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	<title>Bastidores &#8211; Bastidores do Poder</title>
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	<description>Negócios, Notícias, Análises e Grandes Histórias</description>
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	<title>Bastidores &#8211; Bastidores do Poder</title>
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		<title>A Queda de Londres</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Mar 2026 17:06:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Durante séculos, a monarquia britânica funcionou como a vitrine política, militar e simbólica de um império poderoso. Londres era o centro financeiro, diplomático e naval de uma potência que moldava fronteiras, guerras e mercados. Hoje, no entanto, a capital dessa antiga força mundial oferece uma imagem quase invertida. Enquanto a própria família real atravessa um [&#8230;]]]></description>
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<p></p>



<p>Durante séculos, a monarquia britânica funcionou como a vitrine política, militar e simbólica de um império poderoso. <strong>Londres</strong> era o centro financeiro, diplomático e naval de uma potência que moldava fronteiras, guerras e mercados. Hoje, no entanto, a capital dessa antiga força mundial oferece uma imagem quase invertida. Enquanto a própria família real atravessa um período de desgaste público, escândalos e perda de prestígio, parte dos seus bens mais valiosos está nas mãos de dinastias estrangeiras.</p>



<p>O retrato mais eloquente dessa virada vem do mercado imobiliário. Reportagens publicadas em 2025 mostram que a Casa<strong> de Al Thani</strong>, família governante do <strong>Catar</strong>, é <strong>dona de mais propriedade privada em Londres do que o próprio Rei Charles III</strong>.</p>



<p>Com forte presença em áreas nobres, a família real árabe domina <strong>cerca de 167 mil metros quadrados </strong>de imóveis na capital, avaliados em aproximadamente <strong>£2,4 bilhões</strong>. No bairro de Mayfair, a concentração de imóveis é tamanha que parte da região foi apelidada de “Pequena Doha”, em referência à capital do Catar. Além disso, os Al Thani têm participação ou controle sobre ativos como a <strong>Harrods</strong>, o <strong>The Shard</strong>, hotéis de luxo como <strong>Claridge’s, The Connaught </strong>e<strong> The Berkeley</strong>, e o <strong>Canary Wharf</strong>.</p>



<p>Mas como essa expansão começou?</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A expansão londrina da Família Real do Catar</strong></h2>



<p>A forte presença imobiliária da família real do Catar em Londres começou como uma política de Estado. O ponto de partida foi a criação da <strong>Qatar Investment Authority (QIA)</strong>, em 2005, com a missão de transformar a riqueza gerada por gás e petróleo em ativos internacionais de longo prazo. Dentro dessa estratégia, Londres apareceu como destino preferencial por ser uma cidade com segurança jurídica, prestígio global e enorme capacidade de absorver capital estrangeiro em imóveis de alto padrão.</p>



<p>O primeiro grande marco dessa empreitada&nbsp; foi a compra de <strong>Chelsea Barracks</strong>, em 2007, em uma operação reportada em torno de <strong>£600 milhões a £959 milhões</strong>, numa operação conduzida pela <strong>Qatari Diar</strong>, braço imobiliário ligado ao Estado do país. Na época, o investimento foi visto como uma entrada estratégica e bem organizada no mercado londrino, apostando em um mega projeto urbano em uma das áreas mais valorizadas da capital britânica.</p>



<p>A partir daí, o movimento se intensificou. Em 2010, o Catar comprou a <strong>Harrods</strong> por cerca de <strong>£1,5 bilhão</strong>; em seguida, ampliou sua presença com investimentos na <strong>Olympic Village</strong>, no <strong>The Shard</strong> e em outros ativos estratégicos ligados ao desenvolvimento urbano e ao mercado de luxo de Londres. Com isso, passaram a deter participações relevantes em marcos da paisagem londrina e a controlar ativos importantes para a elite econômica da cidade.</p>



<p>Na etapa seguinte, a expansão da família se concentrou em <strong>Mayfair</strong>, coração do mercado imobiliário mais exclusivo de Londres. Investigações e reportagens da imprensa britânica mostraram que o Catar e membros da família <strong>Al Thani</strong> passaram a controlar uma fatia expressiva da região. Foi nesse momento que, aos olhos de parte da imprensa britânica, a estratégia de <strong>investimento estatal se misturou ao enriquecimento privado da dinastia</strong> do Catar, consolidando uma presença imobiliária que hoje simboliza, para muitos britânicos, a transferência silenciosa de parte de Londres das mãos da antiga potência imperial para as de uma monarquia do Golfo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O patrimônio da Coroa</strong></h2>



<p>Mas como uma família real estrangeira pode ter mais poder imobiliário que a família que se senta no trono real em Londres? A resposta é bastante simples. <strong>Charles III não é proprietário do Buckingham Palace</strong>, do Castelo de Windsor ou de boa parte do patrimônio da Coroa.</p>



<p>Segundo o Parlamento britânico, o rei não pode vender ou retirar renda diretamente do <strong>Crown Estate</strong>, ou seja, dos palácios ocupados e de outros bens mantidos. Todos eles permanecem vinculados à Coroa, sendo administrados em nome do Estado, e não como propriedade privada do soberano.</p>



<p>Por esse motivo, as áreas reais como <strong>Buckingham Palace, St James’s Palace, Clarence House, partes residenciais de Kensington Palace, Windsor Castle</strong> e <strong>Hampton Court </strong>não entram na conta do patrimônio pessoal da Família Real.</p>



<p>Se for considerado o patrimônio institucional, a monarquia britânica segue gigantesca no papel. No relatório anual de 2024/25, o <em>Crown Estate</em> informou <strong>lucro líquido de £1,1 bilhão</strong> e <strong>um total avaliado em cerca de £15,5 bilhões</strong>.</p>



<p>Dentro desse conjunto, <strong>o portfólio londrino foi avaliado em aproximadamente £7,1 bilhões</strong>, concentrados em áreas como <strong>Regent Street</strong> e <strong>St James’s</strong>. Mas nada desse patrimônio é riqueza privada do rei, que não pode dispor livremente desses bens nem embolsar essa receita como se fosse um proprietário comum.</p>



<p>Por isso, quando o foco é calcular o patrimônio ligado diretamente ao soberano, o parâmetro mais próximo é o <strong>Duchy of Lancaster</strong>, carteira histórica que financia o monarca. Em 31 de março de 2025, o ducado reportou <strong>valor patrimonial líquido de £678,7 milhões</strong> e registrou <strong>pagamento</strong> <strong>de £28,7 milhões</strong> ao <em>Privy Purse</em> e ao <em>Sovereign Grant Reserve Fund</em>, segundo o relatório anual.</p>



<p>Em outras palavras: quando falamos da riqueza privada associada ao atual rei do Reino Unido, <strong>os números do Catar em Londres já ultrapassam, com folga, o patrimônio diretamente ligado a Charles</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Decadência de um Império</strong></h2>



<p>Essa percepção de que uma família real estrangeira tem mais poder do que a família britânica, mesmo que em um aspecto puramente imobiliário, reforça a decaída de um império no imaginário mundial depois de uma série de crises envolvendo os nobres ingleses.</p>



<p>Uma das grandes fissuras recentes na imagem da monarquia veio com <strong>a saída do príncipe Harry</strong> e sua esposa, Meghan, <strong>do núcleo ativo da monarquia</strong>. Em janeiro de 2020, o Palácio confirmou que o casal deixaria as funções reais; e em fevereiro de 2021, oficializou que eles não voltariam como membros atuantes da família. A ruptura produziu um abalo político e midiático duradouro, com <strong>perda de controle narrativo</strong> da Casa de Windsor e exposição de divisões internas.</p>



<p>Em seguida, veio o trauma institucional da <strong>morte de Elizabeth II</strong>, em 8 de setembro de 2022. A rainha, que por sete décadas serviu como âncora de continuidade da monarquia, morreu e deixou Charles diante de um problema histórico: <strong>suceder uma soberana cuja popularidade pessoal frequentemente blindava a instituição</strong>.</p>



<p>Dados do NatCen mostram que houve uma breve alta de apoio após a morte da rainha, mas depois a tendência de queda voltou. Segundo o <em>British Social Attitudes</em>, em 2024 <strong>apenas 51% disseram que a monarquia é importante</strong> para a Grã-Bretanha, o menor nível desde 1983; <strong>15% defenderam sua abolição</strong>. Em outra pergunta, publicada em 2025, 58% preferiram manter a monarquia, mas <strong>38% optariam por um chefe de Estado eleito</strong>.</p>



<p><strong>Charles também enfrenta limites claros de popularidade</strong>. Segundo o YouGov, Charles III aparece com 60% de aprovação pública em levantamento de janeiro de 2026. É um número respeitável, mas bem distante do tipo de reverência quase automática que Elizabeth II despertava em grandes parcelas do eleitorado.</p>



<p>A situação é mais delicada no caso de Camilla, que em janeiro de 2026, registrou 42% de opinião pública favorável e <strong>45% desfavorável</strong>, o pior resultado desde março de 2021. Um total muito abaixo do consenso popular de sua antecessora.</p>



<p>Outros membros da família real também aprofundaram a crise de imagem da monarquia. Em 2019, <strong>Andrew</strong>, irmão de Charles III, e então duque de York, <strong>se afastou das funções públicas</strong> após a repercussão de sua relação com <strong>Jeffrey Epstein</strong>. Em 2022, ele teve os títulos militares e patronatos removidos. Já em outubro de 2025, novas reportagens indicaram que Charles endureceu ainda mais sua posição, removendo seus títulos remanescentes. Mais recentemente, em fevereiro de 2026, Andrew voltou aos noticiários após ser detido e interrogado em uma nova investigação ligada à sua relação com Epstein.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Jogo dos Tronos no mercado imobiliário</strong></h2>



<p>O mercado imobiliário londrino acabou virando uma metáfora do declínio relativo britânico. O país que construiu um império global agora vê uma família reinante do Golfo concentrar, em caráter privado, uma presença imobiliária privada em Londres superior ao patrimônio pessoal diretamente associado ao monarca britânico.</p>



<p>Ainda que isso não signifique que Charles seja “mais pobre” que a família real do Catar, ou a Coroa esteja sendo substituída em Londres, imóvel por imóvel. Mas talvez signifique algo bem mais simbólico e incômodo: a riqueza que antes orbitava naturalmente a monarquia britânica, hoje circula por Londres sem precisar dela.</p>



<p>A antiga potência continua dona de palácios, tradição e influência diplomática. Mas no poder do capitalismo contemporâneo, ou seja, nos ativos, na renda e no controle de áreas nobres da cidade, a situação mudou. E a imagem é dura para a família real britânica:<strong> pode ser que o capital do velho império já não pertença, nem simbolicamente, apenas aos seus reis.</strong></p>



<p></p>
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		<title>Vicky Safra Não é Mais Brasileira</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Mar 2026 12:14:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[Viúva bilionária do fundador do Banco Safra é listada como grega pela Forbes e reacende debate sobre o destino global das fortunas brasileiras. Vicky Safra não é mais brasileira. É que diz a Forbes, que listou a viúva do banqueiro Joseph Safra como grega. A mudança chamou a atenção, especialmente porque a própria Forbes Brasil [&#8230;]]]></description>
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<p><em>Viúva bilionária do fundador do Banco Safra é listada como grega pela Forbes e reacende debate sobre o destino global das fortunas brasileiras</em>.</p>



<p></p>



<p><strong>Vicky Safra não é mais brasileira</strong>. É que diz a <strong>Forbes</strong>, que listou a viúva do banqueiro <strong>Joseph Safra </strong>como grega. A mudança chamou a atenção, especialmente porque a própria <em>Forbes Brasil</em> destacou, no mesmo período, que <strong>Vicky é naturalizada brasileira.</strong></p>



<p>Na lista global de bilionários de 2026 da Forbes, <strong>Vicky Safra &amp; Família aparecem na 94ª posição</strong>, tendo uma <strong>fortuna estimada em US$ 27,1 bilhões</strong>. Seu destaque no ranking, porém, foi ofuscado pela associação à Grécia no campo de nacionalidade. Já <strong>a Forbes Brasil</strong> correu para pontuar que<strong> Vicky é a mulher mais rica do Brasil</strong>.</p>



<p>É claro que a classificação de Vicky não condiz com uma perda da sua brasilidade. Porém, a mudança chamou atenção porque mexe com algo maior do que um rótulo de nacionalidade. Ela recoloca em pauta a diferença entre <strong>cidadania, residência, domicílio fiscal e localização do patrimônio</strong>. Essas distinções em casos de grandes dinastias financeiras ajudam a explicar por que um império pode continuar profundamente brasileiro, mesmo quando seus herdeiros vivem e organizam a própria vida a partir de outras jurisdições.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Legado bilionário</strong></h2>



<p>&nbsp;Nascida na Grécia, Vicky Sarfati Safra se mudou para o Brasil quando era muito jovem e mantém cidadania grega e brasileira, ainda que viva majoritariamente na Suíça. Em 1969, se casou com <strong>Joseph Safra</strong>, fundador do Banco Safra, <strong>um império bancário com operações</strong> do Brasil à Suíça, consolidando o grupo como uma potência global de <em>private banking</em> e gestão de patrimônio.</p>



<p>Joseph foi, por muitos anos, o banqueiro mais rico do mundo. Quando ele morreu, em dezembro de 2020, deixou a fortuna para a família. <strong>Vicky herdou cerca da metade do seu patrimônio</strong> e passou a aparecer nos rankings de maiores fortunas mundiais.</p>



<p>Na prática, Vicky parece atuar menos como executiva do dia a dia bancário e mais como eixo patrimonial e de governança. Após reorganizações societárias na família, passou a comandar o Banco Safra ao lado dos seus filhos <strong>David </strong>e<strong> Jacob.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Um império brasileiro</strong></h2>



<p>&nbsp;Mesmo que a Forbes dispute a nacionalidade de Vicky, o Banco Safra segue como uma potência brasileira. Nos indicadores consolidados de dezembro de 2025, o Banco Safra informou <strong>R$ 318,1 bilhões em ativos totais, R$ 400,8 bilhões em recursos captados e administrados e R$ 4,286 bilhões</strong> <strong>em</strong> <strong>lucro líquido.</strong></p>



<p>O vínculo entre a instituição e o Brasil é reforçado diversas vezes em suas comunicações oficiais. A própria instituição lembra que a família Safra chegou ao país em 1953, estabelecendo o banco em 1972. Além disso, tendo a <strong>sede na Avenida Paulista</strong>, em São Paulo, o Banco Safra segue sendo regulado no Brasil.</p>



<p>Em outras palavras, o grupo segue ancorado no Brasil em sede, operação, regulação e presença econômica. O ponto central, portanto, não é que a fortuna tenha “saído” do país, mas que o <strong>centro de gravidade pessoal e patrimonial</strong> da família se tornou cada vez mais global.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Deslocamento de poder</strong></h2>



<p>É aí que a reclassificação da Forbes ganha relevância. Quando os herdeiros de um império financeiro escolhem viver fora, a empresa pode continuar brasileira no que diz respeito aos empregos, clientes, ativos e supervisão regulatória. Mas <strong>a família passa a organizar sucessão, investimentos, filantropia, litígios e preservação patrimonial a partir de outros centros geográficos</strong>. No caso Safra, essa leitura é reforçada pelo próprio desenho internacional do grupo e pela divisão de funções entre os herdeiros.</p>



<p>Isso tem implicações diretas de poder. O Brasil continua abrigando a operação bancária e tributando o que está em sua jurisdição, mas passa a ter alcance menor sobre a esfera privada da fortuna.</p>



<p>O banco fica por aqui, mas não uma boa parcela do poder patrimonial. Essa é uma inferência sustentada pela combinação entre a estrutura global do grupo, a residência no exterior e as regras fiscais aplicáveis a não residentes.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que muda do ponto de vista tributário</strong></h2>



<p>Do ponto de vista tributário, o elemento decisivo é o <strong>domicílio fiscal</strong> e não a nacionalidade destacada em um ranking na imprensa.</p>



<p>Pelas regras oficiais do governo brasileiro, são dois grupos que devem <strong>formalizar a saída fiscal</strong>: quem sai do país em caráter definitivo; e quem permanece no exterior por mais de 12 meses consecutivos, passando à condição de não-residente. Depois disso, passa a ser tributado no Brasil apenas os rendimentos provenientes de fontes situadas no país, enquanto as <strong>rendas obtidas no exterior deixam de ser declaradas aqui</strong>.</p>



<p>Na prática, as regras brasileiras sobre empresas, ativos e rendimentos localizados no Brasil não mudam. Mas isso <strong>reduz o alcance do Fisco brasileiro</strong> sobre a renda mundial e sobre parte relevante da organização patrimonial pessoal do herdeiro.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mais do que um detalhe na Forbes</strong></h2>



<p>Por isso a discussão sobre Vicky Safra vem sendo tratada menos como uma mera curiosidade em uma lista da Forbes e mais como um sintoma de transformação bem maior.</p>



<p>A escolha editorial da Forbes reacende um debate bem relevante sobre o que acontece com os impérios financeiros brasileiros quando seus herdeiros passam a morar em outro lugar. O banco é brasileiro, mas o destino da riqueza passa a circular pelo mundo.</p>



<p>O maior símbolo de riqueza bancária pode continuar com as raízes fincadas na Avenida Paulista, mas quem comanda esse patrimônio passa <strong>a viver, decidir e investir sua riqueza a partir de uma lógica transnacional</strong>.&nbsp;</p>



<p></p>
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		<title>O Paredão Invisível do BBB</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jan 2026 13:34:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
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					<description><![CDATA[No primeiro capítulo do Big Brother Brasil 26, exibido no dia 12 de janeiro de 2026, o apresentador Tadeu Schmidt revelou o que promete ser o maior prêmio da história do reality: R$ 5,44 milhões líquidos para o vencedor, o dobro do que foi pago na edição anterior e um marco do programa que já [&#8230;]]]></description>
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<p></p>



<p>No primeiro capítulo do <strong>Big Brother Brasil 26</strong>, exibido no dia <strong>12 de janeiro de 2026</strong>, o apresentador Tadeu Schmidt revelou o que promete ser o maior prêmio da história do reality: <strong>R$ 5,44 milhões</strong> líquidos para o vencedor, <strong>o dobro</strong> do que foi pago na edição anterior e um marco do programa que já domina grande parte da conversa pública no Brasil.</p>



<p>Esse valor, que começa a render desde a estreia e pode crescer ao longo da temporada, é usado como um ímã de atenção em um mercado fragmentado, um “cartão de visita milionário” para garantir audiência em tempos de disputas com plataformas de streaming, redes sociais e séries sob demanda.</p>



<p>Por trás do glamour da final e dos flashs da festa do vencedor, porém, há uma engenharia tributária e contratual que vale tanto quanto qualquer estratégia de jogo na casa mais vigiada do país.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A engenharia tributária: por que não adianta tentar “virar PJ”</strong></h2>



<p>No Brasil, profissionais de alta renda muitas vezes tentam escapar da tabela progressiva do <strong>Imposto de Renda Pessoa Física</strong> (que pode atingir até <strong>27,5%</strong>) migrando para o modelo de <strong>Pessoa Jurídica (PJ)</strong>, no qual a carga tributária pode ser consideravelmente menor dependendo do regime escolhido.</p>



<p>A pergunta que muitos já se fizeram, inclusive entre economistas amadores nas redes sociais, é se o campeão do BBB poderia embolsar o prêmio recorde através de um CNPJ para pagar menos imposto.</p>



<p>A resposta é não. A natureza do contrato que liga a Globo aos participantes é <strong>personalíssima</strong>. Isso significa que, quem entra na casa, expõe a própria imagem e compete como indivíduo (CPF), não como uma empresa. Para a <strong>Receita Federal</strong>, pagar um prêmio decorrente de um concurso pessoal diretamente a um CNPJ seria interpretado como <strong>simulação fiscal</strong>, uma tentativa formal de elisão tributária, com alto risco jurídico e reputacional para uma corporação listada em bolsa. Assim, o prêmio precisa cair diretamente na conta da pessoa física do vencedor.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Imposto na fonte&nbsp;</strong></h2>



<p>Tradicionalmente, prêmios decorrentes de concursos, sorteios ou competições são tributados <strong>na fonte</strong> e podem sofrer retenção de cerca de <strong>30%</strong> antes mesmo de chegar às mãos do ganhador. Essa fatia que, no caso de <strong>R$ 5,44 milhões</strong>, significaria algo em torno de <strong>R$ 1,63 milhão</strong> retido diretamente, deixando o vencedor com algo na casa dos <strong>R$ 3,8 milhões</strong>. Porém, a Globo adota o que no jargão contábil se chama de <strong>“gross-up”</strong>, assumindo o ônus tributário para que o valor líquido seja <strong>exatamente o anunciado</strong>. Isso implica que o custo total do prêmio para a emissora, somando imposto e valor líquido, salte para perto de <strong>R$ 7,7 milhões</strong> ou cerca de <strong>R$ 2,33 milhões</strong> além do valor entregue ao campeão.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A inflação do engajamento: de R$ 500 mil ao recorde</strong></h2>



<p>A trajetória do prêmio do Big Brother Brasil é quase uma linha do tempo da economia e da cultura pop brasileiras. Na estreia, em <strong>2002</strong>, o campeão levou para casa <strong>R$ 500 mil</strong>, um valor que, ajustado pela inflação, teria poder de compra bem maior do que na época.</p>



<p>Com o passar dos anos, houve alguns reajustes: a partir de <strong>2005</strong>, o valor passou a ser de cerca de <strong>R$ 1 milhão</strong>. Depois, em uma fase mais longa de consolidação, subiu para <strong>R$ 1,5 milhão</strong> e ficou nessa faixa por mais de uma década, perdendo valor real frente à inflação.</p>



<p>Nos últimos anos, com a competição pelo engajamento digital e pela atenção de uma audiência cada vez mais dispersa, a dinâmica do prêmio mudou. O <strong>BBB 23 ultrapassou os R$ 2,8 milhões</strong>, <strong>o BBB 24</strong> ficou perto dos <strong>R$ 2,92 milhões</strong> e o <strong>BBB 25 encerrou em cerca de R$ 2,72 milhões</strong>. Essa escalada culminou no atual montante recorde de <strong>R$ 5,44 milhões</strong> em 2026, impulsionado por novas regras e pelo chamado “valor que rende durante o jogo”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Custo “irrisório” para um ecossistema de R$ 1,5 Bilhão</strong></h2>



<p>Para o telespectador, <strong>R$ 7,7 milhões</strong> pode parecer um valor gigante. Para a Globo, entretanto, esse gasto é apenas uma fração do que ela movimenta com o programa. O BBB deixou de ser um simples reality show e se transformou em uma <strong>plataforma cross-channel</strong>, integrada a redes sociais, dados de audiência em tempo real e ferramentas tecnológicas, inclusive com uso de <strong>inteligência artificial</strong> para análises contextualizadas e estímulo a interações no app e no site da emissora.</p>



<p>Em 2026, o programa estreia com uma constelação de patrocinadores, mesclando marcas veteranas e novas entrantes dispostas a pagar caro pela exposição que o formato oferece. Enquanto os participantes disputam o prêmio em dinâmicas internas, a Globo gira um <strong>ecossistema comercial estimado em mais de R$ 1,5 bilhão</strong> em receita publicitária e parcerias, uma máquina cujo combustível são as discussões, memes e engajamentos gerados pelo próprio reality.</p>



<p>No balanço final, portanto, o Big Brother Brasil segue sendo um palco onde 21 pessoas competem por <strong>R$ 5,44 milhões</strong> líquidos, enquanto uma única empresa opera uma engrenagem bilionária que continua a prosperar a cada temporada. O grande vencedor, muitas vezes, não enfrenta paredão algum: é quem domina a economia da atenção no século XXI.</p>
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		<title>O xeque-mate de US$ 23 bilhões que pode encalhar no Canal do Panamá</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Jan 2026 13:10:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Bastidores]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento de Mercado]]></category>
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					<description><![CDATA[Por Bastidores do Poder No tabuleiro do comércio global, quem controla o navio dita o ritmo, mas quem controla o porto dita as regras. Gianluigi Aponte, o patriarca bilionário e fundador da Mediterranean Shipping Company (MSC), entendeu essa máxima cedo e com uma frieza rara num setor acostumado a confundir escala com invulnerabilidade.&#160; Depois de [&#8230;]]]></description>
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<p><br>Por Bastidores do Poder</p>



<p>No tabuleiro do comércio global, quem controla o navio dita o ritmo, mas quem controla o porto dita as regras. <strong>Gianluigi Aponte</strong>, o patriarca bilionário e fundador da <strong>Mediterranean Shipping Company (MSC),</strong> entendeu essa máxima cedo e com uma frieza rara num setor acostumado a confundir escala com invulnerabilidade.&nbsp;</p>



<p>Depois de superar a dinamarquesa Maersk em 2022 e colocar a MSC no topo do transporte marítimo de contêineres, a família Aponte decidiu que o mar ficou pequeno e passou a olhar para a fronteira menos glamourosa e mais decisiva da infraestrutura em terra.</p>



<p>No entanto, o que deveria ser a “jogada do século” virou um teste de nervos. Em março de 2025, a CK Hutchison anunciou negociações para vender ativos portuários fora da China e de Hong Kong a um consórcio com participação de <strong>Terminal Investment Limited (TiL)</strong> — braço de terminais ligado à MSC — e da <strong>BlackRock</strong> (com a GIP, sua plataforma de infraestrutura). O pacote envolve <strong>43 ativos portuários/terminais em 23 países</strong> (com centenas de berços) e foi divulgado com <strong>enterprise value de cerca de US$ 22,8 bilhões</strong>.</p>



<p>Meses depois, porém, o cheque bilionário continua “em cima da mesa” e a transferência de chaves não aconteceu. A transação passou a ser tratada como algo maior do que uma compra e venda. Representa agora um ponto sensível na disputa por influência sobre gargalos físicos do comércio mundial. E o epicentro simbólico dessa queda de braço tem nome, mapa e duas margens bem claras: <strong>o Canal do Panamá</strong>.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O “cavalo de Troia” no Panamá</strong></h3>



<p>A grande ambição da MSC esbarra na geografia política. O pacote de ativos da Hutchison inclui a <strong>Panama Ports Company</strong>, operadora dos terminais de <strong>Balboa</strong> (lado do Pacífico) e <strong>Cristóbal</strong> (lado do Atlântico), posicionados como sentinelas nas duas “bocas” do Canal. É o tipo de ativo que, em tempos de normalidade, se discute em planilhas, mas em tempos de rivalidade estratégica, se discute em gabinetes.</p>



<p>Para os Estados Unidos, existe uma leitura direta de reduzir o risco de que ativos associados a um conglomerado Hong Kong (Hutchison) sejam percebidos como extensão da influência chinesa em um corredor tão crítico. Passar esses ativos para mãos ocidentais (MSC/Suíça e BlackRock/EUA) virou uma prioridade de segurança nacional. A operação (ou pré-acordo, por assim dizer), chegou a ser celebrada publicamente pelo presidente Donald Trump como um movimento favorável aos interesses dos EUA na região.</p>



<p>Só que Pequim não ficou parada e muito menos aceitou a derrota. Na prática, o caminho mais eficaz para congelar um negócio desse tamanho não é exatamente um discurso, mas sim um carimbo. O governo chinês, ciente de que a venda significaria perder um posto avançado crucial nas Américas, travou o negócio usando sua arma favorita: a regulação antitruste.&nbsp;</p>



<p>Ele criou um tipo de trava que nenhuma companhia global consegue simplesmente ignorar, sobretudo num setor em que a China é fábrica, exportadora e origem de boa parte da carga que enche navios. Essa &#8220;pílula de veneno&#8221; significa que para aprovar a venda global, a estatal chinesa <strong>COSCO</strong> deve entrar no consórcio comprador.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O impasse que ninguém admite em voz alta</strong></h3>



<p>O nó que impede a conclusão do negócio é simples de explicar e difícil de resolver. <strong>Se a MSC aceita a COSCO, </strong>a transação perde o apoio político dos EUA (via BlackRock), pois o objetivo era justamente tirar a China do Panamá. Washington jamais aceitaria trocar uma empresa de Hong Kong por uma estatal de Pequim na entrada do Canal. E <strong>se a MSC recusa a COSCO,</strong> a China veta a aquisição globalmente, impedindo a MSC de assumir não só os portos do Panamá, mas também os ativos na Europa e Ásia que fazem parte do pacote.</p>



<p>Ou seja, se moldar para ficar “aceitável” aos olhos de Pequim significa correr o risco de perder apetite político do lado americano. Endurecer e tentar “passar por cima”, significa correr o risco de ser travado onde dói, na regulação e na viabilidade operacional.</p>



<p>O resultado é um impasse paralisante e o pior tipo de limbo para um megadeal. Aquela situação em que ninguém declara que morreu, mas todos passam a negociar como se a versão original já não bastasse. E, nesse meio tempo, o relógio também pressiona. A própria CK Hutchison já teve de lidar com a percepção de que o processo se alonga e pode exigir reconfiguração, o que muda preço, poder e, principalmente, a história que cada lado conta para o seu público. Advogados em Genebra, Washington e Pequim agora tentam desenhar uma estrutura societária que agrade a gregos e troianos, em uma tarefa que, no clima atual de Guerra Fria 2.0, parece impossível.</p>



<p><br><strong>O medo do “monopólio total”</strong></p>



<p>Enquanto a geopolítica trava o acordo no hemisfério ocidental, na Europa o problema é econômico. Reguladores da União Europeia olharam para o mapa da MSC e viram um risco sistêmico.</p>



<p>A família Aponte já controla a maior frota de contêineres do mundo. Se a compra da Hutchison for aprovada, a MSC passará a controlar também os portões de entrada de Roterdã, Felixstowe (Reino Unido) e Barcelona.</p>



<p>A concorrência — leia-se Maersk, CMA CGM e Hapag-Lloyd — está em pânico. Ampliar essa influência sobre terminais em grandes gateways europeus significaria deixar o mercado temeroso de um tipo de verticalização que muda o equilíbrio competitivo. O operador que tem navio e tem porto pode, em tese, <strong>priorizar a própria operação</strong> em janelas de atracação, capacidade e preço, mesmo que isso aconteça nas margens e não na manchete. Pensando em logística, a margem vira vantagem cumulativa.</p>



<p>Um sinal de que esse tipo de preocupação já está no radar regulatório veio em dezembro de 2025, quando a <strong>Comissão Europeia abriu investigação aprofundada</strong> sobre a aquisição de controle conjunto de <strong>TERCAT (terminal BEST, no Porto de Barcelona)</strong> por TiL (ligada à MSC) e Hutchison, justamente por receios de redução de concorrência e potencial favorecimento. Não é a mesma coisa que “aprovar ou vetar” todo o pacote global, mas é o tipo de precedente que ajuda a entender como Bruxelas olha para a combinação “MSC + terminais”.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O dilema de Aponte</strong></h3>



<p>Para Gianluigi Aponte, acostumado a comandar o seu império com o tempo e a agilidade de uma empresa familiar privada, a lentidão do processo frustrante e soa quase como uma ofensa cultural. A MSC tem dinheiro, tem apetite e tem estratégia. A CK Hutchison tem ativos e, ao menos no ponto de partida, teve disposição para vender. O que a família Aponte descobriu (do modo mais caro possível) é que, na escala em que opera hoje, não existe mais “negócio puramente comercial”.</p>



<p>Porto não é só infraestrutura, mas também é influência, soberania, gargalo, alavanca…bandeira. Enquanto EUA e China não decidirem quem pode fincar a sua no Canal do Panamá, acomodando essa disputa simbólica e prática (e enquanto reguladores em mercados-chave não se derem por satisfeitos), o sonho da MSC de se tornar a dona dos portos do mundo permanecerá atracado, à espera de uma maré política que ainda não subiu.&nbsp;</p>



<p>E nessa história toda, o grande acordo que transformaria a empresa e coroaria o império Aponte pode, ironicamente, ser o mesmo que expõe os limites do seu poder, deixando a companhia exatamente como um navio sem janela de atracação.</p>
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		<title>André Esteves em Wall Street</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Jan 2026 13:36:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
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					<description><![CDATA[O BTG Pactual, maior banco de investimentos da América Latina, anunciou no dia 5 de janeiro deste ano, a conclusão de uma de suas jogadas estratégicas mais ousadas dos últimos anos: a aquisição definitiva do M.Y. Safra Bank, agora rebatizado de BTG Pactual Bank, N.A.&#160; Essa operação não é apenas mais uma fusão no mercado. [&#8230;]]]></description>
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<p><em>Ao comprar o M.Y. Safra Bank, o BTG Pactual não ganhou apenas um endereço em Nova York, mas a licença bancária mais disputada do sistema financeiro global e a chave para competir pelos dólares da elite latino-americana.</em><br></p>



<p>O<strong> BTG Pactual</strong>, maior banco de investimentos da América Latina, anunciou no dia 5 de janeiro deste ano, a conclusão de uma de suas jogadas estratégicas mais ousadas dos últimos anos: a aquisição definitiva do <strong>M.Y. Safra Bank</strong>, agora rebatizado de <strong>BTG Pactual Bank, N.A.</strong>&nbsp;</p>



<p>Essa operação não é apenas mais uma fusão no mercado. Para especialistas de <em>Wealth Management</em>, ela representa a peça que faltava para o BTG competir de igual para igual com gigantes globais como <strong>JP Morgan</strong> e <strong>UBS</strong> pela custódia de fortunas latino-americanas mantidas offshore.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>M.Y. Safra era do Grupo Safra?</strong></h2>



<p>O nome soa familiar, mas <strong>o M.Y. Safra Bank não tem nenhuma relação societária ou operacional com o Grupo J. Safra</strong>, banco tradicional que atua no Brasil e na Suíça. Fundado em Nova York por <strong>Jacob M. Safra</strong>, sobrinho do lendário banqueiro <strong>Joseph Safra</strong>, o banco era uma operação de nicho focada em private banking e crédito imobiliário.</p>



<p>Antes da compra, os números eram modestos para os padrões do BTG, mas sólidos dentro de sua especialização. O banco reportava um <strong>patrimônio líquido de aproximadamente </strong><strong><em>US$ 46,2 milhões</em></strong>, <strong>ativos totais de cerca de </strong><strong><em>US$ 404 milhões</em></strong> e uma carteira de crédito de <strong>US$ 275 milhões</strong> no fim de março de <strong>2024</strong>. No entanto, o BTG não comprou essas cifras pelo tamanho, comprou pela <strong>licença</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A “golden license”: por que comprar um banco pequeno</strong></h2>



<p>Antes da aquisição, o <strong>BTG</strong> operava nos EUA como <strong>broker-dealer</strong>, uma corretora capaz de vender ações e fundos, mas <strong>sem poder captar depósitos nem emprestar diretamente na economia americana</strong>.</p>



<p>Com a licença bancária plena que veio junto com o M.Y. Safra Bank, o jogo mudou radicalmente. O banco agora pode captar recursos diretamente nos EUA através de depósitos segurados pelo <strong>FDIC</strong> (equivalente ao FGC americano), o que <strong>barateia o custo do funding</strong>.</p>



<p>Com a licença, o BTG pode oferecer uma <strong>gama completa de serviços bancários</strong>, como contas correntes, linhas de crédito, cartões, hipotecas e financiamento de ativos (como jatos ou imóveis em Miami) diretamente ao cliente americano ou internacional.</p>



<p>Ao internalizar operações que antes eram terceirizadas, o banco captura <strong>maior margem sobre spreads bancários</strong>, fortalecendo sua operação offshore.</p>



<p>Esse tipo de licença é tão valioso que instituições buscam anos para consegui-la via regulação. O BTG preferiu comprá-la pronta.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A guerra pelo “share of wallet” global</strong></h2>



<p>A aquisição faz parte de uma estratégia ambiciosa do BTG, de <strong>dobrar o total sob gestão internacional em cinco anos</strong>. Embora números completos recentes para o segmento offshore não tenham sido divulgados separadamente, sabe-se que a operação internacional já atua há mais de <strong>15 anos nos EUA</strong> e emprega mais de <strong>280 profissionais</strong> em Nova York e Miami.</p>



<p>O raciocínio mira clientes latino-americanos de alta renda, que estão cada vez mais globalizados. Se o banco brasileiro não oferecer crédito para um apartamento em Manhattan ou um cartão Black em dólares, esses clientes tendem a buscar soluções em bancos como <strong>JP Morgan</strong>, <strong>Morgan Stanley</strong> ou <strong>UBS</strong>. Ao integrar serviços bancários completos nos EUA, o BTG <strong>encerra a fuga desses clientes para concorrentes internacionais</strong>.</p>



<p>Atualmente, o banco já está consolidado globalmente e expandiu sua operação em diversas frentes: de <em>wealth management</em> a <em>asset management</em>, com presença relevante em mercados da América Latina, Europa e Estados Unidos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que acontece agora?</strong></h2>



<p>Com a conclusão da transação, o novo <strong>BTG Pactual Bank, N.A.</strong> será liderado por <strong>Kathleen Romagnano</strong>, executiva que vinha à frente do M.Y. Safra e agora assume a presidência do banco recém-integrado.</p>



<p>Para <strong>André Esteves</strong>, chairman do BTG, e <strong>Roberto Sallouti</strong>, CEO, ter um banco operacional em Nova York representa mais do que expansão geográfica, é uma afirmação de <strong>soberania financeira global</strong> em um momento em que grandes fintechs brasileiras ainda lutam por licenças equivalentes no mercado americano.</p>



<p>Afinal, em Wall Street, <strong>tempo e licença são dinheiro e o BTG acaba de comprar os dois.</strong></p>
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		<title>Da Nasdaq a Caracas</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Jan 2026 13:33:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
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					<description><![CDATA[Para os irmãos Joesley e Wesley Batista, a primeira semana de 2026 não foi apenas o retorno ao trabalho, foi uma demonstração de força em dois hemisférios. Enquanto advogados em Nova York finalizavam a papelada para listar o PicPay na bolsa de tecnologia mais valiosa do mundo, geólogos e diplomatas operavam nos bastidores de Caracas [&#8230;]]]></description>
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<p>Para os irmãos Joesley e Wesley Batista, a primeira semana de <strong>2026</strong> não foi apenas o retorno ao trabalho, foi uma demonstração de força em dois hemisférios. Enquanto advogados em Nova York finalizavam a papelada para listar o <strong>PicPay</strong> na bolsa de tecnologia mais valiosa do mundo, geólogos e diplomatas operavam nos bastidores de <strong>Caracas</strong> para consolidar a posição do grupo na nova fronteira do petróleo global.</p>



<p>São duas jogadas distintas, mas que revelam o DNA atual da holding <strong>J&amp;F</strong>: a busca pelo valuation de tecnologia no mercado financeiro e a aposta em ativos reais em geografias complexas, onde poucos têm a coragem ou o trânsito político para entrar.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A “caixa preta” do petróleo venezuelano</strong></h2>



<p>Se em <strong>Wall Street</strong> o jogo é de transparência, na <strong>Venezuela </strong>a regra é o silêncio. Nos bastidores do setor de energia, uma figura tem sido repetidamente mencionada como central para destravar investimentos naquele país. Trata-se do geólogo <strong>Ricardo Savini</strong>, atual CEO da <strong>Fluxus</strong>, braço de óleo e gás da <strong>J&amp;F</strong>. Savini, profissional com décadas de experiência e passagens por empresas como <strong>Petrobras</strong> e <strong><em>3R Petroleum</em></strong>, é visto por analistas do setor como um operador raro, com profundo conhecimento geológico e relações locais que poucos executivos brasileiros possuem.</p>



<p>A estratégia da Fluxus e, por extensão, da <strong>J&amp;F</strong>, parece replicar um playbook clássico de exploração em áreas desafiadoras, ao adquirir campos maduros ou defasados, reativá-los e extrair valor onde gigantes estatais e concorrentes hesitam em entrar. O diferencial, contudo, não é apenas técnico, é geopolítico.&nbsp;</p>



<p>Informações de mercado indicam que a Fluxus já teria presença exploratória na Venezuela desde <strong>2024</strong>, com equipes no terreno e prospecção de contratos que não são publicamente divulgados. Relatórios indicam ainda que comunicações entre o setor diplomático brasileiro e as autoridades venezuelanas envolvendo interesses empresariais foram protegidas por sigilo temporário, segundo interlocutores que acompanham o movimento.</p>



<p>No centro dessa aposta está a convicção de que, com a possível reabertura econômica sob uma nova configuração política e o potencial retorno da produção petroleira venezuelana ao mercado global, reservas gigantescas e baratas podem voltar a ser exploradas por capital privado. Nesse tabuleiro, os irmãos Batista estariam posicionados para ocupar espaço estratégico, mantendo canais de interlocução em <strong>Brasília, Washington e Caracas</strong>, e absorvendo o risco político e operacional que tantos preferem evitar.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O IPO de US$ 500 milhões em Wall Street</strong></h2>



<p>Enquanto operam nas sombras em Caracas, os irmãos Batista buscaram os holofotes em Nova York. Na primeira segunda-feira de 2026, <strong>5 de janeiro</strong>, o <strong>PicPay</strong> protocolou seu pedido de IPO na <strong>Nasdaq</strong>, com intenção de captar até <strong>US$ 500 milhões</strong> por meio da oferta pública inicial de ações nos Estados Unidos, marcando <strong>uma das maiores e mais aguardadas aberturas de capital de uma fintech brasileira no exterior desde o IPO do Nubank</strong> em <strong>dezembro de 2021</strong>.</p>



<p>Diferente da tentativa frustrada de <strong>2021</strong>, quando condições adversas de mercado forçaram a empresa a desistir, desta vez o PicPay chega aos EUA com números sólidos e um balanço transformado. No período de nove meses encerrado em <strong>30 de setembro de 2025</strong>, a fintech reportou <strong>lucro líquido de R$ 313,8 milhões</strong>, um salto de mais de <strong>80%</strong> em relação ao mesmo período anterior, e uma receita total de <strong>R$ 7,26 bilhões</strong>, praticamente o dobro do registrado um ano antes. Isso reflete a forte monetização dos serviços financeiros sob sua plataforma digital.</p>



<p>A escolha pela <strong>Nasdaq</strong> segue uma lógica financeira: fugir dos múltiplos atribuídos às empresas brasileiras na <strong>B3</strong> e buscar precificação mais robusta em uma bolsa focada em tecnologia, alinhando o PicPay a pares como Nubank e Banco Inter. Para fortalecer a oferta, a J&amp;F trouxe como investidor-âncora o empresário <strong>Marcelo Claure</strong>, ex-gestor do SoftBank, cuja gestora, <strong>Bicycle Capital</strong>, comprometeu-se a investir <strong>US$ 75 milhões</strong> no IPO, mitigando riscos iniciais aos investidores.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Controle a qualquer custo</strong></h2>



<p>O que une a aventura petrolífera na Venezuela à listagem tecnológica em Nova York é uma obsessão clara dos irmãos Batista pelo comando. No projeto do IPO, a família desenhou uma estrutura de ações de classe dupla (<em>dual-class shares</em>): o mercado ficará com ações <strong>Classe A</strong> com direito a um voto por ação, enquanto os Batista manterão o controle através de ações <strong>Classe B</strong> com <strong>10 votos por ação</strong>.&nbsp;</p>



<p>Essa estrutura garante que, mesmo após a venda de parte da empresa e a captação de bilhões de dólares, a <strong>estratégia e as decisões da companhia permaneçam sob o controle exclusivo da família</strong>, protegendo-as de pressões externas dos acionistas minoritários.</p>



<p>Seja negociando a renúncia de um ditador em Caracas ou vendendo o futuro dos pagamentos digitais em Nova York, a mensagem da semana é a de que a <strong>J&amp;F</strong> não é apenas um frigorífico que cresceu, é uma máquina global de alocação de capital que opera onde o risco é alto, mas onde o prêmio e o controle são absolutos.</p>
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		<title>Impérios Falidos e Negócios Bilionários</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Dec 2025 02:50:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Bastidores]]></category>
		<category><![CDATA[Falências]]></category>
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					<description><![CDATA[No Brasil, o varejo financeiro deixou de ser um negócio periférico para se tornar o motor silencioso de grandes conglomerados e, pelo caminho, virou também uma bomba-relógio. As duas maiores companhias do setor, Magazine Luiza e Casas Bahia, apostaram alto na combinação de cartões private label, crédito próprio e recebíveis antecipados para sustentar o crescimento. [&#8230;]]]></description>
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<p>No Brasil, <strong>o varejo financeiro</strong> deixou de ser um negócio periférico para se tornar o motor silencioso de grandes conglomerados e, pelo caminho, virou também uma bomba-relógio. As duas maiores companhias do setor, <strong>Magazine Luiza</strong> e <strong>Casas Bahia</strong>, apostaram alto na combinação de <strong>cartões private label</strong>, <strong>crédito próprio</strong> e <strong>recebíveis antecipados</strong> para sustentar o crescimento. Quando o consumo fraquejou, o castelo exibiu as rachaduras.</p>



<p>Nos bastidores, o que parecia uma estratégia moderna, de capturar o cliente pelo crédito, não pela mercadoria, revelou seus custos. A <strong>Carteira de Crédito</strong> cresce mais rápido do que a capacidade de pagamento do consumidor, corroendo margens, elevando provisões e pressionando estruturas já fragilizadas. Em <strong>2023</strong> e <strong>2024</strong>, o quadro se agravou: inadimplência recorde, juros em patamares historicamente elevados e famílias espremidas por dívidas acumuladas.</p>



<p>Enquanto isso, executivos tentam administrar o incêndio sem admitir publicamente o tamanho da ferida. O discurso oficial fala em “<strong>ajustes operacionais</strong>”, “<strong>otimização administrativa</strong>” e “<strong>reposicionamento estratégico</strong>”. Porém, internamente, documentos revelam que parte das operações financeiras virou um sorvedouro de caixa, ironicamente, no braço que deveria sustentar o varejo físico.</p>



<p>O resultado é um setor que, após anos surfando a crença de que o crédito ilimitado sustentaria o varejo popular, agora se vê diante de uma conta que não fecha.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O caso Varig / Smiles</strong></h2>



<p>A falência da <strong>Varig</strong> em <strong>2006</strong> é o exemplo clássico dessa “estratégia-fênix”. A venda da empresa para a “nova Varig” (via leilão judicial) concentrou-se nas rotas e slots e no que parecia apenas mais um programa de milhagem.</p>



<p>Em <strong>20 de julho de 2006</strong>, a Varig foi arrematada por US$ 24 milhões, equivalentes a cerca de <strong>R$ 52,3 milhões</strong> na época. Menos de um ano depois, em <strong>março de 2007</strong>, a Gol Linhas Aéreas comprou a “nova Varig” por <strong>US$ 275 milhões</strong>, em transação que poderia chegar a US$ 320 milhões, dependendo de bônus e assunções, pouco mais do que 10 vezes o valor pago no leilão.</p>



<p>No entanto, o verdadeiro ouro não eram os aviões, as rotas ou os slots, era o programa de fidelidade Smiles. Na abertura de capital da Smiles em <strong>29 de abril de 2013</strong>, a empresa estreou na Bolsa com valor de mercado de <strong>R$ 2,66 bilhões</strong>. Apenas um ano depois, já em 2014, sua capitalização havia subido para cerca de <strong>R$ 5,2 bilhões</strong>. Alguns anos adiante, a Smiles figurava como uma das empresas de milhagem mais valiosas do país, com estimativas que a posicionavam perto de <strong>R$ 10 bilhões</strong>, mais do que muitas companhias aéreas operacionais.</p>



<p>Em outras palavras: a “sucata” da Varig valia mais do que a companhia inteira jamais valeria em voo. Para a Gol, o que importava realmente era o banco de dados de clientes e o potencial financeiro das milhas. A marca original era irrelevante.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O caso Grupo Abril</strong></h2>



<p>Se a Varig exemplificou a extração de um ativo oculto, o destino do <strong>Grupo Abril</strong> é o símbolo do “fatiamento”.</p>



<p>Em 2018, a Abril pedia recuperação judicial com uma dívida estimada em <strong>R$ 1,6 bilhão</strong>. No fim do mesmo ano, o empresário Fábio Carvalho comprou a empresa da família fundadora por um <strong>valor simbólico de R$ 100 mil</strong>, assumindo toda a dívida.</p>



<p>Em seguida, as operações da Abril foram divididas em Unidades Produtivas Isoladas (UPIs). A mais valiosa: a revista Exame, leiloada em <strong>5 de dezembro de 2019</strong> por <strong>R$ 72,3 milhões</strong>, arrematada pelo BTG Pactual.</p>



<p>A sede histórica da editora, na Marginal Tietê, em São Paulo, também saiu a leilão: em 2021, o imóvel foi vendido por cerca de <strong>R$ 118,8 milhões</strong>, um dos ativos físicos mais valiosos do desmonte.</p>



<p>Dessa forma, o que restou da Abril como “empresa central” praticamente desapareceu e os ativos dispersos bem aproveitados por novos controladores.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O caso Gradiente x Apple</strong></h2>



<p>Nem sempre a “sucata” é física ou operativa. Às vezes, é um bilhete de loteria judicial, como no caso da IGB Eletrônica, antiga <strong>Gradiente</strong>.</p>



<p>A Gradiente, que está praticamente inativa desde 2007, obteve em <strong>2000</strong> o direito de registro da marca “iPhone” no Brasil, muito antes do lançamento global do smartphone da Apple. Quando o iPhone tornou-se um sucesso mundial, a Gradiente acionou judicialmente a Apple, em uma disputa que escalou até o Supremo Tribunal Federal (STF). O ativo não era redes, lojas ou produtos, era o direito de uso de uma marca já consagrada.</p>



<p>Na visão do mercado, a Gradiente passou a valer não por sua linha de produção, mas como um “veículo de litígio”. A aposta era em uma vitória judicial que poderia render uma indenização bilionária (a Gradiente já reivindicou <strong>R$ 976,5 milhões</strong> em 2018), o que, para muitos investidores, justificava manter a empresa listada na bolsa, mesmo sem operação.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O caso Oi</strong></h2>



<p>O destino da <strong>Oi</strong> talvez seja o exemplo mais contundente de como a lei de recuperação pode virar instrumento de desmonte.</p>



<p>Em <strong>20 de junho de 2016</strong>, a Oi entrou com o maior pedido de recuperação judicial da história do Brasil, com uma dívida estimada em <strong>R$ 65 bilhões</strong>. A saída foi desmanchar a empresa em partes e vender o que tivesse valor real.</p>



<p>O processo levou anos, com a operação sendo transformada em um “supermercado de ativos”. Parte dos ativos móveis da Oi foi vendida por <strong>R$ 16,5 bilhões</strong> em 2020 para um consórcio formado por Vivo, TIM Brasil e Claro. A norte-americana <strong>Highline</strong> comprou as torres de telefonia móvel por <strong>R$ 1,06 bilhão</strong> e, dois anos depois, levou as torres fixas por mais <strong>R$ 1,7 bilhão</strong>.</p>



<p>Paralelamente, a rede de fibra óptica, pós-reorganização societária e ativos adicionais, formou uma nova empresa avaliada em até <strong>R$ 22,3 bilhões</strong>, levando parte do que sobrou da Oi original.</p>



<p>A “Nova Oi” que emergiu da recuperação era quase uma casca vazia, sem os principais ativos, sem operação móvel significativa. Para credores e concorrentes, o desmonte havia sido eficaz, e para acionistas minoritários, restou fumaça.</p>



<p></p>
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		<title>O Homem que Montou a Globo</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Nov 2025 01:11:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Bastidores]]></category>
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					<description><![CDATA[Durante três décadas, entre 1967 e 1997, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, desenhou os bastidores da TV Globo de tal forma que moldou não apenas a grade, mas um hábito nacional de assistir novelas e telejornais no horário nobre. Além de executivo, foi o mestre da orquestra de um modelo de televisão que [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[




<p>Durante <strong>três décadas</strong>, entre <strong>1967</strong> e <strong>1997</strong>, <strong>José Bonifácio de Oliveira Sobrinho</strong>, o <strong>Boni</strong>, desenhou os bastidores da <strong>TV Globo</strong> de tal forma que moldou não apenas a grade, mas um hábito nacional de assistir novelas e telejornais no horário nobre. Além de executivo, foi o mestre da orquestra de um modelo de televisão que virou sinônimo de modernidade e hegemonia publicitária no Brasil. Sua era coincidiu com o crescimento exponencial da Globo, que se tornou líder de audiência e uma máquina de caixa publicitário.</p>



<p>No entanto, o poder que Boni acumulou dentro da emissora era, ao mesmo tempo, privilégio e armadilha. Ele se tornou o braço-direito do fundador, <strong>Roberto Marinho</strong>, dirigindo a produção, arquitetura da programação e operações, cargos estes que o colocaram em posição estratégica. Apesar disso, sua história na Globo encerrou com mágoa. Quando os herdeiros quiseram ter mais controle, Boni foi abruptamente afastado, e ele não economizou nas palavras para descrever como saiu: sem aviso, sem cerimônia e “empurrado para fora”.</p>



<p>A narrativa de sua trajetória é uma espécie de dilema clássico do capitalismo familiar. Até que ponto um executivo profissional pode existir, florescer e dominar quando os donos são uma família poderosa? Boni tinha autoridade quase igual à dos Marinho, mas, à medida que a sucessão familiar se tornava urgente, seu protagonismo tornou-se incômodo. A saída, nos seus termos, foi um presente mal amarrado.</p>



<p>Paradoxalmente, o homem que ajudou a construir o império Globo viu seu legado ser reconhecido só depois de deixar a cena principal e seu relato remete a uma construção monumental que acabou entregue como dádiva, mas sem o afago que ele julgava merecer.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A engenharia da grade</strong></h2>



<p>No início, a televisão brasileira era um mosaico instável, sem disciplina e muito dependente de patrocinadores pontuais. Boni, com a mente de publicitário e gestor, introduziu uma estrutura industrial na Globo ao idealizar uma grade clássica composta por três novelas: às <strong>18h</strong>, <strong>19h</strong> e a principal, às <strong>21h</strong>, com o <strong>Jornal Nacional</strong> posicionado entre a segunda e a terceira. Essa construção, segundo ele, não era mera coincidência da dramaturgia, era estratégia de retenção. O telespectador sintonizava para o telejornal e era empurrado para a novela das nove, gerando um fluxo quase automático de audiência para os anunciantes.</p>



<p>Além disso, Boni foi rigoroso em sua estética. Barrou programas humorísticos que fugiam do padrão que ele considerava apropriado, entre eles, atrações populares de <strong>Dercy Gonçalves</strong> e <strong>Silvio Santos</strong>. Para ele, a televisão era sinônimo de excelência técnica e prestígio, não de improviso barato. Com esse rigor, a Globo consolidou uma identidade de qualidade que passou a ser referência no mercado nacional.</p>



<p>Esse modelo era eficiente e quase ritualístico. A disposição das novelas e do telejornal funcionava como uma engrenagem na qual cada parte alimentava a próxima, garantindo que o público ficasse preso ao canal durante longos períodos.&nbsp; Esses “três atos da noite” virou marca registrada da emissora.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>78% da verba publicitária</strong></h2>



<p>O impacto financeiro dessa engenharia foi gigantesco. Graças à disciplina da grade, a Globo se tornou um verdadeiro gigante publicitário. Segundo estudos, a rede captava uma parcela extremamente elevada da verba publicitária: cerca de <strong>78%</strong> dos investimentos em propaganda entre as emissoras, segundo pesquisa acadêmica.</p>



<p>Além disso, sua visão de longo prazo incluía reinvestimento. Nos primeiros anos da emissora, Boni conduziu uma política agressiva. A Globo reinvestiu <strong>100%</strong> dos lucros nos primeiros <strong>14 anos</strong>, importando equipamentos de ponta e consolidando uma estrutura técnica sofisticada. Sob sua gestão, a emissora passou a produzir uma fatia expressiva de sua própria programação e estima-se que cerca de <strong>70%</strong> do conteúdo veiculado era de produção interna, o que reforçava seu controle criativo e de custos.</p>



<p>Com esse modelo, a Globo foi além da liderança de audiência, virando dona das chaves do mercado publicitário. A combinação de alta produção interna e domínio absoluto da verba anunciada criou uma alavanca financeira poderosa, consolidando seu poder como plataforma de mídia dominante.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O desfecho de bastidor</strong></h2>



<p>O poder nem sempre rima com gratidão. No apogeu de sua influência, o protagonismo de Boni tornou-se uma pedra no sapato da família Marinho. Em <strong>1997</strong>, sua saída foi abrupta, sem aviso e sem cerimônia. Segundo ele, o afastamento foi decidido pelos herdeiros, especialmente <strong>Roberto Irineu Marinho</strong>, que teria sentido que podia “brincar sozinho” com a joia que Boni ajudou a lapidar.</p>



<p>A frase que ele usa para descrever esse momento é carregada de melancolia: “Construímos aquilo e demos de presente para eles… Eu merecia um afago, mas recebi um pontapé na bunda.”, disse ao <strong>podcast Flow, em 2024</strong>. Essa declaração sintetiza o paradoxo de um homem que ergueu um império, mas que não teve o afeto institucional ao fim de sua contribuição.</p>



<p>Depois da saída, Boni seguiu ligado à Globo por alguns anos como consultor, mas o salto havia sido dado. Sua história é ao mesmo tempo a de um visionário e a de alguém marginalizado pelo mesmo poder que ajudou a edificar. Um legado ambíguo, marcado por realizações monumentais e por feridas pessoais profundas.</p>
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		<title>A Encruzilhada do Aço</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Nov 2025 12:48:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Bastidores]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
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					<description><![CDATA[Enquanto CSN e Usiminas sofrem com o aço chinês, a Gerdau se apoia em tarifas nos EUA e em sua tese de reciclagem para manter lucros e seguir investindo R$6 bilhões em 2025. A siderurgia brasileira atravessa um momento crítico. Nos primeiros seis meses de 2025, o setor registrou paralisação de altos-fornos na CSN (Companhia [&#8230;]]]></description>
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<p class="is-style-justificado"><em>Enquanto CSN e Usiminas sofrem com o aço chinês, a Gerdau se apoia em tarifas nos EUA e em sua tese de reciclagem para manter lucros e seguir investindo R$6 bilhões em 2025.</em></p>



<p class="is-style-justificado">A siderurgia brasileira atravessa um momento crítico. Nos primeiros seis meses de <strong>2025</strong>, o setor registrou paralisação de altos-fornos na <strong>CSN (Companhia Siderúrgica Nacional)</strong> e na <strong>Usiminas</strong>, bem como um ambiente de forte pressão competitiva. A concorrência “desigual” do aço importado da <strong>China</strong> pesa, segundo executivos.</p>



<p class="is-style-justificado">A <strong>China</strong>, que responde por mais da metade da produção mundial de aço, tem inundado o mercado global. No <strong>Brasil</strong>, as importações de chapa e outros tipos de aço aumentaram expressivamente, chegando a crescer mais de <strong>50% em 2024</strong>.</p>



<p class="is-style-justificado">Esse aço chinês entra no mercado brasileiro com preços em média <strong>20% a 30% menores</strong> que o aço nacional, corroendo margens e rentabilidade das gigantes locais.</p>



<p class="is-style-justificado">Em meio a esse panorama, a <strong>Gerdau</strong>, companhia com mais de <strong>124 anos</strong>, se destaca. Enquanto concorrentes debatem retração, a empresa aposta em duas frentes simultâneas: blindagem no mercado norte-americano (no qual as tarifas favorecem o produtor doméstico) e investimento no Brasil em seu diferencial: o “aço verde”.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O “play” verde: a Gerdau como recicladora</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">A <strong>Gerdau</strong> não opera como siderúrgica convencional, inteiramente dependente de minério e carvão. A empresa se impõe como a maior recicladora da <strong>América Latina</strong>.</p>



<p class="is-style-justificado">Segundo o <strong>Relatório Anual 2024</strong> da empresa, cerca de <strong>70%</strong> do aço produzido provém de sucata metálica, equivalente a aproximadamente <strong>10 milhões de toneladas por ano</strong>.</p>



<p class="is-style-justificado">Em termos de emissões, a intensidade dos Gases de Efeito Estufa está em <strong>0,85 tCO₂e por tonelada de aço</strong>, praticamente metade da média global de <strong>1,92 tCO₂/t</strong>. A empresa também definiu a meta de chegar a <strong>0,82 tCO₂e/t até 2031</strong> e alcançar a neutralidade de carbono até <strong>2050</strong>.</p>



<p class="is-style-justificado">O plano de investimentos para <strong>2025</strong> foi confirmado em cerca de <strong>R$ 6 bilhões</strong>, contemplando manutenção, competitividade e expansão, inclusive na <strong>América do Norte</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O dilema estratégico: o aço verde x o aço subsidiado</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">No <strong>Brasil</strong>, o “aço verde”, produzido majoritariamente a partir de sucata metálica e fornos elétricos, concorre com o “aço subsidiado” importado da <strong>China</strong> e sofre por isso.</p>



<p class="is-style-justificado">A <strong>Gerdau</strong>, porém, reduziu sua dependência do Brasil. Em <strong>2024</strong>, as operações da <strong>América do Norte</strong> responderam por <strong>47,3% da receita</strong> do grupo, equivalente a cerca de <strong>R$ 31,9 bilhões</strong>. No <strong>2º trimestre de 2025</strong>, a região norte-americana representou <strong>61% do EBITDA</strong> da <strong>Gerdau</strong>.</p>



<p class="is-style-justificado">Nos <strong>EUA</strong>, o ambiente favorece, com o protecionismo sobre o aço importado ajudando produtores locais. A tarifa efetiva sobre aço importado gira em torno de <strong>25% a 50%</strong>, segundo fontes.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A sucessão e a alocação de capital</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">A <strong>5ª geração</strong> da família fundadora (os <strong>Gerdau Johannpeter</strong>: <strong>André</strong>, <strong>Guilherme</strong> e <strong>Cláudio</strong>) fez uma transição discreta: deixaram funções executivas para concentrar-se no <strong>Conselho de Administração</strong>, enquanto a gestão executiva foi entregue a <strong>Gustavo Werneck</strong>, <strong>CEO desde 2018</strong>.</p>



<p class="is-style-justificado">O <strong>CAPEX de R$ 6 bilhões</strong> previsto para <strong>2025</strong> visa manter as operações existentes e dar guias para o próximo ciclo de crescimento. A empresa informa ter aproximadamente <strong>30% de capacidade ociosa nos EUA</strong> e esse espaço pode ser ativado com menor investimento e retorno mais rápido, dado o ambiente tarifário.</p>



<p class="is-style-justificado"><strong>Werneck</strong> já indicou que a empresa está próxima de tomar a decisão de investir mais nos <strong>EUA</strong> do que no <strong>Brasil</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O aço entre o verde e o vermelho</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">A crise do aço brasileiro expõe um dilema que vai além da siderurgia. O país tenta competir em um tabuleiro global no qual a <strong>China</strong> dita os preços e os <strong>EUA</strong> impõem as barreiras. A <strong>Gerdau</strong>, com o modelo de reciclagem e investimento em baixo carbono, se equilibra entre os pólos “verde”, na estratégia, e “vermelho”, na concorrência.</p>



<p class="is-style-justificado">Enquanto <strong>CSN</strong> e <strong>Usiminas</strong> lutam por espaço em um mercado distorcido, a <strong>Gerdau</strong> avança com uma lição prática: o futuro do aço brasileiro pode depender menos do minério e mais da inteligência com que se reaproveita o que já existe.</p>
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		<title>O Castelo Global do Mercado Livre</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Nov 2025 12:42:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Bastidores]]></category>
		<category><![CDATA[Finanças]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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<p></p>



<p>O <strong>Mercado Livre</strong> costuma ser apresentado como a história definitiva de sucesso tech na América Latina: uma empresa avaliada em cerca de <strong>US$ 130 bilhões</strong>, líder absoluta no comércio eletrônico e nos serviços financeiros digitais do continente. Como toda epopeia latino-americana, no entanto, há um detalhe incômodo que quase sempre fica fora do enquadramento, que é o fato de o gigante ter nascido na <strong>Argentina</strong>, país onde a inflação devora planilhas, governos caem antes do café e o Estado, quando estica a mão, não costuma parar no meio do caminho.</p>



<p>O triunfo do Mercado Livre vai além da inovação ou da eficiência operacional, é fruto de um projeto calculado, quase clínico, de neutralizar riscos. Antes de ser uma empresa, o MELI foi uma arquitetura de sobrevivência, uma equação jurídica, geográfica e societária montada para proteger o negócio de seu próprio país de origem. A tecnologia veio depois da blindagem.</p>



<p>Essa engenharia, concebida por <strong>Marcos Galperin</strong> no fim dos anos <strong>1990</strong>, transformou o Mercado Livre em algo pouco usual no capitalismo latino-americano, sendo uma companhia regional que opera na América Latina, mas não pertence juridicamente à América Latina. O resultado foi um império soberano, com muralhas erguidas muito longe de Buenos Aires e em territórios nos quais a imprevisibilidade latino-americana não chega.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A fundação: o batismo em Delaware</strong></h2>



<p>A decisão mais determinante da história do Mercado Livre não envolveu código, logística ou marketing, foi uma questão cartorial. Em <strong>1999</strong>, <strong>Marcos Galperin</strong> decidiu incorporar a empresa em <strong>Delaware</strong>, o estado americano preferido das empresas globais pela previsibilidade jurídica e pela proteção aos acionistas.</p>



<p>Ao nascer sob a lei americana, o MELI escapou, desde o primeiro minuto, do alcance dos tribunais argentinos. Qualquer disputa societária, ameaça de intervenção estatal ou litígio relevante seria resolvido nos EUA e não em Buenos Aires.</p>



<p>O círculo se fechou em <strong>2007</strong>, quando a empresa abriu capital na <strong>Nasdaq</strong>. As vantagens da incorporação somaram-se às exigências de transparência e governança impostas pela SEC (Securities and Exchange Commission, em inglês), que é a agência federal independente do governo dos EUA responsável por regular os mercados de capitais, protegendo investidores e mantendo mercados justos e eficientes. Ou seja, um segundo anel de proteção.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O quartel-general: o hedge geográfico no Uruguai</strong></h2>



<p>A empresa era americana no papel, mas a operação ainda gravitava em torno de Buenos Aires. Para <strong>Galperin</strong>, esse era um risco tão letal quanto a legislação local. A solução foi deslocar o centro de comando para <strong>Montevidéu</strong>, no <strong>Uruguai</strong>.</p>



<p>O Uruguai oferecia aquilo que a Argentina não conseguia entregar, como estabilidade política, ambiente regulatório previsível e ausência de sobressaltos macroeconômicos. A mudança criou um bunker operacional, com a gestão estratégica ficando no refúgio estável, enquanto a operação continuava espalhada pela região.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O escudo anti-controle: a governança pulverizada</strong></h2>



<p>A estrutura acionária do Mercado Livre seguiu o manual das big techs americanas: <strong>capital totalmente pulverizado na Nasdaq</strong>, sem controlador definido.</p>



<p>Além disso, o estatuto social em Delaware contém cláusulas anti-takeover robustas, como <em>poison pills</em>. Essa combinação torna uma aquisição hostil, seja por um concorrente, seja por um ator estatal, proibitivamente cara e complexa. A gestão, liderada por Galperin, está protegida não por uma maioria de ações, mas pelas leis de governança corporativa dos EUA. Eles criaram um escudo que torna a empresa, na prática, inabalável a ataques de controle.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A diversificação operacional: diluindo o “Risco-Argentina”</strong></h2>



<p>A blindagem jurídica e geográfica seria inútil se 90% da receita ainda dependesse da economia argentina. Por isso, a quarta camada de proteção foi a diversificação operacional agressiva.</p>



<p>Hoje, a Argentina é importante, mas não é vital. O verdadeiro motor do império é o <strong>Brasil</strong>, que em 2024 gerou <strong>US$ 11,4 bilhões</strong> em receita. O <strong>México</strong> já é o segundo maior mercado, com <strong>US$ 4,7 bilhões</strong>. A <strong>Argentina</strong> vem em terceiro, com <strong>US$ 3,8 bilhões</strong>.&nbsp;</p>



<p>Os números mostram que a operação argentina representa uma fatia decrescente do bolo. Se o governo local decidisse expropriar a operação amanhã, seria um golpe financeiro significativo, mas jamais fatal para o império global. O &#8220;Risco-Argentina&#8221; foi diluído a uma linha no balanço.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A blindagem pessoal: a fortaleza do fundador</strong></h2>



<p>A fortuna de <strong>Marcos Galperin</strong>, estimada em cerca de <strong>US$ 10 bilhões</strong>, não está exposta a tempestades argentinas, uruguaias ou de qualquer outro país onde o MELI opere.</p>



<p>Em vez de uma holding controladora europeia, Galperin utiliza <strong>estruturas patrimoniais como trusts e limited partnerships</strong>, frequentemente associadas à <strong>fundação holandesa (Stichting)</strong> para abrigar ações e coordenar sucessão.&nbsp;</p>



<p>Esse é o nível máximo de sofisticação para garantir que a riqueza construída sobreviva não apenas a ele, mas a gerações, independentemente do que aconteça na América Latina.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Um império soberano</strong></h2>



<p>O Mercado Livre vale cerca de <strong>US$ 130 bilhões</strong> não apenas pelo e-commerce veloz ou pela fintech onipresente. O valor nasce da engenharia de blindagem que permitiu à empresa operar em um continente instável sem ser refém dele.</p>



<p>Com <strong>Delaware</strong> como escudo jurídico, a <strong>Nasdaq</strong> como fonte de capital, o <strong>Uruguai</strong> como centro de comando e o <strong>Brasil</strong> como motor de receita, Galperin construiu um castelo global apoiado sobre solo latino-americano, mas sem se submeter às intempéries regionais.</p>
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