O mito do “investimento grátis” ruindo: Por que 70% dos EUA já abandonaram o modelo que ainda domina o Brasil

Enquanto Wall Street consolidou a migração do capital para o modelo fee-based, o Brasil vive o despertar regulatório da CVM 179. A transparência sobre o conflito de interesses saiu do rodapé para o centro da mesa, e a Suno Consultoria antecipa o movimento inevitável de alinhamento.

No mercado de capitais, a maturidade de uma indústria pode ser medida pela clareza de seus incentivos. Sob essa ótica, o Brasil vive um anacronismo perigoso em relação às economias desenvolvidas. Enquanto o investidor local ainda é seduzido pela falácia da “assessoria taxa zero” — um modelo onde o serviço é aparentemente gratuito, mas remunerado por comissões embutidas nos produtos —, os Estados Unidos já decretaram a obsolescência desse formato. A tese é aritmética: não existe isenção quando o salário do conselheiro depende do produto que ele vende, e não da rentabilidade que ele entrega.

Os dados mais recentes da Cerulli Associates, uma das principais casas de análise da indústria financeira global, desenham um cenário inequívoco de migração. Em 2024, 72,4% da indústria de advisors nos Estados Unidos já operava no modelo fee-based (remuneração por taxa fixa ou percentual sobre o patrimônio, sem comissões de produtos). A projeção é que essa fatia atinja 77,6% até 2026. Na contramão, o modelo puramente comissionado, que ainda é a regra no varejo brasileiro, deve encolher para irrelevantes 16,6% do mercado americano no mesmo período. Lá, o dinheiro inteligente já entendeu que pagar diretamente pelo conselho é a única forma de garantir que ele seja, de fato, um conselho, e não uma venda.

A “Caixa Preta” Brasileira e o Choque da CVM 179

No Brasil, a estrutura de distribuição de investimentos cresceu apoiada na opacidade. Formou-se um exército de agentes autônomos (hoje assessores de investimento) cuja remuneração histórica sempre foi o rebate — a comissão devolvida pelo gestor do fundo ou pelo emissor do COE. Esse modelo sustentou a expansão capilar das plataformas, mas criou um conflito de agência estrutural: o produto que paga a maior comissão para o assessor raramente é o que entrega o melhor retorno ajustado ao risco para o cliente.

O mercado brasileiro agigantou-se sob essa lógica. Segundo dados da Ancord, o país encerrou setembro de 2025 com um contingente recorde de 28.012 assessores de investimento credenciados, uma força de vendas que continua em expansão, com o Sul concentrando 24% desses profissionais. Contudo, a festa do “conflito invisível” sofreu um golpe regulatório decisivo.

A entrada em vigor da Resolução CVM 179, em 1º de novembro de 2024, forçou o sistema a colocar luz sobre a remuneração. Ao obrigar a divulgação das taxas e comissões recebidas pelos intermediários, a CVM iniciou um processo irreversível de educação financeira forçada. Pela primeira vez, o investidor médio começou a receber extratos que mostram quanto a cadeia de distribuição morde de seu patrimônio. O que antes era um detalhe técnico virou o motor de uma crise de confiança no modelo tradicional de assessoria.

A Ascensão da Consultoria Fiduciária

É neste vácuo de credibilidade que a figura do Consultor de Valores Mobiliários (CVM) ganha tração. Diferente do assessor, que é um preposto de uma corretora focado na distribuição, o consultor é um agente fiduciário do cliente, regido pela Resolução CVM 19. Seu compromisso legal é com o investidor, e sua remuneração independe do produto alocado.

Embora o número de consultores CVM ainda seja uma fração do total de assessores, o crescimento é acelerado. Dados de mercado apontam que a base de consultores registrados saltou 24,7% entre 2022 e 2023, um ritmo que reflete a demanda reprimida por isenção. O investidor de alta renda, em especial, cansou de ver sua carteira girar sem motivo aparente (o churning) apenas para gerar corretagem, e passou a buscar o alinhamento de interesses.

O Pioneirismo da Suno: Antecipando o Futuro

Nesse tabuleiro em transformação, a Suno Consultoria posicionou-se na vanguarda não por oportunismo, mas por filosofia. Enquanto grandes players do varejo lutavam para manter o status quo do comissionamento, a Suno adotou desde o início o modelo de alinhamento total, similar ao que domina os 70% do mercado americano.

A lógica aplicada pela Suno inverte a pirâmide de incentivos. Ao cobrar uma taxa fixa ou um percentual sobre os ativos sob gestão (Assets Under Management), a consultoria elimina a tentação da venda de produtos tóxicos. Se um fundo paga rebate, esse valor é devolvido ao cliente (cashback) ou nem sequer entra na equação. “O modelo brasileiro de comissão cria uma assimetria onde o assessor enriquece na venda, e não no sucesso do cliente. Nós operamos na lógica oposta: a remuneração é transparente e o único incentivo é a proteção e multiplicação do patrimônio”, afirma a casa.

O pioneirismo da Suno não é apenas sobre ética, é sobre leitura de cenário. Com a CVM 179 expondo as entranhas do modelo antigo e a tendência global apontando para o fim das comissões, a migração para a consultoria fee-based no Brasil não é uma questão de “se”, mas de “quando”. E para o investidor que preza pelo próprio capital, a escolha entre um vendedor comissionado e um consultor alinhado já deixou de ser uma dúvida para se tornar uma questão de matemática básica.

Siga a Bastidores do Poder no Instagram

Leia mais