Desde os tempos do Plano Real, o Brasil formou uma geração de banqueiros que aprendeu a dançar no ritmo dos juros, das crises e das reviravoltas políticas nacionais e internacionais. Muitos fizeram fortuna vestindo o terno do sistema financeiro tradicional, principalmente no Pactual, casa de uma linhagem de investidores e financistas.
Ao longo dos anos, no entanto, uma parte significativa desses banqueiros deixou os grandes bancos para dançar nas próprias pistas de dança. Assim nasceram gestoras e instituições financeiras independentes, criadas a partir de um know-how refinado, redes de contato importantes e um bom capital inicial acumulado.
Gestoras como Brasil Plural, Vinci Partners, Gávea Investimentos, Occam Brasil, JGP Gestão de Recursos e Squadra Investimentos, mantêm as práticas e a disciplina do mercado, mas adotam uma postura mais ágil, própria e mais rentável que os próprios bancos que deixaram para trás, na maioria das vezes.
O que une esses projetos é a combinação das oportunidades, da sensibilidade para cenários macroeconômicos e da ambição de moldar empresas e portfólios com base nas próprias filosofias, tornando-se instituições financeiras relevantes em áreas como private equity, crédito privado, ações, infraestrutura e até investimentos de impacto.
Brasil Plural
Fundado em 2009 por quatro ex-sócios do Pactual como Rodolfo Riechert, André Schwartz, Eduardo Moreira e Carlos Eduardo Rocha, o Duda Rocha, o Banco Brasil Plural evoluiu de uma empresa de assessoria financeira para um banco de investimentos.
Os quatro ex-sócios do maior banco de investimentos do Brasil tinham amplo relacionamento com empresas e instituições financeiras e atuação destacada em operações de abertura de capital, além de assessoria financeira e gestão de recursos de terceiros e operações no mercado doméstico e internacional. Esse histórico de sucesso no mercado de capitais brasileiro logo abriu as portas do projeto.
O banco de investimento focava somente em operações de mercado de capitais e gestão de patrimônio no início, até que aquisições feitas pelo caminho ajudaram e muito na expansão do Banco. Em 2011, adquiriu a Flow Corretora e, três anos mais tarde, a Geração Futuro, que já oferecia fundos de alta performance e trouxe mais escala para o banco em 2014.
Nesse meio tempo, em 2012, deu origem ao atual Grupo Genial, grupo financeiro com diversas áreas de atuação e uma importante plataforma de investimentos digitais. Assim, o Brasil Plural diversificou as operações e passou a atuar também com financiamento, reestruturação de empresas e gestão de distressed assets, títulos de empresas ou entidades governamentais que estão passando por dificuldades financeiras ou operacionais.
Em 2018, o grupo lançou a própria plataforma digital de investimentos sob o nome Genial. Um ano depois, unificou todas as marcas sob o guarda-chuva do Grupo Genial. Em 2020, o banco passou a se chamar apenas Plural. O Grupo tem escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, além da corretora afiliada em Nova Iorque.
Vinci Partners
A Vinci Partners é uma empresa brasileira de gestão de ativos fundada em 2009 por ex-sócios do Pactual, como Gilberto Sayão. Listada no Nasdaq, segundo maior mercado de ações em capitalização de mercado do mundo, atrás apenas da Bolsa de Nova Iorque, a Vinci atua principalmente em investimentos de private equity, buscando participação acionária majoritária em empresas. Assim, alinham os interesses de sócios, gestores e investidores em uma visão comum de direção estratégica.
O objetivo dessa estratégia é transformar e escalonar empresas através de mudanças operacionais e de gestão, de forma a promover o crescimento das receitas, da produtividade e da lucratividade das companhias investidas.
O portfólio da empresa é diversificado, com investimentos em setores como alimentação, educação, infraestrutura, varejo, energia, água e saneamento e transporte e logística. Tais áreas de atuação poderiam funcionar de forma independente em diversos ciclos econômicos, mas, integradas, têm sinergia e geram resultados. Em 2018, a Vinci Partners comprou a operação brasileira da Domino’s e expandiu a atuação no setor de alimentação.
De acordo com o próprio site da Vinci Partners, são mais de US$ 55,7 bilhões de dólares em ativos sob gestão e assessoria até junho de 2025.
Gávea Investimentos
A Gávea Investimentos é uma gestora de recursos brasileira focada em mercados emergentes, fundada em 2003 pelo ex-presidente do Banco Central, Arminio Fraga, e pelo ex-diretor do Unibanco, Luiz Henrique Fraga. A empresa, sediada no Rio de Janeiro, atua em fundos de hedge e private equity, com o objetivo de alinhar os interesses entre a gestora e os clientes. São cerca de R$ 10 bilhões em ativos sob gestão em 2025, incluindo resgates já planejados.
Em 2010, a Gávea administrava US$ 6 bilhões de dólares em ativos, quando a Highbridge Capital Management, que pertence ao JP Morgan Chase, adquire o controle acionário da empresa. Anos depois, a Gávea tornou-se novamente uma gestora independente ao ser recomprada, se desvinculando de qualquer grupo financeiro.
Em 2025, a Gávea Investimentos ajustou a equipe de ações e o foco dos investimentos em resposta ao aumento da volatilidade do mercado. A gestora está priorizando a escolha das ações mirando o cenário macroeconômico e internacional.
Occam Brasil
A Occam Brasil também teve um ex-banqueiro na fundação. Em 2018, Carlos Eduardo Rocha se reuniu com outros profissionais com quem tinha atuado ao longo da trajetória no Pactual e criou a Occam Brasil. Duda Rocha também esteve na fundação do Brasil Plural.
A ideia do negócio visava conceitos modernos implementados em startups de tecnologia, aliados ao know-how dos profissionais no mercado financeiro nacional que trabalharam, boa parte, juntos por mais de 15 anos.
Com a filosofia de investimentos a longo prazo e com boa rentabilidade, a Occam Brasil conseguiu ter rendimentos mesmo em cenários de queda na bolsa, mostrando sucesso na proposta. A Occam Brasil atua como gestora de fundos multimercados, ações, crédito privado e previdência, e tem mais de R$ 10 bilhões sob gestão.
Um ponto interessante que se alinha à proposta é o nome “Occam”, que refere-se ao filósofo medieval William de Ockham e ao próprio princípio, que defende a escolha da explicação mais simples e com o menor número de suposições para resolver uma questão, de forma a excluir o que for irrelevante.
JGP Gestão de Recursos
A JGP Gestão de Recursos é uma casa de gestão independente considerada uma das mais antigas do Brasil ainda em atividade. Fundada em 1998 por nomes conhecidos no mercado, como ex-fundadores do Pactual, André Jakurski e Paulo Guedes, também ex-ministro da Economia. Como curiosidade, a sigla JGP significa Jakurski, Guedes & Partners.
A JGP gere uma grade completa de fundos de crédito privado, ações, fundos imobiliários, previdência e multimercados. A soma desses portfólios resulta em aproximadamente R$ 289 bilhões em ativos geridos, o que coloca a JGP entre as 10 maiores gestoras independentes do país.
Em abril de 2025, o BTG Pactual anunciou a aquisição do braço de Wealth Management da JGP. Além disso, o banco passou a contar com André Jakurski como líder do conselho de administração do Comitê de Investimentos do Family Office do BTG Pactual.
Squadra Investimentos
A Squadra Investimentos foi fundada em 2007 por Guilherme Aché, ex-Pactual e que saiu da JGP Gestão de Recursos para criar a própria empresa, focada em investimentos em ações. Parte do próprio patrimônio, inclusive, está alocada nos fundos da empresa.
Guilherme Aché integrou o time que criou a JGP Gestão de Recursos, ao lado de André Jakurski e Paulo Guedes. Ele trabalhava no banco Pactual quando recebeu o convite dos economistas à época.
Fundada no Rio de Janeiro, a gestora surgiu com a proposta de adotar um modelo de investimento em ações pautado pela cautela e pela análise criteriosa, com performance consistente e a longo prazo.
A Squadra Investimentos se destaca pela convicção em empresas que demonstram alta capacidade de gerar retorno sobre o capital investido e histórico de boa gestão. A maior alocação do portfólio da gestora está no setor de distribuição de energia elétrica, principalmente nas empresas Equatorial e Energisa
A Squadra fechou o mês de maio de 2025 com um valor de mercado de US$ 272,3 milhões de dólares, um crescimento de 28,5% em comparação ao trimestre anterior. Apresentou também um faturamento trimestral de US$ 28,8 milhões de dólares, um aumento de 9,3% no mesmo período.