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	<title>Notícias &#8211; Bastidores do Poder</title>
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	<description>Negócios, Notícias, Análises e Grandes Histórias</description>
	<lastBuildDate>Mon, 30 Mar 2026 12:16:02 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Notícias &#8211; Bastidores do Poder</title>
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		<title>Vicky Safra Não é Mais Brasileira</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Mar 2026 12:14:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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		<category><![CDATA[Negócios]]></category>
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					<description><![CDATA[Viúva bilionária do fundador do Banco Safra é listada como grega pela Forbes e reacende debate sobre o destino global das fortunas brasileiras. Vicky Safra não é mais brasileira. É que diz a Forbes, que listou a viúva do banqueiro Joseph Safra como grega. A mudança chamou a atenção, especialmente porque a própria Forbes Brasil [&#8230;]]]></description>
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<p><em>Viúva bilionária do fundador do Banco Safra é listada como grega pela Forbes e reacende debate sobre o destino global das fortunas brasileiras</em>.</p>



<p></p>



<p><strong>Vicky Safra não é mais brasileira</strong>. É que diz a <strong>Forbes</strong>, que listou a viúva do banqueiro <strong>Joseph Safra </strong>como grega. A mudança chamou a atenção, especialmente porque a própria <em>Forbes Brasil</em> destacou, no mesmo período, que <strong>Vicky é naturalizada brasileira.</strong></p>



<p>Na lista global de bilionários de 2026 da Forbes, <strong>Vicky Safra &amp; Família aparecem na 94ª posição</strong>, tendo uma <strong>fortuna estimada em US$ 27,1 bilhões</strong>. Seu destaque no ranking, porém, foi ofuscado pela associação à Grécia no campo de nacionalidade. Já <strong>a Forbes Brasil</strong> correu para pontuar que<strong> Vicky é a mulher mais rica do Brasil</strong>.</p>



<p>É claro que a classificação de Vicky não condiz com uma perda da sua brasilidade. Porém, a mudança chamou atenção porque mexe com algo maior do que um rótulo de nacionalidade. Ela recoloca em pauta a diferença entre <strong>cidadania, residência, domicílio fiscal e localização do patrimônio</strong>. Essas distinções em casos de grandes dinastias financeiras ajudam a explicar por que um império pode continuar profundamente brasileiro, mesmo quando seus herdeiros vivem e organizam a própria vida a partir de outras jurisdições.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Legado bilionário</strong></h2>



<p>&nbsp;Nascida na Grécia, Vicky Sarfati Safra se mudou para o Brasil quando era muito jovem e mantém cidadania grega e brasileira, ainda que viva majoritariamente na Suíça. Em 1969, se casou com <strong>Joseph Safra</strong>, fundador do Banco Safra, <strong>um império bancário com operações</strong> do Brasil à Suíça, consolidando o grupo como uma potência global de <em>private banking</em> e gestão de patrimônio.</p>



<p>Joseph foi, por muitos anos, o banqueiro mais rico do mundo. Quando ele morreu, em dezembro de 2020, deixou a fortuna para a família. <strong>Vicky herdou cerca da metade do seu patrimônio</strong> e passou a aparecer nos rankings de maiores fortunas mundiais.</p>



<p>Na prática, Vicky parece atuar menos como executiva do dia a dia bancário e mais como eixo patrimonial e de governança. Após reorganizações societárias na família, passou a comandar o Banco Safra ao lado dos seus filhos <strong>David </strong>e<strong> Jacob.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Um império brasileiro</strong></h2>



<p>&nbsp;Mesmo que a Forbes dispute a nacionalidade de Vicky, o Banco Safra segue como uma potência brasileira. Nos indicadores consolidados de dezembro de 2025, o Banco Safra informou <strong>R$ 318,1 bilhões em ativos totais, R$ 400,8 bilhões em recursos captados e administrados e R$ 4,286 bilhões</strong> <strong>em</strong> <strong>lucro líquido.</strong></p>



<p>O vínculo entre a instituição e o Brasil é reforçado diversas vezes em suas comunicações oficiais. A própria instituição lembra que a família Safra chegou ao país em 1953, estabelecendo o banco em 1972. Além disso, tendo a <strong>sede na Avenida Paulista</strong>, em São Paulo, o Banco Safra segue sendo regulado no Brasil.</p>



<p>Em outras palavras, o grupo segue ancorado no Brasil em sede, operação, regulação e presença econômica. O ponto central, portanto, não é que a fortuna tenha “saído” do país, mas que o <strong>centro de gravidade pessoal e patrimonial</strong> da família se tornou cada vez mais global.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Deslocamento de poder</strong></h2>



<p>É aí que a reclassificação da Forbes ganha relevância. Quando os herdeiros de um império financeiro escolhem viver fora, a empresa pode continuar brasileira no que diz respeito aos empregos, clientes, ativos e supervisão regulatória. Mas <strong>a família passa a organizar sucessão, investimentos, filantropia, litígios e preservação patrimonial a partir de outros centros geográficos</strong>. No caso Safra, essa leitura é reforçada pelo próprio desenho internacional do grupo e pela divisão de funções entre os herdeiros.</p>



<p>Isso tem implicações diretas de poder. O Brasil continua abrigando a operação bancária e tributando o que está em sua jurisdição, mas passa a ter alcance menor sobre a esfera privada da fortuna.</p>



<p>O banco fica por aqui, mas não uma boa parcela do poder patrimonial. Essa é uma inferência sustentada pela combinação entre a estrutura global do grupo, a residência no exterior e as regras fiscais aplicáveis a não residentes.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que muda do ponto de vista tributário</strong></h2>



<p>Do ponto de vista tributário, o elemento decisivo é o <strong>domicílio fiscal</strong> e não a nacionalidade destacada em um ranking na imprensa.</p>



<p>Pelas regras oficiais do governo brasileiro, são dois grupos que devem <strong>formalizar a saída fiscal</strong>: quem sai do país em caráter definitivo; e quem permanece no exterior por mais de 12 meses consecutivos, passando à condição de não-residente. Depois disso, passa a ser tributado no Brasil apenas os rendimentos provenientes de fontes situadas no país, enquanto as <strong>rendas obtidas no exterior deixam de ser declaradas aqui</strong>.</p>



<p>Na prática, as regras brasileiras sobre empresas, ativos e rendimentos localizados no Brasil não mudam. Mas isso <strong>reduz o alcance do Fisco brasileiro</strong> sobre a renda mundial e sobre parte relevante da organização patrimonial pessoal do herdeiro.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mais do que um detalhe na Forbes</strong></h2>



<p>Por isso a discussão sobre Vicky Safra vem sendo tratada menos como uma mera curiosidade em uma lista da Forbes e mais como um sintoma de transformação bem maior.</p>



<p>A escolha editorial da Forbes reacende um debate bem relevante sobre o que acontece com os impérios financeiros brasileiros quando seus herdeiros passam a morar em outro lugar. O banco é brasileiro, mas o destino da riqueza passa a circular pelo mundo.</p>



<p>O maior símbolo de riqueza bancária pode continuar com as raízes fincadas na Avenida Paulista, mas quem comanda esse patrimônio passa <strong>a viver, decidir e investir sua riqueza a partir de uma lógica transnacional</strong>.&nbsp;</p>



<p></p>
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		<title>Palmeiras Projeta Faturamento Recorde de R$ 1,7 Bilhão em 2025, Mesmo Sem Títulos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Jan 2026 19:52:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Movimento de Mercado]]></category>
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					<description><![CDATA[O Palmeiras encerrou a temporada de 2025 com um saldo paradoxal: resultados esportivos abaixo do esperado, mas um desempenho financeiro histórico. O clube projeta um faturamento recorde de R$ 1,7 bilhão, superando em muito a previsão inicial de pouco mais de R$ 1 bilhão e o recorde anterior de R$ 1,4 bilhão, registrado em 2024. [&#8230;]]]></description>
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<p>O Palmeiras encerrou a temporada de 2025 com um saldo paradoxal: resultados esportivos abaixo do esperado, mas um desempenho financeiro histórico. O clube projeta um faturamento recorde de R$ 1,7 bilhão, superando em muito a previsão inicial de pouco mais de R$ 1 bilhão e o recorde anterior de R$ 1,4 bilhão, registrado em 2024.</p>



<p><strong>Vendas de Atletas e Premiações Impulsionam Receita</strong></p>



<p>A principal fonte desse faturamento recorde foi a venda de jogadores. Negociações envolvendo atletas como Estêvão, Vitor Reis e Richard Ríos renderam aos cofres alviverdes quase R$ 600 milhões até outubro de 2025, superando a meta anual de R$ 300 milhões com transferências.</p>



<p>Além das vendas, as premiações também contribuíram significativamente para o resultado financeiro. Apesar dos vice-campeonatos no Paulistão, Brasileirão e Libertadores, o Palmeiras arrecadou valores importantes com suas campanhas nessas competições e com a participação no Mundial de Clubes da Fifa, onde chegou às quartas de final.</p>



<p><strong>Investimento Pesado em Contratações</strong></p>



<p>Buscando rejuvenescer o elenco e manter a competitividade, o Palmeiras investiu pesado em contratações em 2025. Cerca de R$ 700 milhões foram destinados à chegada de 12 novos jogadores, incluindo:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Vitor Roque:</strong> Atacante contratado como a transferência mais cara da história do clube.</li>



<li><strong>Carlos Miguel:</strong> Goleiro que assumiu a titularidade em momentos decisivos.</li>



<li><strong>Andreas Pereira:</strong> Meio-campista que era um desejo antigo da diretoria.</li>
</ul>



<p>Outros reforços, como Paulinho e Lucas Evangelista, enfrentaram problemas com lesões e tiveram pouca sequência na equipe.</p>



<p><strong>Novos Patrocínios e Projeções para 2026</strong></p>



<p>O ano de 2025 também marcou o fim da parceria de uma década com as empresas da presidente Leila Pereira como patrocinador máster. O Palmeiras fechou novos acordos, incluindo um contrato com a Cimed avaliado em R$ 57 milhões, com potencial de crescimento através da venda de produtos licenciados.</p>



<p>Para 2026, a previsão de arrecadação do Palmeiras é de R$ 1,2 bilhão. A venda de jogadores continuará sendo a principal fonte de receita, com projeção de R$ 400 milhões. O clube também busca aumentar a arrecadação com patrocínios, negociando os espaços vagos no uniforme por valores entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões.</p>



<p><strong>Temporada Sem Títulos Gera Frustração</strong></p>



<p>Apesar do sucesso financeiro, a temporada de 2025 foi marcada pela frustração da torcida alviverde com a falta de títulos. O Palmeiras foi vice-campeão paulista para o Corinthians, perdeu o título brasileiro para o Flamengo após liderar a competição e foi derrotado pelo mesmo rival na final da Libertadores.</p>



<p>O técnico Abel Ferreira, que priorizou a Libertadores na reta final da temporada, reconheceu que o Campeonato Brasileiro estava &#8220;entregue&#8221; antes mesmo do término da competição. A derrota na final continental para o Flamengo, sem nenhuma finalização certa ao gol, selou um ano sem conquistas expressivas para o clube.</p>
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		<title>A Guerra Secreta dos Traders</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Nov 2025 00:55:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Bastidores]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[No pregão da B3, existe um poder oculto, uma força invisível que opera a velocidades que desafiam a compreensão humana. São os algoritmos de High-Frequency Trading (HFT), os &#8220;robôs&#8221; que disparam milhares de ordens de compra e venda em frações de segundo, sempre milissegundos à frente de todos os outros. Enquanto o investidor comum clica [&#8230;]]]></description>
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<p>No pregão da <strong>B3</strong>, existe um poder oculto, uma força invisível que opera a velocidades que desafiam a compreensão humana. São os algoritmos de <strong>High-Frequency Trading (HFT)</strong>, os &#8220;robôs&#8221; que disparam milhares de ordens de compra e venda em frações de segundo, sempre milissegundos à frente de todos os outros.</p>



<p>Enquanto o investidor comum clica no <strong>home broker</strong>, essas máquinas travam uma verdadeira guerra secreta nos servidores da bolsa, em busca de microvantagens de preço que, somadas, rendem fortunas. O fenômeno, que já domina mais de <strong>60%</strong> do volume nas bolsas americanas, avança rapidamente no <strong>Brasil</strong>. Segundo a <strong>B3</strong>, em <strong>abril de 2025</strong>, cerca de <strong>40% dos negócios</strong> no mercado de ações são atribuídos a operações de alta frequência.</p>



<p>Esta é a história dos bastidores dessa guerra. A tecnologia de ponta escondida no coração da <strong>B3</strong>, os gênios da matemática que comandam os robôs e como essa batalha invisível já define o preço das ações que você compra e vende.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong><br></strong><strong>Lucrando com a velocidade</strong></h2>



<p></p>



<p>O <strong>High-Frequency Trading</strong> não é sobre prever o futuro, é sobre reagir ao presente mais rápido do que qualquer um. Usando <strong>algoritmos avançados</strong>, <strong>supercomputadores</strong> e conexões de dados de <strong>baixíssima latência</strong>, os <strong>HFTs</strong> executam um volume gigantesco de ordens em <strong>microssegundos</strong> (milionésimos de segundo) ou até <strong>nanosegundos</strong> (bilionésimos).</p>



<p>O objetivo é capturar <strong>microarbitragens</strong>, que são as diferenças mínimas de preço que surgem por instantes. Se uma ação custa <strong>R$ 10</strong> aqui e <strong>R$ 10,01</strong> ali, o robô compra e vende instantaneamente, lucrando <strong>um centavo</strong>. Parece pouco, mas ao repetir a operação <strong>milhões de vezes por dia</strong>, em diversos ativos, o resultado é bilionário. Estima-se que os principais players de <strong>HFT no Brasil</strong> faturem cerca de <strong>R$ 10 bilhões por ano</strong> com essas estratégias.</p>



<p><strong>Dentro do datacenter da B3</strong></p>



<p>Para ganhar essa corrida, não basta ter o melhor software, é preciso estar no lugar certo. As firmas de <strong>HFT</strong> instalam os servidores dentro do <strong>datacenter da B3</strong>, através de serviços de <strong>colocation</strong>. A <strong>proximidade física</strong> reduz a <strong>latência</strong>, que é o tempo de resposta, a níveis mínimos.</p>



<p>“<strong>Quanto vale um microssegundo no mercado?</strong>”, questiona a própria <strong>B3</strong> em seu material institucional. A resposta é: “<strong>pode valer muito dinheiro</strong>”. Reduzir um milionésimo de segundo na execução pode significar capturar um preço melhor ou fechar uma arbitragem antes do concorrente. A <strong>B3</strong>, em parceria com empresas especializadas, oferece <strong>infraestrutura de ponta</strong> para esse ecossistema, incluindo <strong>sincronização de relógios em nível de nanosegundos</strong>.</p>



<p>Para a bolsa, os <strong>HFTs</strong> são bem-vindos, já que aumentam a <strong>liquidez</strong> e estreitam os <strong>spreads</strong>, que é a diferença entre o preço de compra e venda. Contudo, essa velocidade levanta questões. Ordens que aparecem e desaparecem em microssegundos podem criar a ilusão de oferta ou demanda (<strong>spoofing</strong>), uma prática proibida pela <strong>Comissão de Valores Mobiliários (CVM)</strong>.</p>



<p><strong>Os arquitetos dos robôs</strong></p>



<p>Por trás das máquinas, há <strong>mentes brilhantes</strong>. Geralmente <strong>PhDs em física, matemática ou ciência da computação</strong>, eles fundaram gestoras quantitativas, as <strong>&#8220;quants&#8221;</strong>, que operam de forma radicalmente diferente dos fundos tradicionais.</p>



<p>A mais famosa é a <strong>Giant Steps Capital</strong>, a maior gestora <strong>quant</strong> da <strong>América Latina</strong>. Fundada em <strong>2012</strong> por <strong>Rodrigo Terni</strong> e sócios com background em <strong>engenharia</strong> e <strong>mercado financeiro</strong>, a <strong>Giant Steps</strong> aplica <strong>modelos matemáticos complexos</strong> para identificar e explorar padrões de mercado, ganhando vantagem na velocidade de reação. A equipe é repleta de talentos com <strong>medalhas em olimpíadas de matemática</strong>. De acordo com a análise de mercado, a gestora possui mais de <strong>R$ 6 bilhões sob gestão</strong>.</p>



<p>A <strong>Giant Steps</strong> não está sozinha. A <strong>Kadima Asset</strong>, pioneira fundada em <strong>2007</strong> por <strong>Rodrigo Maranhão</strong>, matemático pelo <strong>Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA)</strong>, já ultrapassa <strong>R$ 2,4 bilhões sob gestão</strong>. Novas casas como <strong>Pandhora Investimentos</strong> e <strong>Equus Capital</strong> também entram no jogo, provando que o futuro do trading é <strong>algorítmico</strong>.</p>



<p><strong>O impacto no seu home broker</strong></p>



<p>Essa guerra invisível afeta diretamente o <strong>investidor comum</strong>. Quando você envia uma ordem, é provável que um <strong>HFT</strong> esteja do outro lado, seja executando sua ordem atuando como <strong>market-maker</strong>, seja ajustando o preço um <strong>microssegundo antes</strong> de você.</p>



<p>Hoje, quem define o <strong>preço instantâneo</strong> de uma ação na tela não é mais um humano, mas uma <strong>rede de máquinas</strong>. Por um lado, isso trouxe mais <strong>liquidez</strong> ao mercado. Por outro, pode gerar <strong>volatilidade</strong>, como no <strong>Flash Crash de 2010</strong>, e, potencialmente, <strong>custos ocultos de execução</strong> (<em>latency arbitrage</em>), nos quais o robô captura alguns centavos da sua ordem por ser mais rápido.</p>



<p>Para o <strong>investidor de longo prazo</strong>, esse ruído de milissegundos é irrelevante, mas quem opera no <strong>curto prazo</strong> está competindo contra <strong>supercomputadores instalados dentro da bolsa</strong>.</p>



<p><strong>O jogo invisível que define o preço</strong></p>



<p>A guerra secreta dos <strong>HFTs</strong> deixou de ser um nicho para se tornar o <strong>modus operandi do mercado</strong>. Nos servidores da <strong>B3</strong>, algoritmos travam batalhas de <strong>nanosegundos</strong> que moldam a <strong>liquidez</strong> e os <strong>preços</strong>. Os gênios <strong>“quant”</strong> por trás deles transformaram a <strong>ciência</strong> em uma <strong>máquina de fazer dinheiro</strong>, faturando <strong>bilhões</strong> ao arbitrar o presente.</p>



<p>O <strong>preço das ações</strong> na sua tela é, em grande medida, o resultado desse <strong>jogo invisível</strong>. O <strong>mercado financeiro brasileiro</strong> entrou definitivamente na <strong>era das máquinas</strong>. Mesmo que você não veja, são elas que, <strong>milissegundo a milissegundo</strong>, ditam o ritmo do <strong>pregão</strong>.</p>
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		<title>A Frota Fantasma</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Oct 2025 12:58:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
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					<description><![CDATA[Sob o radar das sanções, uma armada de petroleiros velhos e sem seguro, operada por Rússia, Irã e Venezuela, cresceu até compor cerca de 20% da capacidade global de transporte de petróleo. Longe dos portos regulados de Roterdã ou Houston, uma vasta armada de petroleiros envelhecidos opera nas sombras do direito internacional. É a &#8220;frota [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="is-style-justificado"><em>Sob o radar das sanções, uma armada de petroleiros velhos e sem seguro, operada por </em><strong><em>Rússia</em></strong><em>, </em><strong><em>Irã</em></strong><em> e </em><strong><em>Venezuela</em></strong><em>, cresceu até compor cerca de 20% da capacidade global de transporte de petróleo</em>.</p>



<p class="is-style-justificado">Longe dos portos regulados de <strong>Roterdã</strong> ou <strong>Houston</strong>, uma vasta armada de petroleiros envelhecidos opera nas sombras do direito internacional. É a &#8220;frota fantasma&#8221;, um mercado paralelo que, impulsionado pelas sanções contra <strong>Rússia</strong>, <strong>Irã</strong> e <strong>Venezuela</strong>, expandiu-se de modo acelerado. Números recentes estimam o tamanho em algo entre <strong>1.100 e 1.600 embarcações</strong>, o equivalente a cerca de <strong>um quinto (20%)</strong> da capacidade global de transporte de petróleo, dependendo do método de contagem.</p>



<p class="is-style-justificado">Esta sofisticada arquitetura logística movimenta <strong>dezenas de bilhões de dólares</strong> e se tornou ferramenta geopolítica crucial, garantindo que o petróleo sancionado continue a fluir e estabilize os preços no curto prazo, mas financiando regimes isolados e multiplicando riscos ambientais. O <strong>Brasil</strong>, longe de ser mero espectador neste caso, tornou-se destino preferencial de parte desse fluxo.</p>



<p class="is-style-justificado">O fenômeno já alterou rotas comerciais, derrubou previsões de sanções e confundiu autoridades marítimas. O que antes parecia uma rede marginal, atualmente movimenta quase o mesmo volume de petróleo que países inteiros da <strong>OPEP</strong>, desafiando instituições financeiras, seguradoras e tratados ambientais. No mapa global da energia, a frota fantasma tornou-se uma espécie de zona cinzenta permanente, uma economia flutuante, sem bandeira e sem rosto, que cresce na mesma medida em que o controle internacional se desfaz.</p>



<p class="is-style-justificado">O mesmo petróleo que mantém em funcionamento as fábricas da <strong>Ásia</strong> e o agronegócio do <strong>Brasil</strong> também sustenta regimes sancionados e enfraquece o alcance diplomático do <strong>Ocidente</strong>. Cada barril que cruza o Atlântico sem registro é um lembrete de que o mundo, mesmo cercado de dados e satélites, ainda depende de sombras para manter as luzes acesas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Anatomia da armada clandestina</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">Antes da invasão da Ucrânia, havia &#8220;algumas centenas&#8221; de navios. Em meados de <strong>2023 a 2025,</strong> a contagem saltou. Estudos e firmas de inteligência marítima apontam para um total, que varia conforme a metodologia, com faixas entre <strong>980</strong> e <strong>1.600</strong> embarcações. Outros conjuntos de dados destacam que apenas a porção russa passou de menos de <strong>100</strong> embarcações no início de 2022 para várias centenas nos anos seguintes.</p>



<p class="is-style-justificado">A frota opera fora do sistema regulado. Navios com décadas na quilha, manutenção precária e estruturas de propriedade opaca são registrados em jurisdições de baixa vigilância. Para burlar o rastreio, seja se falsificando sinais do AIS (desligamento ou spoofing), seja recorrendo a transferências navio-a-navio (STS) em alto-mar, tática frequentemente observada no Sudeste Asiático e no Caribe, a origem da carga fica deliberadamente borrada. Muitas dessas embarcações navegam com seguro inferior ao padrão ocidental, configurando um <strong>&#8220;perigo navegando&#8221;</strong> e um risco ambiental iminente.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os donos do jogo e seus beneficiários</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">A frota serve principalmente <strong>Rússia</strong>, <strong>Irã</strong> e <strong>Venezuela</strong>, e encontra dois grandes mercados: <strong>China</strong> e <strong>Índia</strong>. Dados de comércio e análises do setor mostram que a Rússia manteve volumes de exportação muito próximos aos níveis pré-sanções. Em termos agregados, as exportações russas têm ficado na faixa de <strong>4 a 6 milhões de barris por dia</strong> em diferentes meses de <strong>2024 a 2025</strong>, dependendo das métricas e do período considerado. O Irã segue exportando volumes significativos, sustentado pela própria capacidade marítima e por clientes na Ásia.</p>



<p class="is-style-justificado">Do lado da demanda, <strong>a Ásia absorveu muito do que a Europa e o Ocidente deixaram de comprar</strong>. Em <strong>2024</strong>, dados oficiais e de inteligência comercial indicam que a <strong>China</strong> importou cerca de <strong>109 milhões de toneladas</strong> de petróleo russo, enquanto a <strong>Índia</strong> importou algo em torno de <strong>88 milhões de toneladas</strong> no mesmo ano, volumes recorde que explicam por que o desconto russo segue encontrando comprador.</p>



<p class="is-style-justificado">Estima-se que redes e intermediários ligados ao comércio clandestino tenham movimentado somas bilionárias. Relatórios setoriais apontam casos isolados (empresas/players) que movimentaram dezenas de milhões de barris e centenas de milhões de dólares em janelas curtas. Avaliações abrangentes colocam o valor econômico agregado desta infraestrutura em <strong>dezenas de bilhões de dólares</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O efeito colateral brasileiro</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">O <strong>Brasil</strong> não aderiu às sanções ocidentais e viu o parque de importadores aproveitar preços competitivos. Investigações jornalísticas e dados oficiais mostram que, entre <strong>2022</strong> e <strong>2024</strong>, as compras brasileiras de diesel russo (refino/semimanufaturados) cresceram de cifras muito modestas para valores na casa dos <strong>bilhões de dólares</strong>. De cerca de <strong>US$ 95 a 100 milhões</strong> em <strong>2022</strong> para <strong>US$ 4,5 bilhões</strong> em <strong>2023</strong> e cerca de <strong>US$ 5,4 bilhões</strong> em <strong>2024</strong>, segundo levantamentos econômicos e reportagens. Isso colocou a Rússia como fornecedora dominante de diesel do país em 2024.</p>



<p class="is-style-justificado">Reportagens de investigação indicam também presença física da frota nos portos brasileiros. Tais investigações documentaram pelo menos <strong>36</strong> navios associados ao chamado &#8220;shadow/ghost fleet&#8221; atracando em portos brasileiros entre <strong>fevereiro de 2022</strong> e meados de <strong>2025</strong>. Esse contato direto transforma uma questão de petróleo em um problema geopolítico, no qual as empresas brasileiras e o agronegócio ganham combustível mais barato, mas ficam expostos a riscos de sanções secundárias em caso de escalada de medidas contra a rede clandestina.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Um novo (des)equilíbrio global</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">A ascensão da frota fantasma redesenhou o mercado de energia. No curto prazo, atuou como válvula de escape que conteve choques de oferta e, no longo prazo, corrói a capacidade ocidental de isolamento econômico e sustenta regimes que buscam fontes alternativas de receita. A &#8220;frota fantasma&#8221; vai além de um agregado de navios velhos, é a espinha dorsal de uma ordem energética paralela, na qual o mundo se divide entre mercados regulados e um circuito opaco que abastece sobretudo a Ásia e, cada vez mais, provoca efeitos na América do Sul.</p>
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		<title>O Fim da Classe Média?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Oct 2025 03:59:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
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					<description><![CDATA[Uma década de renda estagnada, inflação corrosiva e crédito escasso esvaziou o centro do consumo no país e está destruindo os impérios erguidos sobre ele. A crise mais profunda do capitalismo brasileiro atualmente não é o escândalo contábil da Americanas nem a agonia financeira da Marisa. Esses são apenas sintomas, já que a verdadeira doença, [&#8230;]]]></description>
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<p class="is-style-justificado"><em>Uma década de renda estagnada, inflação corrosiva e crédito escasso esvaziou o centro do consumo no país e está destruindo os impérios erguidos sobre ele.</em></p>



<p class="is-style-justificado">A crise mais profunda do capitalismo brasileiro atualmente não é o escândalo contábil da <strong>Americanas</strong> nem a agonia financeira da <strong>Marisa</strong>. Esses são apenas sintomas, já que a verdadeira doença, silenciosa e estrutural, é o <strong>desaparecimento do consumidor de classe média tradicional</strong>.</p>



<p class="is-style-justificado">Aquele perfil que frequentava o shopping aos domingos, financiava o carro zero, pagava a faculdade privada dos filhos e parcelava a geladeira em 12 vezes está virando uma espécie em extinção. O “<strong>esvaziamento do meio</strong>” é um terremoto sem alarde que está redesenhando o mapa do consumo no país.</p>



<p class="is-style-justificado">Prensada por uma década de <strong>renda estagnada</strong> e <strong>inflação corrosiva</strong>, a <strong>classe C</strong> viu o poder de compra derreter. O resultado é uma economia bipolar: de um lado, o <strong>ultraluxo floresce</strong>, do outro, o <strong>baixo custo prospera</strong>. No meio, um vácuo e, nele, os impérios erguidos sobre o consumo da classe média desabam, um por um.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A anatomia de uma década perdida</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">O motor que impulsionava o consumo popular travou. Segundo o <strong>IBGE</strong>, o rendimento médio real do trabalho em 2014 era de <strong>R$ 2.974</strong>. Em <strong>2024,</strong> o rendimento médio habitual atingiu <strong>R$ 3.225</strong>, um avanço nominal, mas insuficiente para recompor integralmente o poder de compra perdido ao longo da década.</p>



<p class="is-style-justificado">Em apenas um ano, entre <strong>2020 e 2021</strong>, cerca de <strong>4,9 milhões de pessoas</strong> deixaram a faixa da classe média tradicional e o percentual de brasileiros na faixa intermediária recuou para <strong>47%</strong>, segundo levantamento do Instituto Locomotiva. São sinais de que a classe média deixou de ser a maioria no país.</p>



<p class="is-style-justificado">Com a renda comprimida, vieram os cortes. Pesquisas apontaram que uma parcela significativa cancelou planos de saúde e transferiu filhos da educação privada para a pública. O sonho da ascensão deu lugar à luta para não cair.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O efeito dominó no varejo</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">Nenhum setor sentiu o golpe com tanta força quanto o <strong>varejo tradicional</strong>. As redes que prosperaram com o crediário e o otimismo da classe média viram os castelos ruírem.</p>



<p class="is-style-justificado">A <strong>Lojas Americanas</strong> protagonizou um pedido de recuperação judicial com um passivo declarado na ordem de <strong>R$ 43 bilhões</strong>, um nó financeiro que expôs a fragilidade do modelo baseado em vendas parceladas em massa. A <strong>Marisa</strong>, símbolo da moda popular feminina, reagiu com reestruturação que incluiu fechamento de mais de <strong>90 unidades</strong> e negociação de dívidas de mais de <strong>460 milhões</strong> ao longo de 2023, posteriormente renegociadas.&nbsp;</p>



<p class="is-style-justificado">No segmento de decoração, redes que atuavam fortemente para a classe média também tiveram ajuste brusco de rota. <strong>Tok&amp;Stok</strong> e <strong>Etna</strong> foram dizimadas. A Etna fechou as portas em <strong>2022</strong>, enquanto a Tok&amp;Stok, endividada em <strong>R$ 350 milhões</strong>, escapou por pouco, à custa de fechar <strong>17 lojas</strong> e receber um aporte de emergência.</p>



<p class="is-style-justificado">Nos shoppings, o retrato se repete, com marcas que simbolizavam o consumo aspiracional da classe média, como Riachuelo e Renner, ficando presas entre o varejo ultrabarato importado praticado em plataformas asiáticas e marketplaces (Shein e Shopee) e o nicho premium, e viram margens e tráfego se comprimirem. Dados de 2024 mostram que esses e-commerce corresponderam de 18% a 20% dessa fatia.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O fim do sonho do diploma</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">Outro símbolo do sonho de ascensão, o <strong>ensino superior privado</strong> seguiu o mesmo caminho. Grupos como <strong>Cogna (Anhanguera/Kroton)</strong> e <strong>Estácio</strong>, que cresceram amparados pelo <strong>FIES</strong>, sofrem com a evasão em massa e alta inadimplência.</p>



<p class="is-style-justificado">Em <strong>2020</strong>, <strong>3,78 milhões de estudantes</strong> abandonaram cursos em faculdades particulares. O modelo, dependente do financiamento estudantil e da renda familiar, quebrou.</p>



<p class="is-style-justificado">Depois do auge em <strong>2014</strong>, com <strong>731 mil novos contratos do FIES</strong>, os cortes no programa e a crise econômica transformaram a faculdade em um luxo. A inadimplência disparou, as salas de aula se esvaziaram e o <strong>diploma</strong>, antes passaporte para o futuro, voltou a ser privilégio de poucos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A nova economia bipolar</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">Enquanto o meio afunda, os extremos florescem. O país se dividiu entre o <strong>popular eficiente</strong> e o <strong>luxo resiliente</strong>. Na base, o <strong>atacarejo</strong> viveu um boom. O&nbsp; <strong>Assaí</strong> reportou crescimento expressivo das vendas em 2023, com vendas líquidas e faturamento em alta na casa de <strong>22%,</strong> se comparado a 2022.</p>



<p class="is-style-justificado">No topo, o luxo mostra resiliência mesmo em ano global de desaceleração. Estudos setoriais internacionais observam que, embora o mercado pessoal de luxo global tenha arrefecido em 20</p>



<p class="is-style-justificado">24, a participação dos grandes gastadores e de mercados locais robustos mantém fatias importantes de faturamento. Além disso, as marcas premium no Brasil registraram desempenho sólido nos últimos anos</p>



<p class="is-style-justificado">Marcas como a <strong>Vivara</strong>, que registrou a maior margem bruta de sua história em <strong>2025</strong>, e o grupo <strong>Arezzo&amp;Co</strong>, seguem expandindo, impulsionadas por uma elite cuja renda, ao contrário do resto, aumentou.</p>



<p class="is-style-justificado">Ao mesmo tempo, plataformas digitais e marketplaces internacionais exerceram pressão competitiva sobre as cadeias de moda e bens duráveis, capturando fatias relevantes do comércio eletrônico brasileiro, um fator adicional que comprimiu margens dos varejistas de médio porte.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O desafio de sobreviver no vácuo</strong></h2>



<p class="is-style-justificado">O “<strong>esvaziamento do meio</strong>” não é uma fase, é uma <strong>reconfiguração estrutural</strong> da economia brasileira. Impérios erguidos sobre o consumo aspiracional da classe média estão descobrindo que seu público sumiu. Nesse abismo, se perderam shoppings, faculdades privadas e marcas que acreditaram que o meio ainda existia. O centro econômico do país foi engolido e ninguém ainda construiu nada no lugar.</p>



<p class="is-style-justificado">Ficar no meio do caminho virou um mau negócio. O mercado exige extremos, com <strong>escala e eficiência</strong> no varejo popular ou <strong>sofisticação e exclusividade</strong> no topo. No vácuo que resta, ergue-se o retrato de uma década: vitrines fechadas, salas vazias e a lembrança de um tempo em que a classe média ainda parecia eterna. Quem insistir em habitar esse vácuo corre o risco de desaparecer com ele.&nbsp;</p>
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		<title>Fuga da B3: por que empresas brasileiras buscam cada vez mais Wall Street?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Sep 2025 03:34:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Finanças]]></category>
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					<description><![CDATA[Em junho de 2025, a JBS estreou na Bolsa de Valores de Nova Iorque, a NYSE. Esse movimento da empresa brasileira do setor de alimentos, a mais recente listada por lá, é cada vez mais comum. Companhias nacionais estão atravessando o Atlântico financeiro em busca de liquidez, previsibilidade e visibilidade global. Nos Estados Unidos, os [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em <strong>junho de 2025</strong>, a <strong>JBS</strong> estreou na <strong>Bolsa de Valores de Nova Iorque</strong>, a NYSE. Esse movimento da empresa brasileira do setor de alimentos, a mais recente listada por lá, é cada vez mais comum. Companhias nacionais estão atravessando o Atlântico financeiro em busca de <strong>liquidez, previsibilidade e visibilidade global</strong>. Nos <strong>Estados Unidos</strong>, os papéis de empresas brasileiras já movimentam quase dois terços do volume negociado na própria <strong>B3</strong>, a bolsa de valores do <strong>Brasil</strong>.</p>



<p>Por trás disso, há razões estruturais e de contexto. No Brasil, os <strong>juros altos, a inflação resistente e as incertezas fiscais</strong> minam o apetite dos investidores. Do outro lado, <strong>Wall Street </strong>oferece profundidade de mercado, estabilidade cambial e regras de governança consolidadas. Para as <strong>empresas</strong>, é uma vitrine global, mas, para o <strong>investidor brasileiro</strong>, pode ser um encolhimento das opções domésticas.</p>



<p>O movimento atual não é exclusividade do Brasil. Empresas da <strong>Europa</strong> e da <strong>Ásia</strong> também estão migrando para os Estados Unidos. Por aqui, porém, a debilidade do mercado local torna o fenômeno mais visível.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Por que Wall Street atrai tanto?</strong></h2>



<p>Enquanto a B3 reúne <strong>cerca de 400 companhias</strong>, os Estados Unidos contam com <strong>mais de 5 mil listadas</strong> entre a <strong>NYSE</strong> e a <strong>Nasdaq</strong>, bolsa de valores americana conhecida por ser a primeira bolsa eletrônica do mundo e por listar muitas empresas de tecnologia, como <strong>Apple</strong> e <strong>Google</strong>. A diferença vai além dos números, chegando à cultura investidora. <strong>Mais da metade dos americanos</strong> investe na bolsa, direta ou indiretamente, criando um mercado maduro e de liquidez abundante.</p>



<p>Outro atrativo está nas regras. A <strong>SEC</strong>, agência reguladora equivalente à <strong>Comissão de Valores Mobiliários (CVM)</strong> brasileira, impõe governança rigorosa e garante maior previsibilidade. Ao mesmo tempo, é mais flexível em pontos cruciais, ao não exigir ações em circulação pública (<em>free float)</em> de <strong>25%</strong> como no Brasil, aceitar estruturas acionárias com diferentes classes de ações e permitir listagens parciais com apenas <strong>10%</strong> dos papéis.</p>



<p>Na prática, isso significa que os controladores podem captar recursos <strong>sem perder o comando</strong> da empresa. Essa é uma equação difícil de encontrar no mercado brasileiro e um <strong>fator decisivo</strong> para empreendedores que buscam crescer sem abrir mão do controle.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Queda de braço entre São Paulo e Nova Iorque</strong></h2>



<p>Em <strong>2020</strong>, apenas<strong> 29% do volume</strong> movimentado por ações brasileiras ocorria nos Estados Unidos. Esse número saltou para <strong>65,6% </strong>em <strong>2025</strong>. Enquanto a liquidez diária da B3 caiu de <strong>US$ 5,29 bilhões</strong> em <strong>2021</strong> para <strong>US$ 3,32 bilhões</strong> até <strong>maio de 2025,</strong> os <strong>ADRs</strong>, que são os certificados de ações de empresas estrangeiras negociados em bolsas americanas, cresceram para mais de <strong>US$ 2 bilhões</strong> por dia.</p>



<p>Alguns gigantes nacionais já viram os papéis renderem mais na Terra do Tio Sam do que no próprio país. É o caso da <strong>Petrobras</strong>, cujos ADRs movimentam quase quatro vezes mais em Nova Iorque do que no Brasil. Empresas como <strong>Vale, Itaú, Bradesco e Embraer</strong> seguem a mesma lógica. Como consequência, a B3 perde espaço e as <strong>bolsas americanas ganham protagonismo</strong> na precificação das companhias brasileiras.</p>



<p>O <strong>esvaziamento silencioso da bolsa no Brasil</strong> traz consequências. Para o investidor local que não aplica no exterior, essa oferta de empresas diminui. Setores dinâmicos, como tecnologia e fintechs, dificilmente escolhem São Paulo como palco de estreia ou de permanência fixa e exclusiva. Assim, sobram em grande parte as companhias tradicionais, de setores concentrados, com menor potencial de expansão.</p>



<p>A B3 segue a luta contra a perda de atratividade afetada por juros altos, pela volatilidade política e pela queda no número de <strong>IPOs</strong>, processo pelo qual uma empresa emite, pela primeira vez, ações para serem vendidas ao público geral na bolsa de valores. No entanto, o <strong>sonho americano não é garantia de sucesso</strong>. Abrir capital nos Estados Unidos exige enfrentar auditorias, critérios de governança e a pressão constante de investidores institucionais globais. Se fosse receita infalível, todas as companhias brasileiras provavelmente já estariam listadas em <strong>Wall Street</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Nubank e a onda fintech</strong></h2>



<p>A trajetória do <strong>Nubank</strong> ajuda a entender o fenômeno da migração. Desde<strong> dezembro de 2021</strong>, quando abriu capital em Nova Iorque, a fintech passou a valer quase <strong>US$ 45 bilhões</strong>, tornando-se a quarta maior empresa brasileira. A companhia afirmou à época que a <strong>listagem no Brasil seria inviável</strong>, porque a regulação local exigiria maior diluição do controle.</p>



<p>A escolha reflete o desejo americano por empresas de tecnologia e serviços financeiros. A Nasdaq e a NYSE, por exemplo, abrigam centenas delas. Embora sejam brasileiras, as empresas <strong>Stone, PagSeguro, XP, VTEX e CI&amp;T</strong>, por exemplo, encontraram do outro lado da América um terreno mais fértil para captar recursos.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>JBS: uma vitrine de carne bovina em Wall Street</strong></h2>



<p>A maior processadora de proteína animal do mundo escolheu uma <strong>dupla listagem</strong>, mantendo presença na B3 e negociando também na NYSE. Logo no primeiro pregão, em <strong>junho de 2025</strong>, a <strong>JBS</strong> movimentou <strong>US$ 285 milhõe</strong>s, que corresponde a <strong>4,5 vezes a média dos últimos 12 meses</strong> das negociações em São Paulo.</p>



<p>A decisão da JBS vai além da busca por prestígio. A empresa carrega um <strong>desconto de 20% a 25%</strong> em relação à americana <strong>Tyson Food</strong>s. Ao se alinhar aos pares globais, espera <strong>reduzir esse distanciamento</strong> e atrair fundos internacionais que exigem ações listadas nos Estados Unidos. A meta é ingressar em índices como o <strong>Russell 2000</strong> e, em alguns anos, pleitear vaga no<strong> S&amp;P 500</strong>, a vitrine máxima de Wall Street.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Caminho híbrido das gigantes brasileiras</strong></h2>



<p>Assim como a JBS, outras empresas também preferem a <strong>estratégia da dupla listagem</strong>, com ações na B3 e negociações de ADRs em Wall Street. Gigantes como <strong>Vale, Petrobras e Itaú Unibanco</strong>, fazem isso para aproveitar a vitrine global sem abandonar a base doméstica.</p>



<p>Essa combinação permite <strong>captar recursos em duas frentes</strong>. Ao manter papéis no Brasil, preservam a presença no mercado local e <strong>mantêm proximidade com investidores domésticos</strong>. Movimentando nos Estados Unidos, ganham liquidez, visibilidade institucional e <strong>acesso a fundos internacionais</strong> de grande porte. As maiores empresas brasileiras entenderam que Wall Street é também um c<strong>aminho indispensável</strong> para trilhar a própria história.</p>
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		<title>O Brasil digital e os Correios de papel</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bastidores]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Jun 2025 21:31:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Crise]]></category>
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					<description><![CDATA[Em meio à maior transformação da história da logística brasileira, os Correios acumulam derrotas sucessivas. O que um dia foi sua maior fortaleza, uma rede nacional com mais de 6.000 agências e presença em todos os municípios do país, hoje pesa como um custo difícil de sustentar. A estatal virou um operador nacional que, em [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em meio à <strong>maior transformação da história da logística </strong>brasileira,<strong> </strong>os <strong>Correios</strong> acumulam derrotas sucessivas. O que um dia foi sua <strong>maior</strong> <strong>fortaleza</strong>, uma rede nacional com mais de <strong>6.000 agências</strong> e presença em <strong>todos os municípios do país,</strong> hoje pesa como um custo <strong>difícil de sustentar. </strong>A estatal virou um <strong>operador</strong> <strong>nacional</strong> que, em vez de transformar <strong>capilaridade em escala, </strong>converteu <strong>alcance em passivo.</strong></p>



<p>Detentora do<strong> monopólio legal sobre o serviço postal,</strong> a empresa mergulhou num ciclo de <strong>ineficiência</strong>, <strong>endividamento</strong> e <strong>perda de mercado </strong>que parece cada vez mais difícil de reverter. A deterioração se acentuou em <strong>2024</strong>, quando o saldo em caixa da companhia <strong>encolheu 83%, </strong>um alerta silencioso que escancarava a proximidade de um colapso.</p>



<p>No primeiro trimestre de <strong>2025</strong>, os números deixaram de ser apenas sintoma e passaram a representar o diagnóstico final: um prejuízo de <strong>R$1,7 bilhão,</strong> alta de <strong>115%</strong> em relação ao mesmo período do ano anterior, foi o pior resultado desde <strong>2017</strong>. Já são<strong> 11 trimestres consecutivos no vermelho</strong>, nove deles sob a gestão de <strong>Fabiano</strong> <strong>Silva</strong>, indicado no início do terceiro mandato de Lula.</p>



<p>Os números resumem o colapso: um fluxo de caixa em <strong>erosão</strong>, queda de receitas, aumento dos custos fixos e uma perda progressiva de relevância. Ao contrário do que muitos imaginam, os Correios<strong> não operam no azul</strong> nem mesmo com o <strong>monopólio</strong> garantido por lei. E já <strong>não entregam </strong>sequer metade das encomendas do e-commerce nacional.</p>



<p>A pergunta que fica é simples:<strong> o que exatamente os Correios ainda entregam?</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left">Um império que virou fardo</h2>



<p><strong>O caixa da empresa secou,</strong> depois de consumir, em 2024, praticamente <strong>todas as suas reservas </strong>financeiras, recorrendo a resgates de aplicações apenas para pagar<strong> despesas operacionais.</strong></p>



<p>De lá para cá, a sangria só acelerou, em abril de 2025, a direção <strong>cortou férias, reduziu</strong> <strong>jornadas</strong> e anunciou um <strong>plano emergencial para enxugar R$ 1,5 bilhão</strong> em despesas ainda neste ano. Em maio, uma <strong>greve</strong> <strong>nacional</strong>. Em junho, <strong>atrasos em pagamentos a fornecedores</strong> e <strong>hospitais suspenderam o atendimento a funcionários pelo Postal Saúde.</strong></p>



<p>A <strong>ADCAP</strong>, associação dos profissionais de carreira, não mediu palavras: chamou a empresa de<strong> “pré-insolvente”, </strong>culpando o <strong>loteamento</strong> <strong>político</strong> da diretoria e a<strong> ausência de gestão técnica. </strong>O governo rebateu, como sempre, apontando o dedo para a <strong>gestão anterior. </strong>Mas o que importa mesmo é o buraco: se nada mudar, o déficit acumulado pode passar de <strong>R$5 bilhões </strong>até dezembro. É o Estado prestes a ser <strong>fiador</strong> de um modelo que já não entrega <strong>nem a si mesmo.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Um monopólio que sangra</strong></h2>



<p>O cerne do colapso financeiro é a<strong> perda de mercado. </strong>Os Correios ainda detêm o <strong>monopólio legal </strong>sobre cartas e impressos simples, um segmento que<strong> encolhe ano a ano </strong>com o avanço do digital. Mas o grosso do faturamento <strong>(mais de 70%) </strong>vem das encomendas, especialmente as ligadas ao <strong>comércio eletrônico.</strong></p>



<p>Foi aí que o castelo desmoronou, em <strong>2013</strong>, segundo a <strong>ABComm</strong>, os Correios respondiam por <strong>81% das entregas do e-commerce brasileiro. </strong>Em <strong>2019</strong>, essa fatia caiu para <strong>62,5%</strong>. Em 2024, os Correios estavam reduzidos a <strong>25% do mercado.</strong></p>



<p>O impacto é direto, a <strong>Amazon</strong>, por exemplo, já entrega a <strong>maioria dos pacotes com frota e centros próprios.</strong> Desde 2019, ampliou sua <strong>infraestrutura</strong> <strong>logística</strong> e reduziu drasticamente a <strong>dependência dos Correios. </strong>O <strong>Mercado</strong> <strong>Livre</strong>, que em 2019 ainda usava a estatal como principal distribuidora, hoje realiza <strong>90% das entregas com malha própria.</strong> O plano é atingir <strong>3.500 cidades com entrega em até 24h</strong> até o fim de 2025.</p>



<p>Outros players também avançaram, a <strong>Jadlog</strong>, controlada pela francesa GeoPost, <strong>dobrou sua presença</strong> no B2C. A <strong>Total</strong> <strong>Express</strong> firmou acordos com grandes <strong>varejistas</strong> e <strong>marketplaces</strong>. A <strong>Azul Cargo, </strong>que teve uma joint venture com os Correios em 2018, opera hoje de<strong> forma independente, </strong>com foco em cidades médias. E a <strong>Loggi</strong>, avaliada em mais de<strong> R$6 bilhões, </strong>criou uma rede inteligente de entregadores autônomos e já cresce <strong>25% ao ano </strong>em volume de entregas.</p>



<p>Startups chinesas como <strong>Shopee</strong> e <strong>Shein</strong> também entraram no jogo com <strong>estruturas próprias</strong> ou <strong>parcerias logísticas exclusivas.</strong> Resultado: a estatal perdeu não só volume, mas também sua principal vantagem competitiva, a <strong>capilaridade</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left">Uma estatal analógica em um mercado digital</h2>



<p>O retrato atual é <strong>constrangedor</strong>, em pleno 2025, os Correios ainda enfrentam <strong>escassez de insumos básicos: </strong>tinta de impressora, papel, sacolas. Agências suspenderam atendimento por falta de envelopes. O sistema de rastreio teve pane nacional em maio.</p>



<p>Internamente, processos são <strong>manuais</strong>. Atualizações de status demoram horas, não há <strong>integração nativa </strong>com marketplaces, nem <strong>API</strong> <strong>robusta</strong>. Para quem vende online, usar os Correios é escolher operar no escuro.</p>



<p>O projeto de <strong>digitalização</strong>, orçado em <strong>R$ 600 milhões, </strong>foi <strong>engavetado</strong> parcialmente em 2023 por <strong>falta de recursos. </strong>Houve anúncio de<strong> R$1,6 bilhão</strong> em investimentos em tecnologia e frota nos últimos dois anos, mas <strong>nada indica</strong> ganho de eficiência relevante. O app é limitado. O marketplace <strong>“Mais Correios” </strong>chegou tarde. E ainda é irrelevante.</p>



<p>Enquanto isso, lockers automatizados, inteligência de rotas, entregas no mesmo<strong> </strong>dia<strong>, </strong>tudo isso se tornou <strong>padrão no setor privado.</strong> A estatal opera como se estivéssemos em 2008, mas estamos em 2025.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>A greve que parou o país</strong></h2>



<p>Em maio de 2025,<strong> a crise se transformou em</strong> <strong>colapso</strong>, após semanas de atrasos salariais, suspensão de benefícios e cortes internos, <strong>os funcionários da estatal decretaram greve nacional. </strong>A paralisação afeta <strong>toda a cadeia:</strong> encomendas, remédios, correspondências judiciais e até serviços públicos. O Sedex 10, Sedex 12 e Sedex Hoje foram <strong>suspensos</strong> em diversas regiões.</p>



<p>O movimento também foi impulsionado por <strong>atrasos no repasse ao plano de saúde</strong> (Postal Saúde), que acumulava dívida de <strong>R$400 milhões,</strong> e pela suspensão de férias e corte de jornada anunciados em abril. A <strong>FENTECT</strong> aprovou greve por tempo indeterminado caso as negociações não avançassem.</p>



<p>A resposta da empresa foi um<strong> acordo de emergência: </strong>pagamento escalonado de benefícios atrasados e promessa de criação de um grupo de trabalho para “discutir modernização”<strong>. Nenhuma meta, nenhum orçamento, apenas sobrevida.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Gestão loteada, estratégia ausente</strong></h2>



<p>A instabilidade é agravada por um modelo de gestão que <strong>favorece interesses políticos.</strong> Com cerca de <strong>90 mil funcionários </strong>e uma estrutura hierárquica <strong>inchada</strong>, os Correios têm <strong>pouca autonomia</strong> para <strong>reagir</strong> <strong>ao mercado. </strong>Tarifas precisam ser autorizadas pelo <strong>governo</strong>, reestruturações dependem de aprovação <strong>sindical</strong> e cargos estratégicos são distribuídos a <strong>partidos da base.</strong></p>



<p>O atual presidente, <strong>Fabiano</strong> <strong>Silva dos Santos, </strong>foi indicado por Lula com apoio de sindicatos. Sua gestão <strong>paralisou estudos de privatização</strong>, <strong>suspendeu parcerias com o setor privado </strong>e priorizou, nas palavras de um ex-executivo da empresa, <strong>“as demandas internas sobre o plano estratégico”.</strong></p>



<p>Em abril, a <strong>ADCAP</strong> — associação de funcionários de carreira — emitiu uma nota pública acusando a nomeação de lideranças despreparadas, pautadas por critérios partidários. Segundo a entidade, a empresa estaria em situação de<strong> pré-insolvência. </strong>A estatal respondeu dizendo que herdou uma estrutura fragilizada da gestão anterior, acusando-a d<strong>e “sucateamento deliberado visando a privatização”.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Uma conta que não fecha há anos</strong></h2>



<p>Os Correios operam sob uma estrutura de custos <strong>incompatível</strong> com a realidade do mercado. Salários indexados, benefícios generosos, licitações engessadas, obrigações de prestação universal e um passivo previdenciário que drena caixa<strong>. O Postalis, fundo de pensão dos funcionários, precisou de aportes bilionários</strong>, o Postal Saúde está em crise.</p>



<p>A folha caiu de<strong> 115 mil funcionários</strong> em 2013 para cerca de <strong>86 mil em 2024</strong>, mas os cortes vieram à custa de<strong> perdas de expertise </strong>e <strong>não resolveram o problema estrutural. </strong>Entre 2015 e 2016, os prejuízos somaram <strong>R$3,5 bilhões.</strong> De 2017 a 2021, houve um <strong>breve alívio, </strong>com lucros impulsionados pela explosão de encomendas na pandemia, mas os resultados positivos <strong>mascararam o subinvestimento.</strong></p>



<p>Com a queda de receitas a partir de 2022 e a redução dos pacotes internacionais (afetados pela<strong> “taxa das blusinhas”</strong> de 2024), o desequilíbrio voltou. A atual direção projeta economizar <strong>R$1,5 bilhão </strong>em 2025 com cortes emergenciais. Mas, sem aumento de receita ou reestruturação profunda, trata-se apenas de <strong>fôlego curto.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Estatuto engessado, futuro bloqueado</strong></h2>



<p>A forma jurídica da empresa, uma <strong>estatal 100% pública,</strong> impõe restrições severas. Os Correios <strong>não podem ter sócios,</strong> <strong>não podem emitir ações, não podem criar subsidiárias com agilidade.</strong> Enquanto Amazon ou Mercado Livre<strong> captam bilhões em rodadas de investimento, </strong>a ECT depende do <strong>orçamento</strong> <strong>público</strong> ou da <strong>própria geração de caixa.</strong></p>



<p>A tentativa de mudar isso foi feita em 2021, quando o <strong>BNDES</strong> estruturou um<strong> projeto de privatização</strong> com <strong>concessão</strong> <strong>parcial</strong> e <strong>abertura de capital.</strong> A proposta, no entanto, foi <strong>engavetada</strong> em 2023 com a promessa de <strong>“recuperação com base no papel social”.</strong></p>



<p>Hoje, os entraves jurídicos continuam. A empresa permanece presa entre a obrigação de <strong>cobertura universal </strong>e a<strong> falta de liberdade empresarial.</strong> Um limbo que <strong>impede</strong> <strong>qualquer</strong> <strong>modernização</strong> real.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>Um plano de negócios sem lastro</strong></h2>



<p>Nos últimos dois anos, a empresa tentou lançar novas frentes, anunciou um <strong>marketplace próprio</strong> (“Mais Correios”), <strong>serviços de telefonia móvel </strong>(Correios Celular), <strong>produtos</strong> <strong>financeiros</strong> e uma <strong>conta digital</strong>, mas<strong> nenhuma dessas iniciativas vingou</strong> com tração relevante. Especialistas ouvidos pela <em>Bastidores</em> apontam <strong>falta</strong> <strong>de foco, </strong>ausência de metas claras e <strong>dificuldade de execução </strong>em uma organização que opera com processos da década passada.</p>



<p>Segundo levantamento da <strong>Accenture</strong>, os Correios precisariam investir<strong> R$2 bilhões </strong>por ano para modernizar sua infraestrutura e competir em igualdade. Em <strong>2023</strong> e <strong>2024</strong>, o investimento ficou próximo de R$<strong> 1,6 bi,</strong> insuficiente frente às deficiências acumuladas.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-text-align-left"><strong>O que está em jogo</strong></h2>



<p>A derrocada dos Correios expõe algo maior: o<strong> fracasso de um modelo estatal </strong>que resistiu à mudança, acreditando que sua <strong>posição histórica</strong> bastaria para garantir relevância. Não foi a privatização que destruiu a empresa, foi a <strong>ausência</strong> dela. Ou, ao menos, a ausência de um<strong> plano de transição </strong>sério, estruturado e comprometido com a eficiência.</p>



<p>Em 2025, a estatal ainda possui <strong>capilaridade incomparável.</strong> Está presente em todos os municípios do país, mas a cada trimestre que passa, essa presença se torna <strong>menos</strong> <strong>estratégica</strong> e <strong>mais onerosa.</strong> A confiança dos consumidores foi perdida, o mercado foi embora e o<strong> custo da paralisia</strong> será, como sempre, <strong>pago pelo contribuinte.</strong></p>



<p>Se nenhuma decisão for tomada nos próximos meses, os Correios não se tornarão apenas uma empresa ineficiente. Serão lembrados como o <strong>maior cemitério logístico do Brasil</strong> e um símbolo de<strong> tudo que o setor público pode desperdiçar</strong> quando confunde estabilidade com estagnação.</p>
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