo claramente saiu do trio da Lava Jato e se pulverizou. Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa, cada um à sua maneira,<strong> ainda tentam desvincular a imagem e seguir os negócios.</strong> A Odebrecht, que “retomou” o nome original em 2025 após aprovação do plano de recuperação judicial e redução de dívidas, por exemplo, segue nesta busca e está novamente habilitada a trabalhar para o governo desde 2024.</p>



<p>Atualmente, o mercado é formado por players médios nacionais e estrangeiros que avançaram fundos que entraram em concessões. Empresas como <strong>CCR</strong>, <strong>EcoRodovias</strong>, <strong>Iguá</strong> <strong>Saneamento</strong> e <strong>Aegea</strong> também se fortaleceram, ligando concessões à gestão de infraestrutura.</p>



<p>O setor privado tem liderado os investimentos em infraestrutura, com um recorde de <strong>R$ 260 bilhões</strong> em 2024, com expectativa ainda maiores para 2025, ultrapassando mais de <strong>70% </strong>dos <strong>R$ 277,9 bilhões</strong> totais previstos, impulsionado por leilões de concessão de rodovias e ferrovias.&nbsp;</p>



<p>Apesar dos desafios, o Brasil está em um momento de transformação na infraestrutura, com foco também na modernização e eficiência.&nbsp;</p>
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