<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Companhias em Alta &#8211; Bastidores do Poder</title>
	<atom:link href="https://bastidoresdopoder.com/tag/companhias-em-alta/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://bastidoresdopoder.com</link>
	<description>Negócios, Notícias, Análises e Grandes Histórias</description>
	<lastBuildDate>Thu, 15 Jan 2026 12:16:39 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-PT</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/01/Design-sem-nome-15-1-150x150.png</url>
	<title>Companhias em Alta &#8211; Bastidores do Poder</title>
	<link>https://bastidoresdopoder.com</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>O Despertar do Gigante</title>
		<link>https://bastidoresdopoder.com/o-despertar-do-gigante/</link>
					<comments>https://bastidoresdopoder.com/o-despertar-do-gigante/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jan 2026 12:14:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Companhias em Alta]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://bastidoresdopoder.com/?p=3186</guid>

					<description><![CDATA[No mercado financeiro, a inércia é uma força poderosa. Para uma instituição com a magnitude do Bradesco, alterar a direção estratégica é como manobrar um transatlântico em um canal estreito: lento, exigente e com pouco espaço para erros. Há dois anos, analistas e gestores de portfólio questionavam a capacidade do banco de se reinventar. A [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[




<p><br>No mercado financeiro, a inércia é uma força poderosa. Para uma instituição com a magnitude do <strong>Bradesco</strong>, alterar a direção estratégica é como manobrar um transatlântico em um canal estreito: lento, exigente e com pouco espaço para erros. Há dois anos, analistas e gestores de portfólio questionavam a capacidade do banco de se reinventar. A exposição ao varejo de baixa renda no ciclo inflacionário pós-pandemia e uma arquitetura tecnológica percebida como defasada frente aos neobancos criaram a narrativa de que o Bradesco era uma <strong>“armadilha de valor”</strong>.</p>



<p>O fim de <strong>2025</strong> e o início de <strong>2026</strong>, porém, contam uma história diferente. A valorização <strong>superior a 65% das ações ordinárias e preferenciais</strong> no ano passado não foi fruto do acaso ou da melhora macroeconômica global. Foi o reflexo de uma engenharia corporativa meticulosa, executada longe dos holofotes.&nbsp;</p>



<p>Sob o comando de Marcelo Noronha, com seus 38 anos de casa, o Bradesco não tentou se tornar uma fintech. Redescobriu, com pragmatismo quase militar, sua eficiência operacional. Os números oficiais do terceiro trimestre de <strong>2025</strong> mostram isso com clareza: o ROAE atingiu <strong>14,7%</strong> e o lucro líquido recorrente chegou a <strong>R$ 6,2 bilhões</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A nova fronteira do varejo</strong></h2>



<p>Talvez a mudança mais dolorosa tenha sido a redução do apetite por crédito massificado. Por décadas, a capilaridade física do Bradesco foi seu trunfo, mas o cenário de crédito rotativo e uma inadimplência persistente exigiram uma mudança de postura.</p>



<p>Em <strong>2025</strong>, os dados operacionais evidenciaram essa guinada: a concessão de crédito via cartões para o segmento de baixa renda <strong>recuou cerca de 4%</strong>, enquanto a carteira voltada à alta renda <strong>expandiu impressionantes 38%</strong>. Essa diferença não é acidental, é resultado direto da estratégia <strong>Bradesco Principal</strong>, voltada para clientes com <strong>renda superior a R$ 25 mil</strong> ou investimentos acima de <strong>R$ 300 mil</strong>.</p>



<p>Ao priorizar menos clientes, mas com <strong>lifetime value</strong> mais elevado e risco controlado, o banco visou blindar margens e recompor a qualidade dos ativos. A <strong>inadimplência acima de 90 dias</strong>, agora estabilizada em <strong>4,1%</strong>, sinaliza que o pior do ciclo de crédito para pessoas físicas pode ficar para trás, fruto de uma política de risco mais conservadora.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A ousadia no atacado</strong></h2>



<p>No varejo, a ordem foi “frear e selecionar”. No atacado, foi “acelerar e dominar”. A gestão de Noronha aproveitou um balanço robusto e liquidez superior para ocupar espaços que concorrentes, mais avessos ao risco corporativo, deixaram vagos. Um caso emblemático foi a operação com a <strong>J&amp;F</strong>, holding controladora da <strong>JBS</strong>, na qual o Bradesco assumiu, sozinho, um empréstimo-ponte de <strong>R$ 15 bilhões</strong> para viabilizar a aquisição da <strong>Eldorado Celulose</strong>.</p>



<p>Esse movimento reforçou duas mensagens ao mercado: a capacidade decisória ágil e a disposição de usar o balanço para fidelizar grandes conglomerados. Outro exemplo foi a concessão de <strong>R$ 750 milhões</strong> ao family office de <strong>Rubens Ometto (Cosan)</strong>, ampliando a participação do Bradesco no mercado de originação de renda fixa de <strong>15% para 19% em 2025</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A eficiência operacional</strong></h2>



<p>Nenhuma reestruturação de rentabilidade se sustenta apenas com aumento de receitas. Foi aqui que o banco enfrentou seu maior tabu: a presença física. Historicamente orgulhoso de sua rede capilar, o Bradesco admitiu que agências são, muitas vezes, passivos caros na era digital.</p>



<p>O fechamento de <strong>296 agências</strong> no último ciclo foi impopular, mas literalmente necessário. A redução do footprint não apenas cortou custos fixos, mas acelerou a migração para canais digitais, nos quais o custo de servir é uma fração do presencial.</p>



<p>Simultaneamente, o banco injetou inteligência no digital: o <strong>Machine Learning</strong> e a <strong>Inteligência Artificial Generativa</strong> passaram a automatizar decisões de crédito antes dependentes de modelos humanos ou legados. A meta de Noronha é ambiciosa: reduzir o índice de eficiência operacional para <strong>40% até 2028</strong>, saindo do patamar atual de <strong>cerca de 50%</strong>. A margem financeira total cresceu <strong>16,9%</strong> em 2025, mesmo em meio à pressão por investimentos tecnológicos.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O papel da seguradora e os riscos no horizonte</strong></h2>



<p>Não se pode falar do Bradesco sem mencionar seu pulmão financeiro: a <strong>Bradesco Seguros</strong>. No terceiro trimestre de 2025, o braço segurador entregou um lucro de <strong>R$ 2,5 bilhões</strong>, com rentabilidade sobre o patrimônio em torno de <strong>22,4%</strong>.</p>



<p>Essa diversificação atua como estabilizador em tempos de volatilidade bancária, gerando caixa recorrente e permitindo ao banco tomar riscos calculados no crédito. No entanto, nem tudo é otimismo. O custo do crédito (PDD expandida) cresceu <strong>20,1%</strong> no ano, em parte devido a um evento isolado no atacado (relacionado, segundo o mercado, à <strong>Ambipar</strong>), lembrando que grandes operações trazem grandes riscos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A execução como diferencial</strong></h2>



<p>O “step by step” pregado por <strong>Marcelo Noronha</strong> deixou de ser um slogan interno e virou a própria metodologia de gestão no novo Bradesco. A instituição abriu mão da liderança em volume no massificado para buscar liderança em rentabilidade no segmento affluent e no atacado. Aceitou reduzir seu espaço físico para crescer em eficiência digital e, sobretudo, reconheceu que sua cultura precisava mudar para sobreviver em um ecossistema financeiro cada vez mais hostil.</p>



<p>O retorno do Bradesco ao centro do jogo bancário, com um <strong>lucro líquido recorrente de R$ 6,2 bilhões</strong> no terceiro trimestre de 2025, não marca o fim da jornada, mas valida a tese estratégica. O desafio em <strong>2026 &#8211; e além &#8211; </strong>será provar que a eficiência alcançada é estrutural e que o banco manterá a disciplina de capital sem perder fôlego para inovar e competir.</p>



<p>Para o investidor e para quem observa o mercado, a lição mostra que gigantes financeiros não morrem por velhice, morrem por ineficiência. O Bradesco, ao encarar o abismo da irrelevância operacional, decidiu que ainda não era sua hora.</p>



<p></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://bastidoresdopoder.com/o-despertar-do-gigante/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A Máquina de Dados do Itaú</title>
		<link>https://bastidoresdopoder.com/a-maquina-de-dados-do-itau/</link>
					<comments>https://bastidoresdopoder.com/a-maquina-de-dados-do-itau/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Oct 2025 13:22:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Companhias em Alta]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento de Mercado]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://bastidoresdopoder.com/?p=1781</guid>

					<description><![CDATA[Quando o Itaú Unibanco divulgou os resultados relativos a 2024, o mercado concentrou-se em números expressivos: o resultado recorrente gerencial de R$ 41,4 bilhões e uma carteira de crédito que atingiu R$ 1,4 trilhão. Números estes que ajudam a explicar por que o maior banco privado do país continua a expandir o crédito sem que [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[




<p>Quando o <strong>Itaú Unibanco</strong> divulgou os resultados relativos a <strong>2024</strong>, o mercado concentrou-se em números expressivos: o resultado recorrente gerencial de <strong>R$ 41,4 bilhões</strong> e uma carteira de crédito que atingiu <strong>R$ 1,4 trilhão</strong>. Números estes que ajudam a explicar por que o maior banco privado do país continua a expandir o crédito sem que a inadimplência tome proporções alarmantes.</p>



<p>No entanto, o que permitiu ao banco construir uma vantagem sustentável no segmento de <strong>micro, pequenas e médias empresas (PME)</strong>? A resposta exige recuar até <strong>fevereiro de 2012</strong>, quando o <strong>Itaú</strong> realizou uma operação que, à época, parecia voltada à proteção de mercado, mas que na verdade antecipava uma mudança estrutural na forma de fazer crédito.</p>



<p>Naquele ano, em meio à chamada <strong>“guerra das maquininhas”</strong>, o banco anunciou uma <strong>Oferta Pública de Aquisição (OPA)</strong> para fechar o capital da <strong>Redecard</strong> (hoje <strong>Rede</strong>) por até <strong>R$ 11,8 bilhões</strong>. A justificativa pública, nas palavras do então <strong>CEO Roberto Setubal</strong>, era ganhar “agilidade” e “competitividade” para enfrentar a concorrente <strong>Cielo</strong>. O mercado leu isso como proteção de duopólio, porém o banco olhava para outro horizonte.</p>



<p>Na vez de pagar por hardware ou apenas por serviços de adquirência, o banco adquiriu um ativo raramente listado nos balanços. Escolheram por um sistema de sinais operando em milhões de pontos de venda, um fluxo contínuo de dados que capturava o comportamento do consumidor em tempo real e permitia ao banco enxergar o desempenho dos clientes lojistas antes de muitos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Comprando o “pulso” do varejo</strong></h2>



<p>Em <strong>2012</strong>, a adquirente ainda detinha uma escala impressionante, ao processar <strong>centenas de bilhões de reais por ano</strong>, em mais de <strong>um milhão de estabelecimentos</strong>, operando como um verdadeiro sensor do varejo. O banco percebeu que o valor transcendia a mera taxa de serviço, conhecida como <strong>MDR (Merchant Discount Rate, em inglês)</strong>. O que importava mesmo era a informação contida em cada transação.<br></p>



<p>Ao internalizar <strong>100%</strong> da empresa, o banco assegurou para si aquele “pulso” do varejo, não apenas para saber se vendia, mas <strong>quando</strong>, <strong>como</strong>, <strong>com que frequência</strong>, <strong>com que padrão de estorno</strong>, <strong>a que velocidade</strong> as vendas se convertiam em caixa. Esse tipo de visibilidade permitiu ao banco conhecer melhor os clientes <strong>PJ</strong>, indo além do balanço e analisando o que realmente acontecia no varejo.</p>



<p>Enquanto os concorrentes se baseavam em relatórios contábeis defasados ou declarações de faturamento muitas vezes impressas, o banco podia assistir ao faturamento do lojista em tempo quase real. Essa diferença, por si só, já configurava uma vantagem competitiva relevante e, mais que isso, preparava o terreno para a próxima etapa, que era transformar esse fluxo em crédito.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A alquimia de dados em crédito</strong></h2>



<p>A verdadeira virada se concretizou quando o banco conectou essa rede de dados à máquina de crédito, criando uma sinergia que mudou o jogo. Primeiro veio o <strong>monitoramento em tempo real</strong>, com o banco sabendo que a <strong>“Padaria do Zé”</strong> (cliente <strong>PME</strong>) faturava <strong>R$ 7.000 por dia</strong>, por exemplo, via a adquirente na última semana e analisava se esse padrão se repetia ou variava.&nbsp;</p>



<p>Depois, a modelagem de risco foi calibrada com esses dados. O algoritmo que o banco construiu passou a definir um <strong>score de risco</strong> baseado não apenas em declarações de faturamento ou garantias tradicionais, mas em <strong>probabilidades matemáticas</strong> derivadas de comportamento real e histórico de vendas. Essa abordagem permitiu reduzir o risco, porque o banco passou a “ver” o negócio com mais clareza.</p>



<p>Por fim, em vez de esperar que o cliente pedisse crédito, o banco oferecia <strong>antecipação de recebíveis</strong> ou <strong>aumento de limite</strong> com base no fluxo de vendas que ele mesmo monitorava. Com isso, o que antes era um produto de crédito de alto risco, como emprestar para pequenas empresas, transformou-se em uma operação paralela própria: o próprio fluxo da maquininha. Em outras palavras, o banco deixou de reagir ao pedido de crédito e passou a originar crédito com base em dados que ninguém mais tinha.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Alarme do CADE</strong></h2>



<p>Quando uma instituição combina <strong>banco com adquirente mais dados em tempo real e o crédito originado com base nesses sinais</strong>, o resultado desperta atenção regulatória, e foi exatamente isso que ocorreu. O <strong>Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE)</strong> entrou no caso do <strong>Itaú-Rede</strong> ao investigar suspeitas de práticas que poderiam travar a concorrência, como oferecer melhores taxas de <strong>antecipação de recebíveis</strong> ou condições mais vantajosas de <strong>maquininha</strong> apenas para lojistas que migrassem a <strong>conta corrente</strong> para o banco.</p>



<p>O órgão elaborou <strong>termos de compromisso de cessação</strong>, acompanhou condutas e impôs medidas para prevenir práticas anticompetitivas. O fato de haver investigação e intervenção é, por si só, uma validação de que a estratégia tinha força real e não era apenas mais um movimento tático entre bancos e adquirentes. A potência da integração era tamanha que o regulador teve de agir.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O banco que virou fintech ao avesso</strong></h2>



<p>Hoje, mais de <strong>10 anos</strong> após a <strong>OPA</strong>, o cenário da adquirência mudou. Novos players, como <strong>StoneCo</strong>, <strong>PagSeguro Digital S.A.</strong> e outras <strong>fintechs emergentes</strong>, disputam agressivamente o <strong>market share</strong> no setor de <strong>pagamentos</strong>, oferecendo maquininhas, <strong>contas digitais</strong> e <strong>crédito atrelado à plataforma</strong>. Neste sentido, se o objetivo da OPA de <strong>R$ 11,8 bilhões</strong> fosse unicamente “ganhar a guerra das maquininhas”, os resultados seriam duvidosos.</p>



<p>Todavia, esse nunca foi o cerne da estratégia. O banco não se contentou em vencer o “duopólio” das maquininhas, ele comprou a adquirente para fortalecer o motor principal, que é o <strong>crédito para empresas</strong>, transformando-se, em certa medida, em uma <strong>fintech ao avesso</strong>: era banco, comprou adquirente, extraiu dados e turbinou o <strong>core finance</strong>.</p>



<p>Os números de <strong>2024</strong>, com resultado de <strong>R$ 41,4 bilhões</strong> e carteira de crédito de <strong>R$ 1,4 trilhão</strong>, são frutos para além da expansão ou inflação. São reflexo de uma <strong>década de engenharia estratégica</strong>, de dados e de risco. O recurso mais valioso, afinal, não é a maquininha, mas o <strong>dado que ela gera</strong>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://bastidoresdopoder.com/a-maquina-de-dados-do-itau/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Os Barões Regionais do Varejo</title>
		<link>https://bastidoresdopoder.com/os-baroes-regionais-do-varejo/</link>
					<comments>https://bastidoresdopoder.com/os-baroes-regionais-do-varejo/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Sep 2025 03:58:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Companhias em Alta]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://bastidoresdopoder.com/?p=1572</guid>

					<description><![CDATA[A disputa do carrinho de supermercado nem sempre acontece sob os holofotes do noticiário financeiro. Longe das sedes de grandes redes e das manchetes que giram em torno de empresas como Carrefour, Assaí e GPA, o varejo brasileiro mudou de escala em cidades médias e bairros populares. No Norte e no Nordeste, no interior de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[




<p>A disputa do carrinho de supermercado nem sempre acontece sob os holofotes do noticiário financeiro. Longe das sedes de grandes redes e das manchetes que giram em torno de empresas como Carrefour, Assaí e GPA, o varejo brasileiro mudou de escala em cidades médias e bairros populares. No Norte e no Nordeste, no interior de Minas e no litoral catarinense, grupos regionais cresceram sem alarde até ocupar o centro do palco.<br></p>



<p>O ranking de 2024 divulgado pela ABRAS deixou a pista mais clara ao colocar o Grupo Mateus em terceiro lugar com faturamento de 36,39 bilhões de reais, o Supermercados BH na quarta posição com 21,28 bilhões e o catarinense Grupo Koch entre os dez maiores com 10,34 bilhões.<br><br>Vale reforçar que no agregado, o setor supermercadista girou 1,067 trilhão de reais em 2024 e respondeu por pouco mais de nove por cento do PIB, sinal de que a transformação que se desenha nas bordas tem impacto na economia inteira&#8230;e que esses grupos fora do “mainstream” não são meras exceções. São a prova viva de que logística bem desenhada, loja enxuta e sintonia fina com o consumo local produzem resultado mesmo quando o resto do país parece andar de lado. A gente explica essa história.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Grupo Mateus e o mapa que se desenha pela estrada</strong></h2>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-1024x576.png" alt="" class="wp-image-1575" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-1024x576.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-300x169.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-768x432.png 768w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image.png 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>A trajetória do Grupo Mateus é um ótimo exemplo para entender o movimento dos barões regionais do varejo. Nascido em Balsas, no sul do Maranhão, o negócio de Ilson Mateus aprendeu cedo que a região exige outra engenharia. Em vez de depender de uma capital distante, a rede apostou em rotas entre cidades que se abastecem umas às outras, espalhou centros de distribuição onde a infraestrutura é mais frágil e criou formatos diferentes para cada praça, do atacarejo ao varejo tradicional.</p>



<p>Esse desenho virou assinatura de gestão e, com ele, veio a escala para operar em nove estados. A combinação com o Novo Atacarejo, concluída em julho de 2025 após aprovação sem restrições do CADE (Superintendência Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica), ampliou alcance em Pernambuco, Paraíba e Alagoas, elevou o poder de compra regional e deu densidade nova a um mapa que agora conversa por corredores próprios. Vale lembrar que o Grupo Mateus ficou com 51% do capital da nova operação, enquanto os fundadores do Novo Atacarejo mantiveram 49%.</p>



<p>A biografia do controlador ajuda a decifrar essa obsessão por logística, já que antes de ser varejista, Ilson Mateus foi garimpeiro em Serra Pelada e comerciante de pequena mercearia, um início de vida que explica a atenção ao fluxo de caixa e à disciplina na operação que hoje se manifestam em rota curta, ruptura baixa e uma prateleira pensada para o gosto e a carteira de cada vizinhança.</p>



<p>O desenho logístico ganhou âncora quando a companhia ergueu um centro de distribuição em São Luís projetado para ser o maior do Nordeste ao final de quatro etapas de expansão, com capacidade de armazenagem de 122 mil pallets. Em regiões em que a estrada não ajuda, infraestrutura vira vantagem competitiva e encurta o frete invisível que costuma pesar no preço final.</p>



<p>No curto prazo, o grupo trabalha com um ritmo acelerado de aberturas e anunciou plano de inaugurar cerca de 25 novas lojas até o fim de 2025, mantendo o foco em dar mais robustez na malha que liga as capitais às cidades médias.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Supermercados BH e o preço como método</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="683" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-1-1024x683.png" alt="" class="wp-image-1576" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-1-1024x683.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-1-300x200.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-1-768x512.png 768w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-1.png 1500w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
</div>


<p>Se pegarmos a estrada para Minas Gerais é possível observar uma outra linha de atuação. O Supermercados BH traduziu preço baixo em método com uma estética funcional, sem firulas, com obsessão por giro, marcas próprias e disciplina que se materializa no caixa. A compra das operações do Bretas em Minas Gerais por R$716 milhões adicionou 54 lojas, oito postos de combustíveis e um centro de distribuição a uma geografia que já era extensa. O movimento não tem a cara de um salto de fé, e sim de um passo calculado para consolidar a hegemonia mineira e abrir caminho para avanços no Espírito Santo e, mais adiante, em Goiás.</p>



<p>Fica claro detectar que a rede montou um relógio que começa no centro de distribuição e termina na boca do caixa. O encarte conversa com a demanda de cada bairro, as promoções puxam categorias âncoras e a marca própria ancora preço em linhas sensíveis ao bolso. O layout das lojas privilegia fluxo e reposição rápida, e o treinamento da equipe mira velocidade sem sacrificar controle de perdas. No atacarejo, o BH replica a lógica do varejo com palete alto e giro agressivo. O resultado é uma operação que prefere a eficiência total à estética de vitrine e, por isso, resiste melhor quando o consumo patina.</p>



<p>Assim como no Grupo Mateus, o personagem por trás da operação também ajuda a explicar toda essa ousadia. Pedro Lourenço, ou simplesmente “Pedrinho BH” é um apaixonado por natureza e astuto desde os primeiros passos. Nascido em Paineiras, interior de Minas, é filho de lavradores e aos dezoito anos se mudou para Belo Horizonte, onde aprendeu o ofício por dentro, carregando caixas, organizando depósito, repondo gôndola e vendendo no balcão até entender cada centímetro do salão.</p>



<p>Em 1996, abriu a primeira loja no bairro São Benedito, em Santa Luzia, e manteve a escolha por áreas populares não por charme de marketing, mas porque conhecia o ritmo de compra e a importância de preço que fecha a conta no fim do mês. A rede cresceu com essa mesma disciplina de chão de loja, somada a um perfil pessoal discreto, afeito a apoiar projetos sociais e o esporte, sempre com um pé fincado no cotidiano do cliente que paga em dinheiro vivo e mede promoção com a ponta dos dedos.<br><br>Em mais uma jogada ousada (e do coração, não podemos negar), em abril de 2024,&nbsp; “Pedrinho” comprou 90% da SAF do Cruzeiro, entrando de cabeça no futebol e evidenciando um lance que mostra apetite por ativos estratégicos e reforça o vínculo popular da marca BH em seu principal mercado.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>O laboratório catarinense do Grupo Koch</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="683" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-2-1024x683.png" alt="" class="wp-image-1577" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-2-1024x683.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-2-300x200.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-2-768x512.png 768w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/image-2.png 1500w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
</div>


<p>Em Santa Catarina, o Grupo Koch transformou em laboratório um estado conhecido por ser fragmentado. Municípios competitivos, renda espalhada e logística cuidadosa pedem organização quase cirúrgica. Com a bandeira Komprão no atacarejo e um calendário disciplinado de inaugurações, a rede passou das 70 unidades e acelerou para perto de 80 ao longo de 2024 e 2025.<br><br>Foi um ano em que a companhia abriu 17 lojas, doze de atacarejo e cinco de varejo, investiu algo como meio bilhão de reais e levantou um novo centro de distribuição para dar conta da malha. Para 2025, o plano público é inaugurar de oito a doze unidades. O faturamento acima de dez bilhões de reais (R$ 10,34bi para ser mais exato) colocou o grupo entre os dez maiores do país e encerrou a fase em que ele era visto apenas como fenômeno local.</p>



<p>O avanço combina duas alavancas simples, mas difíceis de executar. De um lado, distribuição que liga litoral, vale e planalto com rotas bem curtas e previsíveis. De outro, uma versatilidade que respeita o carrinho catarinense, da cesta básica ao perecível que pede giro diário. A equação fecha quando o Komprão traciona volume e a veia do varejo garante recorrência. O restante vem da disciplina de abrir loja onde a logística já suporta o próximo passo e de negociar com fornecedores a partir de uma escala que, embora regional, já dita o ritmo de parte da cadeia.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>O que separa quem ganha no balcão</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="1024" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/GRAFICOS-1024x1024.png" alt="" class="wp-image-1574" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/GRAFICOS-1024x1024.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/GRAFICOS-300x300.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/GRAFICOS-150x150.png 150w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/GRAFICOS-768x768.png 768w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/09/GRAFICOS.png 1080w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
</div>


<p>Esses três casos contam uma história parecida, porém com sotaques diferentes, mostrando que logística é praticamente religião. O Grupo Mateus encurta trajetos e reduz quebras ao espalhar centros de distribuição em pontos estratégicos. O BH trata o estoque como maestro e faz a loja trabalhar a favor do bolso do cliente. O Koch, por sua vez, verticaliza a distribuição para ganhar fôlego no atacarejo, já que a loja não precisa disputar beleza, mas sim traduzir hábito local em variedade, preço e velocidade. E quando a expansão pede aquisições, elas são cirúrgicas e dentro do mapa de influência. A combinação do Mateus com o Novo Atacarejo e a compra do Bretas pelo BH mostram que a equação fecha quando o alvo amplia presença em território onde a rede já é forte.</p>



<p>Outro fator a ser observado é que enquanto os gigantes nacionais se ocuparam com reorganizações de grande porte, como a conversão de 71 hipermercados Extra em atacarejos Assaí e, mais recentemente, o fechamento de capital do Carrefour Brasil com a saída da B3 no fim de maio de 2025, abriu-se espaço para uma consolidação silenciosa nas bordas. O efeito aparece em participação real de mercado e em balanços menos dependentes da euforia do ciclo. Quando o macro aperta, essa máquina regional segura o tranco com eficiência e proximidade.</p>



<p>O visitante distraído talvez não repare, mas há uma coreografia comum nessa dança, com centros de distribuição posicionados para reduzir quilômetros de frete; negociação pesada com fornecedores a partir de uma escala que agora é regional, não mais de uma única cidade; variedade de produtos que muda de bairro para bairro e marca própria que ancora preço e fidelidade. Na planilha do Excel isso vira margem e, na prática, vira carrinho cheio e loja que respira com a vizinhança.</p>



<p>No fim, a transformação do varejo alimentar brasileiro não cabe no eixo tradicional das manchetes. Está em São Luís e em Petrolina, em Belo Horizonte e em Joinville, em cidades onde a logística se confunde com a vida cotidiana. Mateus, BH e Koch não são rodapés de líderes, mas pilares de um mercado que aprendeu a vencer pela proximidade, pela inteligência operacional e pela disciplina de capital. Em tempos de juros altos e consumidores exigentes, é esse futebol de campo pesado que decide o campeonato.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://bastidoresdopoder.com/os-baroes-regionais-do-varejo/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O Arquiteto do Luxo</title>
		<link>https://bastidoresdopoder.com/o-arquiteto-do-luxo/</link>
					<comments>https://bastidoresdopoder.com/o-arquiteto-do-luxo/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Aug 2025 21:56:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Companhias em Alta]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://bastidoresdopoder.com/?p=1438</guid>

					<description><![CDATA[SÃO PAULO – No mercado brasileiro, poucas empresas conseguiram escapar da maldição cíclica de seus setores. A JHSF, uma companhia nascida na construção civil, é uma delas. José Auriemo Neto, o Zeco, transformou a construtora da família em uma plataforma de R$3,5 bilhões na B3, com uma receita que beira os R$2 bilhões anuais. O [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[




<p><strong>SÃO PAULO –</strong> No mercado brasileiro, poucas empresas conseguiram escapar da <strong>maldição</strong> <strong>cíclica</strong> de seus setores. A <strong>JHSF</strong>, uma companhia nascida na <strong>construção civil</strong>, é uma delas. <strong>José</strong> <strong>Auriemo</strong> <strong>Neto</strong>, o <strong>Zeco</strong>, transformou a construtora da família em uma plataforma de <strong>R$3,5 bilhões na B3, </strong>com uma receita que beira os <strong>R$2 bilhões anuais. </strong>O segredo? Ele percebeu, décadas antes de seus pares, que o negócio <strong>não era vender o metro quadrado,</strong> era<strong> controlar o ecossistema ao redor dele.</strong></p>



<p>Enquanto a concorrência se digladiava por terrenos e alvarás, Zeco construiu metodicamente um<strong> fosso competitivo (<em>moat</em>) </strong>em torno do cliente de altíssima renda. Fez isso executando uma tese brutalmente simples: em vez de vender o apartamento, ele venderia a vida que acontece ao redor dele. O resultado é um ecossistema fechado, um <strong>clube privado para o PIB brasileiro, </strong>cujo a distância para seus concorrentes se aprofunda a cada novo serviço adicionado e<strong> transforma o risco da incorporação na previsibilidade do fluxo de caixa.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>De Construtora Familiar a Laboratório de Luxo</strong></h2>



<p>Fundada em 1972 pelos irmãos <strong>Fábio</strong> e <strong>José Roberto Auriemo, </strong>a JHSF&nbsp; era, em sua essência, uma construtora paulistana convencional. <strong>O roteiro era o de sempre: </strong>comprar terreno, construir, vender e assim, a empresa construiu uma reputação tradicional, erguendo edifícios residenciais e obras de maior porte. Foi pioneira em seu tempo, inaugurando em 2001 o <strong>Shopping Metrô Santa Cruz,</strong> o primeiro do país integrado a uma estação de metrô. A JHSF era uma empresa de engenharia competente, mas ainda não tinha a alma de um negócio de luxo.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="650" height="438" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image.png" alt="" class="wp-image-1448" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image.png 650w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-300x202.png 300w" sizes="(max-width: 650px) 100vw, 650px" /><figcaption class="wp-element-caption"><strong>Shopping Metrô Santa Cruz</strong></figcaption></figure>
</div>


<p>A virada de DNA começou com a ascensão da <strong>segunda</strong> <strong>geração</strong>. Zeco, filho de Fábio, que cresceu dentro da empresa. Começou como <strong>office boy</strong> aos 12 anos e, aos 17, criou do zero a divisão de estacionamentos <strong>Parkbem</strong>, que chegou a <strong>1,5 milhão de veículos por mês</strong> e aos <strong>22</strong>, já era <strong>diretor da área de shoppings.</strong></p>



<p>Em 2003, com apenas <strong>27 anos,</strong> ele assumiu a <strong>liderança do grupo</strong> e iniciou uma revolução na empresa da família. Zeco tinha uma visão de longo prazo e uma tese que ia na <strong>contramão</strong> do setor: o futuro não estava em vender mais apartamentos para mais gente, mas em <strong>criar e vender um universo completo para pouquíssimas pessoas. </strong>Para isso, era preciso priorizar ativos imobiliários que <strong>gerassem</strong> <strong>receitas</strong> <strong>perenes</strong> &#8211; aluguéis, serviços, taxas – e que <strong>blindassem</strong> a companhia da volatilidade da economia.</p>



<p>O ano de 2006 foi o momento em que a visão começou a se materializar, o<strong> ponto de não retorno. </strong>Primeiro, Zeco apresentou ao mercado o projeto de <strong>US$693 milhões,</strong> que seria o protótipo do império: o <strong>Parque Cidade Jardim</strong>, a concepção de um <strong>ecossistema</strong> integrado que uniria <strong>moradia</strong>, <strong>varejo</strong> e <strong>serviços de luxo.</strong> O pivô estava decretado. Meses depois, no final do ano, veio o segundo e talvez <strong>mais genial movimento: </strong>a aliança com a<strong> família Fasano.</strong></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-1-1024x682.png" alt="" class="wp-image-1449" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-1-1024x682.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-1-300x200.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-1-768x512.png 768w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-1-1536x1024.png 1536w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-1.png 2000w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Parque Cidade Jardim</figcaption></figure>
</div>


<p>Zeco sabia que a JHSF, uma construtora, não tinha a credibilidade ou o DNA para operar hospitalidade e gastronomia no mais alto nível. Construir essa reputação do zero levaria décadas e custaria uma fortuna. Comprar, levaria meses. Em uma operação de <strong>US$ 9,2 milhões</strong>, a JHSF se tornou sócia majoritária, com <strong>51% de controle</strong>, da recém-criada holding <strong>Fasano Hotéis e Resorts</strong>. A jogada resolveu o problema de ambos: Rogério Fasano, que já não conseguia acompanhar os aportes para expandir, ganhou um sócio capitalista de peso; Zeco, por sua vez, comprou um século de prestígio e o selo de qualidade que precisava para legitimar sua tese de luxo. Ele foi para o mercado não com uma promessa, mas com a prova de sua execução.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="640" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-2-1024x640.png" alt="" class="wp-image-1450" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-2-1024x640.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-2-300x188.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-2-768x480.png 768w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-2-1536x960.png 1536w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-2-2048x1280.png 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fasano Itaim</figcaption></figure>



<p>Com a aliança selada e o Cidade Jardim já lançado, a JHSF tinha uma história irresistível para contar. O IPO, em abril de 2007, foi um sucesso, injetando <strong>R$760 milhões</strong> no caixa da companhia. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A Ofensiva Pós-IPO</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="750" height="500" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-4.png" alt="" class="wp-image-1452" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-4.png 750w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-4-300x200.png 300w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption class="wp-element-caption">Shopping Cidade Jardim</figcaption></figure>
</div>


<p>Com a tese validada pelo mercado e o caixa reforçado, a JHSF de 2007 era uma empresa armada e com um alvo claro. O IPO injetou cerca de <strong>R$ 745 milhões líquidos</strong> no balanço da companhia, e Zeco Auriemo tinha um plano preciso para cada centavo. O prospecto da oferta era, na prática, um mapa de batalha, revelando uma estratégia de crescimento em três frentes simultâneas.</p>



<p>A primeira, e mais urgente, era a conclusão da joia da coroa. Cerca de <strong>35% dos recursos</strong> foram direcionados para a construção de empreendimentos já lançados, com o <strong>Complexo Cidade Jardim</strong> consumindo a maior fatia desse cheque. O projeto, que exigiria um investimento total próximo a US$ 700 milhões em sua fase inicial, estava em obras desde 2006. O dinheiro do IPO foi o empurrão de capital que garantiu que a obra mais ambiciosa da história da empresa seria entregue sem sobressaltos financeiros, consolidando a vitrine de luxo da JHSF em São Paulo.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="708" height="416" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-3.png" alt="" class="wp-image-1451" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-3.png 708w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-3-300x176.png 300w" sizes="(max-width: 708px) 100vw, 708px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fazenda Boa Vista</figcaption></figure>
</div>


<p>A segunda e maior frente, que consumiria aproximadamente <strong>45% do capital</strong>, era a aquisição de terrenos para garantir o crescimento futuro. Com caixa e muita audácia, a JHSF lançou, ainda em 2007, o projeto que se tornaria o laboratório e a expressão máxima de seu ecossistema: a Fazenda Boa Vista. A aposta, de uma escala nunca antes vista, ocupava um terreno de <strong>12 milhões de metros quadrados </strong>em Porto Feliz. </p>



<p>O plano de ataque foi construir uma infraestrutura de lazer e serviços tão superior que a <strong>concorrência se tornaria irrelevante. </strong>A JHSF não economizou nos cheques: contratou <strong>Arnold</strong> <strong>Palmer</strong>, uma lenda do golfe, para assinar o primeiro campo de<strong> 18 buracos. </strong>Ergueu um centro equestre de padrão internacional. Espalhou quadras de tênis, spas e lagos por toda a propriedade. A empresa não estava vendendo lotes; estava vendendo um resort privado disfarçado de condomínio.</p>



<p>O golpe de mestre, no entanto, foi instalar a <strong>&#8220;alma&#8221;</strong> do negócio no coração da fazenda. O <strong>Hotel Fasano Boa Vista, </strong>fruto da recém-selada parceria, não funcionava apenas como um hotel. Ele era o <strong>centro da vida social </strong>do empreendimento, o provedor dos serviços de altíssimo padrão e, crucialmente, a <strong>chancela</strong> de qualidade que legitimava o projeto inteiro. Era o <strong>&#8220;software&#8221; de sofisticação </strong>da Fasano rodando no <strong>&#8220;hardware&#8221; </strong>de 12 milhões de metros quadrados da JHSF.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-5-1024x576.png" alt="" class="wp-image-1453" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-5-1024x576.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-5-300x169.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-5-768x432.png 768w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-5.png 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fasano Boa Vista</figcaption></figure>



<p>Por fim, os <strong>20% restantes</strong> foram alocados em capital de giro, dando à JHSF a flexibilidade financeira necessária para operar com mais folga. Na prática, o IPO permitiu que Zeco fizesse o que nenhum de seus concorrentes conseguia na época: tocar, ao mesmo tempo, a finalização de um megaempreendimento urbano em São Paulo<strong> (Cidade Jardim),</strong> o desenvolvimento de um destino de campo <strong>(Fazenda Boa Vista) </strong>e a expansão regional <strong>(Shopping Bela Vista, na Bahia)</strong>, tudo isso enquanto comprava terrenos para o próximo ciclo. A captação financiou a execução de um império.</p>



<p>Ao fim daquele ano, a JHSF já não era mais a mesma, a construtora que fez IPO em abril havia se transformado, em poucos meses, em uma <strong>holding com os dois pilares</strong> de seu futuro império em plena execução. Tinha o capital, a marca e os dois destinos, o urbano, com o Cidade Jardim em obras, e o rural, em desenvolvimento. A máquina estava montada, agora, era só questão de tempo para ver os resultados.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Fechando o Círculo</strong></h2>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="687" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-7.png" alt="" class="wp-image-1455" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-7.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-7-300x201.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-7-768x515.png 768w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Aeroporto São Paulo Catarina</figcaption></figure>



<p>No final da década de 2010, o ecossistema da JHSF já era uma fortaleza. A empresa dominava a moradia, o consumo e a hospitalidade de seus clientes. Mas ainda havia um atrito, um gargalo na vida da elite que Zeco Auriemo se propôs a resolver: a mobilidade. De que adiantava ter um jato particular se era preciso enfrentar o trânsito de São Paulo e a burocracia dos terminais de aviação geral em aeroportos comerciais congestionados?</p>



<p>A resposta para esse problema foi o movimento mais audacioso da história da companhia, um que a levou para muito além do setor imobiliário. Em dezembro de 2019, após um investimento de mais de <strong>R$ 700 milhões</strong>, a JHSF inaugurou o <strong>São Paulo Catarina Aeroporto Executivo</strong>. Era o primeiro aeroporto privado do Brasil dedicado exclusivamente à aviação de negócios.</p>



<p>A escala do projeto era monumental. Em uma área de 5,2 milhões de metros quadrados em São Roque, a JHSF construiu uma pista de <strong>2.470 metros</strong> – maior que a de Congonhas e capaz de receber jatos executivos intercontinentais de grande porte, permitindo voos diretos para a Europa e os Estados Unidos sem escalas. A estrutura, com capacidade para 200 mil pousos e decolagens por ano, não era um &#8220;aeródromo de luxo&#8221;; era um ativo de infraestrutura de classe mundial, com certificação para voos internacionais obtida em 2021.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="900" height="506" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-6.png" alt="" class="wp-image-1454" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-6.png 900w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-6-300x169.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-6-768x432.png 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /><figcaption class="wp-element-caption">Pista do Aeroporto Executivo</figcaption></figure>



<p>A localização não foi por acaso. O aeroporto foi estrategicamente posicionado ao lado do <strong>Catarina Fashion Outlet</strong>, que a JHSF havia inaugurado em 2014, já antecipando a <strong>sinergia</strong>. A jogada criou um destino completo,<strong> cliente agora pousa seu jato,</strong> é recebido em um t<strong>erminal com design de Sig Bergamin e catering do Fasano,</strong> faz compras nas <strong>grifes do outlet </strong>e, em poucos minutos de helicóptero ou carro, está em sua casa na <strong>Fazenda Boa Vista.</strong></p>



<p>Com o aeroporto, Zeco Auriemo não estava mais apenas vendendo um estilo de vida; <strong>estava vendendo a infraestrutura para esse estilo de vida. </strong>Foi o arremate final, o movimento de xeque-mate que fechou o círculo do ecossistema, garantindo que o cliente da JHSF, <strong>do momento em que pisa em solo paulista até o momento em que decola, não tenha mais nenhuma razão para sair do universo da marca. </strong>A JHSF havia se tornado dona da última fronteira: a da conveniência absoluta.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A Evolução do Laboratório</strong></h2>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="410" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-8-1024x410.png" alt="" class="wp-image-1456" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-8-1024x410.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-8-300x120.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-8-768x307.png 768w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-8-1536x615.png 1536w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-8-2048x820.png 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Boa Vista Village</figcaption></figure>



<p>Com o sucesso estrondoso da Fazenda Boa Vista, a JHSF se deparou com um novo desafio: como manter a vanguarda e o apelo de um empreendimento que já era uma referência? A resposta de Zeco foi aprofundar a aposta. A criação do <strong>Boa Vista Village</strong>, a terceira fase do complexo, foi um movimento para solidificar o fosso competitivo e capturar uma nova geração da elite.</p>



<p>O Village foi concebido para adicionar uma camada de<strong> &#8220;cool&#8221;</strong> e experiência a um destino já consolidado. A JHSF trouxe <strong>outro campo de golfe </strong>assinado por uma lenda, <strong>Rees</strong> <strong>Jones</strong>, e criou um centro de conveniência com lojas de grife. Mas a jogada mais espetacular, que sinalizou a obsessão da empresa por diferenciação, foi a construção da<strong> primeira piscina de ondas para surfe da América Latina </strong>com tecnologia <em><strong>PerfectSwell</strong></em>. A notícia de uma <strong>&#8220;praia&#8221; com ondas perfeitas a 100 km de São Paulo</strong> gerou um <em><strong>buzz</strong></em> imediato. Não era apenas um <strong>amenity</strong>, era uma atração proprietária, um í<strong>mã para os filhos de seus clientes</strong> e para os <strong>bilionários da nova economia,</strong> que valorizam mais a experiência do que a posse.</p>



<p>Enquanto o Boa Vista Village aprofundava o fosso do ecossistema original, a gestão, agora sob o novo CEO <strong>Augusto</strong> <strong>Martins</strong>, preparava o próximo grande salto: a replicação da fórmula. Anunciada na última sexta-feira, a <strong>Fazenda Santa Helena</strong>, em Bragança Paulista, é a prova de que a JHSF transformou seu laboratório em um <em>playbook</em> de expansão.</p>



<p>Apelidado de <strong>&#8220;Boa Vista 2.0&#8221;,</strong> o novo projeto já nasce com a mesma ambição, oferecendo residências que chegam a <strong>R$13 milhões</strong> e a promessa de uma infraestrutura completa de lazer e serviços. Estrategicamente, o lançamento expande o domínio da JHSF para um<strong> novo eixo</strong> no interior de São Paulo, capturando uma nova fatia do mercado de altíssima renda.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="538" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-9-1024x538.png" alt="" class="wp-image-1457" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-9-1024x538.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-9-300x158.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-9-768x403.png 768w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/08/image-9.png 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fazenda Santa Helena</figcaption></figure>



<p>Mais importante, a Santa Helena nasce com um risco muito menor, a JHSF não está mais testando uma tese, está <strong>aplicando um manual. </strong>A empresa já possui a <strong>base de clientes</strong> (a lista de espera da Boa Vista é o primeiro alvo), a<strong> parceria consolidada </strong>com o Fasano e a<strong> expertise operacional. </strong>A JHSF não precisa mais provar que seu modelo funciona. Agora, ela só precisa decidir em<strong> qual novo ponto do mapa vai construir sua próxima fortaleza.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A Estratégia em Números</strong></h2>



<p>A prova final de que a visão de Zeco Auriemo estava correta não está nos projetos, mas na frieza do balanço financeiro. Os números contam a história de uma das mais bem-sucedidas transformações corporativas da bolsa brasileira.</p>



<p>Quando a JHSF abriu seu capital em <strong>2007</strong>, era uma empresa que encerrou o ano com <strong>R$ 302 milhões em receita e R$ 83 milhões de lucro</strong>. Era uma companhia promissora, mas ainda uma aposta no futuro de seu novo modelo de negócio.</p>



<p>O grande teste de estresse para essa tese veio com a pandemia. Em <strong>2020</strong>, enquanto a economia brasileira retraía, o ecossistema da JHSF provou ser um porto seguro para a alta renda. O resultado foi contraintuitivo e avassalador: as vendas contratadas de imóveis cresceram <strong>228,5%</strong>, para <strong>R$ 1,22 bilhão</strong>, e o lucro líquido quase dobrou, saltando para <strong>R$ 639 milhões</strong>. A crise validou o fosso competitivo.</p>



<p>Os números de <strong>2024</strong> mostram o império consolidado. A companhia encerrou o ano com uma receita de <strong>R$ 1,6 bilhão</strong> e um lucro líquido de <strong>R$ 861 milhões</strong> – dez vezes maior que o do ano do IPO. Mais importante, o perfil do resultado mudou: hoje, o segmento de renda recorrente (shoppings, hospitalidade, aeroporto) já representa a maior fatia do resultado operacional, superando a volátil receita de incorporação. </p>



<p>Ao final, a história da JHSF sob Zeco Auriemo é a de uma<strong> visão de longo prazo executada com disciplina cirúrgica.</strong> Ele construiu um fosso competitivo não com tijolos, mas com a<strong> integração de serviços, </strong>criando uma <strong>conveniência</strong> e uma <strong>exclusividade</strong> que a concorrência simplesmente não pode replicar. A JHSF vende acesso a um mundo à parte e <strong>a gestão desse mundo </strong>se provou um dos negócios <strong>mais</strong> <strong>sólidos</strong> e <strong>rentáveis</strong> <strong>do Brasil.</strong></p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://bastidoresdopoder.com/o-arquiteto-do-luxo/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O Último Industrial</title>
		<link>https://bastidoresdopoder.com/o-ultimo-industrial/</link>
					<comments>https://bastidoresdopoder.com/o-ultimo-industrial/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Jun 2025 14:03:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresários]]></category>
		<category><![CDATA[Companhias em Alta]]></category>
		<category><![CDATA[Impérios]]></category>
		<category><![CDATA[Turnaround]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://bastidoresdopoder.com/?p=1385</guid>

					<description><![CDATA[SÃO PAULO — “Eu dormi faturando R$9 bilhões e acordei faturando R$350 milhões.” A frase, dita por Frank Geyer Abubakir em entrevista exclusiva ao Bastidores, resume com precisão quase cirúrgica o trauma empresarial vivido por ele em janeiro de 2010, quando a Unipar, então a segunda maior petroquímica do país, foi obrigada a vender seu [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[




<p><strong>SÃO PAULO</strong> — “Eu dormi faturando R$9 bilhões e acordei faturando R$350 milhões.”</p>



<p>A frase, dita por <strong>Frank Geyer Abubakir </strong>em entrevista exclusiva ao Bastidores, resume com precisão quase cirúrgica o <strong>trauma empresarial</strong> vivido por ele em janeiro de 2010, quando a Unipar, então a <strong>segunda maior petroquímica do país,</strong> foi obrigada a vender seu principal ativo, a <strong>Quattor</strong>, para a <strong>Braskem</strong>. Em poucas horas, um grupo que havia sido construído ao longo de gerações foi <strong>desfeito</strong> por completo: a escala industrial desapareceu, a sua principal linha de negócio se perdeu, e a alma da companhia, que era dona de ativos históricos como a Petroquímica União, foi amputada.</p>



<p>Mais do que vender uma empresa, era <strong>abrir mão de um eixo estratégico</strong>, mas aquele corte, feito sob pressão de uma política industrial que favorecia a Braskem, foi também o gatilho de um dos <strong>maiores processos de reconstrução já vistos na indústria nacional.</strong></p>



<p>Nos anos seguintes, sem alarde,<strong> Frank reergueu a Unipar </strong>sobre uma nova lógica: menos dependente do governo, com capital próprio, foco disciplinado e estrutura enxuta. Quando comprou os<strong> 50% da Carbocloro</strong> que pertenciam à americana <strong>Occidental</strong> <strong>Petroleum</strong>, em 2013, poucos analistas prestaram atenção. A operação de<strong> R$550 milhões</strong> parecia apenas um movimento de consolidação natural de mercado, mas aquele passo marcou o início de uma<strong> retomada silenciosa e paciente,</strong> que transformaria a Unipar em uma das companhias industriais <strong>mais eficientes </strong>da América Latina. Em 2022, a empresa atingiu <strong>R$7,2 bilhões de receita, </strong>mais de <strong>R$1,3 bilhão em lucro líquido</strong> e um valor de mercado próximo a <strong>R$10 bilhões.</strong></p>



<p>No centro da virada, estava a figura de Frank, um empresário que<strong> rejeita a ideia de genialidade individual</strong> e insiste na importância da estrutura. <strong>“Não foi um turnaround, na verdade voltamos pro eixo, </strong>onde sempre deveríamos estar&#8221;, afirmou.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Uma travessia entre gerações</strong></h2>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="860" height="484" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/06/image-1.png" alt="" class="wp-image-1390" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/06/image-1.png 860w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/06/image-1-300x169.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/06/image-1-768x432.png 768w" sizes="(max-width: 860px) 100vw, 860px" /></figure>



<p>Nascido em uma família de industriais, Frank é bisneto de <strong>Alberto Soares de Sampaio,</strong> fundador da <strong>Petroquímica</strong> <strong>União</strong> e um dos arquitetos da <strong>primeira geração da indústria pesada nacional. </strong>Cresceu em meio a arquivos empresariais centenários, com acesso a documentos desde o século XVIII e ouvindo, à mesa de jantar, histórias de sucessões, disputas e estratégias de capital.</p>



<p>“Nossa diversão é desde muito pequeno falar de negócio e um negócio humanizado, com complexidade psicanalítica e filosófica.”, contou ao Bastidores. “Desde adolescente, meu avô me levava às reuniões. Aprendi a olhar tudo com uma lógica de longo prazo.”</p>



<p>Em 2001, ele assumiu sua <strong>primeira responsabilidade, </strong>o comando da <strong>Securitas União,</strong> uma seguradora ligada ao grupo familiar, numa missão sem glamour:<strong> encerrar a operação.</strong></p>



<p>A empresa dava <strong>prejuízo</strong>, havia perdido relevância no grupo e já não atraía o interesse dos conselheiros. Mas ao mergulhar na estrutura, Frank encontrou <strong>muita ineficiência,</strong> então ele reorganizou os fluxos de sinistro, redesenhou a lógica de precificação, negociou com os principais clientes internos e transformou a companhia em uma <strong>geradora de caixa. </strong>&#8220;A empresa estava para ser <strong>fechada</strong>. Depois que assumi, ela <strong>saiu de um faturamento de R$1 milhão para mais de R$20 milhões,</strong> virou um lucro enorme e ainda reduzi o prêmio de todas as empresas da Unipar. Todos os executivos ficaram felizes comigo, a família também&#8221;, relembra.</p>



<p>O feito rendeu respeito e, mais importante, <strong>capital simbólico dentro da família</strong>, que Frank transformou em <strong>crédito político.</strong> Aos poucos, começou a negociar sua entrada no<strong> núcleo decisório</strong> da holding <strong>Vila</strong> <strong>Velha S.A.,</strong> estrutura que abrigava o controle da Unipar. Propôs um <strong>redesenho do conselho,</strong> enfrentou resistências, lidou com disputas jurídicas e avançou comprando participações até atingir, anos depois, <strong>60% do capital votante.</strong></p>



<p>Em 2008, assumiu a <strong>presidência do conselho da Unipar.</strong> A empresa, naquele momento, ainda ocupava papel relevante no setor petroquímico. Controlava ativos históricos como a <strong>Petroquímica União</strong> e a <strong>Polietilenos União, </strong>e liderava a criação da<strong> Quattor Participações,</strong> um esforço de consolidação que buscava <strong>reagrupar</strong> os principais ativos do setor num bloco alternativo à Braskem.</p>



<p>Mas a estratégia colidiu com uma conjuntura adversa: <strong>a crise financeira global de 2008</strong> secou o crédito, travou investimentos e asfixiou as companhias alavancadas. A Unipar, com estrutura de capital pressionada, passou a ser vista como obstáculo à formação do <strong>“campeão nacional”</strong> &#8211; um projeto político-empresarial capitaneado por <strong>Odebrecht</strong>, <strong>Petrobras</strong> e <strong>BNDES</strong>, que enxergavam na Braskem o instrumento para consolidar o setor.</p>



<p>Sob pressão, a venda foi selada, em janeiro de 2010, a <strong>Braskem incorporou a Quattor.</strong> A Unipar, que na véspera faturava <strong>R$9 bilhões</strong> e ocupava o <strong>centro da cadeia petroquímica,</strong> amanheceu com uma receita de<strong> R$350 milhões,</strong> uma participação de <strong>50% na Carbocloro </strong>e um <strong>portfólio enxuto.</strong></p>



<p>Mais do que a venda de uma empresa, a operação representou o <strong>fim de um ciclo intergeracional, </strong>e o <strong>esvaziamento</strong> <strong>simbólico</strong> de um projeto construído desde os tempos de Alberto Soares. “Para atender às exigências de organização do setor, nós nos endividamos, aí veio a crise de 2008 e eu entendi que o melhor seria o sacrifício.<strong> Vão-se os anéis, ficam-se os dedos”,</strong> diz. </p>



<p>O cheque recebido, de <strong>R$650 milhões,</strong> serviu para preservar a sobrevivência financeira, mas a companhia havia sido dilacerada. Sem escala e <strong>sem core business</strong>, a Unipar entrou na década seguinte como um ativo marginalizado.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O limbo de três anos</strong></h2>



<p>A venda da Quattor marcou o fim de um ciclo e mergulhou a Unipar num <strong>vácuo estratégico.</strong> Com os principais ativos absorvidos pela Braskem e o caixa reforçado por R$650 milhões, o que restou foi uma <strong>estrutura</strong> <strong>desidratada</strong>, sustentada por um punhado de imóveis e por sua<strong> fatia remanescente na joint venture da Carbocloro</strong>, uma operação ainda <strong>rentável</strong>, mas <strong>periférica</strong> no conjunto da empresa.</p>



<p>Do lado de fora, o silêncio pesava, sem planos anunciados, sem aquisições, sem norte visível. <strong>O mercado perdeu o interesse.</strong> A ação caiu para menos de <strong>R$250 milhões em valor de mercado, </strong>e a companhia passou a figurar na B3 como ativo marginal, quase sem cobertura de analistas.</p>



<p>Internamente, a situação não era de colapso, mas de suspensão. A operação seguia funcionando, o caixa estava preservado, mas a Unipar havia perdido sua razão de existir. <strong>A ausência de uma tese mobilizadora travava as decisões.</strong></p>



<p>Frank também se recolheu, saiu de São Paulo com a família e se instalou em <strong>Salvador</strong>, buscando silêncio. Passou a evitar reuniões, adotou uma <strong>rotina discreta</strong> e mergulhou numa espécie de <strong>quarentena</strong> <strong>emocional</strong>. “Eu lia pela manhã, caminhava sozinho pela Ladeira da Barra. <strong>Era como viver num nevoeiro”</strong>, contou.</p>



<p>Nos bastidores, a crise era também <strong>pessoal</strong>, “Meu bisavô perdeu uma refinaria pros militares em 1974. Ele dizia: ‘Se eu perder tudo, sei recomeçar’.<strong> Eu não sabia se sabia. Esse era o meu medo</strong>”. A companhia seguia de pé, mas sem horizonte, e Frank, ainda à frente do conselho, carregava o peso da ruptura. Sabia que <strong>havia feito o movimento necessário para salvar a estrutura,</strong> mas isso <strong>não suavizava </strong>o sentimento de perda. O império que herdara havia <strong>desmoronado</strong> <strong>diante dos seus olhos</strong> e o desafio agora não era reconstruir o que existia e sim<strong> descobrir se ainda havia algo possível </strong>de ser reconstruído.</p>



<p>Mas foi nesse intervalo sem movimento que a <strong>nova tese</strong> começou a tomar forma. <strong>Sem escala</strong> para competir com a Braskem e <strong>sem apetite</strong> para entrar em mais uma engrenagem político-industrial, Frank passou a desenhar uma alternativa: <strong>um modelo menor, porém estável. </strong>Uma estrutura capaz de gerar caixa com consistência, financiando crescimento com capital próprio, sem depender de Brasília, nem de bancos de fomento.</p>



<p>O ponto de partida estava ao alcance dos olhos, a <strong>Carbocloro</strong>, com unidade de <strong>Cubatão</strong>, produzia <strong>cloro</strong> e <strong>soda</strong> <strong>cáustica</strong>, mantinha margem positiva, demanda sólida e receitas defensivas. Era o <strong>oposto da velha Unipar: </strong>menos glamour, mas também menos risco. Um <strong>núcleo industrial que resistia,</strong> enquanto o resto havia ruído. Frank entendeu que ali havia mais do que um ativo remanescente, <strong>havia um caminho.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A reconstrução em silêncio</strong></h2>



<p>Em 2013, quando decidiu comprar a parte da <strong>Occidental </strong>na operação de Cubatão, Frank não anunciava um plano, mas firmava um<strong> ponto de partida. </strong>Com um cheque de <strong>R$550 milhões,</strong> pouco mais de <strong>4x o Ebitda da operação,</strong> assumiu o controle total da unidade e sinalizou, o nascimento da <strong>nova Unipar.</strong></p>



<p>Na época, poucos perceberam a importância do movimento. <strong>A transação foi lida como uma reorganização societária corriqueira, </strong>mas, para Frank, era o marco zero de uma <strong>arquitetura industrial mais simples,</strong> previsível e independente.</p>



<p>A partir dali, a reestruturação foi meticulosa. A Unipar contratou uma das <strong>Big Four</strong> para auditar processos e indicadores. <strong>Reformulou o conselho, </strong>reduziu a complexidade decisória e criou mecanismos de governança mais rígidos. No chão de fábrica, a busca era por <strong>eficiência</strong>: cortes de desperdício, renegociação de contratos e melhoria da produtividade. O foco estava em<strong> gerar caixa de forma estável e previsível.</strong></p>



<p>Três anos depois, viria o segundo grande movimento: a compra da<strong> Solvay Indupa,</strong> braço latino-americano do grupo belga Solvay, com plantas no <strong>Brasil</strong> e na <strong>Argentina</strong>. A empresa havia tentado vender o ativo para a Braskem, mas a operação foi vetada pelo Cade. Quando o ativo voltou à mesa, Frank agiu rápido, voou para a Paris, <strong>negociou pessoalmente </strong>e fechou a compra por <strong>US$202 milhões.</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>“Veio o vice-chairman, um gentleman, a conversa foi ótima. Ele disse: ‘Você sabe que tem uma proposta melhor que a sua, né?’. E eu respondi: ‘É verdade. Mas a proposta melhor é de um aventureiro. Isso aqui não é um negócio para amador. Cloro é perigoso, envolve risco real à vida das pessoas. Você precisa de confiabilidade. Se uma fábrica para, toda a cadeia de embalagens para junto’. E continuei: ‘Você sabe que a gente sabe fazer e que vamos tocar com seriedade’. Ele olhou pra mim e disse: ‘É isso. Você tem razão’. E fechamos. Foi bom pra eles também. estavam se livrando de um ativo cheio de passivos de gestão.”</em></p>
</blockquote>



<p>Com a <strong>Indupa</strong>, a capacidade instalada da Unipar <strong>deu um salto. </strong>A produção de<strong> cloro-soda</strong> foi de <strong>460 mil </strong>para <strong>770 mil toneladas por ano.</strong> No <strong>PVC</strong>, subiu de<strong> 300 mil para 550 mil. </strong>Mais relevante que o volume, no entanto, era a natureza da operação argentina:<strong> boa parte das receitas era dolarizada,</strong> funcionando como um <strong>hedge</strong> <strong>natural</strong> contra a volatilidade do real.</p>



<p>A companhia deixava de ser um player regional e passava a atuar em <strong>duas moedas, </strong>com <strong>presença internacional </strong>e uma base de ativos resiliente.</p>



<p>Em paralelo, atacava seu maior gargalo: <strong>o custo da energia. </strong>A eletrólise, processo central na produção de cloro, é intensiva em consumo elétrico, historicamente indexado ao<strong> mercado spot.</strong> Para reduzir essa exposição, a Unipar adotou uma política de longo prazo: firmou parcerias com <strong>geradoras renováveis, </strong>investiu em <strong>autoprodução</strong> e ativou<strong> projetos de cogeração </strong>nas plantas de Cubatão e Santo André.</p>



<p>O mais emblemático foi o <strong>parque</strong> <strong>eólico</strong> <strong>Tucano III, </strong>na Bahia. A iniciativa permitiu que, em 2025, mais de <strong>60% da energia consumida</strong> pela Unipar já viesse de <strong>fontes</strong> <strong>próprias</strong> ou <strong>contratos</strong> <strong>fixos</strong>, protegendo margens e reduzindo volatilidade.</p>



<p>Os efeitos logo apareceram no balanço. Em <strong>2013</strong>, a dívida líquida equivalia a <strong>2,3x o Ebitda. </strong>Em 2018, a empresa já operava com <strong>caixa</strong> <strong>líquido</strong>. O ROE superou os <strong>30%</strong> em diversos trimestres, entre 2015 e 2025, as ações valorizaram mais de 1.700%.</p>



<p>Mesmo em 2023, ano marcado pela queda de preço das commodities químicas, a Unipar entregou mais de <strong>R$1,3 bilhão de lucro líquido,</strong> com margens sólidas e alavancagem negativa. A empresa havia feito o caminho reverso:<strong> saiu de uma grande consolidadora sem equilíbrio financeiro para se tornar uma companhia média, mas com um dos balanços mais saudáveis do setor industrial brasileiro.</strong></p>



<p>Mais do que uma reestruturação, era a materialização de uma nova tese de poder.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A sucessão e a tentativa de voltar ao centro</strong></h3>



<p>Em 2022, Frank Geyer Abubakir achou que era hora de<strong> sair do palco.</strong> A operação da Unipar estava madura, os números falavam por si e ele já não precisava mais explicar o que havia sido reconstruído ali. Nomeou<strong> Maurício Russomanno</strong>, um executivo técnico, de perfil discreto, com passagens por <strong>Dow</strong> e <strong>Bunge</strong> como CEO.</p>



<p>Nos bastidores, a leitura era de que o fundador da nova Unipar, não sairia de cena por completo. Mas saiu. A<strong> transição foi limpa, planejada e real. </strong>Desde então, Frank participa das decisões estratégicas, mas<strong> evita microgestão</strong> e só intervém quando acredita que há um <strong>risco existencial à cultura</strong> que construiu na década anterior.</p>



<p>Um ano depois, quando a <strong>Novonor</strong> (antiga Odebrecht) colocou à venda sua fatia na Braskem, Frank reapareceu. A proposta da Unipar foi objetiva: <strong>R$10 bilhões por 34% do capital.</strong> A proposta não andou, a Novonor preferiu esperar, mas a simples tentativa recolocou Frank no <strong>centro da mesa</strong>, como alguém que saiu do jogo estatal, sobreviveu à crise, reconstruiu do zero e <strong>voltou com caixa para comprar parte da ex-concorrente.</strong></p>



<p>Foi o último movimento de ambição. Desde então, Frank tem <strong>mantido distância,</strong> física e simbólica, da <strong>rotina operacional </strong>da companhia. Mora fora do eixo Rio-SP, não participa de eventos do setor e tem recusado entrevistas, salvo raríssimas exceções. Quando aparece, é para reuniões pontuais de conselho ou compromissos institucionais.</p>



<p>Seu foco agora está em outro lugar.</p>



<p>Frank e sua esposa,<strong> Flávia Abubakir,</strong> transformaram a antiga casa do bisavô, em <strong>Petrópolis</strong>, num espaço dedicado à <strong>preservação da memória industrial da família. </strong>No local, mantêm um acervo privado com mais de <strong>30 mil documentos</strong>, muitos deles <strong>originais da era Vargas</strong> e da fundação da indústria petroquímica nacional. Parte do material pertenceu a <strong>Alberto Soares de Sampaio;</strong> o restante foi resgatado ao longo dos anos em leilões, doações e acervos públicos esquecidos.</p>



<p><strong>O outro braço do tempo é a arte</strong> e o controlador da Unipar transformou parte do patrimônio pessoal em um acervo que mistura arte moderna brasileira e obras contemporâneas.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>“A arte, pra mim, começa como isso: um instrumento de interação com a realidade. Com toda humildade, é através dela que você constrói um processo de melhoria do núcleo familiar, do bairro, da cidade, do país, do mundo. E tem também o aspecto da celebração. Mas não de uma arte vazia, meramente simbólica. Falo de uma arte que transforma, que toca o corpo e a alma. O Milan Kundera trata isso muito bem logo no início do A Insustentável Leveza do Ser. O simbólico pelo simbólico não vale a pena. A arte que vale é a que deixa rastro no real.”</em></p>
</blockquote>



<p>Hoje, Frank controla cerca de<strong> 60% das ações ordinárias da Unipar via Vila Velha S.A</strong>., mas não fala em voltar à gestão. Para ele, a virada está consolidada, a Unipar é uma companhia industrial sólida, com margens robustas, alavancagem negativa e um modelo que prescinde de favores e manchetes.</p>



<p><strong>E isso, para quem já foi forçado a vender tudo, talvez seja mais do que suficiente.</strong></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Frank Geyer Abubakir" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/sX50MM06cxs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://bastidoresdopoder.com/o-ultimo-industrial/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A nova guerra do delivery no Brasil</title>
		<link>https://bastidoresdopoder.com/a-nova-guerra-do-delivery-no-brasil/</link>
					<comments>https://bastidoresdopoder.com/a-nova-guerra-do-delivery-no-brasil/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 May 2025 21:29:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Companhias em Alta]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento de Mercado]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://bastidoresdopoder.com/?p=1348</guid>

					<description><![CDATA[O Brasil sempre teve apetite por comida. Mas, nos últimos anos, passou a despertar também o apetite dos investidores de tecnologia, não pela comida em si, mas pela logística, pelos dados e pelo hábito de pedir tudo com um toque no celular. Com 55 milhões de usuários ativos, 120 milhões de pedidos mensais e mais [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[




<p>O Brasil sempre teve apetite por comida. Mas, nos últimos anos, passou a despertar também o apetite dos<strong> investidores de tecnologia, </strong>não pela comida em si, mas pela logística, pelos dados e pelo hábito de pedir tudo com um toque no celular.</p>



<p>Com <strong>55 milhões de usuários ativos</strong>, <strong>120 milhões de pedidos mensais </strong>e mais de<strong> 1,5 mil cidades atendidas</strong>, o mercado brasileiro de delivery se transformou em um dos<strong> maiores do mundo.</strong> Em valor, movimenta dezenas de bilhões por ano. Em dados, vale muito mais.</p>



<p>O <strong>iFood</strong> sempre <strong>reinou</strong> com folga, respondendo por cerca de<strong> 80% das entregas no país.</strong> Os concorrentes que tentaram disputar espaço, de startups locais a gigantes internacionais como <strong>Uber</strong> <strong>Eats</strong>, todas acabaram <strong>encolhendo</strong>, mudando de foco ou <strong>deixando o jogo.</strong> Mas, em 2025, o tabuleiro começou a mudar. E não por um movimento doméstico, mas por uma nova leva de capital <strong>chinês</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Esse é o pano de fundo da nova disputa que se arma no setor.</strong></h2>



<p>Duas frentes se abriram quase ao mesmo tempo. De um lado, o retorno da <strong>99Food</strong>, controlada pela <strong>DiDi Chuxing</strong>, prometeu <strong>R$1 bilhão</strong> para retomar operações no país, agora com um plano mais robusto e agressivo. De outro, a entrada da chinesa <strong>Meituan</strong> maior plataforma de entregas da China, avaliada em mais de <strong>R$600 bilhões</strong> na bolsa de Hong Kong, estreia no Brasil com sua marca <strong>Keeta</strong> e uma promessa de R$ 5,6 bilhões para conquistar o mercado. Somados, os dois grupos anunciaram investimentos d<strong>e R$ 6,6 bilhões</strong> no Brasil. É a<strong> maior ofensiva no setor </strong>desde que o iFood se consolidou como monopólio funcional.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Um mercado grande demais para ser ignorado</strong></h2>



<p>O tamanho do mercado explica o interesse renovado. Segundo a Abrasel, o Brasil tem hoje cerca de 1,2 milhão de estabelecimentos de alimentação — 71% deles operam com delivery. O iFood lidera com folga: 55 milhões de usuários ativos, 360 mil entregadores e mais de 120 milhões de pedidos por mês. A empresa se transformou numa infraestrutura crítica para bares, restaurantes, farmácias e mercados de bairro em mais de 1.500 cidades brasileiras.</p>



<p>É justamente esse grau de penetração que desperta atenção — e abre espaço para rupturas. Um sistema tão dominante tende a concentrar poder demais, gerar ineficiências e limitar opções de preço e negociação para os demais elos da cadeia. E foi nesse ponto que a nova leva de competidores encontrou sua narrativa de entrada.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O cenário até aqui</strong></h2>



<p>A lógica do mercado brasileiro de delivery vinha sendo simples: uma operação dominante (iFood), alguns players marginais (Rappi, aplicativos regionais), e uma base cada vez mais ampla de restaurantes e consumidores integrados à rotina de pedir refeições online.</p>



<p>O iFood conquistou o mercado com uma mistura de usabilidade, rede de entregadores e força de capilaridade comercial. Seu domínio chegou a 80% das entregas, segundo estimativas de mercado, e a empresa se consolidou como plataforma de referência, apoiada por uma estrutura robusta de marketing, crédito, logística e tecnologia.Em 2023, o iFood teve que abrir mão de sua principal barreira de proteção: os contratos de exclusividade com restaurantes. O <strong>Cade</strong>, pressionado por denúncias e um ambiente mais atento à concorrência digital, impôs restrições à prática. O iFood recuou — e, involuntariamente, deixou brecha para um novo jogo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O retorno da 99Food</strong></h2>



<p>A 99Food, braço de delivery da plataforma 99, retorna ao setor após uma saída precoce em 2023. A empresa foi lançada originalmente como uma startup de mobilidade urbana no Brasil, em 2012. Em 2018, foi vendida à chinesa DiDi Chuxing por cerca de US$ 1 bilhão — tornando-se o primeiro unicórnio brasileiro. A operação de entrega de comida surgiu como extensão natural da plataforma, mas não resistiu ao domínio do iFood. Agora, volta com uma estratégia de mercado muito mais agressiva.</p>



<p>O plano prevê investimentos de R$ 1 bilhão ao longo de 2025. Entre os anúncios estão: isenção de taxas para restaurantes, garantia de R$ 250 por dia a entregadores (desde que cumpram metas mínimas de viagens), pagamento instantâneo via 99Pay e a criação de pontos físicos de apoio para os entregadores — com água, banheiro e áreas de descanso. A empresa também se comprometeu publicamente a buscar integração com a previdência e estabelecer um modelo de remuneração mínima, algo que ainda está em aberto no setor.</p>



<p>Mais do que entregar comida, a 99Food quer ser parte de um “superapp”: um ecossistema que integre transporte, entregas e serviços financeiros, todos amparados pela infraestrutura da DiDi. O discurso é claro: não é só sobre market share. É sobre controle de plataforma.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A reação do iFood</strong></h2>



<p>O iFood, por sua vez, já vinha se reposicionando — e agora acelera. Em maio, anunciou uma parceria com a Uber. Usuários do iFood poderão solicitar corridas sem sair do app. E, na plataforma da Uber, será possível acessar os serviços de entrega do iFood. É uma união simbólica e estratégica. Em 2022, o Uber Eats havia encerrado suas operações no Brasil, após não conseguir superar a liderança do rival. Agora, a volta da Uber ao jogo, ainda que como parceira, reforça a percepção de que o domínio do iFood será desafiado — mas não de forma solitária.</p>



<p>Além disso, o iFood vem ampliando seu escopo. Lançou a campanha “iFood é Tudo Pra Mim”, ampliando atuação para mercados, farmácias, bebidas e pet shops. Criou ferramentas como o iFood Pago, que oferece crédito para restaurantes parceiros. E, segundo a empresa, registrou um aumento de 37% na adesão de estabelecimentos nos últimos meses. O movimento é claro: transformar a plataforma em uma espécie de marketplace de conveniência, com mais serviços, mais recorrência e mais fidelidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A ofensiva da Meituan</strong></h2>



<p>Mas a maior incógnita não vem da 99 — vem da China.</p>



<p>A Meituan, controladora da Keeta, é a líder absoluta do setor de entregas na China e um dos maiores superapps do mundo. Em Hong Kong, sua atuação foi fulminante: entrou em 2023, conquistou 44% do mercado em menos de um ano e levou à saída da britânica Deliveroo. A estratégia foi baseada em três pilares: taxa zero para restaurantes, cupons agressivos para consumidores e bonificações acima da média para entregadores. Em três meses, as rivais começaram a perder entregadores. Em doze, perderam o mercado.</p>



<p>Agora, a Meituan promete investir R$ 5,6 bilhões no Brasil. A marca Keeta já começou a montar operação local e deve seguir um roteiro parecido ao de Hong Kong. A ofensiva gera entusiasmo entre bares e consumidores, mas também acende o alerta de especialistas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Cade em campo</strong></h2>



<p>O mercado de delivery brasileiro já foi tema de debates concorrenciais no passado. Em 2023, o iFood assinou um acordo com o Cade se comprometendo a não estabelecer contratos de exclusividade com restaurantes — prática que vinha sendo usada para travar a entrada de novos players.</p>



<p>Agora, com o avanço da Meituan, o debate retorna. Ainda que a entrada da Keeta pareça promissora para consumidores e restaurantes, existe o risco de que a estratégia de preços artificialmente baixos e incentivos agressivos leve à eliminação dos concorrentes. É o chamado “dumping predatório”. Caso haja evidências de abuso de poder econômico, o Cade poderá intervir novamente, inclusive com medidas de desconcentração.</p>



<p>Especialistas apontam que o desafio será comprovar a intenção de domínio. Em teoria, práticas promocionais não são ilegais. Mas se vierem acompanhadas de exigências de exclusividade ou coerção de parceiros, podem ser enquadradas como infrações à ordem econômica.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Um futuro mais fragmentado — e mais volátil</strong></h2>



<p>No curto prazo, quem ganha é o consumidor. Mais competição tende a gerar mais cupons, mais promoções e, possivelmente, melhores condições para entregadores. Restaurantes também se beneficiam da redução (ou eliminação) das taxas cobradas pelas plataformas.</p>



<p>Mas o efeito de médio prazo é mais difícil de prever. O setor de delivery já opera com margens apertadas e alto nível de informalidade. A guerra de preços pode favorecer a concentração — e, paradoxalmente, gerar uma nova hegemonia, só que com sotaque estrangeiro.</p>



<p>Além disso, o modelo de “superapp” da Meituan e da 99Food impõe desafios adicionais ao ecossistema: aumenta a dependência tecnológica, altera as relações trabalhistas e muda a lógica de fidelização de clientes. O iFood, por sua vez, tenta deixar de ser apenas um app — quer se transformar em infraestrutura. Algo como o “sistema operacional” da alimentação e do consumo cotidiano.</p>



<p>O mercado de delivery, que parecia já resolvido, voltou a ser um campo de disputa estratégica. Não se trata mais de quem entrega mais rápido ou quem cobra menos taxa. Trata-se de quem terá o controle da jornada digital dos brasileiros — do transporte ao pagamento, da refeição ao crédito. E, neste novo capítulo, o jogo está só começando.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quem ganha a última milha?</strong></h2>



<p>A batalha final será na entrega. O app que conseguir ter mais <strong>entregadores disponíveis, mais rápidos e melhor remunerados</strong> tende a ganhar o consumidor na hora da fome.</p>



<p>A 99Food sai com um trunfo: <strong>1,5 milhão de motoristas e entregadores cadastrados na base da 99</strong>. Pode cruzar oferta de transporte e delivery com inteligência logística e gerar ganhos de escala. A Meituan domina esse jogo na China. E o iFood ainda lidera no Brasil com estrutura própria, sistema de roteirização e entrega integrada em 1.500 cidades.Mas os entregadores também têm memória. Eles sabem quem paga rápido, quem trata como parceiro e quem entrega mais corridas por hora. O risco para o iFood não é só perder restaurantes ou consumidores. É perder <strong>quem faz a entrega acontecer</strong>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://bastidoresdopoder.com/a-nova-guerra-do-delivery-no-brasil/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O Brasileiro que Quer Criar a Próxima Big Tech Global</title>
		<link>https://bastidoresdopoder.com/o-brasileiro-que-quer-criar-a-proxima-big-tech-global/</link>
					<comments>https://bastidoresdopoder.com/o-brasileiro-que-quer-criar-a-proxima-big-tech-global/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 May 2025 21:38:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresários]]></category>
		<category><![CDATA[Companhias em Alta]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento de Mercado]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://bastidoresdopoder.com/?p=1305</guid>

					<description><![CDATA[Quando a Prosus anunciou, em 2024, que Fabricio Bloisi seria o novo CEO global da holding, o mercado europeu reagiu com frieza, ações chegaram a recuar 3% em Amsterdã. Um nome desconhecido fora do Brasil, vindo de uma operação de delivery na América Latina, assumiria uma das maiores investidoras em tecnologia do mundo, mas quem [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[




<p>Quando a <strong>Prosus</strong> anunciou, em <strong>2024</strong>, que <strong>Fabricio</strong> <strong>Bloisi</strong> seria o novo <strong>CEO</strong> <strong>global</strong> da holding, o mercado europeu reagiu com <strong>frieza</strong>, ações chegaram a <strong>recuar 3%</strong> em Amsterdã. Um nome desconhecido fora do Brasil, vindo de uma operação de delivery na América Latina, assumiria uma das <strong>maiores</strong> <strong>investidoras</strong> <strong>em tecnologia do mundo</strong>, mas quem conhece Bloisi há mais tempo sabe que ele <strong>nunca operou com metas modestas.</strong></p>



<p>Aos <strong>21 anos,</strong> fundou a <strong>Movile</strong>, no interior de São Paulo, com a tese de que a <strong>internet</strong> <strong>móvel</strong> mudaria a forma como as pessoas se comunicavam. <strong>Dez anos depois,</strong> investiu no <strong>iFood</strong>, que ainda era uma startup com<strong> 20 funcionários</strong> e transformou a empresa na <strong>maior</strong> <strong>plataforma</strong> <strong>de delivery da América Latina,</strong> com mais de<strong> 110 milhões</strong> de pedidos mensais.</p>



<p>Agora, comanda uma holding avaliada em<strong> €110 bilhões, </strong>dona de participações relevantes em <strong>Tencent</strong>, <strong>OLX</strong>, <strong>Delivery</strong> <strong>Hero</strong>, <strong>Meituan</strong>, <strong>Creditas</strong>, <strong>Sympla</strong>, entre outras. E já deixou claro seu próximo passo: dobrar o valor da Prosus para<strong> US$200 bilhões.</strong></p>



<p><strong>A tese? Parar de investir em minorias e começar a operar como uma big tech.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>De Salvador a Campinas: os primeiros passos</strong></h2>



<p>Nascido em <strong>Salvador</strong> em <strong>1977</strong>, Fabricio se mudou aos 17 anos para cursar <strong>ciência</strong> <strong>da</strong> <strong>computação</strong> na <strong>Unicamp</strong>, em Campinas. Com um perfil <strong>técnico</strong> e foco em <strong>execução</strong>, começou a trabalhar com desenvolvimento de sistemas ainda na graduação. Em 1998, fundou a <strong>Intraweb</strong>, que mais tarde se tornaria a <strong>Movile</strong>, com o objetivo inicial de <strong>prestar</strong> <strong>serviços</strong> <strong>corporativos</strong> e <strong>soluções</strong> <strong>de comunicação.</strong></p>



<p>Na virada dos anos 2000, com a explosão da telefonia no Brasil, Fabricio Bloisi percebeu que o celular, ainda sem internet de verdade, podia ser uma nova plataforma de distribuição em massa.</p>



<p>Com isso, pivotou o modelo da <strong>Movile</strong> para um negócio B2B2C: <strong>vendia conteúdos digitais via SMS e WAP</strong>, como <strong>ringtones</strong>, <strong>jogos</strong> <strong>Java</strong>, <strong>piadas</strong> e <strong>horóscopos</strong>, integrando-se diretamente às operadoras de telefonia. A Movile <strong>cuidava do conteúdo,</strong> da <strong>tecnologia</strong> e da <strong>cobrança</strong>, enquanto <strong>Claro</strong>, <strong>Vivo</strong> e <strong>TIM</strong> <strong>distribuíam</strong> os produtos para suas bases de <strong>milhões de clientes</strong>.</p>



<p>O modelo funcionava com <strong>margens</strong> <strong>altas</strong> e <strong>custo</strong> <strong>de aquisição quase zero: </strong>os produtos da Movile vinham <strong>embutidos</strong> em portais de entretenimento das operadoras, e o pagamento era <strong>descontado</strong> <strong>direto na fatura do celular.</strong></p>



<p>Nos bastidores, a empresa virou <strong>um motor invisível de monetização digital</strong>, abastecendo dezenas de operadoras e criando um <strong>ecossistema</strong> <strong>próprio</strong> <strong>de conteúdo móvel.</strong> Em<strong> menos de cinco anos, </strong>a Movile se tornou <strong>líder</strong> na América Latina nesse segmento.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>A aposta no iFood e o salto para o mobile commerce</strong></h2>



<p>Em 2013, a Movile buscava <strong>novos caminhos de crescimento.</strong> O mercado de conteúdo via SMS começava a<strong> perder fôlego </strong>com a popularização dos smartphones, e Bloisi decidiu <strong>reposicionar</strong> a empresa como um<strong> grupo de tecnologia</strong> com foco em <strong>mobile commerce</strong>.</p>



<p>Foi nesse contexto que <strong>conheceu</strong> os fundadores do <strong>iFood</strong>, então uma startup paulistana com menos de <strong>20</strong> <strong>funcionários</strong> e cerca de <strong>20 mil pedidos por mês.</strong> A Movile decidiu liderar a <strong>primeira</strong> <strong>rodada</strong> institucional da empresa, com um aporte de <strong>R$5,5 milhões.</strong></p>



<p>Mais do que capital, Bloisi trouxe <strong>disciplina</strong> de execução, <strong>tecnologia</strong>, <strong>estrutura</strong> <strong>de gestão</strong> e <strong>ambição</strong>. A partir dali, a Movile se tornou <strong>controladora</strong> da operação, colocando o iFood no centro da sua estratégia.</p>



<p>O crescimento foi <strong>exponencial</strong>. Entre <strong>2013</strong> e <strong>2020</strong>, o iFood multiplicou por<strong> 1.000 </strong>o número de pedidos mensais, comprou concorrentes como <strong>SpoonRocket</strong>, <strong>PedidosJá</strong> e <strong>Domicilios.com</strong>, e se tornou a <strong>maior</strong> <strong>foodtech</strong> da América Latina, com presença em mais de <strong>mil cidades</strong> e liderança absoluta no Brasil.</p>



<p>Em janeiro de <strong>2020</strong>, Fabricio Bloisi assumiu o cargo de<strong> CEO do iFood. </strong>Na época, a empresa registrava mais de <strong>30 milhões de pedidos por mês</strong>, mas ainda <strong>não gerava caixa. </strong>Sob sua gestão, o foco passou a ser <strong>logística, inteligência artificial e novos verticais</strong>, como farmácia, mercado e serviços financeiros para entregadores e restaurantes.</p>



<p>Quando Bloisi deixou a presidência executiva, em 2023, o iFood já operava com mais de <strong>75 milhões de pedidos por mês</strong>, gerava lucro operacional e movimentava uma cadeia de mais de <strong>300 mil restaurantes, 200 mil entregadores e 40 milhões de usuários ativos</strong>.</p>



<p>A foodtech, que começou como uma aposta paralela da Movile, havia se transformado no principal ativo da holding — e num case global de escala e execução no setor de delivery.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Como a Prosus entrou no jogo</strong></h2>



<p>A história da <strong><a href="https://www.instagram.com/p/DAoGlOzu063/?locale=de-DE&amp;img_index=1" data-type="link" data-id="https://www.instagram.com/p/DAoGlOzu063/?locale=de-DE&amp;img_index=1">Prosus</a></strong> com Fabricio Bloisi começou bem antes do anúncio da sua nomeação como CEO global. Em <strong>2008</strong>, a Movile recebeu seu<strong> primeiro cheque institucional da Naspers,</strong> conglomerado sul-africano que, na época, já era um dos <strong>maiores investidores em internet do mundo, </strong>com participações bilionárias na <strong>Tencent</strong> (dona do <strong>WeChat</strong>) e em outras empresas de crescimento acelerado na Ásia e na Europa.</p>



<p>A entrada no Brasil foi <strong>discreta</strong>, mas <strong>cirúrgica</strong>. A Movile entregava <strong>margem</strong>, <strong>execução</strong> e <strong>escala</strong>. Operava num setor <strong>pouco</strong> <strong>glamouroso</strong>, mas com <strong>profundidade</strong> <strong>técnica</strong> e <strong>penetração</strong> <strong>nacional</strong>. Para a Naspers, que buscava negócios de tecnologia com <strong>tração</strong> em mercados emergentes fora do eixo EUA-China, a Movile <strong>encaixava</strong> no modelo.</p>



<p>Nos anos seguintes, a relação se <strong>aprofundou</strong>. A Naspers se tornou <strong>fiadora</strong> do <strong>projeto iFood </strong>e se tornou uma espécie de <strong>sócia</strong> <strong>invisível</strong> na construção do <strong>maior ecossistema de mobile commerce da América Latina.</strong> Foi ela quem bancou o <strong>ciclo agressivo</strong> de investimentos entre <strong>2013 e 2022, </strong>aquisições, expansão de logística própria, algoritmos de roteirização, verticais de farmácia, mercado e fintech. A cada rodada,<strong> o capital vinha da África do Sul</strong> e a operação era <strong>tocada</strong> por Bloisi.</p>



<p>Em <strong>2019</strong>, a Naspers <strong>reorganizou</strong> seu portfólio global de tecnologia sob um novo guarda-chuva: a <strong>Prosus</strong>, holding baseada em Amsterdã, criada para<strong> listar em bolsa </strong>suas participações fora da África do Sul.<strong> </strong>A Movile passou a fazer parte formal da Prosus, ao lado de ativos como <strong>OLX</strong>, <strong>PayU</strong>, <strong>Delivery</strong> <strong>Hero</strong> e <strong>Meituan</strong>.</p>



<p>A partir dali, o fluxo se intensificou e a Prosus passou a <strong>liderar</strong> <strong>diretamente</strong> os aportes no iFood. Foram mais de <strong>US$2 bilhões investidos </strong>entre 2016 e 2022, capital que financiou a expansão e a liderança absoluta no Brasil.</p>



<p>O movimento decisivo veio em agosto de 2022. A Prosus comprou os <strong>33,3% restantes do iFood, </strong>que ainda estavam nas mãos da Just Eat Takeaway, por<strong> €1,8 bilhão.</strong> Com isso, assumiu <strong>100% do capital </strong>e consolidou o controle da operação.</p>



<p>Na prática, o iFood virou o<strong> maior ativo da Prosus na América Latina </strong>e o <strong>terceiro maior investimento individual do grupo,</strong> atrás apenas da Tencent e da Delivery Hero. Fabricio Bloisi, por sua vez, consolidou sua posição como o executivo de maior influência no ecossistema da holding.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>O plano de US$200 bilhões</strong></h2>



<p>Em <strong>2023</strong>, a <strong>sucessão</strong> na Prosus foi tratada com a mesma <strong>frieza</strong> que caracteriza o mercado europeu. <strong>Bob van Dijk, </strong>CEO desde 2014, <strong>deixou o cargo após</strong> anos de críticas à gestão passiva de um portfólio que crescia em valor, mas não em <strong>coerência</strong>. A empresa precisava de uma tese nova — e escolheu um nome fora do script: <strong>Fabricio Bloisi.</strong></p>



<p>A nomeação pegou o mercado de Amsterdã no <strong>contrapé</strong>. Um executivo brasileiro, vindo de uma operação de delivery, assumiria o comando de uma holding avaliada em mais de<strong> €100 bilhões. O </strong>ceticismo inicial derrubou as ações em <strong>3%. </strong>Mas a leitura externa <strong>ignorava</strong> o que, internamente, já era consenso: ninguém dentro do grupo<strong> conhecia tão bem o portfólio</strong> quanto Bloisi. Ninguém tinha entregue tanto resultado em tão pouco tempo.</p>



<p>Desde que assumiu, o novo CEO tenta fazer com a Prosus o que fez com a Movile. <strong>Acabar com estruturas soltas</strong>, <strong>cortar</strong> <strong>gordura</strong> e <strong>transformar</strong> uma <strong>coleção de ativos </strong>em uma operação com <strong>direção</strong>. O discurso de investor relations mudou. O modelo de governança mudou. E, principalmente, a ambição mudou.</p>



<p>Bloisi quer <strong>parar de operar como um fundo</strong> e começar a construir uma <strong>empresa</strong>. As primeiras decisões internas caminham nessa direção. Times que antes operavam <strong>isolados</strong> passaram a <strong>compartilhar</strong> tecnologia, dados e talentos. Startups do portfólio começaram a testar <strong>integrações</strong> em logística, pagamentos e identidade digital. Em vez de<strong> comprar para diversificar</strong>, a Prosus quer <strong>conectar</strong> <strong>para</strong> <strong>escalar</strong>.</p>



<p>O plano foi anunciado com todas as letras: transformar a <strong>holding</strong> em uma <strong>big tech global. </strong>Dobrar seu valor de mercado para <strong>US$200 bilhões</strong> e usar os ativos em <strong>mercados</strong> <strong>emergentes</strong> como base para um novo tipo de conglomerado digital — <strong>descentralizado, mas orquestrado.</strong></p>



<p>O mercado ainda observa com reservas. A transformação que Bloisi propõe exige <strong>reverter</strong> uma cultura de anos, <strong>enfrentar</strong> <strong>conselhos</strong> <strong>conservadores</strong> e <strong>reprecificar</strong> o valor das empresas com base em sinergias que ainda estão no papel. Mas, aos poucos, a narrativa começa a mudar. Os relatórios trimestrais ficaram mais <strong>densos</strong>. O guidance passou a <strong>incluir </strong>métricas operacionais. E o CEO brasileiro, antes visto como <strong>aposta exótica,</strong> virou o principal porta-voz da tese de reestruturação da Prosus.</p>



<p>O reconhecimento mais visível veio esse mês, quando Bloisi foi <strong>homenageado como <em>Person of the Year</em> </strong>pela <strong>Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, </strong>em <strong>Nova</strong> <strong>York</strong>. No palco, diante de banqueiros e investidores, ele não falou sobre legado — falou sobre ambição. Relembrou o<strong> mural de metas do iFood, </strong>onde cada colaborador escrevia um sonho com uma data. E deixou claro qual é o próximo: transformar a Prosus em uma empresa de US$200 bilhões. <strong>Com data marcada.</strong></p>



<p>Ainda é cedo para saber se o plano vai vingar. Mas, ao contrário do que se pensava em Amsterdã, não se trata de uma aposta ousada demais. Para quem conhece a trajetória de Bloisi, seria estranho se fosse outra coisa.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://bastidoresdopoder.com/o-brasileiro-que-quer-criar-a-proxima-big-tech-global/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>De granja em granja, Ricardo Faria vira potência global</title>
		<link>https://bastidoresdopoder.com/de-granja-em-granja-ricardo-faria-vira-potencia-global/</link>
					<comments>https://bastidoresdopoder.com/de-granja-em-granja-ricardo-faria-vira-potencia-global/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 May 2025 00:36:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Aquisições]]></category>
		<category><![CDATA[Companhias em Alta]]></category>
		<category><![CDATA[Impérios]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://bastidoresdopoder.com/?p=1288</guid>

					<description><![CDATA[Nesta terça-feira, a Global Eggs, holding internacional controlada por Faria, anunciou a compra da granja espanhola Legaria, uma operação regional com 350 mil aves que será incorporada à estrutura da Hevo, adquirida no fim de 2024 por €120 milhões. O movimento, pequeno em volume, vem um dia depois da conclusão oficial da compra da americana [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nesta terça-feira, a <strong>Global</strong> <strong>Eggs</strong>, holding internacional controlada por <strong>Faria</strong>, anunciou a compra da granja espanhola <strong>Legaria</strong>, uma operação regional com <strong>350 mil aves</strong> que será incorporada à estrutura da <strong>Hevo</strong>, adquirida no fim de 2024 por <strong>€120 milhões.</strong></p>



<p>O movimento, pequeno em volume, vem um dia depois da conclusão oficial da compra da americana <strong>Hillandale</strong> <strong>Farms</strong> por <strong>US$1,1 bilhão</strong> e ajuda a montar o quebra-cabeça de uma tese que começa a se tornar visível no mapa global: somando a operação brasileira da <strong>Granja</strong> <strong>Faria</strong> com os ativos internacionais da holding <strong>Global Eggs</strong>, Ricardo opera <strong>mais de 35 milhões de galinhas poedeiras</strong> e sobe para o <strong>3º lugar no ranking mundial</strong> de maiores produtores de ovos, atrás apenas da Cal-Maine (EUA) e da mexicana PROAN.</p>



<p>O dado vem da <strong>WATT Global Media</strong>, que posicionava a Granja Faria na 11ª posição em 2024, com 16,2 milhões de aves. A aquisição da Hillandale (18,8 milhões de aves) muda completamente o cenário. A Mantiqueira, até então maior do Brasil, aparece em 10º lugar, com 16,5 milhões. Faria agora está em outro campeonato.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Um grupo com duas frentes, uma mesma lógica</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="705" height="470" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-7.png" alt="" class="wp-image-1291" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-7.png 705w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-7-300x200.png 300w" sizes="(max-width: 705px) 100vw, 705px" /></figure>
</div>


<p>O que muita gente ainda não entendeu é que <strong>Granja Faria e Global Eggs são estruturas distintas</strong>. A Granja Faria segue como a operação nacional, verticalizada e dominante no mercado brasileiro. Já a Global Eggs é a holding internacional, com sede em Luxemburgo, governança separada, executivos próprios e um plano claro de consolidação nos mercados desenvolvidos.</p>



<p>Ambas são controladas por Ricardo Faria. Mas operam de forma autônoma.</p>



<p>Enquanto a Granja Faria segue com 25 unidades produtivas, exportações para 17 países e mais de <strong>R$1,8 bilhão de receita</strong>, a Global Eggs tem se expandido por aquisições. Primeiro na Espanha, com a Hevo. Depois nos EUA, com a Hillandale. Agora com a Legaria, também na Espanha. E outras negociações em curso.</p>



<p>A holding internacional recebeu, em 2024, um investimento de <strong>US$ 300 milhões do BTG Pactual</strong>, que ficou com 11% da empresa. A capitalização reforçou o plano: consolidar ativos familiares, integrar margens, operar localmente e criar uma rede global de produção — com distribuição própria e proteção cambial.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Uma tese de liderança, não de exportação</strong></h2>



<p>O diferencial da estratégia de Faria é que <strong>não se trata de exportar do Brasil para o mundo</strong>, mas sim <strong>produzir em cada mercado relevante com ativos locais sob controle</strong>. A Hillandale, por exemplo, dá à Global Eggs acesso direto ao consumidor americano, sem depender de barreiras alfandegárias, surtos sanitários ou gargalos logísticos. A operação espanhola faz o mesmo papel na Europa.</p>



<p>Com as aquisições já realizadas, a holding internacional projeta <strong>US$ 2,5 bilhões de faturamento em 2025</strong>. O número pode chegar a US$ 3 bilhões nos próximos anos, com o avanço da operação nos EUA e o plano de atingir <strong>30% do mercado espanhol até 2030</strong>.</p>



<p>Mais do que volume, o grupo foca em <strong>margem, controle e previsibilidade</strong>. No Brasil, a Granja Faria se tornou referência de verticalização: controla o fornecimento de ração (com a Insolo), converte esterco em adubo (com a Fertifar), padronizou a distribuição e incorporou genética, rastreabilidade e bem-estar animal à operação.</p>



<p>É esse modelo, financeiramente disciplinado e operacionalmente replicável, que agora começa a ser implementado nos ativos internacionais.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>A lógica por trás da Legaria</strong></h2>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="638" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-8-1024x638.png" alt="" class="wp-image-1293" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-8-1024x638.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-8-300x187.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-8-768x479.png 768w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-8-1536x958.png 1536w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/05/image-8.png 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>A compra da Legaria, por si só, não altera os números do ranking global. São 350 mil aves, uma operação familiar e presença regional. Mas o movimento sinaliza algo maior: Faria não está comprando apenas grandes ativos. Está construindo capilaridade, inteligência de distribuição e lastro para escalar o crescimento dentro da Europa.</p>



<p>O mercado espanhol vive um momento raro: consumo per capita em baixa, setor fragmentado e escassez de novos operadores dispostos a consolidar. É exatamente o cenário que a Granja Faria enfrentava no Brasil em 2018 e que transformou em vantagem.</p>



<p>Faria já declarou que pretende repetir a fórmula. E tem fôlego para isso.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>IPO? Só com múltiplo pronto</strong></h2>



<p>O grupo tem estrutura e governança para um IPO. A Global Eggs já opera com sede fora do Brasil, executivos globais (o ex-CEO da Granja Faria, Denilson Dorigoni, assumiu como CEO global), auditoria estruturada e conselho formalizado.</p>



<p>Mas Faria suspendeu o plano e não por falta de ambição, a decisão é tática. Com os ativos ainda em integração e múltiplos de mercado deprimidos, o IPO não entregaria o valor que a operação pode alcançar com mais dois ou três anos de execução. A prioridade, por ora, é ganhar escala, capturar margem e mostrar resultado.</p>



<p>Se der certo, a listagem virá num outro patamar.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Um projeto de poder industrial</strong></h2>



<p>Enquanto outras companhias brasileiras do agronegócio operam em ciclos, exportam produtos primários e dependem de dólar, Faria está montando <strong>uma plataforma de proteína leve, com produção de alta frequência, marca própria e controle de margem</strong>.</p>



<p>O que está nascendo é uma companhia com cara de consumo essencial, estrutura de agroindústria e aspiração global. Um negócio que não depende de commodity, nem de China, nem de leilão público. Só de eficiência.</p>



<p>Com a Legaria, Faria reforça a presença na Europa. Com a Hillandale, crava posição nos EUA. Com a Granja Faria, mantém o centro de excelência no Brasil. E com os três ativos, monta <strong>a única companhia brasileira de proteína com operação própria nos três maiores mercados do mundo.</strong></p>



<p>É cedo para saber até onde isso vai.</p>



<p>Mas já está claro onde ele chegou.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://bastidoresdopoder.com/de-granja-em-granja-ricardo-faria-vira-potencia-global/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O Maior Turnaround Químico da B3</title>
		<link>https://bastidoresdopoder.com/o-maior-turnaround-quimico-da-b3/</link>
					<comments>https://bastidoresdopoder.com/o-maior-turnaround-quimico-da-b3/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Apr 2025 00:33:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Companhias em Alta]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Turnaround]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://bastidoresdopoder.com/?p=1169</guid>

					<description><![CDATA[SÃO PAULO — Em março de 2013, poucos analistas prestaram atenção ao anúncio discreto que cruzou os sistemas da B3: a Unipar Carbocloro, uma companhia até então esquecida pela maioria dos investidores, comprava a participação de 50% que a americana Occidental Petroleum ainda detinha na Carbocloro por R$550 milhões. Para a maioria, parecia apenas mais [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[




<p><strong>SÃO PAULO</strong> <strong>—</strong> Em março de 2013, <strong>poucos</strong> <strong>analistas</strong> prestaram atenção ao <strong>anúncio discreto</strong> que cruzou os sistemas da B3: a <strong>Unipar</strong> <strong>Carbocloro</strong>, uma companhia até então <strong>esquecida</strong> pela maioria dos investidores, <strong>comprava</strong> a participação de<strong> 50%</strong> que a americana <strong>Occidental</strong> <strong>Petroleum</strong> ainda detinha na <strong>Carbocloro</strong> por <strong>R$550 milhões. </strong>Para a maioria, parecia apenas mais um <strong>movimento</strong> <strong>de consolidação </strong>em um<strong> setor de</strong> <strong>baixo</strong> <strong>glamour</strong>. Para <strong>Frank</strong> <strong>Geyer</strong> <strong>Abubakir</strong>, no entanto, era o primeiro passo para construir um dos <strong>maiores</strong> e<strong> mais bem-sucedidos turnarounds </strong>da década na bolsa brasileira.</p>



<p>Naquele momento, a Unipar era vista como <strong>‘patinho feio’ </strong>da bolsa. <strong>Sem um core business claro</strong>, ela operava no limite, <strong>endividada</strong>, <strong>desorganizada</strong> e <strong>desvalorizada</strong>, valia apenas <strong>R$215 milhões.</strong> Suas ações haviam <strong>despencado</strong> quase <strong>90%</strong> nos cinco anos anteriores e a dívida líquida superava os<strong> R$200 milhões.</strong> A companhia fechou o ano de 2012 com cerca de<strong> R$350 milhões</strong> em receitas anuais e um lucro de <strong>R$10 milhões.</strong></p>



<p>Dez anos depois, a fotografia já era outra: em <strong>2023</strong>, a Unipar chegou a valer <strong>R$10 bilhões</strong> — quase 60 vezes mais —, faturou <strong>R$13 bilhões</strong> no ano e entregou lucros líquidos superiores a <strong>R$1,3 bilhão. </strong>Um salto impressionante, fruto de uma <strong>reestruturação</strong> paciente, disciplinada e <strong>quase invisível ao mercado.</strong></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdQFxYr9ieXv_2s-N7reUCGHNg-DE-_M5QCPOT_AD5qzPKovw/viewform"><img loading="lazy" decoding="async" width="608" height="972" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-39.png" alt="" class="wp-image-1147" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-39.png 608w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-39-188x300.png 188w" sizes="(max-width: 608px) 100vw, 608px" /></a></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>A Origem da Unipar e o Vazio Estratégico</strong></h2>



<p>A história da Unipar começa décadas antes. Fundada no<strong> fim dos anos 1960 </strong>no <strong>ABC</strong> <strong>Paulista</strong>, a <strong>União de Indústrias Petroquímicas S.A.</strong> nasceu como<strong> braço de investimentos da elite industrial paulista </strong>no recém-criado<strong> setor petroquímico brasileiro.</strong> Em um movimento coordenado entre <strong>iniciativa</strong> <strong>privada</strong> e <strong>governo</strong> <strong>federal</strong>, a companhia foi estruturada para participar do<strong> projeto de industrialização pesada </strong>do país, num modelo de<strong> &#8220;tripé&#8221; </strong>que reunia <strong>capital</strong> <strong>estatal</strong>, <strong>privado</strong> <strong>nacional</strong> e <strong>estrangeiro</strong>.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="405" height="341" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-45.png" alt="" class="wp-image-1171" style="width:197px;height:auto" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-45.png 405w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-45-300x253.png 300w" sizes="(max-width: 405px) 100vw, 405px" /><figcaption class="wp-element-caption">Composição acionário Petroquímica União, 2002</figcaption></figure>
</div>


<p>Durante as décadas seguintes, a Unipar expandiu cresceu por meio de aquisições, com posições em empresas como a <strong>Petroquímica União</strong>, uma das <strong>primeiras</strong> <strong>produtoras de eteno</strong> do Brasil, a <strong>Carbocloro</strong>, referência em <strong>cloro e soda cáustica</strong> e diversas participações em cadeias petroquímicas integradas.</p>



<p>No início dos anos 2000, a Unipar <strong>parecia</strong> <strong>uma aposta sólida </strong>para investidores que buscavam exposição ao<strong> ciclo de crescimento das commodities. </strong>O setor petroquímico <strong>ganhava</strong> <strong>tração</strong> com o aumento da demanda global por <strong>plásticos</strong>, <strong>fertilizantes</strong> e<strong> derivados de petróleo,</strong> e a companhia figurava entre as <strong>maiores do país</strong> no segmento.</p>



<p>Mas a formação da <strong>Braskem</strong> em um <strong>consórcio</strong> articulado entre <strong>Odebrecht</strong> e <strong>Petrobras</strong>, com apoio decisivo do <strong>BNDES</strong> mudou a dinâmica do setor. Com <strong>escala muito superior </strong>e<strong> acesso facilitado a matéria-prima da Petrobras,</strong> a Braskem rapidamente se tornou o<strong> grande player nacional, </strong>aumentando a <strong>pressão</strong> competitiva sobre seus concorrentes.</p>



<p>Em resposta, a Unipar liderou a criação da <strong>Quattor Participações</strong> em <strong>2008</strong> — um conglomerado que reunia os <strong>ativos petroquímicos</strong> da própria Unipar (como a<strong> Petroquímica União</strong>, <strong>Polietilenos União, Polipropileno</strong> <strong>União</strong> e <strong>Rio</strong> <strong>Polímeros</strong>) com <strong>participação</strong> <strong>minoritária</strong> da Petrobras. A Quattor tornou-se, na época, o <strong>segundo maior grupo petroquímico do Brasil,</strong> com capacidade produtiva de mais de<strong> 2 milhões de toneladas por ano</strong> de resinas plásticas e faturamento de cerca de <strong>R$10 bilhões anuais.</strong></p>



<p>A operação parecia uma resposta, mas a Quattor nasceu em meio à <strong>crise financeira global de 2008,</strong> num ambiente de <strong>crédito</strong> <strong>restrito</strong> e<strong> demanda internacional em retração. </strong>Além disso, enfrentava uma competição desigual:<strong> sem acesso aos mesmos subsídios</strong> e condições comerciais que beneficiavam a Braskem, o grupo acumulava dificuldades financeiras.</p>



<p>Pressionada por uma<strong> estrutura de capital fragilizada, </strong>pela necessidade urgente de investimentos em modernização e pela <strong>articulação política favorável à formação de um &#8220;campeão nacional&#8221; do setor. </strong>Sob liderança da <strong>Braskem</strong> e aval da <strong>Petrobras</strong> a Unipar foi levada a negociar a venda de sua participação.</p>



<p>Em<strong> janeiro de 2010, </strong>a transação foi concluída: a Braskem adquiriu o controle da Quattor em um movimento que <strong>consolidou sua liderança absoluta no mercado brasileiro.</strong> À Unipar, restou um cheque de cerca de <strong>R$650 milhões</strong> e um<strong> portfólio drasticamente reduzido,</strong> sua principal operação passou a ser a participação de <strong>50% na Carbocloro, </strong>com uma fábrica integrada de cloro-soda em <strong>Cubatão</strong> (SP), além de pouco mais de <strong>R$1 bilhão em ativos líquidos.</strong></p>



<p><strong>Sem um core business claro</strong>, sem escala para competir em petroquímicos e sem estratégia definida, a Unipar entrou na década de 2010 como um<strong> ativo marginalizado</strong> — vista pelo mercado como uma <strong>sobrevivente sem rumo num setor cada vez mais concentrado.</strong></p>



<p>Foi nesse cenário que <strong>Frank</strong> <strong>Geyer</strong> <strong>Abubakir</strong> emergiu como a figura central para redesenhar o futuro da companhia. Bisneto de <strong>Alberto Soares de Sampaio, </strong>um dos pioneiros da indústria petroquímica nacional, e neto de<strong> Paulo Geyer, </strong>Frank havia <strong>crescido</strong> em meio às <strong>disputas de poder</strong> e às <strong>sucessões</strong> <strong>empresariais</strong> que marcaram a história da Unipar. Em 2005, <strong>assumiu o comando do bloco de controle familiar, </strong>estruturado por meio da holding <strong>Vila Velha S.A. </strong>Em 2008 teve sua primeira experiência em reestruturações como a da seguradora <strong>Securitas União, </strong>vendida em 2008 após turnaround liderado por ele.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>O Primeiro Movimento: Reconstruir o Núcleo da Companhia</strong></h2>



<p>Quando assumiu o comando de fato da Unipar, Frank sabia que para <strong>reconstruir</strong> a companhia e precisava encontrar um <strong>núcleo de operação </strong>que<strong> </strong>fosse<strong> rentável,</strong> <strong>previsível</strong> e <strong>capaz de gerar caixa </strong>para financiar sua sobrevivência — e, depois, sua <strong>expansão</strong>.</p>



<p>A oportunidade veio da própria estrutura da <strong>Carbocloro</strong>. Desde a sua fundação, a operação era dividida meio a meio com a <strong>Occidental Petroleum,</strong> gigante americana do setor químico e de energia. Mas, após anos de joint venture, a Occidental mostrou interesse em <strong>sair da operação brasileira, </strong>oferecendo sua parte com um <strong>valuation extremamente atrativo</strong> — cerca de <strong>4x o EBITDA</strong>.</p>



<p>O que parecia uma <strong>jogada</strong> <strong>defensiva</strong> se revelou uma<strong> jogada de mestre. </strong>O setor de <strong>cloro-soda,</strong> apesar de <strong>pouco</strong> <strong>glamouroso</strong>, tinha características únicas: <strong>demanda relativamente inelástica</strong>, ligada a <strong>tratamento</strong> <strong>de água, </strong>saneamento e construção civil; proteção cambial natural via exportação; e possibilidades de<strong> integração vertical com geração de energia, </strong>o maior custo variável do processo. Mais do que isso, o segmento estava em linha com uma<strong> tendência </strong>que Frank já enxergava no horizonte: a <strong>necessidade crescente de universalização do saneamento no Brasil e na América Latina, </strong>o que impulsionaria a <strong>demanda</strong> por <strong>soda</strong> <strong>cáustica</strong> e <strong>hipoclorito</strong>.</p>



<p>A partir da consolidação do controle da Carbocloro, a reestruturação foi <strong>cirúrgica</strong>. Frank reduziu drasticamente a estrutura de custos da companhia,<strong> implementou auditorias</strong> com firmas do Big Four, <strong>modernizou práticas de governança</strong> e <strong>reorganizou o conselho </strong>de administração com membros independentes.<strong> </strong>O objetivo era <strong>profissionalizar</strong> <strong>a gestão,</strong> eliminar heranças da cultura estatal que ainda permeavam a companhia e preparar a Unipar para operar como uma <strong>holding industrial eficiente.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>A Expansão: Solvay Indupa e a Nova Escala</strong></h2>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-47.png" alt="" class="wp-image-1185" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-47.png 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-47-300x169.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-47-768x432.png 768w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Solvay Indupa</figcaption></figure>



<p>O segundo grande movimento veio em <strong>2016</strong>, quando a Unipar aproveitou uma oportunidade rara: a venda da <strong>Solvay Indupa, </strong>braço latino-americano do grupo belga <strong>Solvay</strong>, que operava no <strong>Brasil</strong> e na <strong>Argentina</strong> com produção de <strong>PVC</strong> e <strong>soda cáustica.</strong></p>



<p>Fundada na década de <strong>1940</strong>, a Indupa era uma das <strong>principais produtoras de PVC da América do Sul, </strong>com plantas em <strong>Santo</strong> <strong>André</strong> (SP) e <strong>Bahía</strong> <strong>Blanca</strong>, na Argentina. Mas enfrentava dificuldades, pressionada por um <strong>ambiente regulatório hostil </strong>na Argentina, <strong>margens apertadas </strong>e necessidade de <strong>investimentos</strong> <strong>pesados</strong> em modernização, a matriz belga decidiu <strong>descontinuar</strong> <strong>a operação </strong>e focar em mercados mais rentáveis.</p>



<p>A venda foi concluída por<strong> US$202 milhões, </strong>um valor considerado <strong>baixo</strong> em relação à capacidade instalada dos ativos. A compra elevou a capacidade de <strong>PVC</strong> da Unipar de cerca de<strong> 300 kt</strong> para mais de<strong> 550 kt/ano</strong> e a de <strong>cloro-soda</strong> de <strong>460 kt</strong> para <strong>770 kt,</strong> um salto de quase <strong>80 %.</strong> Além da escala, a companhia conquistava algo ainda mais importante, uma <strong>exposição cambial natural,</strong> com parte relevante das <strong>receitas da operação argentina</strong> <strong>dolarizada</strong>, funcionando como um <strong>hedge</strong> contra a volatilidade econômica brasileira.</p>



<p>A aquisição também fez a Unipar sair de uma<strong> produtora regional de cloro-soda</strong> <strong>concentrada</strong> <strong>em</strong> <strong>Cubatão</strong>, a uma companhia com <strong>presença</strong> <strong>internacional</strong>, acesso a <strong>novos</strong> <strong>mercados</strong> e um perfil industrial diversificado em duas moedas.</p>



<p>Enquanto fortalecia a base de ativos, Frank atacava o principal gargalo de custos do setor: <strong>a energia elétrica. </strong>A produção de cloro-soda é <strong>intensiva em consumo de energia,</strong> o que tornava a companhia <strong>vulnerável</strong> <strong>aos preços spot do mercado livre. </strong>Para mitigar esse risco, a Unipar iniciou uma estratégia dupla: firmou contratos de longo prazo<strong> (PPAs) </strong>com geradores de energia renovável, como no projeto eólico<strong> Tucano III, </strong>e investiu na <strong>autoprodução</strong>, com projetos de <strong>cogeração</strong> nas plantas de <strong>Cubatão</strong> e <strong>Santo André.</strong></p>



<p>O impacto foi direto no balanço. Em <strong>2016</strong>, a Unipar ainda comprava mais de <strong>80% da energia no mercado.</strong> Em 2025, esse número vai cair para menos de <strong>40%</strong>. Mais de <strong>60% do consumo</strong> já é abastecido por <strong>fontes</strong> <strong>próprias</strong> ou<strong> contratos de custo fixo,</strong> garantindo margens mais <strong>estáveis</strong> e protegendo a companhia dos <strong>choques de preços</strong> que historicamente penalizavam o setor.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>A Virada nos Números</strong></h2>



<p>O impacto dessas medidas logo ficou evidente nos números. Em <strong>2013</strong>, a Unipar tinha uma <strong>dívida líquida equivalente a 2,3x o seu EBITDA.</strong> Em 2018, essa relação havia sido <strong>invertida</strong>: a empresa registrava <strong>caixa líquido</strong> e <strong>distribuía dividendos generosos aos acionistas. </strong>Entre 2016 e 2024, as ações da Unipar valorizaram mais de<strong> 2.000%.</strong></p>



<p>A geração de caixa impressionava: em 2022, a companhia registrou lucro líquido de <strong>R$1,3 bilhão,</strong> com Ebitda de <strong>R$2,6 bilhões. </strong>Mesmo em anos de ciclo desfavorável, como 2023, a empresa manteve ROE acima de<strong> 33%, </strong>consolidando sua reputação como um dos <strong>melhores cases de eficiência operacional da bolsa.</strong></p>



<p>Internamente, <strong>a sucessão também foi planejada com disciplina. </strong>Em 2020, Frank <strong>deixou</strong> a presidência executiva e <strong>assumiu</strong> o posto de <strong>chairman do conselho, </strong>nomeando <strong>Maurício</strong> <strong>Russomanno</strong>, executivo com passagens pela Dow, para o cargo de <strong>CEO</strong>. A ideia era preservar a <strong>cultura de disciplina financeira</strong> e <strong>execução operacional </strong>que havia sido construída ao longo da última década.</p>



<p>Em <strong>2024</strong>, a receita da companhia sofreu uma <strong>retração</strong>, reflexo do <strong>ciclo de baixa das commodities químicas</strong>. Ainda assim, a empresa manteve<strong> margens operacionais sólidas, </strong>fluxo de caixa positivo e fechou o ano com alavancagem líquida negativa — uma posição que poucas concorrentes globais conseguiram preservar diante do novo cenário macroeconômico.</p>



<p>A força da nova Unipar ficou ainda mais evidente em julho de <strong>2023</strong>, quando a companhia apresentou uma proposta não vinculante para <strong>adquirir o controle da Braskem. </strong>A proposta de <strong>R$10 bilhões</strong> era para comprar a parte da <strong>Novonor</strong> (antiga <strong>Odebrecht</strong>) de <strong>34% na Braskem. </strong>A oferta <strong>não foi aceita,</strong> mas mostrou que a companhia antes tida como <strong>marginalizada</strong> voltou ao <strong>centro do jogo</strong> petroquímico nacional e em condições de liderar o setor.</p>



<p>Hoje, Frank Geyer Abubakir controla cerca de <strong>60% das ações ordinárias da Unipar, </strong>via Vila Velha S.A., mantendo o <strong>controle absoluto</strong> <strong>da estratégia </strong>sem a presença de sócios estatais ou investidores descoordenados. Seu patrimônio, estimado em mais de<strong> US$1,2 bilhão</strong>, é quase totalmente concentrado na Unipar — uma aposta pessoal que materializa sua visão de longo prazo.</p>



<p>O legado do turnaround é inegável. Em pouco mais de dez anos, a Unipar saiu de uma <strong>companhia órfã de um negócio principal</strong> para se tornar a <strong>líder sul-americana em produção de cloro-soda e PVC, </strong>com <strong>rating de crédito AA+(bra)</strong> e uma estrutura de capital robusta, admirada tanto por acionistas quanto por agências de risco.</p>


<figure class="wp-block-post-featured-image"><img loading="lazy" decoding="async" width="2560" height="1707" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/Frank-Geyer-Abubakir_40_Credito-Ireno-Figueiredo-scaled.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="" style="object-fit:cover;" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/Frank-Geyer-Abubakir_40_Credito-Ireno-Figueiredo-scaled.jpg 2560w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/Frank-Geyer-Abubakir_40_Credito-Ireno-Figueiredo-300x200.jpg 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/Frank-Geyer-Abubakir_40_Credito-Ireno-Figueiredo-1024x683.jpg 1024w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/Frank-Geyer-Abubakir_40_Credito-Ireno-Figueiredo-768x512.jpg 768w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/Frank-Geyer-Abubakir_40_Credito-Ireno-Figueiredo-1536x1024.jpg 1536w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/Frank-Geyer-Abubakir_40_Credito-Ireno-Figueiredo-2048x1365.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></figure>]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://bastidoresdopoder.com/o-maior-turnaround-quimico-da-b3/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>BTG, JGP e o fim da era romântica dos family offices</title>
		<link>https://bastidoresdopoder.com/btg-jgp-e-o-fim-da-era-romantica-dos-family-offices/</link>
					<comments>https://bastidoresdopoder.com/btg-jgp-e-o-fim-da-era-romantica-dos-family-offices/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Apr 2025 20:52:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Aquisições]]></category>
		<category><![CDATA[Companhias em Alta]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento de Mercado]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://bastidoresdopoder.com/?p=1096</guid>

					<description><![CDATA[A venda da área de wealth management da JGP ao BTG Pactual, anunciada nesta segunda-feira (14), não é apenas mais uma aquisição no setor de gestão de fortunas. É, sobretudo, o retrato de um mercado que abandonou a estética da exclusividade artesanal para abraçar a lógica da escala industrial. O valor da transação não foi [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[




<p>A venda da área de<strong> wealth management da JGP </strong>ao <strong>BTG Pactual,</strong> anunciada nesta segunda-feira (14), não é apenas mais uma aquisição no setor de gestão de fortunas. É, sobretudo, o retrato de<strong> um mercado que abandonou a estética da exclusividade artesanal para abraçar a lógica da escala industrial.</strong></p>



<p>O valor da transação não foi revelado, mas, com base no múltiplo usado na <strong>compra da operação brasileira do Julius Baer</strong> — &nbsp;cerca de <strong>1% sobre os ativos sob gestão</strong> —, estima-se que a aquisição possa ter girado em torno de <strong>R$180 milhões. </strong>A negociação vinha sendo conduzida há cerca de <strong>quatro meses, </strong>sem processo competitivo, <strong>o acordo foi direto entre os sócios </strong>da JGP e os executivos do BTG.</p>



<p>A movimentação também reforça o posicionamento do BTG como o <strong>principal consolidador do segmento de multifamily office (MFO) </strong>no país. Em janeiro, o banco já havia fechado a compra da operação do <strong>Julius Baer, </strong>adicionando <strong>R$61 bilhões em ativos. </strong>Agora, com os <strong>R$18 bilhões </strong>da JGP, a área de private banking e MFO do banco supera os<strong> R$120 bilhões</strong>, um salto de <strong>mais de 50%</strong> desde o início do ano. Considerando toda a operação de wealth (incluindo BTG Digital, fundos e distribuição), o banco chega a marca de <strong>R$900 bilhões.</strong></p>



<p>A transação com a JGP é menor em volume, mas carrega um <strong>peso simbólico </strong>importante. Trata-se de uma das <strong>últimas operações relevante de wealth management independente no país.</strong> E, mais do que os ativos, o BTG leva os clientes, os <strong>executivos</strong> e o prestígio do nome de<strong> Jakurski, </strong>que por sua vez, vai assumir a <strong>presidência do comitê de investimentos do family office do BTG.</strong></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdQFxYr9ieXv_2s-N7reUCGHNg-DE-_M5QCPOT_AD5qzPKovw/viewform?usp=sharing"><img loading="lazy" decoding="async" width="608" height="972" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/03/image-38.png" alt="" class="wp-image-963" style="width:426px;height:auto" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/03/image-38.png 608w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/03/image-38-188x300.png 188w" sizes="(max-width: 608px) 100vw, 608px" /></a></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>O fim da independência</strong></h2>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="984" height="654" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-26.png" alt="" class="wp-image-1098" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-26.png 984w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-26-300x199.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-26-768x510.png 768w" sizes="(max-width: 984px) 100vw, 984px" /><figcaption class="wp-element-caption">André Jakurski</figcaption></figure>



<p>Fundada por <strong>André</strong> <strong>Jakurski</strong>, a JGP sempre foi referência no mercado brasileiro pela <strong>gestão</strong> <strong>sofisticada</strong>, atendimento personalizado e atuação técnica. Qualidades que definiram, por anos, o <strong>ideal do family office nacional. </strong>Mas esse ideal começou a se alterar diante da nova realidade do setor.</p>



<p>Nos últimos anos, <strong>mudanças</strong> <strong>regulatórias</strong> profundas alteraram a lógica do mercado de wealth management. O fim do diferimento fiscal em fundos exclusivos, a internacionalização das carteiras, <strong>a </strong>diversificação via previdência privada e ativos isentos criaram um ambiente que exige estrutura. <strong>Custos com compliance, governança fiduciária, integração de múltiplas custódias e times jurídicos pressionaram as margens e tornaram o modelo boutique insustentável para grande parte dos players independentes.</strong></p>



<p>Foi nesse contexto que a JGP optou por se unir ao BTG. A empresa de Jakurski manterá a gestora tradicional, com cerca de <strong>R$27 bilhões em ativos distribuídos entre fundos multimercado, ações, crédito e real estate.</strong> Apesar do peso do wealth no AUM total, a <strong>margem desse segmento é muito menor </strong>do que nos fundos e, nesse sentido, o desinvestimento pode ser visto como uma escolha pragmática.</p>



<p>Jakurski <strong>continuará à frente da gestora, </strong>mas também <strong>assumirá o papel de chairman</strong> do comitê de investimentos da área de family office do BTG. Segundo ele, a decisão foi motivada por um “dever fiduciário com os clientes que acompanha desde 2007” e pela percepção de que <strong>a estrutura do banco</strong> permitiria acesso a <strong>soluções</strong> e <strong>produtos</strong> que uma casa independente não conseguiria mais oferecer.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Consolidação sem volta</strong></h2>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="984" height="439" src="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-27.png" alt="" class="wp-image-1099" srcset="https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-27.png 984w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-27-300x134.png 300w, https://bastidoresdopoder.com/wp-content/uploads/2025/04/image-27-768x343.png 768w" sizes="(max-width: 984px) 100vw, 984px" /><figcaption class="wp-element-caption">Rogério Pessoa</figcaption></figure>



<p>Essa transformação no mercado favorece quem já tem musculatura. Em entrevista ao <em>Brazil Journal</em>, <strong>Rogério Pessoa, </strong>sócio responsável pela área de wealth do BTG disse, <strong>“Nos últimos anos, houve uma proliferação de&nbsp;<em>family offices</em>, mas para você ter um&nbsp;<em>family office</em>&nbsp;que faça sentido você precisa ter advogados, gestores, e sistemas para integrar múltiplas custódias. Tudo isso custa dinheiro, então você precisa ter escala para fechar a conta”</strong>.</p>



<p>Em menos de um ano, o banco comprou três grandes estruturas no setor: o <strong>Julius Baer</strong> no Brasil por <strong>R$615 milhões,</strong> com <strong>R$61 bi em ativos,</strong> a <strong>Greytown</strong> <strong>Advisors</strong> em Miami com <strong>US$1 bi </strong>sob gestão e agora a JGP Wealth (R$ 18 bi). Só a área de family office e private banking do banco já acumula mais de R$ 120 bilhões.</p>



<p>É uma estratégia declarada. <strong>&#8220;A gente já tem toda essa infraestrutura, então somos um candidato natural para a consolidação”,</strong> disse Rogério. Ele tem razão. Os custos de operação aumentaram. A integração de múltiplas custódias, o atendimento jurídico, a curadoria de produtos globais, tudo isso exige escala. E escala exige capital, governança, tecnologia e fôlego.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Quem veio antes (e quem vem depois)</strong></h2>



<p><strong>A JGP não é um ponto fora da curva. Várias boutiques já seguiram o mesmo caminho.</strong></p>



<p>A <strong>Turim</strong>, maior multifamily office independente do país, comprou a <strong>Vita Investimentos </strong>(R$ 3,5 bi) e a área de wealth da <strong>One Partners. </strong>A <strong>XP</strong> também não ficou parada, reforçou sua vertical de private banking, consolidou estruturas regionais e tem expandido sua atuação offshore. O <strong>Itaú</strong> reforçou o Itaú Private Bank com a integração de hubs globais. A própria <strong>Genial</strong>, com menos barulho, também tem buscado movimentos semelhantes.</p>



<p>Até mesmo gestoras de menor porte, como a <strong>Perfin</strong> e a <strong>Neo</strong>, já começaram a discutir modelos híbridos com plataformas maiores — buscando manter o<strong> “DNA de boutique”</strong> sem abrir mão da retaguarda que o novo ambiente regulatório exige.</p>



<p>Antes, a equação era simples: fundos exclusivos permitiam uma estrutura tributária eficiente e barata. <strong>O cliente com R$ 30 milhões montava seu fundo, escolhia gestor, alocava e via o dinheiro render, com baixo overhead.</strong> Hoje, isso mudou. Os fundos exclusivos perderam a vantagem. As carteiras agora precisam lidar com <strong>previdência</strong>, <strong>ativos</strong> <strong>isentos</strong>, <strong>offshore</strong>, <strong>governança</strong> <strong>familiar</strong>, <strong>estruturas</strong> <strong>fiduciárias</strong>, <strong>trusts</strong> <strong>e</strong> <strong>riscos</strong> <strong>jurídicos</strong> <strong>globais</strong>.</p>



<p>A arquitetura ficou sofisticada demais para uma boutique manter com 10 ou 20 pessoas.</p>



<p>O BTG, que já tinha tudo isso dentro de casa, virou o<strong> porto natural </strong>para essas operações. E, mais importante, virou a <strong>escolha aceitável. </strong>Porque, ao contrário dos bancos de varejo, o BTG preservou uma cultura de alta performance, discrição e, em muitos casos, parceria societária. <strong>É um banco que sabe como se comportar como uma gestora.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>O que vem agora</strong></h2>



<p>O BTG, ao que tudo indica, não pretende parar. Segundo Pessoa ao, o banco já conversa com estruturas nos EUA e na Europa, com foco em<strong> atender latinos.</strong> A ideia é ser o <strong>global advisor da elite brasileira, </strong>com soluções locais e internacionais integradas.</p>



<p>A palavra da vez é <strong>escala</strong> e o BTG entendeu isso antes de todo mundo. Aquelas <strong>estruturas enxutas, </strong>montadas para preservar autonomia, discrição e governança própria. A nova fase exige outra musculatura:<strong> jurídica, tecnológica, fiscal e regulatória.</strong></p>



<p>Ao mesmo tempo, escancara uma mudança estrutural no setor: <strong>as boutiques de wealth, que até poucos anos atrás eram vistas como refúgios de independência, agora buscam abrigo em plataformas maiores</strong>, que ofereçam tecnologia, acesso global e fôlego regulatório.</p>



<p>Para o BTG, é mais uma<strong> peça no quebra-cabeça de dominação do mercado de fortunas. </strong>Para a JGP, é uma<strong> saída elegante,</strong> que preserva a cultura da casa e a relação com os clientes. Para o mercado, é mais um sinal de que o tempo do atendimento artesanal está chegando ao fim.</p>



<p><strong>Jakurski, que ajudou a fundar o próprio Pactual lá atrás, </strong>agora<strong> </strong>volta à casa que ajudou a construir. E fecha, com lucidez e pragmatismo, um dos<strong> últimos capítulos</strong> da era romântica dos family offices no Brasil.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://bastidoresdopoder.com/btg-jgp-e-o-fim-da-era-romantica-dos-family-offices/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
