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	<title>Falências &#8211; Bastidores do Poder</title>
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	<description>Negócios, Notícias, Análises e Grandes Histórias</description>
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	<title>Falências &#8211; Bastidores do Poder</title>
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		<title>Impérios Falidos e Negócios Bilionários</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Dec 2025 02:50:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Bastidores]]></category>
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					<description><![CDATA[No Brasil, o varejo financeiro deixou de ser um negócio periférico para se tornar o motor silencioso de grandes conglomerados e, pelo caminho, virou também uma bomba-relógio. As duas maiores companhias do setor, Magazine Luiza e Casas Bahia, apostaram alto na combinação de cartões private label, crédito próprio e recebíveis antecipados para sustentar o crescimento. [&#8230;]]]></description>
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<p>No Brasil, <strong>o varejo financeiro</strong> deixou de ser um negócio periférico para se tornar o motor silencioso de grandes conglomerados e, pelo caminho, virou também uma bomba-relógio. As duas maiores companhias do setor, <strong>Magazine Luiza</strong> e <strong>Casas Bahia</strong>, apostaram alto na combinação de <strong>cartões private label</strong>, <strong>crédito próprio</strong> e <strong>recebíveis antecipados</strong> para sustentar o crescimento. Quando o consumo fraquejou, o castelo exibiu as rachaduras.</p>



<p>Nos bastidores, o que parecia uma estratégia moderna, de capturar o cliente pelo crédito, não pela mercadoria, revelou seus custos. A <strong>Carteira de Crédito</strong> cresce mais rápido do que a capacidade de pagamento do consumidor, corroendo margens, elevando provisões e pressionando estruturas já fragilizadas. Em <strong>2023</strong> e <strong>2024</strong>, o quadro se agravou: inadimplência recorde, juros em patamares historicamente elevados e famílias espremidas por dívidas acumuladas.</p>



<p>Enquanto isso, executivos tentam administrar o incêndio sem admitir publicamente o tamanho da ferida. O discurso oficial fala em “<strong>ajustes operacionais</strong>”, “<strong>otimização administrativa</strong>” e “<strong>reposicionamento estratégico</strong>”. Porém, internamente, documentos revelam que parte das operações financeiras virou um sorvedouro de caixa, ironicamente, no braço que deveria sustentar o varejo físico.</p>



<p>O resultado é um setor que, após anos surfando a crença de que o crédito ilimitado sustentaria o varejo popular, agora se vê diante de uma conta que não fecha.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O caso Varig / Smiles</strong></h2>



<p>A falência da <strong>Varig</strong> em <strong>2006</strong> é o exemplo clássico dessa “estratégia-fênix”. A venda da empresa para a “nova Varig” (via leilão judicial) concentrou-se nas rotas e slots e no que parecia apenas mais um programa de milhagem.</p>



<p>Em <strong>20 de julho de 2006</strong>, a Varig foi arrematada por US$ 24 milhões, equivalentes a cerca de <strong>R$ 52,3 milhões</strong> na época. Menos de um ano depois, em <strong>março de 2007</strong>, a Gol Linhas Aéreas comprou a “nova Varig” por <strong>US$ 275 milhões</strong>, em transação que poderia chegar a US$ 320 milhões, dependendo de bônus e assunções, pouco mais do que 10 vezes o valor pago no leilão.</p>



<p>No entanto, o verdadeiro ouro não eram os aviões, as rotas ou os slots, era o programa de fidelidade Smiles. Na abertura de capital da Smiles em <strong>29 de abril de 2013</strong>, a empresa estreou na Bolsa com valor de mercado de <strong>R$ 2,66 bilhões</strong>. Apenas um ano depois, já em 2014, sua capitalização havia subido para cerca de <strong>R$ 5,2 bilhões</strong>. Alguns anos adiante, a Smiles figurava como uma das empresas de milhagem mais valiosas do país, com estimativas que a posicionavam perto de <strong>R$ 10 bilhões</strong>, mais do que muitas companhias aéreas operacionais.</p>



<p>Em outras palavras: a “sucata” da Varig valia mais do que a companhia inteira jamais valeria em voo. Para a Gol, o que importava realmente era o banco de dados de clientes e o potencial financeiro das milhas. A marca original era irrelevante.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O caso Grupo Abril</strong></h2>



<p>Se a Varig exemplificou a extração de um ativo oculto, o destino do <strong>Grupo Abril</strong> é o símbolo do “fatiamento”.</p>



<p>Em 2018, a Abril pedia recuperação judicial com uma dívida estimada em <strong>R$ 1,6 bilhão</strong>. No fim do mesmo ano, o empresário Fábio Carvalho comprou a empresa da família fundadora por um <strong>valor simbólico de R$ 100 mil</strong>, assumindo toda a dívida.</p>



<p>Em seguida, as operações da Abril foram divididas em Unidades Produtivas Isoladas (UPIs). A mais valiosa: a revista Exame, leiloada em <strong>5 de dezembro de 2019</strong> por <strong>R$ 72,3 milhões</strong>, arrematada pelo BTG Pactual.</p>



<p>A sede histórica da editora, na Marginal Tietê, em São Paulo, também saiu a leilão: em 2021, o imóvel foi vendido por cerca de <strong>R$ 118,8 milhões</strong>, um dos ativos físicos mais valiosos do desmonte.</p>



<p>Dessa forma, o que restou da Abril como “empresa central” praticamente desapareceu e os ativos dispersos bem aproveitados por novos controladores.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O caso Gradiente x Apple</strong></h2>



<p>Nem sempre a “sucata” é física ou operativa. Às vezes, é um bilhete de loteria judicial, como no caso da IGB Eletrônica, antiga <strong>Gradiente</strong>.</p>



<p>A Gradiente, que está praticamente inativa desde 2007, obteve em <strong>2000</strong> o direito de registro da marca “iPhone” no Brasil, muito antes do lançamento global do smartphone da Apple. Quando o iPhone tornou-se um sucesso mundial, a Gradiente acionou judicialmente a Apple, em uma disputa que escalou até o Supremo Tribunal Federal (STF). O ativo não era redes, lojas ou produtos, era o direito de uso de uma marca já consagrada.</p>



<p>Na visão do mercado, a Gradiente passou a valer não por sua linha de produção, mas como um “veículo de litígio”. A aposta era em uma vitória judicial que poderia render uma indenização bilionária (a Gradiente já reivindicou <strong>R$ 976,5 milhões</strong> em 2018), o que, para muitos investidores, justificava manter a empresa listada na bolsa, mesmo sem operação.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O caso Oi</strong></h2>



<p>O destino da <strong>Oi</strong> talvez seja o exemplo mais contundente de como a lei de recuperação pode virar instrumento de desmonte.</p>



<p>Em <strong>20 de junho de 2016</strong>, a Oi entrou com o maior pedido de recuperação judicial da história do Brasil, com uma dívida estimada em <strong>R$ 65 bilhões</strong>. A saída foi desmanchar a empresa em partes e vender o que tivesse valor real.</p>



<p>O processo levou anos, com a operação sendo transformada em um “supermercado de ativos”. Parte dos ativos móveis da Oi foi vendida por <strong>R$ 16,5 bilhões</strong> em 2020 para um consórcio formado por Vivo, TIM Brasil e Claro. A norte-americana <strong>Highline</strong> comprou as torres de telefonia móvel por <strong>R$ 1,06 bilhão</strong> e, dois anos depois, levou as torres fixas por mais <strong>R$ 1,7 bilhão</strong>.</p>



<p>Paralelamente, a rede de fibra óptica, pós-reorganização societária e ativos adicionais, formou uma nova empresa avaliada em até <strong>R$ 22,3 bilhões</strong>, levando parte do que sobrou da Oi original.</p>



<p>A “Nova Oi” que emergiu da recuperação era quase uma casca vazia, sem os principais ativos, sem operação móvel significativa. Para credores e concorrentes, o desmonte havia sido eficaz, e para acionistas minoritários, restou fumaça.</p>



<p></p>
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		<title>A Guerra dos Sofás</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Nov 2025 12:55:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Crise]]></category>
		<category><![CDATA[Falências]]></category>
		<category><![CDATA[Impérios]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
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					<description><![CDATA[A Tok&#38;Stok, marca que moldou o design para a classe média-alta, hoje é palco de uma das brigas mais sujas na bolsa brasileira. Depois da fusão com a Mobly, em 2024, nasceu o Grupo Toky (ticker MBLY3), mas os resultados foram desastrosos, com prejuízo de R$ 169 milhões no ano, segundo relatório da própria empresa. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[




<p>A <strong>Tok&amp;Stok</strong>, marca que moldou o design para a classe média-alta, hoje é palco de uma das brigas mais sujas na bolsa brasileira. Depois da fusão com a <strong>Mobly</strong>, em <strong>2024</strong>, nasceu o <strong>Grupo Toky</strong> (ticker MBLY3), mas os resultados foram desastrosos, com prejuízo de <strong>R$ 169 milhões</strong> no ano, segundo relatório da própria empresa.</p>



<p>Enquanto isso, a dívida aumenta. Estimativas citadas no processo falam em níveis próximos a <strong>R$ 700 milhões</strong>. O valor de mercado, por sua vez, despencou para algo entre <strong>R$ 100 milhões</strong> e <strong>R$ 140 milhões</strong>, de acordo com apurações do mercado.</p>



<p>Nesse cenário desolador, os fundadores <strong>Régis</strong> e <strong>Ghislaine Dubrule</strong>, junto a <strong>Paul Jean Marie Dubrule</strong>, viram uma oportunidade de retomar o controle. Em <strong>fevereiro de 2025</strong>, apresentaram uma OPA hostil para adquirir até <strong>100%</strong> das ações ao valor simbólico de <strong>R$ 0,68</strong> por ação, um deságio de <strong>51%</strong> em relação ao preço do dia anterior.</p>



<p>Para viabilizar a oferta, os Dubrule prometeram injetar <strong>R$ 100 milhões</strong> de capital e converter mais <strong>R$ 125 milhões</strong> de créditos que detinham contra a empresa. Mas um dossiê com aproximadamente <strong>41 mil</strong> e-mails, trocados pelos Dubrule, revelou supostos acordos paralelos com os controladores alemães e desencadeou uma guerra aberta.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O império falido e a OPA hostil</strong></h2>



<p>A crise começou quando a <strong>gestora SP</strong>X, que controlava a <strong>Tok&amp;Stok</strong>, vendeu a empresa em <strong>2024</strong> para a Mobly, controlada pelo grupo alemão <strong>Home24/XXXLutz</strong>, criando o Grupo Toky. A fusão deveria criar sinergias, mas a empresa combinada continuou a queimar caixa.</p>



<p>Em fevereiro de <strong>2025</strong>, a família Dubrule, que fundou a Tok&amp;Stok em 1975 e havia perdido o controle para fundos, viu a oportunidade de ouro. Com a empresa valendo uma fração de sua dívida, lançaram uma OPA hostil para comprar <strong>100% das ações</strong>.</p>



<p>O preço ofertado chocou a Faria Lima: <strong>R$ 0,68 por ação</strong>. O valor representava um <strong>desconto de 51%</strong> sobre o preço de tela do dia anterior. Era uma oferta a &#8220;preço de sucata&#8221;, como classificaram os conselheiros, para tomar o controle da empresa no bico do corvo. Os Dubrule prometeram capitalizar a empresa com <strong>R$ 100 milhões </strong>e converter outros <strong>R$ 125 milhões</strong> em créditos que tinham contra a companhia.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O dossiê de 41 mil e-mails</strong></h2>



<p>A administração do Grupo Toky, liderada pelos ex-executivos da Mobly, rejeitou a oferta como “inviável”. Foi então que algo explosivo emergiu. Na unificação dos servidores de e-mail da Mobly e da Tok&amp;Stok, a nova gestão teve acesso a um arquivo com <strong>cerca de 41 mil mensagens</strong> trocadas pelos Dubrule. Segundo relatos, os e-mails revelavam “negociações paralelas” entre os fundadores e os alemães da <strong>Home24</strong>, acionistas do Grupo Toky, com participação de <strong>44,4%</strong>.</p>



<p>A acusação por parte da gestão da Toky foi grave. A tese é de que os Dubrule teriam combinado com a Home24 de que os alemães dariam apoio para a OPA, e, depois, os Dubrule comprariam as ações dos alemães para permitir a saída destes do negócio. Com base nessas mensagens, a administração da Toky levou o caso à <strong>Comissão de Valores Mobiliário (</strong><strong>CVM)</strong>, acusando os fundadores de manipulação de mercado e uso de informação privilegiada.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A defesa: o jogo da “poison pill”</strong></h2>



<p>A OPA proposta pelos Dubrule tinha uma condição: a retirada da cláusula de <em>poison pill</em> do estatuto da companhia. Essa cláusula obriga que qualquer acionista que ultrapasse <strong>20%</strong> do capital lance uma OPA por um preço “justo”, protegendo os minoritários. Os alemães da <strong>Home24</strong>, os principais acionistas, pediram a votação para derrubá-la, o que, para a diretoria da Toky, seria a prova do conluio.</p>



<p>Começou, então, uma disputa feroz por procurações. A administração da Toky mobilizou acionistas minoritários, argumentando que a oferta de <strong>R$ 0,68</strong> era predatória e venceu. Em <strong>30 de abril de 2025</strong>, a assembleia de acionistas rejeitou a proposta de retirada da <em>poison pill</em>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O surrender dos fundadores</strong></h2>



<p>Essa votação foi o xeque-mate. Sem a remoção da <em>poison pill</em>, a OPA simplesmente se tornou inviável. Em <strong>12 de maio de 2025</strong>, a família Dubrule enviou uma carta ao mercado anunciando formalmente a retirada da oferta.</p>



<p>Na carta, os Dubrule culparam as “medidas temerárias adotadas pelos administradores” da Toky, mas, para o mercado, era uma <strong>rendição</strong>. O que começou como uma ofensiva para retomar o controle virou um recuo forçado.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O legado da guerra dos sofás</strong></h2>



<p>A <strong>“guerra dos sofás”</strong> terminou com a Tok&amp;Stok no chão, não apenas como imagem, mas como caso prático de governança corporativa falha. A empresa, que já foi um símbolo de design aspiracional, agora é estudada como exemplo de <strong>destruição de valor</strong>, com dívida muito maior que seu valor de mercado, fundadores e controladores em batalha judicial e um caixa drenado por litígios.</p>



<p>No mundo dos negócios, nem mesmo os fundadores têm imunidade. Neste caso, os Dubrule descobriram que revisitar o passado pode custar muito mais do que ganhar o presente.</p>
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		<title>O Outro Lado da Cerca</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Oct 2025 12:58:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Bastidores]]></category>
		<category><![CDATA[Falências]]></category>
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					<description><![CDATA[Nos bastidores da safra recorde de 350 milhões de toneladas, o agro enfrenta seu pior colapso financeiro em décadas, com 1.272 empresas em recuperação e R$ 15,7 bilhões em dívidas. O agronegócio brasileiro vive uma era de ouro no campo. Segundo o governo, a safra de grãos 2024/25 atingiu 350,2 milhões de toneladas, um recorde [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="is-style-justificado"><em>Nos bastidores da safra recorde de 350 milhões de toneladas, o agro enfrenta seu pior colapso financeiro em décadas, com 1.272 empresas em recuperação e R$ 15,7 bilhões em dívidas.</em></p>



<p class="is-style-justificado">O agronegócio brasileiro vive uma era de ouro no campo. Segundo o governo, a <strong>safra de grãos 2024/25</strong> atingiu <strong>350,2 milhões de toneladas</strong>, um recorde histórico e acima <strong>16,3% </strong>do ciclo anterior. O agro, ao menos nas planilhas do <strong>Produto Interno Bruno (PIB)</strong>, segue “pop” e “tech”. Nos bastidores, no entanto, longe das câmeras e dos comerciais da <strong>Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)</strong>, uma realidade menos fotogênica se impõe, com fóruns de <strong>recuperação judicial</strong> abarrotados.</p>



<p class="is-style-justificado">No primeiro trimestre de <strong>2025</strong>, os pedidos de recuperação no setor rural saltaram <strong>44,6%</strong> em relação ao mesmo período do ano anterior. No segundo trimestre, o aumento foi de <strong>31,7%</strong>. Pela primeira vez, <strong>empresas</strong> superaram <strong>produtores pessoa física</strong> em número de casos com <strong>243 pedidos</strong>, um retrato do colapso no coração corporativo do campo. No total, em <strong>2024</strong> foram registradas <strong>1.272 recuperações judiciais</strong> no agronegócio, mais que o <strong>dobro</strong> do ano anterior.</p>



<p class="is-style-justificado">Os números destoam do imaginário construído em torno do “Brasil que alimenta o mundo”. Enquanto o país celebra safras recorde, <strong>barões do agro</strong> tentam alongar dívidas, renegociar com credores e evitar o colapso de conglomerados bilionários. No Centro-Oeste, por exemplo, não são raros os casos de fazendas recém-mecanizadas sendo ofertadas em leilões judiciais. Nos bancos, executivos que antes disputavam fatias de mercado agora disputam tempo com advogados especializados em reestruturação.</p>



<p class="is-style-justificado">O fenômeno revela uma <strong>crise </strong>que corrói o núcleo do setor mais celebrado da economia brasileira. A crise, neste caso, não se trata de produção, mas de modelo. Um sistema erguido sobre crédito barato, expansão acelerada e margens infladas que não resistiram à combinação de juros altos, queda das commodities e eventos climáticos extremos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A embriaguez do crédito barato</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">Para entender o cenário atual, é preciso voltar aos anos de bonança. Entre <strong>2020 e 2023</strong>, o agronegócio viveu um ciclo de euforia. A demanda global, especialmente da <strong>China</strong>, e a alta do <strong>dólar</strong> impulsionaram os preços das commodities a picos históricos. Ao mesmo tempo, a <strong>Taxa</strong> <strong>Selic a 2%</strong> transformou o crédito em um banquete.</p>



<p class="is-style-justificado">O resultado foi uma <strong>embriaguez de otimismo</strong>. Grupos inteiros decidiram que crescer era sinônimo de endividar-se. O <strong>crédito rural para custeio</strong> disparou <strong>68%</strong> entre as safras <strong>2020/21 e 2023/24</strong>, saltando de <strong>R$ 135 bilhões</strong> para <strong>R$ 226 bilhões</strong>. Compraram fazendas, maquinários, armazéns e apostaram na escala e nas fusões. O endividamento virou o combustível do sucesso, e o sucesso, foi apenas uma questão de tempo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A tempestade perfeita</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">O que veio depois foi a ressaca. Entre o fim de <strong>2023</strong> e o início de <strong>2024</strong>, o cenário virou de forma bem rápida. Três frentes de destruição se formaram ao mesmo tempo, criando o que analistas chamaram de <strong>“tempestade perfeita”</strong>. A primeira foi a <strong>queda das commodities</strong>. O preço da saca de <strong>soja</strong>, que havia flertado com <strong>R$ 200</strong>, despencou para <strong>R$ 120,</strong> e o <strong>milho</strong> seguiu a mesma trajetória. Em regiões como <strong>Sorriso (MT)</strong>, as receitas da soja caíram até <strong>25%</strong> em relação à safra anterior. O lucro evaporou e muitos produtores operaram no <strong>zero a zero</strong>. Os custos de produção, impulsionados por insumos importados, não caíram na mesma proporção.</p>



<p class="is-style-justificado">A segunda frente veio com o <strong>custo do dinheiro</strong>. A <strong>Selic</strong>, que um dia foi de <strong>2%</strong>, estacionou em um patamar alto, transformando o crédito antes farto em um fardo. Dívidas atreladas ao <strong>CDI</strong> explodiram e bancos e fornecedores recuaram, exigindo mais garantias e encurtando prazos.&nbsp;</p>



<p class="is-style-justificado">O <strong>fator climático</strong> completou o desastre. <strong>Secas no Centro-Oeste</strong> e <strong>enchentes históricas no Sul</strong> criaram um mosaico de desastres regionais. Mesmo com a safra nacional recorde, milhares de produtores viram as lavouras desaparecerem. Para quem não tinha <strong>seguro agrícola</strong>, <strong>capital de giro</strong> ou <strong>fôlego financeiro</strong>, a quebra foi imediata. A <strong>inadimplência no crédito rural</strong> saltou para <strong>7,4% em 2024</strong>, o maior índice da década.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Anatomia de um colapso: os gigantes que tombaram</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">A crise não escolheu vítimas, derrubando novatos de capital aberto e velhos patriarcas de fazenda. O caso mais emblemático é o da <strong>AgroGalaxy</strong>, uma criação de <strong>private equity</strong>, nascida para consolidar o varejo de insumos agrícolas e que cresceu à base de aquisições e dívidas. Quando o vento virou, a estrutura de <strong>R$ 4,67 bilhões</strong> colapsou. Em <strong>2024</strong>, pediu recuperação judicial, tornando-se o símbolo de um modelo que confundiu expansão com solidez.</p>



<p class="is-style-justificado">A <strong>Sperafico Agroindustrial</strong>, com <strong>40 anos</strong> de história no <strong>Paraná</strong>, entrou em recuperação judicial com <strong>R$ 1,05 bilhão</strong> em dívidas. O <strong>Grupo Patense</strong>, gigante da nutrição animal, buscou proteção judicial com um passivo de <strong>R$ 2,15 bilhões</strong>. Outros nomes, como o <strong>Montesanto Tavares (R$ 2,13 bilhões)</strong> e o <strong>Safras &amp; Cia (R$ 1,78 bilhão)</strong>, engrossaram a lista.</p>



<p class="is-style-justificado">Somadas, as <strong>dez maiores recuperações judiciais</strong> do agro acumulam um passivo superior a <strong>R$ 15,7 bilhões</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O fim da ilusão</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">A onda de <strong>recuperações judiciais</strong> é o ajuste de contas de uma década de euforia, um balanço tardio de um ciclo que confundiu sorte macroeconômica com <strong>gestão financeira</strong>. O agronegócio brasileiro continua sendo o <strong>motor do PIB</strong>, mas o motor engasgou. As safras seguem recordistas, mas os balanços estão no vermelho. A colheita, desta vez, veio em forma de <strong>planilhas de reestruturação</strong>.</p>



<p class="is-style-justificado">O agro descobriu que <strong>crescimento não é sinônimo de prosperidade</strong> e que <strong>escala sem solvência</strong> é apenas um castelo de grãos sobre areia. O Brasil ainda alimenta o mundo, mas precisa, antes, aprender a alimentar a própria <strong>sustentabilidade financeira</strong>.</p>



<p class="is-style-justificado">A era do crédito fácil e do crescimento a qualquer custo chegou ao fim. O futuro do agro pode continuar “<strong>pop</strong>” e “<strong>tech</strong>”, mas, para sobreviver, terá de ser, acima de tudo, <strong>disciplinado e solvente</strong>.</p>
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		<title>As Cinzas de um Bilionário</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Oct 2025 12:30:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresários]]></category>
		<category><![CDATA[Falências]]></category>
		<category><![CDATA[Fraudes]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[Em 2012, no auge de seu poder, Eike Batista era o sétimo homem mais rico do mundo, um titã de US$ 30 bilhões. Seu Grupo EBX, um conglomerado de petróleo, mineração, energia e logística, encarnava o sonho de um Brasil prestes a se tornar potência global. Um ano depois, o castelo ruiu e protagonizou a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[




<p>Em <strong>2012</strong>, no auge de seu poder, <strong>Eike Batista</strong> era o <strong>sétimo homem mais rico do mundo</strong>, um titã de <strong>US$ 30 bilhões</strong>. Seu <strong>Grupo EBX</strong>, um conglomerado de petróleo, mineração, energia e logística, encarnava o sonho de um Brasil prestes a se tornar potência global. Um ano depois, o castelo ruiu e protagonizou a mais espetacular implosão corporativa da história nacional.&nbsp;</p>



<p>Enquanto a imagem pública de Eike se desfazia em dívidas e processos, a verdadeira história apenas começava. A pergunta que ecoava pela <strong>Faria Lima</strong> não era mais sobre o homem, mas sobre o espólio: <strong>para onde foram os portos, as minas e os campos de petróleo do império?</strong></p>



<p>Três anos após o colapso, o <strong>império EBX</strong> já havia sido inteiramente desmontado. A derrocada de Eike deflagrou uma liquidação “na bacia das almas”, atraindo um novo tipo de poder com <strong>fundos soberanos árabes</strong>, <strong>gestoras de private equity americanas</strong>, <strong>traders suíças</strong> e <strong>investidores brasileiros</strong>.&nbsp;</p>



<p>Por volta de <strong>2016</strong>, Eike Batista assistiu à própria <strong>fortuna encolher para algumas centenas de milhões</strong>, foi preso em <strong>2017</strong> e viu o império X virar matéria-prima para novos impérios, erguidos sobre planilhas. As ruínas de <strong>Eike</strong> foram recicladas por um capital paciente, que viu riqueza onde o antigo dono viu ruína. O ouro, afinal, estava nas cinzas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>OGX: O estopim da crise e a fênix petrolífera de Tanure</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="900" height="600" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-3.png" alt="" class="wp-image-1719" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-3.png 900w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-3-300x200.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-3-768x512.png 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></figure>
</div>


<p><strong><br></strong>A <strong>OGX</strong> foi a joia da coroa e, paradoxalmente, o peso que a afundou. Criada para ser a <strong>Petrobras privada</strong>, terminou como símbolo da ilusão. As reservas se mostraram inviáveis, e a empresa, que um dia valera <strong>dezenas de bilhões de reais</strong>, protagonizou o <strong>maior pedido de recuperação judicial da América Latina</strong>, em <strong>2013</strong>.</p>



<p>Enquanto o mercado via destroços, <strong>Nelson Tanure</strong>, veterano em empresas em apuros, viu oportunidade. Durante a recuperação, a OGX virou <strong>OGPar</strong>, depois <strong>Dommo Energia</strong>. Tanure foi comprando, somando e assumindo o leme.</p>



<p>O golpe de mestre veio via <strong>PetroRio (PRIO)</strong>. Em <strong>2020</strong>, a empresa arrematou o <strong>campo de Tubarão Martelo</strong> por <strong>US$ 140 milhões</strong> e, dois anos depois, incorporou de vez a Dommo. Os custos caíram, a produção subiu e o que era naufrágio se tornou a virada.</p>



<p>Atualmente, a <strong>PRIO</strong> é a <strong>maior petroleira independente do país</strong>, com <strong>70 mil barris/dia</strong> e <strong>R$ 14 bilhões</strong> em faturamento em 2024. O ativo que simbolizou o fracasso de Eike sustenta agora a fortuna de outro bilionário.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>LLX: O porto dos sonhos e a “Compra da Louisiana” da EIG</strong></h3>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="917" height="512" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-4.png" alt="" class="wp-image-1720" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-4.png 917w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-4-300x168.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-4-768x429.png 768w" sizes="(max-width: 917px) 100vw, 917px" /></figure>
</div>


<p>Se a OGX foi o estopim, o <strong>Porto do Açu</strong>, da <strong>LLX</strong>, foi o delírio. Um megacomplexo em <strong>São João da Barra (RJ)</strong>, desenhado para ser o hub logístico do império. Com a implosão, virou o prêmio mais cobiçado.</p>



<p>O fundo americano <strong>EIG Global Energy Partners</strong> se moveu com precisão cirúrgica. Em <strong>outubro de 2013</strong>, pagou <strong>R$ 1,8 bilhão (US$ 520 milhões)</strong> pelo controle. O negócio foi tão vantajoso que os próprios executivos compararam à <strong>“Compra da Louisiana”</strong>, o golpe de sorte histórico dos EUA sobre a França.</p>



<p>A EIG reescreveu o conceito, com o porto deixando de ser cativo do império e passando a ser <strong>multiusuário</strong>. Rebatizado como <strong>Prumo Logística</strong>, o complexo com <strong>90 km²</strong>, maior que <strong>Manhattan</strong>, atraiu <strong>Anglo American</strong>, <strong>BG Group</strong> e uma fila de gigantes.</p>



<p>Atualmente, <strong>30% das exportações de petróleo do Brasil</strong> passam pelo Açu. O “elefante branco” virou <strong>hub de classe mundial</strong>, com uma valorização de outro planeta.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>MMX: O porto que virou ouro para a Mubadala</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="624" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-5-1024x624.png" alt="" class="wp-image-1721" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-5-1024x624.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-5-300x183.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-5-768x468.png 768w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-5-240x145.png 240w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-5.png 1074w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
</div>


<p>A <strong>MMX</strong>, mineradora de Eike, tinha duas pernas: minas em Minas e o <strong>Porto Sudeste</strong>, em Itaguaí (RJ). Com a queda, cada uma seguiu um destino. As minas, em limbo. O porto, a redenção.</p>



<p>O <strong>Mubadala</strong>, fundo soberano de <strong>Abu Dhabi</strong>, e a <strong>Trafigura</strong>, gigante suíça, assumiram o controle em <strong>2013</strong>. Investiram pesado e inauguraram o terminal em <strong>2015</strong>. A capacidade atual é de <strong>50 milhões de toneladas por ano</strong>.&nbsp;</p>



<p>O porto que serviria à MMX passou a servir o mercado e a render muito mais. Para a <strong>Mubadala</strong>, o negócio foi engenharia pura, ao converter <strong>dívida podre</strong> em <strong>ativo sólido</strong>. Um porto nascido da dívida virou uma máquina de caixa.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>MPX: a energia que trocou o “X” pela governança</strong></h3>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="960" height="640" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-6.png" alt="" class="wp-image-1722" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-6.png 960w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-6-300x200.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-6-768x512.png 768w" sizes="(max-width: 960px) 100vw, 960px" /></figure>
</div>


<p>A <strong>MPX</strong>, braço de energia, foi uma das primeiras a sentir o terremoto. Em <strong>2013</strong>, Eike cedeu o controle à alemã <strong>E.ON</strong>. Mesmo assim, a empresa, já rebatizada de <strong>Eneva</strong>, passou por recuperação em <strong>2014</strong>. Foi nesse ponto que <strong>André Esteves (BTG Pactual)</strong> e a <strong>família Moreira Salles (Cambuhy)</strong> entraram em cena.</p>



<p>Com nova governança e injeção de capital, a Eneva mudou de pele. Passou a integrar <strong>produção de gás natural</strong> e <strong>geração elétrica</strong>, em uma lógica industrial que o império X nunca dominou.</p>



<p>Saiu da recuperação, cortou dívida de <strong>4,5x para 2,4x EBITDA</strong> e, em <strong>2023</strong>, já faturava <strong>R$ 10 bilhões</strong>. A antiga MPX, que carregava o “X” de promessa, virou sinônimo de eficiência e capital disciplinado.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong><br>OSX: O estaleiro que virou pó</strong></h3>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="566" height="376" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-7.png" alt="" class="wp-image-1723" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-7.png 566w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/10/image-7-300x199.png 300w" sizes="(max-width: 566px) 100vw, 566px" /></figure>
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<p>Nem tudo o que Eike tocou virou ouro para os sucessores. A <strong>OSX</strong>, criada para fabricar plataformas para a OGX, virou ruína. O estaleiro no <strong>Porto do Açu</strong> parou em 2013 e nunca mais voltou a funcionar. O que sobrou foi uma <strong>cidade fantasma industrial</strong>, um cemitério de estruturas metálicas.</p>



<p>A OSX arrastou-se por uma década em tribunais, acumulando <strong>R$ 500 milhões em dívidas</strong>. Nenhum investidor ousou ressuscitá-la. O estaleiro virou metáfora do sonho que afunda devagar.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>CCX e AUX: carvão, ouro e os despojos menores</strong></h2>



<p>O império de Eike era vasto e disperso. A <strong>CCX</strong>, por exemplo, era dona de minas de carvão na Colômbia e foi vendida ao <strong>Yildirim Group</strong>, da Turquia, por <strong>US$ 125 milhões</strong>. Um desconto de <strong>72%</strong>.</p>



<p>A <strong>AUX</strong>, com minas de ouro também colombianas, foi para a <strong>Mubadala</strong>, depois associada à <strong>Aris Mining</strong>. Valor estimado em <strong>US$ 2,7 bilhões</strong>. Até o <strong>Burger King Brasil</strong> e o <strong>Hotel Glória</strong> foram parar na prateleira dos árabes, em troca de dívidas perdoadas.</p>
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		<title>Como Matar uma Empresa para Salvar seu Valor?</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Sep 2025 03:15:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Falências]]></category>
		<category><![CDATA[Finanças]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>No dia <strong>20 de junho de 2016</strong>, a <strong>Oi</strong> entrou com o <strong>maior pedido de recuperação judicial</strong> da história do Brasil. Eram mais de <strong>R$65 bilhões</strong> em dívidas, espalhadas por bancos, fornecedores, detentores de títulos no exterior, trabalhadores e até órgãos públicos. A cena que se desenhou a partir dali deveria ser a de uma empresa em busca de renascimento, mas foi a de um corpo a ser fatiado com precisão cirúrgica.</p>



<p>A narrativa clássica de <strong>reestruturação</strong>, com corte de custos, renegociação de débitos, preservação de empregos e retomada do crescimento, não se aplicava. O que se mostrou foi um <strong>desmanche corporativo</strong> em escala inédita, no qual advogados, banqueiros e reguladores decidiram que a única forma de salvar algum valor era <strong>desmontar a companhia</strong>, vender pedaços no atacado e entregar o que restasse ao mercado.</p>



<p>A cada leilão, a <strong>Oi</strong> deixava de ser um pouco menos Oi. O serviço móvel foi repassado às rivais, as torres foram para fundos de infraestrutura, a fibra para sócios interessados em explorar a rede e os imóveis para quem pagasse mais. O que ficou foi uma <strong>empresa reduzida ao negócio de fibra óptica</strong> e a uma marca que já deixava o lugar central que teve nas telecomunicações brasileiras.</p>



<p>O processo não salvou a <strong>Oi</strong> como empresa, mas extraiu algo em torno de <strong>R$40 bilhões</strong> em ativos vendidos ao longo de <strong>seis anos</strong>. Para os credores, significou recuperar uma parte do que se perderia em caso de falência, enquanto, para os acionistas minoritários, sobrou poeira. Para o setor de telecomunicações, uma concentração ainda maior de poder nas mãos da <strong>Vivo, da Claro e da TIM</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong><br></strong><strong>Anatomia de uma recuperação judicial</strong></h2>



<p>A recuperação judicial da <strong>Oi</strong> foi aprovada em <strong>dezembro de 2017</strong>, após <strong>meses de disputa com credores</strong>. O plano classificava as dívidas em diferentes categorias e previa a injeção imediata de cerca de <strong>R$4 bilhões</strong> em capital novo. A criação de <strong>Unidades Produtivas Isoladas (UPIs)</strong>, que permitiam vender partes do negócio de forma separada, sem carregar o passivo judicial da companhia, foi o elemento decisivo.</p>



<p>Essa engenharia jurídica foi o instrumento para transformar a <strong>Oi</strong> em um <strong>supermercado de ativos</strong>. Um comprador interessado podia adquirir espectro de telefonia móvel, torres de transmissão, rede de fibra ou imóveis, e não precisava assumir o conjunto da dívida que sufocava a operadora.</p>



<p>O plano também contava com a anuência da <strong>Anatel</strong>, reguladora que era <strong>credora bilionária da empresa</strong>, ao mesmo tempo. Havia o risco de o colapso da <strong>Oi</strong> comprometer a continuidade de serviços públicos essenciais. A solução regulatória foi apoiar as vendas, desde que garantidos os compromissos mínimos de universalização e a manutenção de bens reversíveis, aqueles que voltam ao Estado ao final da concessão.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong><br></strong><strong>O mercado das partes valiosas</strong></h2>



<p>O leilão mais representativo ocorreu em <strong>dezembro de 2020</strong>, quando um consórcio formado por <strong>Vivo, TIM e Claro</strong> arrematou os ativos móveis da <strong>Oi</strong> por <strong>R$15,9 bilhões</strong>. Os <strong>clientes foram redistribuídos entre as três operadoras</strong>, reforçando a concentração do mercado.&nbsp;</p>



<p>Antes disso, no mesmo ano, a norte-americana <strong>Highline</strong> pagou cerca de <strong>R$1,06 bilhão</strong> por torres de telefonia móvel. Dois anos depois, a mesma empresa desembolsou <strong>R$1,7 bilhão</strong> por torres fixas. Em paralelo, o <strong>BTG Pactual</strong>, por meio da <strong>V.tal</strong>, levou a estrutura de fibra óptica da <strong>Oi</strong> em um negócio de <strong>R$5,7 bilhões</strong>. Somados a outras alienações menores, o total superou <strong>R$ 30 bilhões</strong> em vendas de ativos até <strong>2022</strong>.</p>



<p>O desmanche ocorria em praça pública, com martelo batido e comunicados oficiais. O que se resgatava, no fim, era a liquidez imediata, um dinheiro vivo para reduzir a dívida e prolongar a sobrevida da companhia.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>A Nova Oi: sobrevivente ou fantasma?</strong></h2>



<p>Em <strong>dezembro de 2022</strong>, a Justiça encerrou formalmente o processo de recuperação judicial da <strong>Oi</strong>. A dívida, que beirava <strong>R$65 bilhões</strong>, havia caído para cerca de <strong>R$22 bilhões</strong> após renegociações, conversões em ações e o uso do dinheiro das vendas de ativos.</p>



<p>A chamada <strong>Nova Oi</strong> concentrou-se na oferta de fibra óptica e serviços digitais associados. Já não possuía mais operações móveis, nem torres próprias, e contava com uma participação minoritária na <strong>V.tal</strong>, controlada pelo <strong>BTG</strong>. A telefonia fixa, antes o carro-chefe, seguia em <strong>declínio irreversível</strong>.</p>



<p>Do ponto de vista societário, a <strong>Oi</strong> não morreu. Continua listada em bolsa, ainda negocia com credores e investe em redes. A sua escala e relevância no setor, no entanto, não lembram a de uma gigante das telecomunicações. O que restou foi uma empresa de nicho, reduzida, tentando sobreviver em um mercado disputado por operadoras que absorveram suas partes mais valiosas.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong><br></strong><strong>O valor e o vazio</strong></h2>



<p>O caso da <strong>Oi</strong> expõe um dilema no capitalismo brasileiro, quando não há como salvar a empresa, mas há como salvar o valor que ela carrega. A estratégia de desmontá-la foi eficiente para credores institucionais e para concorrentes, mas devastadora para acionistas, trabalhadores e para o ideal de competição no setor.</p>



<p>Ao final, o desmanche da <strong>Oi</strong> foi um espetáculo acompanhado em tempo real por reguladores, fundos de investimento e bancos de varejo. Cada pedaço vendido carregava consigo um <strong>pedaço da história corporativa</strong>. A empresa não se reergueu, o que se resgatou foram suas partes.</p>



<p>Em <strong>2025</strong>, a <strong>Oi</strong> atravessa um momento de contradições deste desmanche corporativo. No <strong>segundo trimestre de 2025</strong>, a empresa reverteu um pequeno lucro do mesmo período de <strong>2024</strong> para registrar um prejuízo líquido de <strong>R$835 milhões</strong>. O <strong>EBITDA</strong> de rotina continuou negativo em <strong>R$91 milhões</strong>, com margem piorando para <strong>−14,3%</strong>. Soma-se a isso uma dívida líquida valorizada em quase <strong>R$10 bilhões</strong>, <strong>50,9%</strong> acima do reportado há um ano.</p>



<p>Na parte regulatória, a <strong>Anatel</strong> sinalizou para a Justiça em <strong>setembro de 2025</strong> que há um cenário de contingência, com garantias financeiras de cerca de <strong>R$ 450 milhões</strong> para <strong>evitar interrupção de serviços essenciais</strong> caso algo pior ocorra, além de preparar um <strong>plano de transição</strong> para assegurar o funcionamento de redes em localidades remotas.</p>



<p>Mesmo tendo sobrevivido como marca e estrutura mínima, a <strong>Oi</strong> segue com operações enfraquecidas, pressões judiciais e regulatórias, desempenho operacional ainda negativo e a dúvida de que se o que restou será suficiente para <strong>evitar a falência de fato</strong> ou postergar o colapso.</p>
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		<title>A Última Aposta de Olacyr de Moraes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Aug 2025 18:57:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresários]]></category>
		<category><![CDATA[Falências]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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<p><strong>SÃO PAULO –</strong> Nos seus últimos anos, aos 80, José Olacyr de Moraes, o homem que um dia foi o maior produtor de soja do planeta, passava os dias debruçado não sobre planilhas de safra, mas sobre mapas geológicos. Longe dos holofotes da Faria Lima e da vastidão de seus antigos campos de soja no Mato Grosso, sua obsessão era outra: decifrar o potencial mineral escondido em terras áridas da Bahia e do Piauí.</p>



<p>Para o mercado, a aposta soava como o último e desesperado lance de um império desmoronado. Para Olacyr, no entanto, era a chance de provar que o faro do desbravador, o mesmo que o fez conquistar o Cerrado, ainda estava vivo. A história de Olacyr de Moraes é a crônica de um dos mais audaciosos e, ao fim, trágicos arcos empresariais do Brasil. É a saga de um homem que ajudou a transformar o país em uma potência agrícola, mas que foi consumido pela própria ambição.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>A Conquista do Cerrad</strong>o</h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="690" height="518" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-10.png" alt="" class="wp-image-1476" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-10.png 690w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-10-300x225.png 300w" sizes="(max-width: 690px) 100vw, 690px" /></figure>
</div>


<p class="has-text-align-center"></p>



<p>A lenda de Olacyr começou nos anos 70, com uma aposta que parecia uma loucura. Enquanto o agronegócio brasileiro se concentrava no Sul e Sudeste, ele decidiu domar o Cerrado de Mato Grosso, uma região de terra considerada ácida e improdutiva. </p>



<p>O resultado foi a <strong>Fazenda Itamaraty</strong>, um projeto de escala faraônica. Com mais de 110 mil hectares, tinha sua própria cidade com infraestrutura para <strong>5 mil habitantes</strong>, incluindo escolas, hospital, onze pistas de pouso e uma gigantesca destilaria de álcool. No auge, nos anos 80, com uma produtividade que assombrou o mundo, Olacyr de Moraes foi coroado pela <strong>Forbes</strong> como o <strong>&#8220;Rei da Soja&#8221;</strong>, tornando-se o mais jovem brasileiro a atingir uma fortuna avaliada em mais de <strong>US$ 1 bilhão</strong>.</p>



<p>Ele não parou na soja, diversificou, com medo da monocultura, ele replicou sua tese no <strong>algodão</strong>, num momento em que a cultura estava devastada no Brasil pela praga do bicudo. Olacyr firmou um convênio com a <strong>Embrapa</strong>, financiando do próprio bolso a pesquisa para uma nova variedade de semente. </p>



<p>O resultado foi a <strong>ITA-90</strong>, uma planta perfeitamente adaptada ao Cerrado e à colheita mecânica. Para criar escala e viabilizar a construção de uma processadora (algodoeira) própria, ele atuou como um <strong>&#8220;mecenas&#8221;</strong>: distribuiu sementes, adubos e defensivos para 15 produtores vizinhos, ensinando-os a plantar e garantindo a compra da produção. Em poucos anos, ajudou a transformar o Brasil de segundo maior importador mundial a grande exportador da pluma.</p>



<p>Com a geração de caixa massiva vinda do campo, o império se diversificou. Olacyr criou o <strong>Banco Itamarati</strong> para financiar suas operações e a <strong>Usinas Itamarati</strong>, que se tornou uma das maiores produtoras de açúcar e etanol do país. No início dos anos 90, ele não era mais apenas um fazendeiro; era o líder de um dos mais poderosos e diversificados conglomerados do Brasil.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>O Peso da Coroa</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="530" height="448" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-11.png" alt="" class="wp-image-1477" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-11.png 530w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-11-300x254.png 300w" sizes="(max-width: 530px) 100vw, 530px" /></figure>
</div>


<p>No auge de seu poder no início dos anos 90, Olacyr de Moraes não estava satisfeito. Ser o Rei da Soja e do Algodão não era o bastante. Com a visão de desenvolver o Brasil, ele decidiu atacar o maior gargalo do agronegócio: a logística.</p>



<p>Seu projeto mais ambicioso, a <strong>ferrovia Ferronorte</strong>, foi concebido para ser a espinha dorsal de um novo corredor de exportação, ligando o coração do Centro-Oeste ao porto de Santos. Era uma obra de infraestrutura de escala nacional, um sonho que o Estado brasileiro não conseguia tirar do papel e que Olacyr, em um ato de extrema audácia, decidiu construir com seu próprio capital.</p>



<p>A Ferronorte, no entanto, se revelou uma aposta grande demais e o projeto se tornou um ralo de capital, drenando mais de US$200 milhões e exigindo um nível de endividamento colossal que em seu auge, chegou a R$3,2 bilhões. Enquanto o império de Olacyr se alavancava para construir os trilhos, o Brasil passava por sua mais profunda transformação econômica: o <strong>Plano Real</strong>.</p>



<p>Lançado em 1994, o plano estabilizou a moeda e pôs um fim abrupto à era da hiperinflação. Para a maioria dos brasileiros, foi um alívio. Para empresários que, como Olacyr, haviam construído impérios em um ambiente de dívidas corroídas pela inflação e ganhos financeiros especulativos, foi um choque de realidade brutal. Com a subida dos juros reais a patamares estratosféricos para defender a nova moeda, a dívida bilionária da Ferronorte, grande parte dela em dólar, tornou-se uma bola de neve impagável.</p>



<p>Pressionado pelos bancos credores, o homem que construiu um império foi forçado a desmantelá-lo, peça por peça, para sobreviver. Começou a dolorosa temporada de desinvestimentos. O <strong>Banco Itamarati</strong> foi vendido para o BCN. As <strong>Usinas Itamarati</strong>, de açúcar e etanol, foram para a Odebrecht. Por fim, no movimento que selou o fim de uma era, Olacyr vendeu a mítica <strong>Fazenda Itamarati </strong>(em 2018 foi comprada pelos Maggi, por R$2,2 bilhões). E assim, o Rei da Soja não era mais dono de seu reino.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>O Último Lance</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="970" height="600" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-12.png" alt="" class="wp-image-1478" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-12.png 970w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-12-300x186.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-12-768x475.png 768w" sizes="(max-width: 970px) 100vw, 970px" /></figure>
</div>


<p>Para o mercado, era o fim da linha, mas para Olacyr, era o começo de seu último ato. Em 2002, fundou a <strong>Itaoeste</strong>, uma modesta empresa de mineração, e voltou às suas origens de desbravador. Aos 80 anos, declarou sua nova ambição: “Quero ser o rei da mineração”. Com um patrimônio estimado em R$100 milhões, ele investiu <strong>US$20 milhões</strong> do próprio bolso em prospecções.</p>



<p>A aposta inicial era em calcário, um insumo agrícola que ele conhecia bem. Mas um golpe de sorte, em 2008, revelou um tesouro inesperado em suas terras na Bahia: reservas de <strong>tálio</strong>, um metal raríssimo que o Brasil sequer produzia. A descoberta acendeu a chama do velho empreendedor. O projeto, batizado de &#8220;Rio de Ondas&#8221;, tinha um potencial de faturamento estimado em <strong>R$100 milhões anuais</strong> apenas com a reserva inicial, o suficiente para competir com os únicos produtores globais, China e Cazaquistão. O portfólio da Itaoeste se expandiu, com alvarás para pesquisar volastonita, tungstênio e, principalmente, <strong>fosfato</strong>, que ele via como a &#8220;nova soja&#8221;.</p>



<p>Mas a complexidade de destravar as licenças e o peso da idade o levaram a buscar um atalho. Olacyr se aproximou de Andrés Firmin Heredia Guzmán, um controverso lobista e ex-senador boliviano que prometia usar seus contatos no governo para acelerar os projetos. Para familiares e funcionários, Guzmán era um aproveitador que se beneficiava de um homem idoso e fragilizado, saindo de reuniões com malas de dinheiro vivo. Para Olacyr, ele era a chave para seu reingresso no clube dos bilionários.</p>



<p>A parceria terminou em tragédia. Em abril de 2014, Guzmán foi assassinado pelo motorista de Olacyr, que trabalhava para a família há 38 anos e confessou o crime, alegando que não aguentava mais ver o patrão ser extorquido. O escândalo explodiu no momento mais frágil da vida do empresário. Aos 83 anos, recuperando-se de uma cirurgia de oito horas para tratar um câncer, Olacyr recebeu a notícia do assassinato e da prisão de seu funcionário fiel. &#8220;Tudo estava na mão dele, indo bem. Como vou fazer agora?&#8221;, lamentou.</p>



<p>Olacyr de Moraes faleceu um ano depois, em 2015. Seu último e audacioso lance, a tentativa de erguer um novo império com as riquezas do subsolo, terminou ofuscado por um drama de lealdade e traição, provando que, em sua vida superlativa, até o fim foi roteirizado pela tragédia.</p>
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		<title>Ezequiel Nasser e o colapso do Banco Excel Econômico</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Apr 2025 21:10:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
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<p><strong>SÃO PAULO —</strong> No auge da década de 1990, o banqueiro Ezequiel Nasser despontava como um dos nomes mais agressivos do mercado financeiro brasileiro. Sobrinho dos lendários Edmond e Joseph Safra, sua carreira começou nos bancos da família Safra. Nasser parecia ter o toque de Midas, em poucos anos, transformou um pequeno banco de investimentos, o Excel, em um dos maiores players financeiros do país, protagonizando uma das aquisições mais comentadas da época: a compra do histórico Banco Econômico.</p>



<p>Mas o que parecia o nascimento de um império bancário terminou em colapso. Dois anos depois, o Excel Econômico foi vendido ao banco espanhol Bilbao Vizcaya por R$1 — e a carreira de Nasser enfrentou sérios problemas legais.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>A fundação do Banco Excel</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="300" height="171" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-3.png" alt="" class="wp-image-989"/></figure>
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<p>Depois de trabalhar nos bancos dos tios, primeiro com Edmond e depois com Joseph Safra, Ezequiel Edmond Nasser decidiu fundar seu próprio banco em 1990. Logo nos primeiros dias, tomou uma decisão que revelava seu perfil agressivo: três dias antes do confisco do Plano Collor, sacou todo o dinheiro que tinha em contas pessoais para comprar, por US$ 7,5 milhões, um prédio na Rua Augusta, em São Paulo, que virou sede do Banco Excel.</p>



<p>O timing foi preciso. O mercado financeiro mergulhava no caos, mas o Excel, recém-criado, começava protegido e com ativos reais. Nos anos seguintes, Nasser construiu um banco focado em crédito corporativo, operações estruturadas e produtos sofisticados para empresas, com lucros crescentes</p>



<p>Em menos de cinco anos, a instituição saiu da condição de boutique financeira paulistana para tornar-se uma referência no mercado com lucros expressivos, o que colocou o Excel durante anos na lista dos três bancos médios mais lucrativos do Brasil.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>A compra do Econômico: ascensão e exposição</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="512" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-4-1024x512.png" alt="" class="wp-image-990" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-4-1024x512.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-4-300x150.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-4-768x384.png 768w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-4.png 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
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<p>Em 1995, o Banco Econômico — uma das instituições financeiras mais tradicionais do Brasil, com sede na Bahia e forte presença no varejo do Nordeste — sofreu intervenção do Banco Central. Os problemas vinham se acumulando há anos, com indícios de balanços maquiados desde 1989, e culminaram em graves questões de solvência.</p>



<p>Ao contrário de outros bancos que acabaram liquidados naquele período, o Econômico foi poupado. Com apoio político de seu controlador, Ângelo Calmon de Sá, e amparo do governo federal, o banco foi incluído no recém-criado Proer — programa lançado no fim de 1995 para evitar um colapso sistêmico. Por meio do Proer, o Banco Econômico recebeu cerca de R$ 6,5 bilhões, mas Calmon de Sá perdeu o controle da instituição. O valor foi usado para cobrir déficits, limpar o balanço e preparar o banco para a venda a um novo controlador.</p>



<p>Foi nesse contexto que, em 1996, Ezequiel Nasser enxergou uma oportunidade de expansão. Com aval do Banco Central, iniciou as negociações para comprar o Econômico e fundir suas operações ao Banco Excel. Nascia assim o Banco Excel Econômico.</p>



<p>Em 12 de abril de 1996, Ezequiel Nasser adquiriu o Banco Econômico pelo preço simbólico de R$ 1​. Na prática, o Excel assumiu todos os ativos e passivos do Econômico (contas correntes, depósitos, agências, funcionários etc.), contando com recursos do PROER para saneamento​ dessas dívidas.</p>



<p>A aquisição deu projeção nacional a Nasser, e transformou o Excel de um banco de um banco médio a uma instituição de varejo com alcance nacional. O novo banco patrocinava clubes de futebol como Corinthians, Botafogo, Vitória e América-MG. O nome Excel Econômico estampava estádios e camisas, e Nasser virava capa das principais revistas de negócios do país — símbolo de uma nova geração de banqueiros que buscava protagonismo em meio à reestruturação do sistema financeiro.</p>



<p>Mas a integração entre os dois bancos logo se mostrou caótica. Os sistemas de tecnologia não conversavam, os passivos do Econômico estavam mal mapeados, e os controles de risco do Excel, pensados para um banco de investimentos ágil, não absorviam a complexidade da operação de varejo herdada do Econômico. Em 1997, o novo banco já exibia sinais claros de desequilíbrio financeiro.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>A auditoria, o contrato e os R$ 500 milhões que viraram R$ 1</strong></h2>



<p>A fusão entre Excel e Econômico já exibia sinais de desgaste, mas o primeiro baque real veio no início de 1998, agravado pela crise asiática de 97, o banco registrou prejuízo de R$ 44 milhões e perdeu R$ 69 milhões do seu patrimônio líquido. A confiança do mercado evaporou e o Banco Central passou a pressionar Nasser a buscar uma solução. A orientação era clara: encontrar um sócio capitalizado ou vender o controle, sob o risco de liquidação.</p>



<p>Foi nesse momento que o Banco Bilbao Vizcaya (BBV), da Espanha, entrou na jogada. Os espanhóis já haviam tentado entrar no Brasil por meio de aquisições frustradas do Banerj, BCN, Noroeste e outros bancos. Agora, com o Excel fragilizado, viram uma brecha.</p>



<p>As negociações foram tensas e duraram apenas 15 dias. Em maio de 1998, com intermediação do Lehman Brothers e assinatura em salas separadas, o contrato foi fechado. O BBV anunciou a compra de 55% do Excel Econômico por R$ 500 milhões. O negócio teve aval do Banco Central e foi amplamente celebrado como mais um marco na internacionalização do sistema bancário brasileiro.</p>



<p>Mas o contrato previa um mecanismo que seria decisivo. O preço final dependia da chamada “due diligence” — uma auditoria que o BBV faria após o fechamento do negócio. Se fossem identificadas perdas relevantes, o valor poderia ser ajustado. Essa cláusula viria a transformar completamente a operação.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>O estouro do rombo</strong></h2>



<p>Após assumir o controle, o BBV contratou a Arthur Andersen para fazer a auditoria. A análise encontrou créditos podres estimados entre R$ 700 e R$ 900 milhões. O banco, segundo os espanhóis, tinha patrimônio líquido negativo. A descoberta fez com que a transação fosse reclassificada: o valor simbólico de R$ 1 foi registrado como preço de compra.</p>



<p>Foi criada uma conta de compensação (“escrow account”) para abrigar os ativos tóxicos. A família Nasser só receberia algo se os créditos fossem recuperados acima de um determinado limite — descrito por fontes da Folha como “ambicioso”. Nasser, segundo relatos da época, não teria recebido nada até hoje.</p>



<p>A mudança no valor do negócio causou uma ruptura total entre as partes. Nasser acusou o BBV e o Banco Central de coação e má-fé. A relação entre as partes se deteriorou de vez.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>As denúncias e o processo criminal</strong></h2>



<p>Em paralelo à disputa contratual, surgiram as acusações do Ministério Público. Ezequiel Nasser e dois executivos do Excel Econômico foram denunciados por gestão temerária, concessão irregular de crédito e formação de quadrilha.</p>



<p>O caso tramitou por anos. Nasser foi condenado em 2006 e, após recursos, sua pena foi convertida para prestação de serviços comunitários. Mas o estrago à sua imagem já estava feito. O banqueiro, que poucos anos antes simbolizava o sucesso financeiro da nova geração, tornava-se exemplo de imprudência e colapso.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>O contra-ataque judicial de Nasser</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="699" height="420" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-7.png" alt="" class="wp-image-993" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-7.png 699w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-7-300x180.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-7-240x145.png 240w" sizes="(max-width: 699px) 100vw, 699px" /></figure>
</div>


<p>Inconformado, Nasser entrou com ação judicial contra o Banco Central e o BBVA. Alegou que foi coagido a vender, que o processo foi conduzido sob pressão política e que o valor simbólico da transação não refletia o contrato original. Segundo ele, haveria créditos fiscais e ativos intangíveis no valor de R$ 459,6 milhões que não foram considerados.</p>



<p>Também sustentava que o Excel Econômico nunca havia recorrido ao PROER, o programa federal de socorro a bancos. Nem mesmo pedira redesconto ao Banco Central. Ou seja, na sua visão, o banco não estava quebrado — apenas havia enfrentado um choque de liquidez temporário por conta da crise asiática.</p>



<p>As ações judiciais se arrastaram por anos, sem decisão definitiva favorável a Nasser.</p>



<p>Depois da venda frustrada, Nasser deixou o Brasil e passou a operar nos Estados Unidos. Criou o Excel Bank, instituição voltada ao crédito e ao private banking, com ativos de cerca de US$ 400 milhões em seu auge. Mas nunca mais buscou exposição pública ou grandes ambições.</p>
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