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	<title>Economia &#8211; Bastidores do Poder</title>
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	<description>Negócios, Notícias, Análises e Grandes Histórias</description>
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	<title>Economia &#8211; Bastidores do Poder</title>
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		<title>A Encruzilhada do Aço</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Nov 2025 12:48:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Bastidores]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
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					<description><![CDATA[Enquanto CSN e Usiminas sofrem com o aço chinês, a Gerdau se apoia em tarifas nos EUA e em sua tese de reciclagem para manter lucros e seguir investindo R$6 bilhões em 2025. A siderurgia brasileira atravessa um momento crítico. Nos primeiros seis meses de 2025, o setor registrou paralisação de altos-fornos na CSN (Companhia [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph"><em>Enquanto CSN e Usiminas sofrem com o aço chinês, a Gerdau se apoia em tarifas nos EUA e em sua tese de reciclagem para manter lucros e seguir investindo R$6 bilhões em 2025.</em></p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">A siderurgia brasileira atravessa um momento crítico. Nos primeiros seis meses de <strong>2025</strong>, o setor registrou paralisação de altos-fornos na <strong>CSN (Companhia Siderúrgica Nacional)</strong> e na <strong>Usiminas</strong>, bem como um ambiente de forte pressão competitiva. A concorrência “desigual” do aço importado da <strong>China</strong> pesa, segundo executivos.</p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">A <strong>China</strong>, que responde por mais da metade da produção mundial de aço, tem inundado o mercado global. No <strong>Brasil</strong>, as importações de chapa e outros tipos de aço aumentaram expressivamente, chegando a crescer mais de <strong>50% em 2024</strong>.</p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">Esse aço chinês entra no mercado brasileiro com preços em média <strong>20% a 30% menores</strong> que o aço nacional, corroendo margens e rentabilidade das gigantes locais.</p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">Em meio a esse panorama, a <strong>Gerdau</strong>, companhia com mais de <strong>124 anos</strong>, se destaca. Enquanto concorrentes debatem retração, a empresa aposta em duas frentes simultâneas: blindagem no mercado norte-americano (no qual as tarifas favorecem o produtor doméstico) e investimento no Brasil em seu diferencial: o “aço verde”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O “play” verde: a Gerdau como recicladora</strong></h2>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">A <strong>Gerdau</strong> não opera como siderúrgica convencional, inteiramente dependente de minério e carvão. A empresa se impõe como a maior recicladora da <strong>América Latina</strong>.</p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">Segundo o <strong>Relatório Anual 2024</strong> da empresa, cerca de <strong>70%</strong> do aço produzido provém de sucata metálica, equivalente a aproximadamente <strong>10 milhões de toneladas por ano</strong>.</p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">Em termos de emissões, a intensidade dos Gases de Efeito Estufa está em <strong>0,85 tCO₂e por tonelada de aço</strong>, praticamente metade da média global de <strong>1,92 tCO₂/t</strong>. A empresa também definiu a meta de chegar a <strong>0,82 tCO₂e/t até 2031</strong> e alcançar a neutralidade de carbono até <strong>2050</strong>.</p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">O plano de investimentos para <strong>2025</strong> foi confirmado em cerca de <strong>R$ 6 bilhões</strong>, contemplando manutenção, competitividade e expansão, inclusive na <strong>América do Norte</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O dilema estratégico: o aço verde x o aço subsidiado</strong></h2>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">No <strong>Brasil</strong>, o “aço verde”, produzido majoritariamente a partir de sucata metálica e fornos elétricos, concorre com o “aço subsidiado” importado da <strong>China</strong> e sofre por isso.</p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">A <strong>Gerdau</strong>, porém, reduziu sua dependência do Brasil. Em <strong>2024</strong>, as operações da <strong>América do Norte</strong> responderam por <strong>47,3% da receita</strong> do grupo, equivalente a cerca de <strong>R$ 31,9 bilhões</strong>. No <strong>2º trimestre de 2025</strong>, a região norte-americana representou <strong>61% do EBITDA</strong> da <strong>Gerdau</strong>.</p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">Nos <strong>EUA</strong>, o ambiente favorece, com o protecionismo sobre o aço importado ajudando produtores locais. A tarifa efetiva sobre aço importado gira em torno de <strong>25% a 50%</strong>, segundo fontes.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A sucessão e a alocação de capital</strong></h2>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">A <strong>5ª geração</strong> da família fundadora (os <strong>Gerdau Johannpeter</strong>: <strong>André</strong>, <strong>Guilherme</strong> e <strong>Cláudio</strong>) fez uma transição discreta: deixaram funções executivas para concentrar-se no <strong>Conselho de Administração</strong>, enquanto a gestão executiva foi entregue a <strong>Gustavo Werneck</strong>, <strong>CEO desde 2018</strong>.</p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">O <strong>CAPEX de R$ 6 bilhões</strong> previsto para <strong>2025</strong> visa manter as operações existentes e dar guias para o próximo ciclo de crescimento. A empresa informa ter aproximadamente <strong>30% de capacidade ociosa nos EUA</strong> e esse espaço pode ser ativado com menor investimento e retorno mais rápido, dado o ambiente tarifário.</p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph"><strong>Werneck</strong> já indicou que a empresa está próxima de tomar a decisão de investir mais nos <strong>EUA</strong> do que no <strong>Brasil</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O aço entre o verde e o vermelho</strong></h2>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">A crise do aço brasileiro expõe um dilema que vai além da siderurgia. O país tenta competir em um tabuleiro global no qual a <strong>China</strong> dita os preços e os <strong>EUA</strong> impõem as barreiras. A <strong>Gerdau</strong>, com o modelo de reciclagem e investimento em baixo carbono, se equilibra entre os pólos “verde”, na estratégia, e “vermelho”, na concorrência.</p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">Enquanto <strong>CSN</strong> e <strong>Usiminas</strong> lutam por espaço em um mercado distorcido, a <strong>Gerdau</strong> avança com uma lição prática: o futuro do aço brasileiro pode depender menos do minério e mais da inteligência com que se reaproveita o que já existe.</p>
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		<title>O Xadrez da Vibra Energia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Nov 2025 10:12:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Disputas Corporativas]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento de Mercado]]></category>
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					<description><![CDATA[Disputa por ativos bilionários, fragilidades financeiras da Cosan, aporte recente do BTG e apetite da Vibra movimentam o maior distribuidor de combustíveis do Brasil. O mercado brasileiro de combustíveis, historicamente concentrado e sujeito à influência direta da Petrobras, entra em mais uma rodada de disputas discretas entre gigantes. No centro está a Vibra Energia, maior [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph"><em>Disputa por ativos bilionários, fragilidades financeiras da Cosan, aporte recente do BTG e apetite da Vibra movimentam o maior distribuidor de combustíveis do Brasil.</em><br></p>



<p class="wp-block-paragraph">O <strong>mercado brasileiro de combustíveis</strong>, historicamente concentrado e sujeito à influência direta da <strong>Petrobras</strong>, entra em mais uma rodada de disputas discretas entre gigantes. No centro está a <strong>Vibra Energia</strong>, maior distribuidora do país, que nasceu como <strong>BR Distribuidora</strong> e era controlada pela estatal até <strong>2019</strong>. Transformada em empresa privada de capital aberto, a Vibra responde por <strong>milhares de postos</strong> espalhados pelo país e busca diversificar as receitas em segmentos como energia renovável, lubrificantes e soluções para o mercado B2B.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do outro lado do tabuleiro está a <strong>Cosan</strong>, um conglomerado multifacetado com operações que vão de <strong>açúcar e etanol</strong> à logística ferroviária, passando pelo gás natural, lubrificantes e distribuição de combustíveis por meio da <strong>Raízen</strong>, um empreendimento em conjunto com a <strong>Shell</strong>. A Cosan administra ainda a <strong>Moove</strong>, companhia que detém a licença da marca <strong>Mobil</strong> no Brasil e que se tornou um <strong>ativo estratégico</strong> com projeção internacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A essa disputa somou-se um terceiro peão, o <strong>BTG Pactual</strong>. O banco de investimentos comandado por <strong>André Esteves</strong> demonstrou interesse em ganhar espaço dentro da Cosan e, em meio aos rumores que agitaram o mercado, finalmente conseguiu após liderar <strong>investimento de R$ 10 bilhões</strong> na empresa e <strong>entrar no controle</strong>. Antes mesmo da efetivação, no dia 20 de setembro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem ganha e quem perde nesse jogo? A possível venda da Moove, o avanço da Vibra sobre novos mercados, o aporte do BTG na Cosan e a sombra do retorno da Petrobras ao varejo de combustíveis formam um xadrez complexo, no qual cada peça é movida com cautela e estratégia.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Moove no centro da disputa</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Braço de lubrificantes da <strong>Cosan</strong>, a <strong>Moove</strong> controla a marca <strong>Mobil</strong> no Brasil e vem expandindo a atuação em mercados internacionais. Trata-se de um <strong>ativo valioso</strong>, com margens relevantes e forte presença no segmento <strong>B2B</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em meados de <strong>2025</strong>, a <strong>Vibra Energia</strong> iniciou conversas para adquirir a totalidade da empresa. O fundo <strong>CVC</strong>, dono de cerca de <strong>30%</strong> da Moove, teria interesse em vender a participação, abrindo espaço para a sondagem. Ainda assim, tanto a Vibra, quanto a Cosan, divulgaram comunicados oficiais afirmando que não há acordo firmado ou compromisso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para analistas de mercado, o eventual negócio traria riscos e oportunidades. A Moove já foi avaliada em múltiplos de <strong>seis a sete vezes o seu Ebitda</strong>, patamar próximo ao que a Cosan buscava em <strong>2024</strong> com a tentativa de se tornar uma empresa de capital aberto e vender ações na bolsa de valores. Se a <strong>Vibra concretizar a aquisição</strong>, ampliaria a verticalização e se tornaria menos dependente da distribuição de combustíveis, mas também aumentaria a alavancagem em um momento de margens pressionadas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>BTG e Cosan: dos rumores à efetivação</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">As especulações sobre a entrada do <strong>BTG</strong> no capital da <strong>Cosan</strong> ganharam força após reportagens apontarem que <strong>André Esteves</strong> poderia se tornar co-controlador do grupo. A versão oficial, até então, desmentia essa possibilidade. Tanto a Cosan, quanto o BTG, afirmaram à <strong>Comissão de Valores Mobiliários (CVM)</strong> no início de <strong>setembro</strong> que <strong>não havia negociação</strong> em curso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Cosan é <strong>dona de ativos estratégicos</strong> e, ao mesmo tempo, sinalizou recentemente a intenção de <strong>rever o portfólio</strong> como parte de uma estratégia de desalavancagem. Em tese, uma associação com um sócio financeiro robusto como o BTG poderia acelerar esse processo. Qualquer mudança no controle, no entanto, geraria custos de governança e poderia alterar o equilíbrio de forças dentro do conglomerado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <strong>silêncio estratégico</strong>, aliado aos comunicados formais para desmentirem quaisquer movimentos, reforçava a impressão de que este era um jogo com várias etapas, com sondagens de bastidores, cálculos de <strong>valuation</strong> e testes de resistência no mercado antes de qualquer avanço.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O jogo ganhou um novo capítulo no dia 20 de setembro. O <strong>BTG liderou um aporte de R$ 10 bilhões</strong> para reestruturar a dívida da <strong>Cosan</strong>. A recente operação coloca o banco BTG como acionista majoritário, mas não no controle.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O aumento de capital serve como reorganização de caixa e como reposicionamento político no tabuleiro de <strong>Rubens Ometto</strong>, o empresário que construiu um império do açúcar, do etanol e dos dutos pela Cosan. Tão logo saiu o anúncio, a empresa apressou-se em dizer que o aporte não vai irrigar a <strong>Raízen</strong>, sua joint venture com a <strong>Shell</strong>. A capitalização da distribuidora de combustíveis ainda depende de negociações separadas com os ingleses. A injeção bilionária, portanto, mira a própria holding, cujo endividamento crescente vinha incomodando acionistas e credores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse movimento coloca lado a lado três atores. De um lado, a <strong>Aguassanta</strong>, o family office de Ometto. Do outro, o <strong>BTG Pactual</strong>, que entra com <strong>R$ 4,5 bilhões</strong>, com boa parte vinda da própria partnership que controla a instituição. E, por fim, a <strong>Perfin</strong>, gestora de <strong>Ralph Rosenberg</strong>, dona de <strong>R$ 13,7 bilhões</strong> sob administração, que aporta <strong>R$ 2 bilhões</strong>. A Aguassanta completa o pacote com <strong>R$ 750 milhões</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O acordo é amarrado por um contrato de acionistas com prazo de <strong>20 anos</strong>. Há cláusulas de <strong>lockup, </strong>que é um período de carência contratual durante o qual acionistas são proibidos de vender as suas ações de uma empresa, de quatro anos para evitar fugas precoces. Na nova organização, Aguassanta, BTG e Perfin passam a deter <strong>55% da Cosan</strong>. O restante, <strong>45%</strong>, segue no free float, disponível para negociação pública no mercado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos novos números,<strong> Ometto mantém 50,01%</strong> e garante o controle da empresa. Tal controle se dilui, mas a chave do cofre ainda tem dono. De toda forma, os novos sócios reforçam estruturas para atravessar a temporada de endividamento pesado sem perder o trono.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Vibra para além das fronteiras</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>Vibra</strong> continua crescendo em áreas tradicionais enquanto avalia novos movimentos. Dados da <strong>Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)</strong> mostram que a empresa ampliou a participação em diesel e etanol, mesmo em um cenário de margens apertadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da possível aquisição da <strong>Moove</strong>, a Vibra fez uma <strong>jogada relevante</strong> ao comprar <strong>50% da Comerc Energia</strong> por cerca de <strong>R$ 3,7 bilhões</strong>, assumindo praticamente todo o controle com direito a voto. Com isso, reforçou a estratégia de diversificação para além dos postos de combustível, mirando o mercado livre de energia e clientes corporativos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>Petrobras</strong>, no entanto, estuda <strong>retomar a presença direta no varejo de combustíveis</strong>, movimento que poderia mudar a dinâmica da concorrência. Apenas os rumores sobre esse retorno já provocaram queda nas ações da <strong>Vibra</strong> em <strong>julho</strong>, evidenciando a sensibilidade do setor a decisões da estatal.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quem ganha, quem perde</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Se a <strong>Vibra</strong> conseguir adquirir a <strong>Moove</strong>, ganhará diversificação e poderá ter margens mais robustas, mas corre o risco de aumentar a dívida em um momento delicado. Já a <strong>Cosan</strong>, ao manter a Moove, preserva um ativo estratégico com relevância internacional. Se optar por vendê-la, reforçaria o caixa e reduziria a alavancagem, mas perderia contribuições.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o <strong>BTG</strong>, a entrada na <strong>Cosan</strong> significa ganhar exposição a um segmento estratégico da economia, com possibilidade de cooperações financeiras e reestruturações. Por outro lado, pode trazer riscos regulatórios e políticos, além de uma maior exposição a um mercado volátil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o setor, movimentos de concentração podem elevar barreiras de entrada e reduzir a competição em nichos específicos. Ao mesmo tempo, a incerteza quanto ao papel da <strong>Petrobras</strong> e as discussões sobre <strong>tributação, biocombustíveis e transição energética,</strong> colocam ainda mais variáveis nesse tabuleiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, o “<strong>xadrez da Vibra</strong>” vai além de uma disputa corporativa. Trata-se de uma <strong>reconfiguração silenciosa</strong> no setor de energia brasileiro, em que cada movimento é feito com cautela. <strong>Moove, Cosan, BTG e Vibra</strong> se movem sob o olhar atento do mercado, dos reguladores e da própria <strong>Petrobras</strong>.</p>
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		<title>O Império dos Portos Privados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Oct 2025 13:44:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
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					<description><![CDATA[De Itaqui a Santos, famílias e fundos controlam concessões que movimentam bilhões. Quem são os donos invisíveis da infraestrutura logística brasileira? Quando se chega ao litoral brasileiro, pouco se vê das engrenagens que movimentam bilhões de toneladas de grãos, minérios, óleo e contêineres. Difícil ver, por exemplo, que por trás de muitos portões de terminais [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>De Itaqui a Santos, famílias e fundos controlam concessões que movimentam bilhões. Quem são os donos invisíveis da infraestrutura logística brasileira?</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando se chega ao litoral brasileiro, pouco se vê das engrenagens que movimentam <strong>bilhões de toneladas</strong> de grãos, minérios, óleo e contêineres. Difícil ver, por exemplo, que por trás de muitos portões de terminais murados, de guindastes e caminhos de trilhos, existe uma teia de poder econômico que envolve <strong>fundos</strong>, <strong>famílias bilionárias</strong> e <strong>empresas multinacionais</strong>, que controla boa parte da infraestrutura logística que sustenta nosso comércio exterior.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <strong>Brasil</strong>, dependente de portos para exportar commodities e importar insumos, viu uma mudança de paradigma. Os <strong>portos públicos</strong>, com administrações estatais ou municipais, cederam espaço para <strong>terminais privados ou semi-privados</strong>, com <strong>contratos longos</strong> e forte presença de <strong>investidores nacionais e estrangeiros</strong>. Quem opera os terminais decide <strong>rotas de exportação</strong>, <strong>marés de emprego</strong>, <strong>investimentos de dragagem</strong>, dragas e vocações logísticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nem sempre os donos desses terminais são nomes conhecidos do grande público. Fundos como <strong>EIG</strong>, <strong>Mubadala</strong>, empresas como <strong>Trafigura</strong>, companhias de commodities e <strong>family offices</strong> como os <strong>Moreira Salles</strong>, por exemplo, estão operando em uma zona na qual o <strong>Estado regula, leiloa, outorga</strong>, mas o <strong>controle privado</strong> define assuntos de logística, tarifas, prazos de contratos e até de política ambiental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Alguns visam <strong>retorno rápido</strong>, outros priorizam o <strong>controle</strong>, alguns são atores antigos do setor de commodities, outros são novatos atraídos pelo <strong>boom dos leilões e das concessões portuárias</strong>. O <strong>império dos portos privados</strong> é realidade no país: está construído, em atividade, rendendo aos acionistas, transformando <strong>paisagens costeiras</strong>, <strong>cidades portuárias</strong> e <strong>cadeias de transporte</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><br></strong><strong>O avanço dos TUPs e a redistribuição do poder</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Com a <strong>Lei dos Portos (Lei nº 12.815/2013)</strong>, o Brasil formalizou instrumentos para permitir que privados operem quase integralmente terminais portuários — os chamados <strong>Terminais de Uso Privado (TUPs)</strong> — sem necessidade de licitação tradicional para cada operação, via outorga direta. Isso <strong>descentralizou decisões</strong>, <strong>acelerou contratos</strong> e abriu espaço para <strong>grandes investidores</strong> entrarem no negócio logístico com escala.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O crescimento recente desse modelo é significativo. Em <strong>2024</strong>, as cargas movimentadas pelos terminais autorizados privados atingiram cerca de <strong>845,98 milhões de toneladas</strong>. Nesse mesmo ano, os <strong>portos públicos</strong> movimentaram <strong>474,4 milhões de toneladas</strong>, e os <strong>privados</strong>, incluindo os TUPs e terminais autorizados, representaram <strong>parcela crescente da movimentação total</strong>, demonstrando que o ponto de inflexão foi ultrapassado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <strong>Estado brasileiro</strong> responde com <strong>leilões</strong>, <strong>arrendamentos</strong> e <strong>concessões</strong>. Um exemplo recente ocorreu em <strong>abril de 2025</strong>, quando <strong>quatro terminais</strong> foram leiloados nos portos do <strong>Rio de Janeiro</strong> e de <strong>Paranaguá</strong>, no <strong>Paraná</strong>, com outorgas que somaram mais de <strong>R$ 2 bilhões</strong>. Foi anunciado também que entre <strong>2023 e 2026</strong> serão realizados mais de <strong>60 leilões</strong> no setor portuário, com estimativa de <strong>R$ 30 bilhões</strong> em investimentos contratados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <strong>leilão</strong>, no entanto, é só uma parte da história. O <strong>critério de escolha</strong>, os <strong>contratos de longo prazo</strong>, os <strong>royalties</strong>, a <strong>estrutura de incentivos fiscais e logísticos</strong>, também entram na rota. Quem participa desses leilões, quem oferece e quem consegue, define os <strong>operadores dos terminais</strong> e quem será o <strong>dono de fatias importantes do comércio exterior</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quem realmente controla os portos?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Nem todos os portos privados pertencem a empresas de logística que nasceram operando portos. Muitos têm origem em <strong>fundos de investimento</strong>, <strong>family offices</strong> ou <strong>joint ventures</strong> entre <strong>gigantes globais</strong> de <strong>commodities</strong> ou de <strong>petróleo e energia</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <strong>Porto do Açu</strong>, no <strong>norte fluminense</strong>, é um dos ativos mais representativos desse novo modelo. A empresa que controla o complexo portuário, a <strong>Prumo Logística</strong>, é dominada por grandes <strong>investidores internacionais</strong>. Desde <strong>2013</strong>, o fundo americano <strong>EIG Global Energy Partners</strong> assumiu o controle da Prumo. Outro acionista relevante, presente em várias operações, é o <strong>fundo soberano Mubadala</strong>, dos <strong>Emirados Árabes</strong>. A Prumo também completou uma <strong>aquisição importante em 2022</strong>, ao comprar os <strong>20%</strong> da alemã <strong>Oiltanking</strong> na subsidiária <strong>Açu Petróleo</strong>, passando a deter <strong>100% do terminal de petróleo</strong> de águas abrigadas da região.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro exemplo é o <strong>Porto Sudeste</strong>, também chamado de <strong>Superporto Sudeste</strong>, construído originalmente pelo grupo <strong>MMX</strong>, de <strong>Eike Batista</strong>, e que atualmente tem controle acionário do empreendimento conjunto com a <strong>Trafigura</strong> — multinacional de comércio de <strong>petróleo, metais e minerais</strong> — e o <strong>Mubadala</strong>. Eles adquiriram essa participação majoritária em <strong>2013-2014</strong>, em um contrato de <strong>US$ 400 milhões</strong> que envolveu <strong>compra de fatias</strong>, <strong>emissão de títulos baseados em royalties</strong>, os chamados <strong>MMXM11</strong>, trocados por outros títulos similares, e <strong>transferência de responsabilidade de dívidas da MMX</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há, ainda, <strong>instrumentos híbridos de participação</strong>, com <strong>royalties mobiliários</strong>, <strong>títulos de remuneração variável</strong>, <strong>participações em ações ou cotas de fundos de investimento</strong>. No caso do Porto Sudeste, por exemplo, os que detinham os títulos <strong>MMXM11</strong> tiveram que lidar com <strong>contratos de permuta</strong> desses títulos por outros equivalentes depois da entrada da <strong>Trafigura</strong> e do <strong>Mubadala</strong> no controle.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas <strong>estruturas de controle</strong> envolvem família ou patrimônio histórico em alguns casos, mas em muitos outros o controle real está com <strong>fundos que preferem permanecer discretos</strong>. A <strong>família Moreira Salles</strong>, citada em muitos debates sobre portos, é <strong>controladora acionária da Prumo</strong>, por meio de participações e de seu <strong>family office</strong>, embora o <strong>fundo EIG</strong> seja o <strong>acionista majoritário de fato</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Lucratividade, risco e dívidas</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Controlar um <strong>porto ou terminal privado</strong> não é garantia de fluxo de caixa limpo e constante, embora os <strong>contratos de longo prazo</strong>, <strong>tarifas reguladas</strong> e <strong>monopólios locais</strong> garantam <strong>margens atraentes</strong>. Há, no entanto, desafios que envolvem <strong>dívida pesada</strong>, <strong>investimento em infraestrutura</strong>, <strong>risco regulatório</strong>, <strong>competição internacional</strong>, <strong>custo ambiental</strong> e <strong>logística terrestre</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <strong>Porto do Açu</strong> exemplifica bem esse dilema. No <strong>primeiro semestre de 2025</strong>, teve <strong>receita de cerca de R$ 950,7 milhões</strong> (<strong>28,9%</strong> maior do que no mesmo período de <strong>2024</strong>), <strong>lucro de R$ 142,7 milhões</strong>, com <strong>movimentação de cargas FOB</strong> (nas quais o vendedor é responsável por entregar o produto no local de embarque designado) de <strong>US$ 2,410 bilhões</strong>, <strong>25% acima</strong> do primeiro semestre de <strong>2024</strong>. Ao mesmo tempo, a <strong>dívida da holding Prumo Logística Global</strong> atingiu <strong>R$ 14,1 bilhões</strong> nesse mesmo período.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O <strong>Porto Sudeste</strong>, por outro lado, operou bem abaixo da <strong>capacidade máxima</strong> em anos recentes. Embora tenha capacidade para movimentar até <strong>50 milhões de toneladas de minério de ferro por ano</strong>, movimentou cerca de <strong>26,1 milhões de toneladas em 2023</strong>. Esse subuso reflete <strong>desafios logísticos</strong> e de <strong>demanda e concorrência</strong> com outros terminais ou rotas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há também os <strong>custos de capital</strong>, com <strong>dragagem</strong>, <strong>manutenção de canais de acesso</strong>, <strong>licenças</strong>, <strong>impactos ambientais</strong>, <strong>medidas compensatórias</strong> e <strong>contratos de arrendamento</strong>, que podem impor <strong>obrigações de investimento</strong> bastante pesadas ao longo de <strong>25 a 35 anos</strong>. Os <strong>contratos para terminais em Paranaguá</strong>, por exemplo, com <strong>35 anos de duração</strong>, impõem o compromisso de <strong>construir berços</strong>, <strong>instalar balanças de fluxo</strong>, <strong>sistemas de transferência</strong>, <strong>torres de despoeiramento</strong>, entre outros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, apesar de poderosos, os fundos como <strong>EIG</strong>, <strong>Mubadala</strong> e <strong>Trafigura</strong> operam em um <strong>ambiente de incertezas</strong>. <strong>Alteração de tarifas</strong>, <strong>pressão por regulação ambiental ou social</strong>, <strong>licitações públicas</strong>, <strong>mobilizações comunitárias</strong>, <strong>obrigações fiscais</strong>, <strong>câmbio</strong>, e <strong>riscos políticos</strong> — como mudança de governo ou de regulação — fazem parte desse cenário.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Santos, Itaqui e os terminais de exportação</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Santos</strong> é o <strong>porto mais conhecido do Brasil</strong>, com <strong>maior movimentação de carga</strong>. Embora ainda haja parte relevante sob <strong>autoridade pública</strong>, muitos <strong>terminais em Santos</strong> já operam em <strong>regime privado ou de concessão privada</strong>. Existe um <strong>movimento de privatização</strong> ou de <strong>outorga para terminais de contêineres em Santos</strong>, como o <strong>TECON</strong>, além de projetos de <strong>expansão da autoridade portuária</strong> e <strong>novos leilões</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Itaqui</strong>, no <strong>Maranhão</strong>, abriga o <strong>terminal da Suzano</strong>, um exemplo de <strong>empresa privada</strong> usando terminais para <strong>exportações de celulose</strong>. Há também outros <strong>terminais privados</strong> em estados do <strong>Norte e Nordeste</strong>, com <strong>forte influência</strong> sobre o <strong>escoamento agrícola</strong>, <strong>mineral</strong> e de <strong>produtos florestais</strong>. Mesmo que as fontes que detalham a participação acionária de Itaqui sejam menos precisas, o padrão geral de <strong>TUPs controlados por empresas de commodities, papel e celulose ou grupos industriais e fundos</strong> se repete.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os <strong>leilões recentes para terminais em Paranaguá (PAR14, PAR15 e PAR25)</strong>, no <strong>Paraná</strong>, mostram a disputa. Quem oferecesse <strong>maior valor de outorga</strong>, quem se comprometesse com <strong>investimentos em infraestrutura</strong> — berços, transporte interno, interligação com ferrovias — e também quem tivesse <strong>capacidade técnica</strong> para operar <strong>grandes volumes de granéis vegetais</strong>, entrava no páreo. Empresas como <strong>Cargill Brasil</strong>, <strong>BTG Pactual</strong> e <strong>consórcios com investidores internacionais</strong> disputaram essas áreas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essas <strong>disputas estratégicas</strong> pensam no <strong>mundo que está por vir</strong>: <strong>aumento da demanda por minério</strong>, <strong>crescimento do agronegócio</strong>, <strong>exportações de petróleo e gás offshore</strong>, <strong>renováveis</strong>, <strong>biocombustíveis</strong>, <strong>cadeias de celulose e papel</strong> e <strong>consumo global de alimentos</strong>. Quem tiver <strong>terminais logísticos mais eficientes</strong>, <strong>modernos</strong>, <strong>bem localizados</strong> e com <strong>acesso ferroviário ou terrestre competitivo</strong> poderá capturar <strong>uma fatia maior desse crescimento</strong>.</p>
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		<title>O Fim da Classe Média?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Oct 2025 03:59:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
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					<description><![CDATA[Uma década de renda estagnada, inflação corrosiva e crédito escasso esvaziou o centro do consumo no país e está destruindo os impérios erguidos sobre ele. A crise mais profunda do capitalismo brasileiro atualmente não é o escândalo contábil da Americanas nem a agonia financeira da Marisa. Esses são apenas sintomas, já que a verdadeira doença, [&#8230;]]]></description>
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<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph"><em>Uma década de renda estagnada, inflação corrosiva e crédito escasso esvaziou o centro do consumo no país e está destruindo os impérios erguidos sobre ele.</em></p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">A crise mais profunda do capitalismo brasileiro atualmente não é o escândalo contábil da <strong>Americanas</strong> nem a agonia financeira da <strong>Marisa</strong>. Esses são apenas sintomas, já que a verdadeira doença, silenciosa e estrutural, é o <strong>desaparecimento do consumidor de classe média tradicional</strong>.</p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">Aquele perfil que frequentava o shopping aos domingos, financiava o carro zero, pagava a faculdade privada dos filhos e parcelava a geladeira em 12 vezes está virando uma espécie em extinção. O “<strong>esvaziamento do meio</strong>” é um terremoto sem alarde que está redesenhando o mapa do consumo no país.</p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">Prensada por uma década de <strong>renda estagnada</strong> e <strong>inflação corrosiva</strong>, a <strong>classe C</strong> viu o poder de compra derreter. O resultado é uma economia bipolar: de um lado, o <strong>ultraluxo floresce</strong>, do outro, o <strong>baixo custo prospera</strong>. No meio, um vácuo e, nele, os impérios erguidos sobre o consumo da classe média desabam, um por um.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A anatomia de uma década perdida</strong></h2>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">O motor que impulsionava o consumo popular travou. Segundo o <strong>IBGE</strong>, o rendimento médio real do trabalho em 2014 era de <strong>R$ 2.974</strong>. Em <strong>2024,</strong> o rendimento médio habitual atingiu <strong>R$ 3.225</strong>, um avanço nominal, mas insuficiente para recompor integralmente o poder de compra perdido ao longo da década.</p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">Em apenas um ano, entre <strong>2020 e 2021</strong>, cerca de <strong>4,9 milhões de pessoas</strong> deixaram a faixa da classe média tradicional e o percentual de brasileiros na faixa intermediária recuou para <strong>47%</strong>, segundo levantamento do Instituto Locomotiva. São sinais de que a classe média deixou de ser a maioria no país.</p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">Com a renda comprimida, vieram os cortes. Pesquisas apontaram que uma parcela significativa cancelou planos de saúde e transferiu filhos da educação privada para a pública. O sonho da ascensão deu lugar à luta para não cair.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O efeito dominó no varejo</strong></h2>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">Nenhum setor sentiu o golpe com tanta força quanto o <strong>varejo tradicional</strong>. As redes que prosperaram com o crediário e o otimismo da classe média viram os castelos ruírem.</p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">A <strong>Lojas Americanas</strong> protagonizou um pedido de recuperação judicial com um passivo declarado na ordem de <strong>R$ 43 bilhões</strong>, um nó financeiro que expôs a fragilidade do modelo baseado em vendas parceladas em massa. A <strong>Marisa</strong>, símbolo da moda popular feminina, reagiu com reestruturação que incluiu fechamento de mais de <strong>90 unidades</strong> e negociação de dívidas de mais de <strong>460 milhões</strong> ao longo de 2023, posteriormente renegociadas.&nbsp;</p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">No segmento de decoração, redes que atuavam fortemente para a classe média também tiveram ajuste brusco de rota. <strong>Tok&amp;Stok</strong> e <strong>Etna</strong> foram dizimadas. A Etna fechou as portas em <strong>2022</strong>, enquanto a Tok&amp;Stok, endividada em <strong>R$ 350 milhões</strong>, escapou por pouco, à custa de fechar <strong>17 lojas</strong> e receber um aporte de emergência.</p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">Nos shoppings, o retrato se repete, com marcas que simbolizavam o consumo aspiracional da classe média, como Riachuelo e Renner, ficando presas entre o varejo ultrabarato importado praticado em plataformas asiáticas e marketplaces (Shein e Shopee) e o nicho premium, e viram margens e tráfego se comprimirem. Dados de 2024 mostram que esses e-commerce corresponderam de 18% a 20% dessa fatia.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O fim do sonho do diploma</strong></h2>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">Outro símbolo do sonho de ascensão, o <strong>ensino superior privado</strong> seguiu o mesmo caminho. Grupos como <strong>Cogna (Anhanguera/Kroton)</strong> e <strong>Estácio</strong>, que cresceram amparados pelo <strong>FIES</strong>, sofrem com a evasão em massa e alta inadimplência.</p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">Em <strong>2020</strong>, <strong>3,78 milhões de estudantes</strong> abandonaram cursos em faculdades particulares. O modelo, dependente do financiamento estudantil e da renda familiar, quebrou.</p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">Depois do auge em <strong>2014</strong>, com <strong>731 mil novos contratos do FIES</strong>, os cortes no programa e a crise econômica transformaram a faculdade em um luxo. A inadimplência disparou, as salas de aula se esvaziaram e o <strong>diploma</strong>, antes passaporte para o futuro, voltou a ser privilégio de poucos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A nova economia bipolar</strong></h2>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">Enquanto o meio afunda, os extremos florescem. O país se dividiu entre o <strong>popular eficiente</strong> e o <strong>luxo resiliente</strong>. Na base, o <strong>atacarejo</strong> viveu um boom. O&nbsp; <strong>Assaí</strong> reportou crescimento expressivo das vendas em 2023, com vendas líquidas e faturamento em alta na casa de <strong>22%,</strong> se comparado a 2022.</p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">No topo, o luxo mostra resiliência mesmo em ano global de desaceleração. Estudos setoriais internacionais observam que, embora o mercado pessoal de luxo global tenha arrefecido em 20</p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">24, a participação dos grandes gastadores e de mercados locais robustos mantém fatias importantes de faturamento. Além disso, as marcas premium no Brasil registraram desempenho sólido nos últimos anos</p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">Marcas como a <strong>Vivara</strong>, que registrou a maior margem bruta de sua história em <strong>2025</strong>, e o grupo <strong>Arezzo&amp;Co</strong>, seguem expandindo, impulsionadas por uma elite cuja renda, ao contrário do resto, aumentou.</p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo, plataformas digitais e marketplaces internacionais exerceram pressão competitiva sobre as cadeias de moda e bens duráveis, capturando fatias relevantes do comércio eletrônico brasileiro, um fator adicional que comprimiu margens dos varejistas de médio porte.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O desafio de sobreviver no vácuo</strong></h2>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">O “<strong>esvaziamento do meio</strong>” não é uma fase, é uma <strong>reconfiguração estrutural</strong> da economia brasileira. Impérios erguidos sobre o consumo aspiracional da classe média estão descobrindo que seu público sumiu. Nesse abismo, se perderam shoppings, faculdades privadas e marcas que acreditaram que o meio ainda existia. O centro econômico do país foi engolido e ninguém ainda construiu nada no lugar.</p>



<p class="is-style-justificado wp-block-paragraph">Ficar no meio do caminho virou um mau negócio. O mercado exige extremos, com <strong>escala e eficiência</strong> no varejo popular ou <strong>sofisticação e exclusividade</strong> no topo. No vácuo que resta, ergue-se o retrato de uma década: vitrines fechadas, salas vazias e a lembrança de um tempo em que a classe média ainda parecia eterna. Quem insistir em habitar esse vácuo corre o risco de desaparecer com ele.&nbsp;</p>
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		<title>Paul Singer: O Magnata dos Fundos Abutres e a Disputa Bilionária com a Argentina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Mar 2025 21:44:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[NOVA YORK / BUENOS AIRES — No mundo dos investimentos, poucos nomes despertam tanta polêmica quanto Paul Singer. Para alguns, ele é um gênio das finanças, um investidor meticuloso capaz de encontrar valor onde ninguém mais vê. Para outros, é um especulador implacável, um operador de bastidores que enriquece explorando as fragilidades de economias instáveis. [&#8230;]]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>NOVA YORK / BUENOS AIRES —</strong> No mundo dos investimentos, poucos nomes despertam tanta polêmica quanto <strong>Paul Singer</strong>. Para alguns, ele é um <strong>gênio das finanças</strong>, um investidor meticuloso capaz de encontrar valor onde ninguém mais vê. Para outros, é um <strong>especulador implacável</strong>, um operador de bastidores que enriquece explorando as fragilidades de economias instáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O caso mais emblemático de sua carreira foi a batalha de mais de <strong>15 anos contra a Argentina</strong>, um país que, após uma das maiores crises econômicas de sua história, se tornou alvo do fundo de Singer, o <strong>Elliott Management</strong>. O investidor comprou títulos da dívida argentina <strong>a preço de liquidação</strong> e, ao contrário de outros credores que aceitaram um acordo com o governo para receber uma fração do valor original, <strong>ele decidiu levar a disputa até as últimas consequências</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O embate transformou Singer em uma figura odiada na Argentina e um dos mais temidos investidores do planeta. Com a ajuda de um <strong>exército de advogados</strong>, manobras judiciais em tribunais internacionais e uma estratégia de pressão financeira sem precedentes, o bilionário conseguiu bloquear ativos do governo argentino e até <strong>confiscar um navio de guerra do país</strong>. No fim, sua aposta bilionária deu certo: em 2016, após uma longa negociação com o governo de Mauricio Macri, o fundo de Singer recebeu <strong>US$2,4 bilhões</strong> — um retorno de mais de <strong>1.600% sobre o valor investido</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas como um investidor americano conseguiu dobrar um país inteiro e fazer fortuna com sua crise econômica? Para entender essa história, é preciso voltar no tempo e relembrar o colapso da economia argentina no início dos anos 2000.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O colapso da Argentina e a aposta de Paul Singer</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Nos anos 1990, a Argentina adotou um <strong>modelo econômico agressivo</strong>, atrelando sua moeda ao dólar para conter a hiperinflação e atraindo investimentos externos. O país se endividou rapidamente, apostando que o crescimento sustentaria suas obrigações. Mas quando a economia global desacelerou e os juros americanos subiram, a Argentina se viu encurralada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sem dinheiro para pagar sua dívida externa, o país <strong>decretou a moratória em 2001</strong>, suspendendo pagamentos sobre <strong>US$ 132 bilhões em títulos soberanos</strong> — na época, o <strong>maior calote da história</strong>. O governo peronista de Néstor Kirchner negociou um acordo com os credores, oferecendo-lhes <strong>uma reestruturação da dívida</strong>, onde receberiam cerca de <strong>30% do valor original</strong> dos títulos. <strong>92% dos investidores aceitaram</strong>, mas alguns, incluindo Paul Singer, <strong>se recusaram a participar do acordo</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre <strong>2001</strong> e <strong>2003</strong>, o Elliott comprou cerca de <strong>US$600 milhões</strong> em títulos argentinos por valores que variavam entre 20 e 30 centavos por dólar, ou seja, pagou cerca de US$150 milhões para ter o diretio de receber US$600 milhões.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A guerra nos tribunais: bloqueios, embargos e o confisco de um navio de guerra</strong></h2>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/03/image-25.png" alt="" class="wp-image-903" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/03/image-25.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/03/image-25-300x169.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/03/image-25-768x432.png 768w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Fragata ARA Libertad</strong>,</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">A estratégia jurídica do <strong>Elliott Management</strong> foi meticulosamente calculada. Singer processou a Argentina em tribunais de Nova York, argumentando que o país não poderia continuar pagando os credores que aceitaram o acordo enquanto ainda devia dinheiro a ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A aposta deu certo. Em <strong>2012, um juiz americano bloqueou pagamentos da Argentina a credores que haviam aceitado a reestruturação da dívida</strong>, criando um impasse financeiro. Se o governo argentino seguisse adiante com os pagamentos, violaria decisões judiciais e poderia enfrentar punições severas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas Singer não parou por aí. Em um dos episódios mais surpreendentes da disputa, seu fundo <strong>conseguiu apreender um navio da Marinha argentina</strong>. O <strong>fragata ARA Libertad</strong>, um dos símbolos da força naval do país, foi apreendido em Gana, na África, sob ordens de tribunais internacionais que atendiam aos pedidos de credores como Singer. O episódio foi um golpe simbólico devastador para a Argentina e um claro aviso de que o investidor estava disposto a levar a disputa até o limite.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O governo argentino reagiu chamando Singer de <strong>“terrorista financeiro”</strong> e mobilizando aliados internacionais para pressionar os tribunais. Mas a cada nova tentativa de negociar, Singer mantinha sua posição: <strong>ou o país pagava o valor integral, ou enfrentaria bloqueios e retaliações econômicas sem fim</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O acordo bilionário e a vitória de Singer</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A situação mudou em <strong>2015</strong>, quando Mauricio Macri assumiu a presidência da Argentina e adotou uma abordagem pragmática. Diferente dos governos peronistas anteriores, Macri sabia que <strong>o país precisava voltar ao mercado financeiro global</strong> e encerrar a disputa com os fundos abutres era essencial para restaurar a confiança dos investidores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois de meses de negociação, um acordo foi fechado. Em <strong>fevereiro de 2016</strong>, a Argentina concordou em pagar <strong>US$4,6 bilhões aos credores que haviam rejeitado a reestruturação da dívida</strong>, sendo <strong>US$2,4 bilhões apenas para Paul Singer e seu fundo</strong>. O montante representava <strong>cerca de 1.600% de retorno sobre o valor investido</strong>, tornando essa uma das apostas mais lucrativas da história de Wall Street.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A vitória consolidou Singer como um dos investidores mais implacáveis do mercado. Seu modelo de negócios, baseado na compra de dívidas de <strong>países quebrados</strong> para depois litigá-las até obter pagamento total, já havia sido utilizado antes na <strong>Peru, Congo e Equador</strong>, mas o caso argentino foi o mais emblemático.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>As consequências para a Argentina e a reputação de Singer</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A decisão de Macri de ceder à pressão dos credores foi vista como um mal necessário por alguns e como uma rendição vergonhosa por outros. A Argentina voltou ao mercado internacional de crédito, mas o acordo estabeleceu um perigoso precedente: <strong>outros países endividados poderiam enfrentar o mesmo tipo de assédio por parte de fundos abutres no futuro</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já Singer, apesar das críticas, continuou expandindo seus investimentos e ampliando a influência do Elliott Management. Seu fundo gerencia mais de <strong>US$ 60 bilhões em ativos</strong> e segue operando agressivamente nos mercados globais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora muitos o enxerguem como um <strong>símbolo do capitalismo predatório</strong>, há quem o admire por sua frieza e disciplina. Afinal, ele não quebrou nenhuma lei — apenas <strong>soube explorar as falhas do sistema financeiro internacional</strong> de maneira brutalmente eficiente.No fim das contas, a história de Paul Singer e da Argentina mostra que, no mundo das finanças, <strong>a paciência e a estratégia podem valer bilhões</strong>. Enquanto alguns veem um abutre rondando carcaças econômicas, outros enxergam um dos investidores mais inteligentes e persistentes da era moderna.</p>
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